Pois não é que, novamente, tornei a sonhar? Era eu, sentado naquela cadeira mais alta da mesa-ferradura da Câmara, a do vereador-presidente do Plenário. O tema que estava em debate era a situação pré-falimentar de Petrópolis, que não entendera os maydays emitidos por Brasília e Rio de Janeiro, embora estivesse na cara que, aqui como lá, a livre gastança na Casa Grande não se harmonizaria por muito tempo com o miserê da Senzala.
Já haviam falado doze vereadores, ainda faltavam dois discursos, fora o meu. O emprego de vereador era o filé-mignon de Petrópolis, pois aos ricos proventos básicos e colaterais não correspondia nada que lembrasse batente (e se alguma tarefa viesse a me caber, poderia escanteá-la para os assessores do gabinete). Mas aquelas reuniões onde o nada conduzia à coisa nenhuma eram chatas demais além da conta.
No meu sonho, embalado pela voz monocórdia do orador da vez, que tédio!, sentia-me adormecer dentro do sono. No final do mês viria o meu, de qualquer jeito; tudo bem, então. Mas por que razão sentia-me enrubescer, ter nojo daquele vazio folheado a ouro, achar inaguentável aquela parolagem sem sentido? E o meu “eu” presidente do Legislativo não teve como manter o seu papel decorativo: cortou o som do orador, passou-o para si mesmo e desabafou: “Senhoras e Senhores Vereadoras, chega! Fico vexado em ver o que fizemos deste Parlamento, que custa horrores para produzir migalhas. Petrópolis clama por controles, medidas radicais, e estamos aqui a viajar na maionese, falando abobrinhas e doidos para que acabe esta reunião oca e voltar para casa. Basta! Voltemos ao caminho certo d’antanho. Votemos uma Lei que reduza o nosso salário a zero. Rosca, nada, bulhufas. Ser edil deixará de ser boca para ser honra, e centenas de petropolitanos éticos disputarão o direito de trabalhar por seu Município, como se fossem outros tantos Ouvidores que nos recusamos a eleger. Gabinetes de assessores? Fora as exceções, cabos eleitorais carentes de rendas mesmo compartilhadas… Coloquemos em seu lugar e via Concurso, uma dúzia de bons consultores na Casa, versados em direito, contabilidade, arquitetura, engenharia, saúde pública, educação, administração pública, assistência social, RH e Previdência, ao dispor de todos. Também proibamos que o vereador indique quem quer que seja para cargo de confiança no Executivo ou Legislativo. A vereança passará a ser a representação do povo, nos termos da CF, artigo 1º, parágrafo único, aquele mesmo que não se quer ler.
Os partidos, ervas de passarinho que sufocam o Brasil, serão convidados a se refundar e não negar legenda aos candidatos a vereador apoiados pelas entidades da sociedade civil organizada. Sendo o trabalho de graça, os picaretas não vão mais disputar o cargo de edil.
E assim, nós quinze, estaremos economizando entre vinte e cinco e vinte e sete milhões por ano, e trabalhando melhor. Leis não publicadas, Executivo ao léu, Ouvidor engavetado, audiências de fancaria, mordomias idiotas, atas atrasadas, nunca mais”.
Acordei. Tinha sido um sonho, mas estava feliz; nem que fosse só na minha cabeça e por um instante, o povo tinha recuperado 15 Vereadores.
Dez organizações de Petrópolis ligadas às áreas de assistência social e dos direitos da criança e do adolescente participaram, na última semana, no dia 19 de agosto, da segunda oficina proposta pelo projeto de pesquisa “Cartografia do Ecossistema de Inovação Social de Petrópolis”. O projeto parte de uma abordagem da área de políticas públicas que entende que são os agentes sociais, as pessoas que estão nos territórios, nas comunidades, vivendo o cotidiano dos problemas públicos da cidade, as pessoas mais indicadas para encontrar soluções para esses problemas. O coordenador, Gustavo Costa, e os pesquisadores Carla Magno e Reginaldo Braga Jr. têm trabalhado no mapeamento e no reconhecimento da rede de organizações, entidades, coletivos, grupos (formais e não formais) que se mobilizam para buscar e/ou propor soluções inovadoras para problemas públicos da de Petrópolis. São essas soluções que são chamadas de inovações sociais.
