INSTITUTO PHILIPPE GUÉDON (IPG) APRESENTA PROPOSTAS PARA SECRETARIA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE

Nesta quinta-feira (22/02), o Instituto Philippe Guédon (IPG), representado por Silvia Guédon (Presidente de Honra), Cleveland M. Jones (Presidente), Maria Cristina Franca Melo, Roberto Musser, e Luís Carlos Dias de Oliveira, receberam na sede da ACEP (Associação Comercial e Empresarial de Petrópolis), junto com Paulo Marcos dos Reis (Presidente da ACEP), a visita do Secretário de Meio Ambiente de Petrópolis, Carlos Alberto, Secretário Municipal de Meio Ambiente e de Mauro Corrêa, técnico da Secretaria de Meio Ambiente.

No encontro, o Secretário relatou o histórico do Parque Natural Municipal Padre Quinha e dos projetos que a Secretaria apresentou para a reforma do casarão do parque e da construção do novo Pavilhão Oscar Niemeyer e também o que considera os possíveis impactos do Pavilhão Oscar Niemeyer no turismo, nas ações de Educação Ambiental e na imagem de Petrópolis.

O IPG reafirmou a sua posição apartidária em prol do debate amplo e livre e o compromisso com a promoção de políticas públicas construindo um ambiente de oportunidades para o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida em Petrópolis.

Em relação ao Pavilhão Niemeyer, o IPG mantém o seu entendimento de que existem assimetrias de informações e que o melhor caminho é o entendimento mútuo.

O IPG apresentou cinco propostas de projetos em temas considerados prioritários no entendimento da Secretaria de Meio Ambiente e serão desenvolvidas alternativas de parcerias com o IPG em projetos na área ambiental.

SOLUÇÕES PARA O DESCARTE DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

ENTREVISTA COM CLEVELAND JONES – Presidente do IPG (Instituto Philippe Guédon) Pesquisador do INOG – Instit. Nac. de Óleo e Gás/CNPq – UERJ Membro, Geosciences Advisory Board – NXT Energy Solutions

IPG – Os aterros sanitários são a melhor solução para destinar o lixo gerado em uma cidade?Explique o porquê.

CJ – Os aterros são uma solução ambientalmente aceitável para a destinação final dos resíduos sólidos urbanos (RSU) gerados na maioria das cidades brasileiras, conquanto sejam construídos e operados adequadamente. Mas é importante lembrar que aterro sanitário não é lixão, e vice-versa.

Cleveland Jones

Qualquer aterro deve funcionar dentro de um plano maior, que inclui, além da coleta e destinação adequada de RSU, programas de coleta seletiva, reciclagem, destinação diferenciada de lixo verde e entulho de obras, e compostagem de resíduos orgânicos, sempre que possível. Os aterros exigem uma área relativamente grande para sua instalação, para poder armazenar os RSU gerados diariamente por um prazo relativamente longo, de pelo menos alguns anos. Sua construção envolve muito mais que o preparo do terreno escolhido, pois envolve técnicas construtivas específicas, para assegurar que não haja impactos adversos, como contaminação do solo e recursos hídricos, e para minimizar outros impactos, como ruído, cheiro, efeitos na vizinhança (especialmente próximo a aeroportos, pela inevitável presença de aves que têm preferência por esses locais). Também têm que cumprir certas exigências ambientais e técnicas, como assegurar espaço logístico para sua operação, distância mínima de recursos hídricos e populações, etc.

Infelizmente, como em Petrópolis, é comum que seja difícil encontrar espaços suficientemente grandes e adequados para a instalação de um aterro sanitário. E a questão logística, envolvendo a distância entre centros geradores e o aterro, assim como o trajeto até o aterro e seus impactos na vizinhança e vias transitadas, também representam uma dificuldade para instalar novos aterros.

IPG – Quais são as alternativas para a instalação de um aterro sanitário, como em Petrópolis?

CJ – Em alguns casos, é possível justificar uma alternativa aos aterros, que são geralmente a forma mais barata e confiável para o destino dos RSU. Entretanto, Petrópolis tem poucos espaços disponíveis que podem ser utilizados como aterros, e sua topografia dificulta a construção de um aterro dentro das exigências técnicas e ambientais.

Nesses casos, o governo federal e o estado do Rio de Janeiro têm estimulado a criação de consórcios intermunicipais para a destinação dos RSU de um ou mais municípios, em um aterro de outro município. É o sistema que temos em funcionamento atualmente, em Petrópolis, em que os RSU de Petrópolis são levados ao aterro do Consórcio Intermunicipal Três Rios, no município de Três Rios, a uns 70km de Petrópolis.

Obviamente, além da necessidade de uma estação de transbordo, onde os RSU são colocados em caminhões diferentes dos que coletam os RSU, o transporte por longas distancias gera custos significativos, e impactos ambientais adicionais. Enquanto não houver alternativa mais atraente para Petrópolis, essa continuará sendo a solução empregada para a destinação de seus RSU.

Mas devemos lembrar que em qualquer sistema de coleta e destinação de RSU de qualquer centro populacional, seja ele grande ou pequeno, o incentivo à coleta seletiva e reciclagem, e à compostagem, podem reduzir os custos do sistema, pois reduzem a quantidade de RSU que precisa ter destinação final adequada, enquanto podem gerar benefícios ambientais, emprego e renda, além de reduzir dos custos para obter novos materiais que a economia demanda.

IPG – Haveria outras soluções para a destinação dos RSU de Petrópolis?

CJ – Quando as alternativas mais em conta, como aterros próprios ou consorciados, não estão disponíveis ou não são viáveis, por falta de espaços adequados, logística inviável, limitações ambientais ou custos elevados, as usinas de lixo são uma alternativa.

Nessas instalações, os RSU são incinerados a altas temperaturas ou pirolisados (alta temperatura sem oxigênio). Com o devido controle das emissões (filtros), pouquíssimos resíduos finais são gerados (basicamente cinzas). Essas usinas também podem ser construídas para gerar energia pela queima dos RSU, assim como outros produtos de valor agregado, como o biochar (carvão vegetal) e outros, que podem ser utilizados na agricultura, no paisagismo, etc.

Entretanto, há de se considerar que geralmente essa forma de destinação final dos RSU pode ser significativamente mais cara do que em um aterro, e geralmente é escolhida em países mais ricos ou centros urbanos onde o transporte em longas distancias é proibitivo, ou implica em impactos inaceitáveis do transporte de lixo por centros de alta densidade populacional.

IPG – Como a população que mora no entorno ou que sobrevive do trabalho feito nos aterros poderia ser beneficiada?

CJ – Não somente essa população adjacente, mas muitos outros trabalhadores que se dedicam à coleta e reciclagem dos RSU, dependem dos RSU gerados em uma cidade ou município. Eles são uma parte importante da destinação final dos RSU, pois quanto mais material for retirado do fluxo destinado aos aterros ou outro destino final, menor a quantidade levada aos aterros ou processada em uma usina, o que pode reduzir os custos significativamente, além de fornecer sustento para esses trabalhadores.

A coleta, separação e reciclagem de materiais do fluxo de RSU gerados, especialmente através de cooperativas ou associações de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis faz parte, inclusive, da política nacional de resíduos sólidos, constante da Lei 12.305 de 2010. Reconhecendo os benefícios ambientais, sociais e para a cadeia produtiva desses trabalhadores, essa lei imputa ao “titular dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos” o apoio à organização e o funcionamento de cooperativas desses trabalhadores.

Infelizmente, o que se observa na prática, em Petrópolis como em praticamente todo o Brasil, é uma desobservância a essa obrigação, assim como a diversas outras obrigações que a Lei 12.305 criou, mas que foram ignoradas, e algumas das mais importantes, como a obrigação de pôr fim aos lixões, tiveram sua vigência adiada repetidamente, para atender aos municípios que desrespeitaram suas obrigações, ao invés de exigir o cumprimento da lei.

Diante dessa realidade, os trabalhadores que se dedicam à coleta, separação e reciclagem dos materiais recicláveis, especialmente os mais frágeis dessa cadeia, os chamados catadores, sofrem com a falta de incentivos para realizar seu trabalho com remuneração e condições dignas. E quem perde, além deles, é toda sociedade, que deixa de auferir os benefícios ambientais e econômicos do reaproveitamento de materiais que poderiam deixar de ser destinados como RSU e se transformar em emprego, renda e recursos produtivos para a economia.

IPG – Como deve ser feito o descomissionamento de aterros, ao final de sua vida útil?

CJ – O descomissionamento de um aterro é uma fase integral do ciclo de vida de um aterro, desde sua concepção e licenciamento, até o fim de sua operação, que envolve o período em que não mais recebe RSU para destinação final, mas que ainda deve ser operado para assegurar que seus impactos ambientais sejam minimizados.

Após o encerramento das atividades de recebimento e condicionamento dos RSU (cobertura regular e constante com material adequado, como argila ou terra), o aterro ainda deverá ser operado por vários anos, enquanto o chorume e o biogás continuarem a ser gerados.

O chorume continuará sendo gerado por bastante tempo, portanto seu tratamento, ou disposição final em estação de tratamento de efluentes (ETE) capacitada para tal recebimento, precisa continuar até que sua geração seja insignificante.

Da mesma forma, o biogás proveniente da decomposição da matéria orgânica também continuará sendo gerado por bastante tempo, e necessita ser captado e aproveitado, ou incinerado nos pontos de escape, para evitar sua emissão como potente gás de efeito estufa (predominantemente composto por metano e dióxido de carbono, além de outros componentes altamente tóxicos e perigosos).

