Entrevista Maria Fernanda Fadel – Vida Sustentável

Quando pensamos em profissionais da área ambiental, quase sempre lembramos dos biólogos, engenheiros florestais e catadores de materiais recicláveis. Mas a sustentabilidade deve ser inserida em todas as áreas e profissões. E uma categoria que consegue implementar projetos sustentáveis, incluindo diversos profissionais em suas atividades, é o designer de interiores sustentável.

Para compreender melhor sobre essa atividade, o IPG conversou com a gestora de projetos, Maria Fernanda Fadel. Formada em Design de Interiores, também é graduada em Administração Pública pela Universidade Católica de Petrópolis e possui MBA em Administração Pública, concluído na Fundação Getúlio Vargas. Com larga experiência em desenvolver projetos de interiores de forma consciente adotou a sustentabilidade também como um estilo de vida. Em seus trabalhos ela é responsável pela criação, execução e acompanhamento de  projetos de Arquitetura de Interiores em residências e espaços comerciais. Minimizar o impacto ambiental e promover a saúde e o bem-estar dos ocupantes é uma de suas prioridades. Por isso, utiliza materiais ecológicos, estimula a eficiência energética, a redução de resíduos e a incorporação de elementos da economia circular. Maria Fernanda reaproveita bastante materiais de demolição e foi uma das fundadoras do movimento Redesign Mood. Colaboradora do IPG, conheceu Philippe Guédon e acredita que ele deixou um grande legado para o município.

Confira abaixo a entrevista na íntegra

IPG – Você já está há algum tempo desenvolvendo projetos de sustentabilidade na área de moda e de design de interiores. O que te motivou a entrar nesta área?

MF – Desde  a minha infância sentia uma necessidade interna de reaproveitar objetos e roupas e recriar em cima deles. Durante minha adolescência me interessei  por sustentabilidade através da criação e comercialização de peças de roupas e também do reaproveitamento de materiais em casa.Criei essa cultura também na minha casa com minhas filhas e depois  no trabalho, nos meus projetos de design de interiores, procurando reaproveitar itens e materiais  já existentes no espaço, assim como sempre apoiei a moda reciclada, brechós e feiras de sustentabilidade em Petrópolis e no Rio. Durante a pandemia, aumentei muito esse apoio e incentivo forte  à sustentabilidade.Me tornei líder de sustentabilidade no grupo Mulheres do Brasil, como voluntária, praticando com os grupos lá diariamente e, na minha vida incluí essa filosofia, tanto em casa quanto no trabalho,na forma de cuidar do  lixo, na forma de se locomover – na maior parte do tempo ando a pé – ou na  alimentação sustentável e saudável que iniciei em 2019 após um tratamento natural e que ocasionou uma regeneração completa da minha saúde física e hábitos, através do pouco consumo de itens desnecessários.Sempre me incomodei com todas as formas de desperdício e descartes desnecessários. Acredito que é uma outra forma de viver melhor e de maneira sustentável é priorizar estar sempre  perto da natureza para   manutenção da  própria saúde física e mental. É verdadeiramente um estilo de vida para mim!

IPG – Quais projetos já desenvolveu?

MF – Projetos de repaginação arquitetônica  e design de interiores, moda criativa, moda reciclada. Fui líder de sustentabilidade no grupo Mulheres do Brasil, onde participei de uma série de movimentos e projetos de logística reversa, reciclagem e cuidados com a natureza.

IPG – Poderia explicar sobre o Redesign Mood?

MF – Após  alguns anos na área de design, o Redesign mood nasceu com esse propósito de repaginação com o reaproveitamento de móveis, peças e materiais pré-existentes  que valorizam a história da cada um, valoriza os  materiais e peças nobres e de época e evitam o desperdício e custo excessivo.

IPG – Quais as principais dificuldades para implementar os projetos nessa área de sustentabilidade?

MF – Eu não tive grande dificuldades  em defender a sustentabilidade nos projetos pelo conceito. A não ser, claro, quando era um projeto totalmente novo e com um proposta geralmente comercial muito moderna. Mas ainda assim, quase sempre, conseguia  garimpar  peças antigas para trazer esse conceito e mostrar a importância de valorizar o antigo e que já existe a união com o novo.

IPG – Pensando  na “Petrópolis Que Queremos”, teria alguma sugestão de como fazer a cidade se desenvolver de forma mais sustentável?

MF – Acho que a melhor forma e a mais eficiente ainda é através da educação,  e da mudança de cultura ou melhor fazer o caminho de volta para o que realmente importa , pois só através da  consciência  pura e clareza do ser humano que transformamos a sociedade .

Nas fotos abaixo alguns trabalhos de Maria Fernanda feitos com materiais reaproveitados.

Entrevista, redação e edição: Teresinha Almeida