Durante a oficina, além de um panorama mais detalhado da base teórica da pesquisa, foi apresentado um protótipo da plataforma digital que está sendo desenvolvida para funcionar como uma ferramenta pública, colaborativa, que ajude na dinamização e no fortalecimento da rede de iniciativas de inovação social, facilitando a troca e a interação entre elas. “Estamos mapeando e buscando conhecer todas as iniciativas que identificamos como iniciativas de inovação social com o objetivo de reconhecer essa rede e alimentar essa plataforma para que ela possa, de fato, colaborar com o enfrentamento aos problemas públicos da cidade. Com ela no ar e com a ampliação do número de iniciativas cadastradas, a ideia é que as próprias iniciativas que se entendam enquanto iniciativas de inovação social se cadastrem e a plataforma passe a funcionar de forma mais orgânica”, ressalta Carla.
Para mapear esses agentes sociais e as iniciativas em que muitos deles estão organizados, a equipe de pesquisadores utilizou, como um dos pontos de partida, por exemplo, a base de dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre organizações da sociedade civil e também estudou o território de Petrópolis, produzindo alguns mapas para que, posteriormente, seja possível entender como as iniciativas e sua disposição na cidade dialogam com a dinâmica territorial do município. Dinamizar a rede de iniciativas de inovação social pode facilitar a mobilização e a organização diante das esferas de poder e, consequentemente, favorecer o surgimento de mais iniciativas do tipo, ou seja, mais ideias de soluções para os problemas públicos de Petrópolis.
“Nossa instituição estava muito ansiosa para conhecer mais sobre a pesquisa, e a oficina foi extremamente esclarecedora. A ideia de reconhecer essa rede e promover interações e conexões entre as iniciativas é incrível. A possibilidade de identificar, por meio da plataforma, outras iniciativas que atuam na mesma causa e enfrentam os mesmos desafios é muito interessante. Isso nos permite iniciar um diálogo para resolver conjuntamente esses problemas, promovendo uma colaboração mútua e eficaz”, comentou Monique Boechat, que compareceu à oficina representando a Renovar, associação que presta assistência a crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade social na cidade desde 1998.
O projeto de pesquisa é uma parceria entre o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Instituto Phillipe Guédon (IPG) e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Presente na oficina, o presidente do IPG, Cleveland Jones, destacou que o evento foi um marco no andamento do projeto EIS Petrópolis, deixando evidente que os objetivos estão sendo alcançados. Cleveland apontou para a organicidade de engajamento dos setores da sociedade envolvidos com inovações sociais no projeto a partir dos movimentos dos pesquisadores, indicando um potencial cada vez maior de iniciativas envolvidas. “A condução da oficina pelo professor Gustavo Costa e pela pesquisadora bolsista Carla Magno contou com uma grande participação de entidades e indivíduos atuantes no campo de assistência social e dos direitos da criança e do adolescente. Os resultados do projeto certamente trarão grandes benefícios para os atores que já fazem parte do ecossistema de inovações sociais, e deve alavancar as ações e os resultados das diversas e dispersas iniciativas, que muitas vezes ficam restritas a uma atuação individual. Como representante do IPG, proponente do projeto, fiquei muito satisfeito ao observar que os participantes entenderam e se empolgaram com o potencial da plataforma que o projeto pretende desenvolver e oferecer à sociedade”.
Uma combinação perfeita”. Assim Roberto Musser definiu a parceira da ACEP com o IPG. Responsável por articular a parceria, Roberto acredita na importância de “incorporar as visões das duas organizações com o compromisso do desenvolvimento sustentável de Petrópolis. Por um lado com a gestão social participativa e por outro na criação de um ambiente favorável aos negócios”.
A parceria foi formalizada em junho e de acordo com o Presidente do IPG, Cleveland Jones, “é uma demonstração de uma colaboração que pode beneficiar ambas as partes, e ampliar a oferta de serviços úteis aos empresários e à sociedade, fortalecendo o ambiente de negócios no município e ajudando a melhorar a qualidade de vida dos petropolitanos.” Cleveland acrescentou que “o IPG está muito satisfeito com a parceria celebrada, que reúne as competências da ACEP e do IPG em prol do desenvolvimento sustentável de Petrópolis”.