Finalmente, as instalações que abrigavam a operação de um aterro precisam ser convertidas para um uso adequado, permitindo que um possível passivo ambiental seja transformado em um ativo útil. Geralmente, a superfície de um aterro é convertida em áreas vegetadas, parques, etc., ou em outras instalações condizentes com os cuidados exigidos pela necessidade da continuada captação e tratamento do chorume e biogás.

IPG – Quais os impactos e riscos do descomissionamento?

CJ – O descomissionamento de um aterro deve levar em conta os impactos ambientais possivelmente ocasionados, como o da geração continuada de chorume e biogás, mas também o impacto social que pode ocorrer com o fim de seu funcionamento, especialmente para as pessoas cujo trabalho dependia da operação do aterro, como aqueles que coletavam materiais recicláveis no local ou próximo dele.

Medidas eficazes para mitigar os impactos sociais podem ser muito complexas e de difícil implementação, já que podem exigir a transferência de populações afetadas, orientações para essa transição, oferta de oportunidades alternativas, recolocação ou capacitação, etc., e tudo de forma não impositiva, mas através de ações participativas.

IPG – O descomissionamento do aterro em Petrópolis pode ser feito? Quem seria o responsável?

CJ – O descomissionamento deveria ser responsabilidade do operador, que geralmente é o titular dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, mas que pode ter concedido o serviço através de contrato. Como vimos, as ações de descomissionamento, inclusive seu monitoramento, por exigências legais e técnicas, podem durar anos após o encerramento das atividades de recebimento de RSU.

Dessa forma, o descomissionamento se configura como uma etapa potencialmente onerosa, e de longa duração, motivo pelo qual qualquer ente responsável por essa etapa busca reduzir os custos e as atividades associadas ao máximo. Resta à autoridade municipal concedente, que no caso de Petrópolis é a Comdep fiscalizar a operação e assegurar a adequada realização dos serviços tecnicamente, ambientalmente e legalmente necessários. E resta ao órgão estadual fiscalizador, que no caso de Petrópolis é o INEA, acompanhar e exigir o cumprimento dessas obrigações, monitorando a operação através de relatórios do operador e por fiscalização própria, independente. Mas no caso de Petrópolis, a Secretária de Meio Ambiente, que está capacitada a fazer licenciamento de operações cujos impactos residem exclusivamente no município, também teria que monitorar e fiscalizar a operação durante a fase toda do descomissionamento.

Em Petrópolis, o aterro de Pedro do Rio já teve sua operação encerrada, e teoricamente não deveria haver mais destinação de RSU para lá. As medidas mais básicas de descomissionamento, como o tratamento do chorume e biogás, deveriam estar sendo realizadas e monitoradas. A transformação do local para outro uso adequado e útil parece não ter sido realizado, até porque o local, até onde sabemos, continua recebendo outros resíduos, que tecnicamente também são RSU, mas que são categorizados separadamente. Esses resíduos são basicamente entulho (resíduos inertes de obras) e lixo verde (de podas, jardinagem, etc.).

Se a situação atual constitui ou não uma atuação de acordo com a lei e com as obrigações contratuais e legais das partes e dos órgãos fiscalizadores, é uma questão em aberto, que não é facilmente determinada. Isso porque não há transparência nas ações e operações realizadas, nem por parte do operador nem por parte dos órgãos fiscalizadores responsáveis. A falta de transparência impede uma avaliação da real situação atual.

O que pode ser dito é que eu visitei o Aterro de Pedro do Rio em duas ocasiões, em 2012 e 2014, quando fiz relatórios técnicos da situação encontrada, e em ambas as ocasiões apontei grosseiros erros e falhas em sua operação. Esses relatórios estão disponíveis na página do Dados Municipais, mantido pelo IPG (www.dadosminicipais.org.br). Entretanto, se quando o aterro ainda estava operando e gerando receita para o operador, e essas receitas ainda podiam justificar e permitir uma operação correta, isso não ocorria, imagino que agora, sem que o local esteja gerando receitas significativas, isso deve ser ainda mais improvável, infelizmente. A falta de transparência suscita ainda mais dúvidas, assim como o fato que após a visita de 2014, não me foi mais concedida a autorização para realizar outra visita técnica de inspeção.

IPG – Poderia dar exemplos de descomissionamento de aterros bem-sucedidos?

CJ – Um exemplo de um descomissionamento de um aterro que considero bem-sucedido é justamente o que eu coordenei no projeto de Diagnóstico Socioambiental da região do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho (AMJG). Como esse era o maior aterro da América do Sul, naturalmente o projeto envolveu muitos profissionais, e muitos aspectos a serem considerados, envolvendo questões técnicas, operacionais, ambientais e sociais. O trabalho foi realizado em duas partes: uma, analisando e fazendo recomendações referentes ao meio biótico e aspectos ambientais e operacionais, e outra, analisando e fazendo recomendações referentes aos aspectos socioeconômicos.

O MP-RJ respaldou o projeto (e minha indicação como coordenador geral), e assim conseguiu fazer com que a UERJ (através da qual eu participei) e o município de Caxias celebrassem o acordo que permitiu esse derradeiro trabalho para diagnosticar a realidade do AMJG e orientar seu encerramento e as respectivas recomendações. Certamente isso contribuiu para empoderar a equipe, viabilizar seu trabalho e permitir sua realização em um difícil ambiente de muitas pressões e interesses locais e regionais, que representavam históricos entraves ao efetivo e adequado encerramento do AMJG. Entretanto, a premência da necessidade de encontrar uma alternativa para a situação do lixo do Rio de Janeiro também deve ter sido chave, pois nesses casos, a vontade política é essencial para o êxito de qualquer iniciativa, e a falta de vontade política mais efetiva, no passado, condenou o AMJG a operar por bem mais tempo do que poderia ser justificado.

IPG – Poderia falar um pouco da sua experiência em Gramacho?

CJ – Apesar dos desafios, o encerramento operacional do aterro se deu apenas três anos após a conclusão de meus relatórios, que apontaram a triste realidade do AMJG e seu entorno, a necessidade de cessar o destino de RSU para o AMJG, e apresentaram propostas para mitigar os impactos ambientais e sociais daquela época e os que viriam após o descomissionamento do AMJG.

Aterro de Gramacho antes do encerramento

As dificuldades de lidar com as questões dos resíduos sólidos no Brasil, sempre relegados a um segundo plano, e notadamente no cenário local, onde inúmeras irregularidades existiram abertamente durante anos a fio, sugeriam a todos que o objetivo de eliminar completamente os problemas ambientais, operacionais e sociais do AMJG e de seu encerramento era uma meta que ninguém, inclusive eu, esperava alcançar plenamente.

Ainda assim, as principais conquistas foram justamente as mais importantes: a de precipitar a criação de uma alternativa ao AMJG, que foi a implementação e operacionalização do aterro em Seropédica, RJ; o descomissionamento efetivo e adequado do AMJG; o cadastramento e os cuidados e indenizações aos quase dois mil catadores que diretamente trabalhavam no AMJG; a oferta de novas oportunidades de trabalho com a implementação de centros de reciclagem de resíduos; a realização de ações técnicas para minimizar e mitigar os impactos ambientais do encerramento (tratamento de chorume e planta de biogás e geração de energia).

Diversas outras recomendações acabaram não sendo implementadas, ou pelo menos não plenamente, e algumas foram posteriormente descontinuadas, já que poder assegurar sua efetiva continuidade por muito tempo estava fora do alcance do projeto, especialmente considerando que o tema lixo é altamente contaminado pela política, e é volátil e sujeito à interação dos interesses locais, estaduais e federais.

Mas cabe ressaltar que nem todos os aterros oferecem tantos desafios, nem tampouco tantas oportunidades para implementar medidas para mitigar impactos negativos. Dada a escala do AMJG, por exemplo, a captação e tratamento de chorume conseguiu ser realizada em plantas maiores e mais eficazes, assim como a captura do biogás pode ser realizada com o aproveitamento do gás na geração de energia, já que o volume justificava essa instalação, e inclusive permitiu a emissão de créditos de carbono associados. As medidas socioeconômicas sugeridas foram as mais precarizadas, pois naturalmente são de longo prazo e exigem constante apoio financeiro e político, algo que tende a não se sustentar por muito tempo.

Contudo, considero o descomissionamento do AMJG um sucesso, ainda mais considerando o histórico de fracassos anteriores nesse sentido, e o próprio fracasso do Brasil em eliminar os lixões em todos os municípios brasileiros, algo que ainda está distante de ser alcançado, e representa uma vergonha nacional.

Lembremos que o grau de civilização de uma sociedade pode ser observado pelos seus cuidados com seu lixo. Por essa ótica, estamos mal no Brasil, mas também deficientes em Petrópolis.

TECNOLOGIA E CIDADANIA

ENTREVISTA COM SERGIO TALDO. Criador do Ctrl+Café

IPG – O que o motivou a atuar nesta área?

ST: Minha motivação veio muito cedo, na fase de infância, quando comecei a descobrir “O POR QUÊ DAS COISAS?”, que era uma brincadeira muito interessante e acabei descobrindo como muitas coisas, realmente, funcionavam.

Já na Universidade Católica de Petrópolis – UCP, em fevereiro/1986, quando ingressei para estudar Engenharia Mecânica, comecei a estudar e compreender melhor o funcionamento de algumas máquinas e instrumentos usados em nossa vida diária, tais como: ferramentas, eletrodomésticos, máquinas de tornearia, automóveis e seus motores à combustão interna, aviões e suas turbinas à jato, e como todas essas coisas eram projetadas, desenhadas e fabricadas. Também, fiquei impressionado como era feito o sistema de impressão de cartões, para gerarmos código de programação em computadores e a realização de determinadas tarefas.

De lá prá cá, minha curiosidade tem sido aguçada e os impactos tecnológicos em nossa vida tem sido um dos meus focos de interesse, estudo e trabalho.

IPG – Quais os benefícios da tecnologia para a gestão participativa?

ST – A tecnologia desempenha um importante papel na promoção da gestão participativa, que é um modelo de administração que envolve a colaboração ativa dos membros da equipe na tomada de decisões e no processo de gestão. Cito alguns benefícios que a tecnologia pode proporcionar à gestão participativa:

1.         Comunicação Eficiente:

•          Ferramentas de comunicação online (e-mails, mensagens instantâneas e plataformas de colaboração), facilitam a troca rápida/eficiente de informações entre a equipe, promovendo transparência e inclusão.

2.         Colaboração Remota:

•          Equipes distribuídas geograficamente usam a tecnologia na colaboração eficaz, permitindo que todos contribuam independentemente de sua localização. Videoconferências, compartilhamento de documentos online e outras ferramentas colaborativas são essenciais.

3.         Acesso a Dados e Informações:

•          Sistemas de gestão de informação permitem acesso fácil e rápido a dados relevantes, permitindo que a equipe de trabalho tome decisões acertadas. Para uma gestão participativa baseada em informações precisas, isso é essencial.

4.         Feedback em Tempo Real:

•          Plataformas digitais possibilitam a coleta e análise de feedback em tempo real. Assim, ajustes rápidos e contínuos são realizados nas estratégias, promovendo uma gestão mais ágil.

5.         Participação Virtual em Reuniões e Tomadas de Decisão:

•          Ferramentas de videoconferência e plataformas de votação online possibilitam a participação remota em reuniões e processos de decisão. Isso é fundamental para a inclusão de membros de equipes que podem não estar fisicamente presentes.

6.         Transparência:

•          Sistemas de gestão e plataformas colaborativas proporcionam transparência nas operações e processos da empresa. Isso ajuda a construir confiança entre os membros do time e promove a participação ativa.

7.         Inovação Colaborativa:

•          Ambientes online facilitam a co-criação e inovação colaborativa. Sendo assim, a equipe pode contribuir com ideias e sugestões de maneira eficaz, independentemente de sua hierarquia.

8.         Facilitação da Gestão de Projetos:

•          Ferramentas de gestão de projetos online ajudam a coordenar atividades do time de trabalho, atribuir tarefas, acompanhar o progresso e garantir que todos estejam alinhados aos objetivos em comum.

9.         Flexibilidade e Agilidade:

•          A tecnologia estimula maior flexibilidade e agilidade na adaptação a mudanças e na implementação de novas abordagens, alinhando-se às necessidades dos times.

10.      Desenvolvimento de Competências:

•          Plataformas de aprendizado online e recursos digitais são usadas para o desenvolvimento de habilidades e competências dos membros da equipe, promovendo um ambiente de aprendizado contínuo.

Em resumo, a tecnologia desempenha um papel muito importante na viabilização e no aprimoramento da gestão participativa, oferecendo ferramentas que facilitam a comunicação, a colaboração e a tomada de decisões, contribuindo para o sucesso e a eficácia desse modelo de gestão.

IPG Como fazer com que o acesso à tecnologia seja mais acessível? A pandemia mostrou como ainda é desigual esse acesso.

ST – A redução da desigualdade no acesso à tecnologia é um enorme desafio, especialmente após a pandemia, que ampliou as disparidades existentes. Cito algumas estratégias para tornar o acesso à tecnologia mais acessível:

1.         Infraestrutura de Conectividade:

•          Investir em banda larga acessível e infraestrutura de rede robusta, especialmente em áreas rurais e economicamente desfavorecidas.

2.         Acesso a Dispositivos:

•          Criar programas que forneçam dispositivos acessíveis, como laptops, tablets ou smartphones, para comunidades carentes, estudantes e famílias de baixa renda.

3.         Iniciativas de Educação Digital:

•         

  1. Iniciativas de Educação Digital:
    • Desenvolver programas para capacitar as pessoas a usar a tecnologia de maneira eficaz, tais como: treinamentos, workshops e recursos online gratuitos.
  2. Parcerias Público-Privadas:
    • Estabelecer parcerias entre o setor público e privado, criando soluções inovadoras e acessíveis, onde empresas podem contribuir com recursos, conhecimento e tecnologia, apoiando iniciativas governamentais.
  3. Planos de Acesso Subsidiado:
    • Oferecer subsídios para famílias de baixa renda, garantindo que o custo não seja uma barreira para a conectividade.
  4. Incentivar a Produção Local de Tecnologia:
    • Desenvolver a tecnologia local, reduzindo custos e tornando os produtos mais acessíveis. Isso pode incluir a fabricação local de dispositivos e a criação de software de código aberto.
  5. Bibliotecas e Espaços Comunitários Digitais:
    • Estabelecer espaços equipados com computadores e acesso à internet, como bibliotecas públicas ou centros comunitários, de forma que as pessoas possam acessar recursos digitais.
  6. Reciclagem de Dispositivos:
    • Criar programas de reciclagem e recondicionamento de dispositivos eletrônicos, para redistribuí-los à comunidades que não têm acesso a tecnologia.
  7. Desenvolver Conteúdo Localizado:
    • Criar conteúdo digital relevante e localizado, considerando as necessidades específicas das comunidades, incluindo idiomas locais, temas culturalmente relevantes e aplicativos adaptados.
  8. Incentivar a Inclusão Digital para Grupos Vulneráveis:
    • Implementar programas para garantir a inclusão digital de grupos, como: idosos, pessoas com deficiência e comunidades indígenas.
  9. Programas de Subsídios e Incentivos Fiscais:
    • Oferecer subsídios e incentivos fiscais para empresas que desenvolvem soluções tecnológicas acessíveis e que contribuam para a redução da desigualdade digital.
  10. Apoiar Iniciativas de Inovação Social:
    • Investir em inovação social, com soluções criativas e acessíveis para resolver desafios relacionados ao acesso à tecnologia.

Essas estratégias, quando implementadas de forma coordenada e integrada, podem contribuir para reduzir as disparidades no acesso à tecnologia e promover a inclusão digital em diversas comunidades.

IPG – E para a sustentabilidade, como a tecnologia pode se tornar uma atividade mais “limpa”? Por exemplo: O trabalho em home office demonstrou um impacto ambiental negativo menor, pois o profissional diminui gastos com transporte, ou seja, menos combustível, consequentemente, menos CO2. Mas, o equipamento usado causou grandes impactos quando foi produzido.

Sergio também participa do GT de Meio Ambiente do IPG.

ST – Para tornar a tecnologia uma atividade mais sustentável e “limpa”, é fundamental considerar todo o ciclo de vida dos produtos e processos tecnológicos. Vamos a algumas estratégias para mitigar os impactos ambientais da tecnologia:

1.         Design Sustentável:

•          Priorizar o desenvolvimento de produtos tecnológicos, considerando materiais de baixo impacto ambiental, facilidade de reciclagem, eficiência energética e durab…

IPG – Em relação à sustentabilidade, dê um panorama a respeito das formas de trabalho atuais:  à distância, híbrido e presencial. Quais os pontos fracos e fortes destas formas que impactam o meio ambiente?

ST – As formas de trabalho atuais, como presencial, à distância (teletrabalho ou trabalho remoto) e híbrido, apresentam diferentes implicações ambientais. Aqui está um panorama geral dos pontos fortes e fracos de cada uma em termos de sustentabilidade:

Trabalho Presencial:

Pontos Fortes:        Interações Face a Face: Promove interações sociais e colaboração direta, o que pode levar a um melhor entendimento e comunicação entre os membros da equipe.

Pontos Fracos: Deslocamento: Geralmente, envolve deslocamento diário, seja de carro, transporte público ou outros meios, contribuindo para emissões de gases de efeito estufa e poluição do ar.

2.         Consumo de Recursos no Escritório: Uso de energia, água e outros recursos no local de trabalho físico.

Trabalho à Distância (Teletrabalho/Remoto):

Pontos Fortes:

1.         Redução de Deslocamentos: Minimiza ou elimina a necessidade de deslocamentos diários, reduzindo as emissões de carbono associadas ao transporte.

2.         Menor Consumo de Recursos no Escritório: Menos demanda por instalações de escritório, resultando em menor consumo de recursos.

Pontos Fracos:

1.         Consumo de Eletricidade em Casa: Aumento do consumo de eletricidade nas residências, se as condições de trabalho em casa não forem otimizadas em termos de eficiência energética.

2.         Descarte de Equipamentos Eletrônicos: Aumento do descarte de dispositivos eletrônicos devido à necessidade de equipamentos pessoais para o trabalho remoto.

Trabalho Híbrido:

Pontos Fortes:

1.         Equilíbrio entre Presencial e Remoto: Permite uma combinação flexível de trabalho presencial e remoto, com benefícios de ambos os modelos.

2.         Redução de Deslocamentos em Dias de Trabalho Remoto: Há uma redução nas emissões devido aos deslocamentos evitados.

Pontos Fracos:

1.         Complexidade da Gestão: Pode ser desafiador gerenciar as equipes e manter uma cultura organizacional coesa com a flexibilidade do trabalho híbrido.

2.         Variação no Consumo de Recursos: A eficiência em termos de recursos pode variar dependendo de como as organizações implementam o modelo híbrido.

Considerações Gerais:

1.         Tecnologia e Infraestrutura: Todas as formas de trabalho dependem da tecnologia. A produção, o uso e o descarte de dispositivos eletrônicos podem ter impactos ambientais significativos.

2.         Eficiência Energética: O uso eficiente de energia em escritórios, em casa e nos centros de dados é crucial para reduzir o impacto ambiental.