Além de ofertar novos cursos focados no conceito de ESG e outros, Cleveland destaca que esta união “também permitirá ao IPG continuar ampliando sua atuação para fortalecer a gestão participativa e promover um ambiente digno de uma cidade inteligente, um objetivo comum do IPG e da ACEP.”
A Presidente de Honra do IPG, Silvia Guédon, disse estar muito contente e afirmou que “a união de instituições como o IPG e a ACEP que possuem em suas diretorias pessoas bastante capacitadas, com uma trajetória de credibilidade, proporcionará a realização de grandes projetos”.
PESQUISADORA DO PROJETO EIS DESENVOLVIDO PELO INSTITUTO PHILIPPE GUÉDON
Conhecer a rede de interações e transações dos atores do Ecossistema de Inovação Social de Petrópolis é o objetivo do projeto de pesquisa “Cartografia do Ecossistema de Inovações Sociais de Petrópolis – EIS” que está sendo desenvolvido pelo Instituto Philippe Guédon (IPG). O projeto faz parte do programa pesquisador na empresa, da FAPERJ, que financia as bolsas para os profissionais que são encarregados de fazer a pesquisa, e conta também com a parceria do IPPUR (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional/UFRJ).
A jornalista e escritora carioca, Carla Magno, é uma das pesquisadoras do projeto, coordenado pelo Dr.Gustavo Costa. Formada em Comunicação Social pela PUC-Rio, trabalhou em diversos veículos de comunicação de Petrópolis. Mestre em Educação pela Universidade Católica de Petrópolis (UCP), Carla participa pela primeira vez de um projeto de pesquisa com este tema. Em entrevista ao IPG, descreveu as atividades que desenvolve e também explicou sobre a importância desta pesquisa para Petrópolis.
IPG – O Instituto Philippe Guédon foi a Instituição que submeteu este projeto a um edital da Faperj. Então, poderia explicar sobre a importância de uma Organização da Sociedade Civil dar estímulo e apoio a pesquisas?
CM – Graças a essa disposição do Instituto Philippe Guédon estamos conseguindo trabalhar o nosso olhar cuidadoso e atencioso para algo que é fundamental, que é o envolvimento da população em torno das decisões e das resoluções dos problemas que são públicos, sendo assim, que atingem a todas e todos cotidianamente. Acredito que isso já é um forte indicativo sobre a importância do estímulo e do apoio à pesquisa.
IPG– O que te motivou a participar deste projeto?
CM – Ao longo de toda a minha formação, desde que comecei a tomar consciência das formas sociais extremamente injustas que sustentam esta sociedade, senti a necessidade de participar das questões públicas e de buscar caminhos, não apenas para melhorar a vida da população trabalhadora, mas para envolver as pessoas que constroem a cidade diariamente nas decisões e debates sobre suas próprias vidas, decisões estas que estão, quase sempre, nas mãos de pouquíssimas pessoas, em geral, homens brancos que ocupam os espaços de poder. Este projeto tem um objetivo incrível e muito importante que é facilitar e promover a articulação popular em torno de problemas que atingem a todas e todos nós diante do abismo social que provoca um dia a dia de luta por sobrevivência e não de vivência. Foi isso que me motivou a participar.
IPG – Qual as atividades que você desenvolve no projeto EIS?
CM – No momento estou trabalhando na parte de mapeamento de iniciativas que se encaixam no perfil das inovações sociais, assim como de seus atores de suporte, comunicação, agendamento e realização das entrevistas de cadastro. Também começo a produzir material para comunicação com a imprensa e organização de oficinas.
IPG – Quais os setores da sociedade serão mais beneficiados? Explique o porquê e quais esses benefícios.