Em resumo, enquanto o trabalho remoto e híbrido oferecem oportunidades para reduzir as emissões associadas ao deslocamento diário, é crucial abordar os desafios específicos de cada modelo para garantir práticas sustentáveis. Isso inclui a implementação de políticas e práticas que visam a eficiência energética, a gestão adequada de dispositivos eletrônicos e a conscientização sobre o impacto ambiental das escolhas de trabalho

IPG Quais os prós e contras da IA (Inteligência Artificial) para a sociedade e como ela pode contribuir para o exercício da cidadania?

ST – A Inteligência Artificial (IA) tem impactado a sociedade de várias formas, trazendo benefícios, mas também desafios e preocupações éticas. Seguem alguns prós e contras da IA para a sociedade, bem como maneiras pelas quais ela pode contribuir para o exercício da cidadania:

Prós da IA para a Sociedade:

1.         Eficiência e Automação:

•          Pró: A IA pode automatizar tarefas repetitivas e otimizar processos, aumentando a eficiência em diversas áreas, desde a indústria até os serviços.

2.         Inovação em Saúde:

•          Pró: Na área da saúde, a IA pode contribuir para diagnósticos mais rápidos e precisos, identificação de padrões em grandes conjuntos de dados e desenvolvimento de tratamentos personalizados.

3.         Assistência ao Cliente e Chatbots:

•          Pró: Chatbots e sistemas de IA podem oferecer assistência ao cliente 24 horas por dia, proporcionando respostas rápidas e eficientes.

4.         Veículos Autônomos:

•          Pró: Contribui para a redução de acidentes de trânsito e pode otimizar o transporte público, melhorando a segurança nas estradas.

5.         Personalização de Conteúdo:

•          Pró: A IA pode personalizar recomendações de conteúdo online, como filmes, música e notícias, melhorando a experiência do usuário.

Contras da IA para a Sociedade:

1.         Desemprego e Mudança no Mercado de Trabalho:

•          Contra: A automação impulsionada pela IA pode levar à substituição de empregos por máquinas, exigindo a requalificação de trabalhadores para novas funções.

2.         Vieses e Discriminação:

•          Contra: Algoritmos de IA podem refletir preconceitos existentes na sociedade, resultando em decisões discriminatórias, especialmente quando treinados em dados enviesados.

3.         Privacidade e Vigilância:

•          Contra: A coleta massiva de dados para alimentar algoritmos de IA pode levantar preocupações sobre privacidade e vigilância, especialmente se não houver regulamentações adequadas.

4.         Desafios Éticos:

•          Contra: Decisões automatizadas pela IA podem gerar dilemas éticos, como em casos de carros autônomos decidindo sobre situações de colisão.

5.         Dependência Tecnológica:

•          Contra: A crescente dependência da IA pode criar vulnerabilidades significativas, especialmente se sistemas críticos forem comprometidos.

Contribuições da IA para o Exercício da Cidadania:

1.         Acesso à Informação:

•          A IA pode facilitar o acesso à informação, ajudando os cidadãos a tomar decisões mais informadas sobre questões políticas, sociais e econômicas.

2.         Engajamento Cívico:

•          Ferramentas baseadas em IA podem impulsionar o engajamento cívico, fornecendo plataformas para participação pública, discussões online e feedback sobre políticas.

3.         Análise de Dados para Políticas Públicas:

•          A IA pode auxiliar na análise de grandes conjuntos de dados para informar políticas públicas mais eficazes, identificando áreas de necessidade e otimizando recursos.

4.         Detecção de Fake News:

•          Algoritmos de IA podem ajudar na detecção de notícias falsas, melhorando a qualidade da informação disponível para os cidadãos.

5.         Aprimoramento dos Serviços Públicos:

•          A IA pode ser usada para melhorar a eficiência dos serviços públicos, desde o atendimento ao cliente até a gestão de recursos.

Em última análise, a aplicação responsável e ética da IA é crucial para maximizar seus benefícios e minimizar seus impactos negativos. As políticas, discussões públicas e regulamentações desempenham um papel fundamental na orientação do desenvolvimento e uso da IA para o bem da sociedade.

IPGApesar das vantagens e, como qualquer nova ferramenta, a AI (Inteligência Artificial) pode ser mal utilizada, já tivemos exemplos recentemente. Então, qual deveria ser o papel da educação em relação às inovações digitais?

ST – O papel da educação em relação às inovações digitais, incluindo a Inteligência Artificial (IA), é fundamental para preparar os indivíduos para compreender, utilizar e abordar criticamente os impactos dessas tecnologias na sociedade. Cito aqui alguns aspectos do papel da educação nesse contexto:

1.         Alfabetização Digital e em IA:

•          A educação deve focar em desenvolver habilidades de alfabetização digital, incluindo o entendimento básico de como as tecnologias digitais funcionam e como os dados são coletados e utilizados. A alfabetização em IA é crucial para que as pessoas compreendam as decisões automatizadas tomadas por algoritmos.

2.         Conscientização Ética:

•          As escolas devem incluir a ética digital como parte integrante do currículo, ajudando os alunos a entenderem as implicações éticas do uso da tecnologia, incluindo questões relacionadas à privacidade, viés algorítmico e transparência.

3.         Habilidades de Pensamento Crítico:

•          A educação deve incentivar o desenvolvimento de habilidades de pensamento crítico para que os alunos possam avaliar criticamente informações online, entender os impactos sociais das inovações digitais e formar opiniões informadas.

4.         Desenvolvimento de Habilidades Tecnológicas:

•          As instituições educacionais devem oferecer programas que desenvolvam habilidades práticas em tecnologia, programação e uso de ferramentas digitais. Isso não apenas capacita os alunos para futuras carreiras, mas os torna mais capazes de entender e influenciar o mundo digital ao seu redor.

5.         Inclusão Digital:

•          A educação deve se esforçar para reduzir a lacuna digital, garantindo que todos os alunos tenham acesso igual a recursos digitais. Isso é crucial para evitar a exclusão de grupos socioeconômicos menos favorecidos.

6.         Currículo Flexível e Adaptável:

•          Dada a rápida evolução das tecnologias, os currículos educacionais devem ser flexíveis e adaptáveis para incorporar novas informações sobre inovações digitais à medida que surgem.

7.         Abordagem Interdisciplinar:

•          Incluir abordagens interdisciplinares na educação, conectando disciplinas como ciência da computação, ética, sociologia e ciências políticas. Isso permite uma compreensão mais holística das implicações sociais, éticas e políticas das inovações digitais.

8.         Cidadania Digital Responsável:

•          Promover a cidadania digital responsável, incentivando atitudes éticas, respeitosas e responsáveis no ambiente digital. Isso envolve compreender e respeitar os direitos e responsabilidades online.

9.         Apoio Contínuo para Professores:

•          Fornecer suporte contínuo e formação para professores, capacitando-os a integrar efetivamente as tecnologias digitais em suas práticas de ensino e orientar os alunos na compreensão e uso responsável dessas ferramentas.

10.      Discussões e Diálogos Abertos:

•          Criar ambientes de aprendizado que incentivem discussões abertas sobre questões éticas, sociais e políticas relacionadas à tecnologia, permitindo que os alunos expressem suas opiniões e compreendam diferentes perspectivas.

Concluindo, a educação desempenha um papel crucial na capacitação dos indivíduos para prosperar em uma sociedade digital. Uma abordagem abrangente que combine conhecimentos técnicos, habilidades éticas e pensamento crítico é essencial para garantir que os benefícios das inovações digitais sejam aproveitados de maneira responsável e inclusiva.

IPG – Você realizou algumas rodas de conversa, com a participação do Vice-Presidente do IPG, sobre tecnologia e meio ambiente, baseadas no autor Harari. Poderia explicar quais as questões tratadas pelo autor que podem ser aplicadas no âmbito de Petrópolis?

Sergio em uma das rodas de conversa do IPG

ST – Yuval Noah Harari é conhecido por suas obras como: “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, “Homo Deus: Breve História do Amanhã” e, recentemente, “21 Lições para o Século XXI”. Embora ele aborde temas amplos relacionados à história e o futuro da humanidade, suas obras não necessariamente focam especificamente em questões locais ou cidades específicas. Dito isso, se estiver considerando a relação entre tecnologia, meio ambiente e questões locais, como a cidade de Petrópolis, é possível extrair conceitos gerais de Harari que podem ser aplicados em diferentes contextos. Aqui estão alguns princípios que podem ser relevantes:

1.         Interconexão Global:

•          Harari destaca como a globalização e a interconexão impactam as sociedades modernas. Isso pode ser aplicado a Petrópolis ao considerar como as tecnologias de comunicação e transporte afetam a cidade em termos de economia, cultura e ambiente.

2.         Desafios Ambientais:

•          O autor aborda este tema incluindo mudanças climáticas. Isso pode ser aplicado em Petrópolis, uma cidade que pode enfrentar questões relacionadas ao desmatamento, gestão de recursos hídricos e sustentabilidade em geral.

3.         Impactos da Tecnologia:

•          Harari discute como avanços tecnológicos, como Inteligência Artificial e biotecnologia, podem moldar o futuro da humanidade. Esses avanços também podem ter impactos locais em Petrópolis, influenciando setores como saúde, educação, transporte e gestão urbana.

4.         Questões Éticas:

•          Ele aborda questões éticas relacionadas ao uso da tecnologia, e, ao aplicar isso a Petrópolis, seria muito importante considerar como as decisões tecnológicas na cidade estão alinhadas com princípios éticos, especialmente quando se trata de coleta de dados, privacidade e automação.

5.         Adaptação a Mudanças:

•          Harari também destaca a necessidade de adaptação diante das mudanças rápidas na sociedade. Em Petrópolis, isso pode se traduzir na capacidade de se adaptar a transformações tecnológicas e ambientais, como a transição para práticas sustentáveis ou a implementação de soluções inovadoras.