CM – Qualquer setor que procure se organizar em torno de problemas públicos será beneficiado pelo projeto, porque ele pretende oferecer uma ferramenta de estímulo à articulação e à participação popular. Entre os benefícios que ele pode oferecer, através da plataforma digital em desenvolvimento, de perfil colaborativo, está o fortalecimento em torno das mesmas lutas com o reconhecimento de iniciativas com propósitos semelhantes; o contato com atores de suporte para apoio, financeiro ou não; a robustez na hora de demandar soluções e ações diante do poder público; ou seja, o benefício da dinamização da organização popular e da possibilidade de se criarem mais iniciativas de inovação social. Essa ferramenta pode estimular melhores práticas de transparência, participação social e gestão de informações. Conectada com uma base cartográfica, a plataforma terá a capacidade de gerar múltiplas leituras espaciais do conjunto de relações que compõem a rede do EIS, conectando suas expressões espaciais, temporais e informacionais. Além da cartografia, a plataforma pode abrigar dados e informações a respeito do EIS em diversas linguagens e formatos, como gráficos, diagramas, infográficos, dashboards, bancos de dados e mapas interativos, dentre outras formas de representação dessa complexa rede.
IPG – Qual a importância deste projeto para o município de Petrópolis?
CM – Petrópolis é uma cidade que, além de todos os problemas que já conhecemos, ligados à educação, à saúde, ao transporte, ao direito à moradia entre muitos outros, vem, mais recentemente, sofrendo com os efeitos das recorrentes alterações climáticas, muito por conta de um péssimo planejamento urbano e uma falta de atenção e de ações urgentes do poder público. Mesmo depois da inesquecível tragédia de 2022, quando terra e água levaram famílias inteiras e deixaram pessoas vivendo com esse trauma diário e com o medo de novos episódios como aquele, ainda não vemos um município preparado para lidar com as chuvas. A importância deste projeto está, justamente, em estimular e oferecer ferramentas para facilitar a organização e para incentivar a participação popular, diante deste cenário de urgência, em torno das decisões sobre nossas próprias vidas.
Entrevista à Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação – IPG
ENTREVISTA COM CLEVELAND JONES – Presidente do IPG (Instituto Philippe Guédon) Pesquisador do INOG – Instit. Nac. de Óleo e Gás/CNPq – UERJ Membro, Geosciences Advisory Board – NXT Energy Solutions
IPG – Os aterros sanitários são a melhor solução para destinar o lixo gerado em uma cidade?Explique o porquê.
CJ – Os aterros são uma solução ambientalmente aceitável para a destinação final dos resíduos sólidos urbanos (RSU) gerados na maioria das cidades brasileiras, conquanto sejam construídos e operados adequadamente. Mas é importante lembrar que aterro sanitário não é lixão, e vice-versa.
Cleveland Jones
Qualquer aterro deve funcionar dentro de um plano maior, que inclui, além da coleta e destinação adequada de RSU, programas de coleta seletiva, reciclagem, destinação diferenciada de lixo verde e entulho de obras, e compostagem de resíduos orgânicos, sempre que possível. Os aterros exigem uma área relativamente grande para sua instalação, para poder armazenar os RSU gerados diariamente por um prazo relativamente longo, de pelo menos alguns anos. Sua construção envolve muito mais que o preparo do terreno escolhido, pois envolve técnicas construtivas específicas, para assegurar que não haja impactos adversos, como contaminação do solo e recursos hídricos, e para minimizar outros impactos, como ruído, cheiro, efeitos na vizinhança (especialmente próximo a aeroportos, pela inevitável presença de aves que têm preferência por esses locais). Também têm que cumprir certas exigências ambientais e técnicas, como assegurar espaço logístico para sua operação, distância mínima de recursos hídricos e populações, etc.
Infelizmente, como em Petrópolis, é comum que seja difícil encontrar espaços suficientemente grandes e adequados para a instalação de um aterro sanitário. E a questão logística, envolvendo a distância entre centros geradores e o aterro, assim como o trajeto até o aterro e seus impactos na vizinhança e vias transitadas, também representam uma dificuldade para instalar novos aterros.
IPG – Quais são as alternativas para a instalação de um aterro sanitário, como em Petrópolis?
CJ – Em alguns casos, é possível justificar uma alternativa aos aterros, que são geralmente a forma mais barata e confiável para o destino dos RSU. Entretanto, Petrópolis tem poucos espaços disponíveis que podem ser utilizados como aterros, e sua topografia dificulta a construção de um aterro dentro das exigências técnicas e ambientais.