Lembre-se de que, para uma análise mais específica e detalhada das questões em Petrópolis, é importante consultar fontes locais, dados e especialistas que tenham um entendimento aprofundado da situação atual na cidade, necessariamente a Defesa Civil, a Prefeitura de Petrópolis, os empresários e os órgãos e associações locais.

Abaixo algumas obras que Sergio indica como referência sobre o tema e que embasaram a entrevista.

(1)- “A ERA DAS MÁQUINAS ESPIRITUAIS”, de Ray Kurzweil (Editora Aleph).

(2)- “A SINGULARIDADE ESTÁ PRÓXIMA”, de Ray Kurzweil (ILUMINURAS / OBSERVATÓRIO ITAÚ CULTURAL).

(3)- “INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: DO ZERO AO METAVERSO”, de Martha Gabriel (gen | atlas).

(4)- “EDUCAÇÃO NA ERA DIGITAL: CONCEITOS, ESTRATÉGIAS E HABILIDADES”, de Martha Gabriel (gen | atlas).

(5)- “VOCÊ, EU E OS ROBÔS”, de Martha Gabriel (gen | atlas).

(6)- “A PRÓXIMA ONDA: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, PODER E O MAIOR DILEMA DO SÉCULO XXI”, de Mustafa Suleyman e Michael Bhaskar (RECORD).

(7)- “O QUE NOS TORNA HUMANOS: UMA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL RESPONDE ÀS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES DA VIDA”, de Iain S. Thomas e Jasmine Wang (LATITUDE). NOTA: Um livro elaborado a partir do ChatGPT-3.

(8)- “CHATGPT EXPLICADO: O GUIA DEFINITIVO SOBRE ESTA E OUTRAS INTELIGÊNCIAS ARTIFICIAIS”, de Helbert Costa (CITADEL Grupo Editorial).

(9)- “PENSANDO O IMPENSÁVEL: COMO SOBREVIVER A UM PRESENTE CAÓTICO E PREPAPAR-SE PARA UM FUTURO PROMISSOR”, de Gil Giardelli (CITADEL Grupo Editorial).

(10)- “2030: COMO AS MAIORES TENDÊNCIAS DE HOJE VÃO COLIDIR COM O FUTURO DE TODAS AS COISAS E REMODELÁ-LAS”, de Mauro F. Guillén (ALTA CULT EDITORA).

(11)- “O LIVRO DO CLIMA”, criado por: Greta Thunberg (COMPANHIA DAS LETRAS).

(12)- “O MUNDO PÓS-PANDEMIA: REFLEXÕES SOBRE UMA NOVA VIDA”, organização de: José Roberto de Castro Neves (EDITORA NOVA FRONTEIRA).

(13)- “O PREÇO DO PÂNICO: COMO A TIRANIA DOS ESPECIALISTAS TRNASFORMOU UMA PANDEMIA EM UMA CATÁSTROFE”, de Douglas Axe | William M. Briggs | Jay W. Richards (LVM EDITORA).

(14)- “STEVE JOBS”, por Walter Isaacson (COMPANHIA DAS LETRAS).

(15)- “ELON MUSK”, por Walter Isaacson (INTRÍNSECA).

MESA-REDONDA DO IPG APONTA BOAS PRÁTICAS AMBIENTAIS PARA SEREM IMPLEMENTADAS EM PETRÓPOLIS

A conquista por boas práticas ambientais deve ser feita através da participação dos cidadãos e as ações sociais, a economia e o meio ambiente devem estar integrados. Estas foram algumas das conclusões da Mesa-Redonda “Petrópolis Sustentável – Práticas ambientais para empreender e gerar trabalho e renda”, realizada nesta quinta-feira (14/12) pelo IPG (Instituto Philippe Guédon), na CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas).

O evento teve início com uma breve apresentação sobre o IPG e seus objetivos e em seguida, o Vice-Presidente do IPG, Ramiro Farjalla, coordenador do GT de meio ambiente do Instituto explicou sobre como foi feito o documento PEP 20 – Planejamento Estratégico para Petrópolis, que o IPG organizou com a colaboração de inúmeros membros sociedade civil, profissionais e outros colaboradores. Ramiro destacou que “mais do que preservar o meio ambiente, temos que mudar de estilo de vida e que para isso as questões ambientais e a participação social devem andar juntas, não é apenas um tema para o governo, mas para todos os cidadãos”.

De acordo com o Presidente do IPG, Cleveland Jones, o IPG busca fomentar a gestão participativa para conscientizar a sociedade da necessidade de um planejamento estratégico no município. Ele considera que o objetivo do evento foi alcançado, pois os participantes, um público bastante diversificado, com profissionais de várias áreas “realmente apresentaram propostas reais para os problemas da cidade”.

Para estimular a discussão, atuaram como facilitadores Antônio Nassif, produtor de eventos, Guilherme Mergener, engenheiro especialista em energia solar, e Roberto Musser, Doutor em Ciências, Energia e Ambiente, que falaram de suas realidades e experiências com práticas ambientais.

Antônio explicou sobre o evento “Rock the mountain”, produzido recentemente por ele, e que executou diversas ações sustentáveis que colaboraram para gerar emprego e renda, como por exemplo, a forma correta de lidar com os resíduos sólidos gerados durante o evento, o plantio de árvores no local, que resultou em uma área verde que poderá ser usada pela população, além do comércio de produtos mais sustentáveis, uma oportunidade de renda extra para pequenos empresários.

Já Guilherme explicou sobre as vantagens da energia solar e do reuso da água. Segundo ele, “não é só diminuir o valor da conta de luz, mas nos tempos em que vivemos é uma garantia de que não faltará luz em casa”. Enfatizou que apesar de ser uma área econômica promissora, “a falta de mão de obra especializada é um obstáculo e que tem interesse em promover cursos de qualificação para este setor”.

As práticas ambientais ESG – sigla em inglês para “environmental, social and Governance”, correspondem às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização, e foram o destaque da fala de Roberto. Segundo ele, é preciso “Planejamento de longo prazo, política de Estado e não de Governo, mas que os gastos devem ser feitos com responsabilidade, devem ser efetivos”. Roberto acrescentou que “as políticas públicas para práticas e soluções ambientais devem se adequar à nossa realidade, e a população tem que ser ouvida, pois é quem vivencia os problemas.”

Após as falas de estímulo à participação, o público fez sugestões e trocou ideias sobre diversas práticas ambientais e algumas propostas foram apontadas para serem implementadas em Petrópolis. Destacamos as seguintes:

  • Ônibus elétricos para o transporte público, além de não poluir, o custo de manutenção é menor;
  • Incentivo ao reuso de água doméstica;
  • Tratamento de esgoto com biodigestores, além de gerar gás para energia também produz fertilizante sem produtos químicos;
  • Usina solar para abastecer as escolas municipais, ao invés de um sistema solar individual para cada escola, porque diminui custos e facilita a transmissão de energia;
  • A partir do conceito de que Floresta em Pé Rende Mais, verificar o que Petrópolis possui de vegetação, não só em áreas públicas, mas particulares, para identificar oportunidades que possam contribuir para o aumento do ICMS Ecológico;
  • Incentivos fiscais, desconto no IPTU, para os moradores que realizarem boas práticas ambientais, como reuso da água, coleta seletiva, preservação de área verde com espécies da mata atlântica, energia solar, entre outras.

Em 2024 o IPG continuará promovendo debates com outras temáticas importantes para o Município e todas essas sugestões que foram apontadas serão incluídas na atualização do PEP 20.

PETRÓPOLIS SUSTENTÁVEL – IPG PROMOVE MESA-REDONDA PARA DEBATER PRÁTICAS AMBIENTAIS

Reciclagem, bioconstrução, energia solar e eventos sustentáveis. Essas são algumas práticas ambientais que podem ser uma oportunidade para gerar emprego e renda e que colaboram para uma cidade ser mais sustentável.

Para compreender melhor o assunto e também quais práticas podem ser implementadas em Petrópolis, o IPG (Instituto Philippe Guédon) promove no próximo dia 14, às 18h30, na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) a Mesa-Redonda “Petrópolis Sustentável: práticas ambientais para empreender e gerar emprego e renda”.

Este é terceiro evento neste formato que o IPG realiza este ano. De acordo com o Presidente do IPG, Cleveland Jones, o objetivo da mesa-redonda “é pensar em propostas reais, concretas para os problemas da cidade. Queremos que os participantes apresentem soluções, ideias, não somente reclamações, pois os problemas de Petrópolis já conhecemos.”

Para facilitar a troca de ideias, o IPG convidou Antônio Nassif, produtor de eventos, Guilherme Mergener, engenheiro e empresário do ramo de energia solar, e Roberto Musser, Doutor em Ciências, Energia e Ambiente, para que falem um pouco sobre as práticas ambientais que já implementaram e que tiveram bons resultados para a economia local para, assim, estimular o público participante a contar suas próprias iniciativas e sugestões.

Podem participar do evento quem já implementa práticas ambientais que colaboram para a economia ou quem quiser conhecer mais sobre o tema para dar sugestões. Como nas outras mesas-redondas do IPG, os assuntos que forem abordados serão incluídos no PEP 20, Planejamento Estratégico para Petrópolis, documento com diagnóstico e ações para os próximos vinte anos e que é elaborado pelo IPG com a participação da sociedade civil.

PERFIL DOS FACILITADORES

Antônio Nassif – Graduado em Marketing e empresário com experiência de gestão em bares e boates. Também atua na produção de eventos para turismo, tecnologia e entretenimento, incluindo o recente festival Rock the Mountain, realizado em novembro em Petrópolis, que se destacou por trazer algumas práticas sustentáveis.

Guilherme Mergener – Oficial da reserva da Marinha, formado em engenharia mecânica e administração, atualmente é proprietário da Enge Sol Brasil Ltda, uma empresa multidisciplinar de engenharia, com ênfase na sustentabilidade e sistemas de energias alternativas, como a energia solar.

Roberto Musser – Engenheiro eletricista e Doutor em Ciências, Energia e Ambiente. Com larga experiência, trabalhou para grandes empresas em projetos de energia renovável, distribuição de energia elétrica e políticas públicas para o desenvolvimento sustentável. Atualmente é consultor e também professor nas disciplinas gestão estratégica, administração da produção e energia renovável

MESA-REDONDA DO IPG RESULTA EM MUITAS PROPOSTAS PARA A ECONOMIA DO MUNICÍPIO

“Um público engajado, bem participativo. O evento conseguiu envolver as pessoas com a pauta econômica da cidade.” Esta foi a impressão do Vice-Presidente do IPG, Ramiro Farjalla, sobre a mesa-redonda “Cenário econômico empresarial de Petrópolis” realizada pelo Instituto, na Câmara de Diretores Lojistas de Petrópolis, CDL, nesta terça-feira (17/10) e que faz parte da atualização do PEP20 – Planejamento Estratégico para Petrópolis, com visão de 20 anos, que o IPG vem promovendo.

Ramiro ficou animado ao ver as pessoas trocando ideias sobre assuntos que foram além da geração de emprego e renda.  O público foi bastante diversificado. Participaram empresários dos segmentos da construção civil, comércio, comunicação, tecnologia e empreendedorismo, além de profissionais liberais, servidores públicos e representantes da Câmara de Vereadores e das Associações Firjan, Cufa-Petrópolis, Acipe e Novamosanta.

Com foco na importância do planejamento estratégico para Petrópolis, e na gestão participativa como forma de guiar os rumos do município, o IPG tem convidado todos os segmentos da sociedade para participar de suas ações, dando continuidade aos diagnósticos e propostas do PEP20, e buscando estabelecer um ambiente de mais oportunidades para o desenvolvimento de Petrópolis e de mais qualidade de vida para os petropolitanos.

Para estimular a participação ao debate, o IPG teve como facilitadores profissionais de diferentes áreas para trocar ideias e assim encontrar possíveis soluções ao identificar os obstáculos que possam se tornar oportunidades para o Município. De acordo com o Presidente do IPG, Cleveland Jones “o objetivo era pensar em soluções, não apenas falar dos problemas, que já são bastante conhecidos e o evento vai ajudar o IPG a produzir as atualizações do PEP20- que poderão guiar o futuro do município de acordo com o desejo da sociedade”.

A importância do mercado de tecnologia foi o assunto destacado por Gustavo Braz, Diretor Executivo da Orange Business e Presidente do Serratec. Segundo ele, apesar de ser o segmento mais aquecido no Mundo, enfrenta dificuldades para contratar mão de obra qualificada e para encarar esse desafio, em Petrópolis o Serratec promove capacitações.  Gustavo também comentou sobre o trabalho home office, “uma oportunidade para a tecnologia que foi ampliada durante a pandemia e que acaba até sendo uma atividade mais sustentável porque não gera tantos resíduos” e que pode movimentar diretamente a economia local pois “mesmo que a pessoa trabalhe para uma empresa, por exemplo, na Europa, é na cidade que ela mora que ela vai consumir”.

O esporte pode ser um instrumento para aquecer a economia local. Este foi o tema de Renato Farjalla, educador físico que atua em Petrópolis há mais de 30 anos. Eventos de rua, montanhismo, estimulo ao uso da bicicleta, incluindo a elétrica, atividades de educação física online e aplicativos e jogos direcionados ao esporte e a dança foram algumas oportunidades citadas por Renato que colaboram para gerar renda. Ele ressalta que “é preciso planejar a cidade para ter mais áreas de lazer e que isso pode ser um diferencial para atrair e manter empresas na cidade”.

Felipe Henriques, Diretor do Cefet/RJ da unidade Petrópolis mostrou como o CEFET/Petrópolis e outras instituições educacionais têm feito diversas parcerias para vencer desafios, gerar oportunidades de emprego, e promover o desenvolvimento.  Acredita que a pandemia foi um desafio, com as aulas híbridas, mas também uma oportunidade de aperfeiçoamento e que o Turismo em Petrópolis é uma das principais oportunidades e que é preciso fazer parcerias com empresas e poder público para incrementar o setor.

Claudio Mohammad, Presidente da CDL, apresentou o trabalho do movimento Petrópolis 2030, que reúne diversos grupos e entidades petropolitanas na identificação de gargalos ao desenvolvimento local e de necessidades específicas, que foram levadas ao governo do estado.

Como questão de cidadania, o IPG proporciona espaços, como o evento realizado na CDL, para que o público possa expor as suas demandas, ajudando a identificar problemas e propor soluções para as políticas públicas e para o planejamento no município. Muitas ideias e propostas foram feitas pelos participantes durante o evento. Destacam-se as seguintes:

  • Integração de todos os setores da economia com a tecnologia:
  • Diminuir a Burocracia do Município para avaliar e aprovar projetos tanto os simples como os mais complexos.
  • Integração turismo e lazer.
  • Estimular novamente o setor moveleiro, que já foi destaque em Petrópolis
  • Apoio ao comércio no Bingen -foi sugerido formar uma associação dos comerciantes do bairro, como já acontece em outras ruas de Petrópolis (Rua Tereza e 16 de março).
  • Estimular o planejamento da cidade, como por exemplo, a formação de um Instituto de Planejamento;
  • Divulgar o destino Petrópolis de forma positiva para atrair mais turistas.
  • Atrair a Instalação de uma fábrica de bicicletas.

Em breve o IPG promoverá debates com outras temáticas importantes para o nosso cotidiano.

CENÁRIO ECONÔMICO EMPRESARIAL DE PETRÓPOLIS É TEMA DE MESA-REDONDA DO IPG

Identificar os obstáculos para criar oportunidades para o Município e propostas para o PEP 20 (Planejamento estratégico para Petrópolis). Este é objetivo da Mesa-Redonda que o Instituto Philippe Guédon (IPG) promove no próximo dia 17 de outubro, na Câmara dos Diretores Lojistas (CDL), a partir das 18h, com o tema “Cenário econômico empresarial de Petrópolis”.

Cleveland Jones

A situação econômica do Município e também a necessidade de atualizar o PEP 20, documento elaborado em 2019 pelo IPG, a partir da formação de oito grupos temáticos com participantes de diversos setores da sociedade petropolitana, com propostas para o desenvolvimento da cidade nos próximos 20 anos, foram as motivações para a realização deste evento. O Presidente do IPG, Cleveland Jones, ressalta que “Petrópolis passou por diversas mudanças nos últimos anos que afetaram a economia e por isso este evento será a chance de descobrir oportunidades de negócios em diversas áreas”.  

Ramiro Farjalla

O IPG convidou para facilitadores da mesa-redonda profissionais com perfis bem diferentes para estimular a participação do público. O Vice-Presidente do IPG, Ramiro Farjalla acredita “que muitas ideias relacionadas às vocações econômicas da cidade irão surgir a partir de temas como turismo, tecnologia e meio ambiente.”

Irão atuar como facilitadores Cláudio Ferreira Mohammad, Presidente da CDL, Felipe da Rocha Henriques, Diretor do CEFET/RJ Unidade Petrópolis, Gustavo Braz, Diretor Executivo da Orange Business e Presidente do Serratec, e Renato Farjalla, Doutor em Ciências do Desporto.

Podem participar todos os interessados em dar ideias ou também que queiram saber como está o cenário empresarial da cidade e quais as possibilidades reais de alavancar a economia petropolitana.

Conheça os facilitadores

Cláudio Ferreira Mohammad. Petropolitano, formado em administração empresarial pela Universidade Católica de Petrópolis (UCP) e empresário da rede de lojas Opção Jeans, onde foi diretor industrial durante 20 anos, diretor comercial por 10 anos e diretor presidente por 15 anos. Atualmente ocupa o cargo de diretor do conselho administrativo.

Gustavo Braz – Diretor Executivo do Centro de Serviços Compartilhados da Orange Business, onde atua há 18 anos. Desde julho de 2023, também é presidente do Serratec – Parque Tecnológico da Região Serrana.  Sua formação executiva contempla especialização em Análise, Projeto e Gerência de Sistemas, além de MBA em Gerenciamento e Desenvolvimento Empresarial e MBA Executivo em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios.

Felipe da Rocha Henriques – Graduado em Engenharia Elétrica com ênfase em Telecomunicações pela UERJ, possui Mestrado em Engenharia Eletrônica pela UERJ e Doutorado em Engenharia Elétrica pela UFRJ. Trabalha principalmente com os temas Redes sem-fio e Processamento Digital de Sinais. Diretor do Cefet/RJ – unidade de Petrópolis, onde também leciona nos cursos Técnico em Telecomunicações, Engenharia de Computação, Mestrado em Ciência da Computação e no Doutorado em Instrumentação e Óptica Aplicada do CEFET/RJ. Em 2019, participou da equipe que coordenou o XXXVII Simpósio Brasileiro de Telecomunicações e Processamento de Sinais (SBrT 2019), na cidade de Petrópolis/RJ.

Renato Farjalla – Formado pela UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), Mestre em Inovação Institucional em Educação Física Esportes e Lazer, pela Universidade Gama Filho, e Doutor em Ciências do Desporto pela Universidade Trás os Montes e Alto Douro, Portugal. Possui mais de trinta anos de experiência na área de esportes. Também já atuou como pesquisador responsável pelo Laboratório de Atividades Físicas, Esportes e Lazer na Unesa, entre 2005 e 2018, e participa dos Conselhos Municipais do Idoso e do Esporte.

IPG DESENVOLVE PROJETO INOVADOR E PIONEIRO EM PETRÓPOlIS

Uma proposta inovadora e pioneira. Assim pode ser definido o projeto de pesquisa
“Cartografia do Ecossistema de Inovações Sociais de Petrópolis” que está sendo desenvolvido pelo Instituto Philippe Guédon (IPG). “De acordo com o Professor Gustavo Costa, Coordenador do projeto, “o tema é emergente e há pouquíssimos estudos sobre inovações sociais no Brasil, sobretudo baseados na perspectiva pragmatista”. O Presidente do IPG, Cleveland Jones, acredita que esta pesquisa deixaria Guédon muito feliz, pois “inovação e pioneirismo sempre fizeram parte da trajetória de Philippe Guédon. Foi ele quem fundou a primeira associação de moradores de Itaipava, a primeira cooperativa de reciclagem e esteve presente em muitas outras iniciativas de gestão participativa”.
O projeto faz parte do programa pesquisador na empresa, da FAPERJ, que financia as
bolsas para os profissionais que ficarão encarregados de fazer a pesquisa. Os bolsistas
foram selecionados através de uma chamada pública do IPG e recebeu mais de 20 currículos. Os escolhidos foram Reginaldo Braga Junior, Mestre em Arquitetura e
doutorando em Planejamento Urbano e Regional, e Gopala Miron Assis, Mestre em Política Social.
(Confira no box abaixo o perfil dos bolsistas)

Da direita para a esquerda: Cleveland Jones conversando com os pesquisadores.

Reginaldo e Gopala apesar de terem motivações e experiências acadêmicas e profissionais bem distintas um do outro, possuem em comum o interesse pelos temas
ecossistema de inovação social e gestão participativa. Reginaldo resolveu participar da seleção porque percebeu que havia pontos que se relacionavam com suas pesquisas,
e o fato de ser uma pesquisa nova no Brasil também o entusiasma. Gopala destaca que por ser “uma proposta nova, um projeto em construção, ainda há poucas referências no país”, o que mostra que o trabalho deles poderá ser também uma referência e ter desdobramentos.
E eles já estão trabalhando. Neste momento, o primeiro passo é fazer um mapeamento das localidades de Petrópolis, através de dados estatísticos oficiais. O objetivo é entender a cidade, identificar iniciativas, as instituições envolvidas e elencar os principais problemas de Petrópolis. Só depois desta etapa é que irão para o trabalho em
campo, ou seja, conhecer de perto os locais e visitar as comunidades.

Entenda mais sobre o projeto

Inovação social é desenvolver soluções para problemas e necessidades que impactam toda a sociedade, por isso, basicamente, a pesquisa pretende responder as seguintes perguntas:

  • Quais iniciativas promovem Inovação Social e como são formadas?
  • Quem são os atores de suporte e quais papeis desempenham?
  • Quais são e como ocorrem as interações entre os atores?
  • Quais são as principais causas mobilizadas?
  • Quem são os públicos atendidos?

De acordo com o coordenador, “o objetivo deste projeto é conhecer a rede de interações e transações dos atores do Ecossistema de Inovação Social de Petrópolis, permitindo assim compreender melhor a dinâmica das inovações que tratam mais especificamente da resolução dos problemas públicos na cidade e, a partir deste conhecimento, estudar e promover formas que potencializam e dinamizam as inovações sociais” Segundo Reginaldo, na prática, o projeto pretende compreender como os atores (moradores, pessoas que estejam ligadas à determinada localidade e iniciativas) estão dialogando com o poder público, e se, por exemplo, “há potencial para novas políticas públicas, identificar esses atores, as causas dos problemas, enfim conhecer todas as experiências relacionadas à inovação”. Gopala enfatiza que esse projeto vai resultar em “uma memória dessas iniciativas nos bairros, nas localidades do município”. Além disso, o projeto poderá propor soluções. “Não é apenas um projeto acadêmico bibliográfico, o trabalho principal será em campo, conhecendo as iniciativas e construindo o Ecossistema de Inovações Sociais em Petrópolis”. esclarece Gopala.

Além dos bolsistas e do Professor Gustavo, responsável pela coordenação acadêmica
e orientação científica, o projeto também conta com a participação de uma equipe do
IPG, sendo Cleveland M. Jones, responsável pela Coordenação Técnica, e Teresinha
de Jesus Fidelles de Almeida
e Ramiro Farjalla Ferreira no apoio institucional e
colaborando também na articulação local.

Quinzenalmente serão realizadas oficinas com estudantes de gestão pública no IPPUR
(Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional/UFRJ), que também participa da pesquisa. O IPG irá informar a data dessas oficinas, abertas ao público interessado, que têm por objetivo acompanhar o andamento do projeto e trocar ideias com os participantes.
Dentro do projeto também estão previstos diversos eventos que serão organizados pelo IPG, mas que ainda precisam de financiamento. Quem quiser colaborar para a
realização dessas atividades e assim fazer parte desta iniciativa, que será um diferencial para a sociedade petropolitana, pode entrar em contato através do e-mail
ipgpar@gmail.com.

ENTREVISTA COM A ARQUITETA NATÁLIA KOCHEM

“Programas que incentivem a manutenção de áreas verdes e diminuam as superfícies construídas e impermeabilizadas seriam muito interessantes para uma cidade cujo conjunto paisagístico e patrimônio natural é reconhecido”. Esta é uma das muitas propostas da arquiteta Natália Kochem para a cidade de Petrópolis.

Com uma larga experiência em diversas áreas, como por exemplo, perícias judiciais e laudos técnicos, paisagismo, planejamento urbano, recursos hídricos, Natália foi uma das colaboradoras do PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis nos próximos 20 anos),documento elaborado pelo IPG com a participação da sociedade civil.

Formação e experiência profissional

Graduada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, atualmente é Mestranda em Urbanismo pelo PROURB. Ilustradora há mais de 20 anos, Natália também é professora de pintura e desenho, motion graphic designer, especializada em animação frame a frame, roteirista, produtora e participante em projetos artísticos e audiovisuais como livros, murais, exibições, eventos, filmes, curtas. E mesmo com todas essas atividades, ela ainda consegue tempo para, de forma voluntária, participar de grupos de discussão da sociedade civil e de classe acerca de projetos sustentáveis, mobilidade, acessibilidade urbana e gestão de riscos e desastres hidrológicos na região serrana do Rio de Janeiro. Além disso é conselheira convidada na Comissão temporária de Acessibilidade do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro – CAU/RJ e uma das coordenadoras do grupo Urban Sketchers Petrópolis, filiado à organização internacional sem fins lucrativos Urban Sketchers (comunidade global de desenhadores dedicados à prática do desenho no local.)

Durante sua formação acadêmica, ela participou de projetos de extensão e iniciação científica na Universidade Federal do Rio de Janeiro, nas áreas de pesquisa sobre a reprodução sócio territorial de comunidades cariocas de baixa renda e favelas (Morro dos Prazeres e Complexo da Maré), de forma multidisciplinar em conjunto com a Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010) e como graduanda-arquiteta atuante na área de Cenografia para Artes Cênicas e Cinema (2012), em parceria com o Programa de Educação e Criação em Dança DAC/EEFD/UFRJ.

Projetos premiados

O trabalho final de Graduação de Natália, intitulado – O Rio, a Cidade e o Tempo – Sistemas de Espaços Livres envolvendo as faixas marginais do Rio Piabanha em Petrópolis-RJ – recebeu menção superior, grau A e foi agraciado pela instituição de ensino com indicação para o 29 Prêmio Opera Prima (2019) e resultou na produção de um curta sobre a questão da acessibilidade, que ainda será lançado. A arquiteta também participou do Projeto Citylab, Erasmum+ Programme – European Union, que foi desenvolvido pelo PROURB/FAU-UFRJ, segundo método PBL – Problem Based Learning (2017). Este trabalho envolveu, além do projeto de um parque natural, a produção e codireção de um vídeo sobre o processo, que foi apresentado na Conferência internacional PBL 4 Sustainable Cities e recebeu Menção Honrosa na CityLab Student Competition – na Universidad del Rosario em Bogotá – Colômbia. E tem mais! Natália é Coautora do projeto – Environmentally friendly buffer between the Guaratiba Biological Reserve and the rapidly expanding region of Barra de Guaratiba – pré-selecionado pelo Building 4Humanity na categoria student unbuilt projects regarding flood-prone areas, exposto no 8 ICBR International Conference on Building Resilience (2019) em Lisboa – Portugal.

Agora que você conhece a história profissional e acadêmica de Natália, confira as propostas e ideias da arquiteta para Petrópolis.

IPG – Um dos objetivos do IPG é a gestão participativa para que os moradores possam opinar sobre o planejamento da cidade. De que forma você acredita que esta participação possa ocorrer efetivamente?

NK -Acho importante o esforço em levar as discussões para o espaço público através de eventos com programação atrativa. A participação e engajamento em discussões de interesse público faz parte de um contexto cultural, que na realidade brasileira precisa ser, de certa forma estimulado para que ocorra. Tal processo é dificultado quando confinado a espaços fechados.

IPG – Você participou da elaboração do PEP 20. Como foi essa experiência?

NK – Foi muito agradável a experiência, tendo me sentido muito bem recebida por todos os colaboradores e representantes do IPG.. Foi uma oportunidade de discutir questões relevantes para a instituição e retribuir apresentando o resultado da minuciosa pesquisa que fiz sobre o trecho médio do Rio Piabanha durante a ocasião de meu Trabalho Final na FAU/UFRJ, onde foi desenvolvida a sugestão da criação de um sistema de espaços livres acessíveis, caminháveis e hidrológicos sensíveis, em parceria com o Laboratório de Hidráulica Computacional da COPPE onde foram calculados os gráficos e mapas de alagamento do trecho.

IPG – Petrópolis, em sua origem, teve um plano de urbanização, mas depois as construções foram ocorrendo sem muito controle. É possível retomar um planejamento urbano para a cidade que realmente consiga atender a toda a população?

NK – Não vejo forma de retomar um atendimento real dessa questão sem proporcionar e garantir a devida fiscalização e acompanhar o cumprimento dos dispositivos legais. Adicionalmente, pensaria em programas de incentivo a quem constrói e reforma da forma correta e dentro das normas, ou mesmo estimulando práticas que trazem comprovado benefício coletivo, como recuos, telhados verdes, cuidados com espécies de arvores nativas, etc.

IPG – Em relação às ocupações em áreas de risco, você tem alguma proposta?

NK – Não é minha área de expertise mas considero que ninguém opta por abrigar seus entes queridos em áreas de risco. O que ocorre é que os programas habitacionais até 10 anos atrás, além de ainda excludentes, eram absolutamente limitantes, baseados em modelos de conjuntos habitacionais estéreis que atendiam muito mal a realidade prática e cultural da população brasileira. Considero que todos precisam ter o direito de imaginar e buscar realizar o sonho de definir como deseja viver, sendo a moradia um direito mínimo em uma sociedade fartamente taxada. Considero os programas que visam garantir Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (ATHIS) os mais acertados, principalmente os que consideram a importância da localização, da adaptabilidade e pessoalidade dos projetos, humanizando esse processo e enxergando indivíduos. Considero o ATHIS, o SUS da habitação e espero que o programa seja não só bem implementado em todos os municípios brasileiros, mas que tenha uma evolução exponencial em benefício tanto da população necessitada, como dos muitos profissionais da construção civil, quanto da comunidade como um todo.

IPG – Você realizou uma pesquisa sobre as margens dos rios em Petrópolis, que percebemos que estão bastante degradas. O que você sugere para a preservação dessas áreas?

NK – Todas as descobertas e cenários simulados referente ao trecho resultaram em sugestões que estão presentes no trabalho. Elas podem ser encontradas tanto no projeto quanto no memorial.

Mas as principais sugestões técnicas, em resumo, envolvem o afastamento do tráfego pesado da área contígua às margens, reduzindo assim o impacto mecânico incidente sobre as faixas marginais aliada à utilização de infraestrutura verde para contenção hidrológico sensível dos taludes em estado de erosão, justamente por sua capacidade de manutenção das capacidades infiltrastes das margens.

Uma técnica bem útil, para dar um exemplo, com ótimo resultado para contenção em taludes e baixo custo, é a técnica de engenharia chamada de grama armada. Lembrando que as técnicas de contenção devem ser definidas de acordo com a sondagem e análise de cada trecho das faixas marginais. Nem toda a extensão deve receber a mesma técnica de contenção.

IPG – Outra área onde você atua bastante é na mobilidade urbana e os moradores de Petrópolis encontram muitas dificuldades.  Quais as suas sugestões para melhorar, por exemplo, a acessibilidade e diminuir os engarrafamentos?

NK – Para melhorar a acessibilidade é necessário, primeiramente, cumprir a legislação. O que não é feito. Depois de um atendimento legal mínimo, ir além das normas e envolver soluções sensíveis ao contexto petropolitano, histórico, cultural, paisagístico seria excelente.

Em relação à mobilidade, a principal questão é justamente a descontinuidade das possibilidades de caminhabilidade e/ou utilização de transportes alternativos, como a bicicleta. Ademais, corroborando para o descompromisso com a acessibilidade e caminhabilidade, considero o projeto da cidade e seus distritos como altamente dependentes do uso de carro, aliado a isso o valor das passagens de ônibus são absolutamente exorbitantes em relação ao serviço oferecido, o que induz a população a colocar a propriedade de um carro como principal sonho de consumo, trazendo inúmeros problemas em relação à mobilidade devido à intensificação do trânsito. Incentivar o uso do transporte público, considerando até mesmo sua gratuidade absoluta; garantir infraestrutura segura e percursos desimpedidos para transporte alternativo; reformar e multiplicar, de acordo com a NBR9050 os trechos caminháveis da cidade, garantindo mobilidade segura são ferramentas que se provam eficientes ao redor do mundo e valem ser citadas.

IPG – Petrópolis, por ser uma cidade histórica, possui muitos imóveis tombados o que às vezes pode atrapalhar a acessibilidade. Poderia dar alguns exemplos de como é possível essa adaptação?

NK – Isso é um mito que prejudica, e muito, o cumprimento de ambas as legislações. Profissionais pouco criativos tentam desobedecer a normas de acessibilidade citando normas patrimoniais, enquanto tentam desobedecer a normas patrimoniais citando normas de acessibilidade.

Patrimônio e acessibilidade não entram em conflito em projetos bem feitos. Profissionais experientes e especializados sabem fazer bons projetos que respeitem todas as normas. Tombamentos apenas exigem que os projetos passem por análise específica para além dos parâmetros municipais e de acessibilidade e conflitos são resolvidos durante o processo de estudo da legislação e a concepção projetual. A contratação de profissional habilitado, especializado e que vai resolver os detalhes técnicos em conjunto com as observações dos técnicos do Iphan e do Inepac já resolvem esse problema em sua totalidade. Os profissionais envolvidos estão unidos em garantir a execução de bons projetos. O arquiteto e urbanista é o profissional mais recomendado, sendo a acessibilidade e também o estudo dos princípios patrimoniais especialidades profissionais dentro da classe. Observadas essas questões, patrimônio e acessibilidade são complementares. Reformas por toda a Europa podem ser exemplos a seguir. Principal inimigo da acessibilidade não é o patrimônio. O principal inimigo da acessibilidade e também do patrimônio é a ignorância. O descompromisso, o descumprimento, a decisão de se levar a cabo projetos muitas vezes sem responsável técnico habilitado durante toda a extensão das obras e sem sequer a consulta a um especialista. Esses são inimigos da acessibilidade e do patrimônio.

IPG – Você participa da comunidade global Urban Sketchers em Petrópolis. Poderia explicar como é este movimento e como a população pode se engajar?

NK – A prática do desenho urbano é principalmente uma filosofia de atuação que me acompanha. A comunidade acredita na prática do desenho in loco como um processo de conhecimento e reconhecimento da cidade, sendo o ato da prática do desenho, em contexto, o elemento essencial. Dessa forma, para se considerar um integrante, basta ler o manifesto e começar a incluir o desenho in loco na sua experiência de vida. Compartilhar os desenhos também é incentivado, embora não seja essencial. O essencial é fazer da prática uma constante e considerar os pontos do manifesto, como por exemplo, retratar sempre os contextos, entre outros detalhes. Os grupos se reúnem para desenhar juntos e partilhar os desenhos. A prática é derivada de um processo pessoal que encontra momentos de confraternizações esporádicas, sendo os encontros sempre abertos e o manifesto contendo as diretrizes que a comunidade desenvolveu disponível para consulta e download no site da comunidade. Dessa forma, para participar e começar a desenhar de acordo com a filosofia, basta acessar as informações e começar.

IPG – Agora me fale da sua experiência como moradora de Petrópolis. Quais as suas principais dificuldades na área urbana e o que você mais gostaria que melhorasse?

NK – As principais dificuldades que identifico no tecido urbano de Petrópolis, devido ao meu olhar sensibilizado pela minha vivência pessoal com meu filho, são: a ausência, descontinuidade e irregularidade em relação às calçadas, passeios e acessos públicos e privados em praticamente toda a extensão da cidade, mas principalmente nas bordas do centro histórico, ou seja, nos bairros;

O descompromisso descarado para com a acessibilidade e respeito às normas em praticamente todas as edificações, incluindo descaso em reformas e projetos, públicos e privados, bares, restaurantes, museus, todos os prédios residenciais, incluindo os do centro da cidade e mesmo reformas em espaços livres de uso público, ou seja, nenhum especialista é sequer consultado para auxiliar o cumprimento da legislação na ocasião das construções e reformas, ficando a população obrigada a aceitar uma acessibilidade falsa, personalista, limitada ou decorativa que não atende à todos – idosos, crianças, pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida – o que vale ressaltar, é processo em desconformidade com a legislação vigente, restringindo suas vidas, de forma compulsória, ao universo da casa; a falta de fiscalização em relação às obras novas ou reformas, uso indevido de espaço público, corte irregular de árvores, descumprimentos diversos que impactam a vida da população em nível pessoal e coletivo também me entristecem porque afetam a saúde, integridade e geram conflitos em comunidades inteiras. Muitas vezes um recuo lateral, um prisma de ventilação, um acesso em rampa com angulação correta ou uma janela bem posicionada garantiriam muitos quesitos básicos. O processo de denúncias é altamente complexo também e isso cria um ciclo de irregularidade que afeta a cidade em seu nível visível, mas também em relação às estruturas urbanas como saneamento, escoamento, segurança e acesso; aliás, a questão de saneamento na cidade precisa ser melhor atendida. Programas que incentivem a manutenção de áreas verdes e diminuíam as superfícies construídas e impermeabilizadas seriam muito interessantes para uma cidade cujo conjunto paisagístico e patrimônio natural é reconhecido; a implementação de coleta seletiva em todos os bairros e parcerias em programas de reciclagem, com incentivos reais, que tenham verdadeiro impacto também são ações que sinto muita falta na cidade.

Entrevista a Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação – IPG