Nesses casos, o governo federal e o estado do Rio de Janeiro têm estimulado a criação de consórcios intermunicipais para a destinação dos RSU de um ou mais municípios, em um aterro de outro município. É o sistema que temos em funcionamento atualmente, em Petrópolis, em que os RSU de Petrópolis são levados ao aterro do Consórcio Intermunicipal Três Rios, no município de Três Rios, a uns 70km de Petrópolis.
Obviamente, além da necessidade de uma estação de transbordo, onde os RSU são colocados em caminhões diferentes dos que coletam os RSU, o transporte por longas distancias gera custos significativos, e impactos ambientais adicionais. Enquanto não houver alternativa mais atraente para Petrópolis, essa continuará sendo a solução empregada para a destinação de seus RSU.
Mas devemos lembrar que em qualquer sistema de coleta e destinação de RSU de qualquer centro populacional, seja ele grande ou pequeno, o incentivo à coleta seletiva e reciclagem, e à compostagem, podem reduzir os custos do sistema, pois reduzem a quantidade de RSU que precisa ter destinação final adequada, enquanto podem gerar benefícios ambientais, emprego e renda, além de reduzir dos custos para obter novos materiais que a economia demanda.
IPG – Haveria outras soluções para a destinação dos RSU de Petrópolis?
CJ – Quando as alternativas mais em conta, como aterros próprios ou consorciados, não estão disponíveis ou não são viáveis, por falta de espaços adequados, logística inviável, limitações ambientais ou custos elevados, as usinas de lixo são uma alternativa.
Nessas instalações, os RSU são incinerados a altas temperaturas ou pirolisados (alta temperatura sem oxigênio). Com o devido controle das emissões (filtros), pouquíssimos resíduos finais são gerados (basicamente cinzas). Essas usinas também podem ser construídas para gerar energia pela queima dos RSU, assim como outros produtos de valor agregado, como o biochar (carvão vegetal) e outros, que podem ser utilizados na agricultura, no paisagismo, etc.
Entretanto, há de se considerar que geralmente essa forma de destinação final dos RSU pode ser significativamente mais cara do que em um aterro, e geralmente é escolhida em países mais ricos ou centros urbanos onde o transporte em longas distancias é proibitivo, ou implica em impactos inaceitáveis do transporte de lixo por centros de alta densidade populacional.
IPG – Como a população que mora no entorno ou que sobrevive do trabalho feito nos aterros poderia ser beneficiada?
CJ – Não somente essa população adjacente, mas muitos outros trabalhadores que se dedicam à coleta e reciclagem dos RSU, dependem dos RSU gerados em uma cidade ou município. Eles são uma parte importante da destinação final dos RSU, pois quanto mais material for retirado do fluxo destinado aos aterros ou outro destino final, menor a quantidade levada aos aterros ou processada em uma usina, o que pode reduzir os custos significativamente, além de fornecer sustento para esses trabalhadores.
A coleta, separação e reciclagem de materiais do fluxo de RSU gerados, especialmente através de cooperativas ou associações de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis faz parte, inclusive, da política nacional de resíduos sólidos, constante da Lei 12.305 de 2010. Reconhecendo os benefícios ambientais, sociais e para a cadeia produtiva desses trabalhadores, essa lei imputa ao “titular dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos” o apoio à organização e o funcionamento de cooperativas desses trabalhadores.
Infelizmente, o que se observa na prática, em Petrópolis como em praticamente todo o Brasil, é uma desobservância a essa obrigação, assim como a diversas outras obrigações que a Lei 12.305 criou, mas que foram ignoradas, e algumas das mais importantes, como a obrigação de pôr fim aos lixões, tiveram sua vigência adiada repetidamente, para atender aos municípios que desrespeitaram suas obrigações, ao invés de exigir o cumprimento da lei.
Diante dessa realidade, os trabalhadores que se dedicam à coleta, separação e reciclagem dos materiais recicláveis, especialmente os mais frágeis dessa cadeia, os chamados catadores, sofrem com a falta de incentivos para realizar seu trabalho com remuneração e condições dignas. E quem perde, além deles, é toda sociedade, que deixa de auferir os benefícios ambientais e econômicos do reaproveitamento de materiais que poderiam deixar de ser destinados como RSU e se transformar em emprego, renda e recursos produtivos para a economia.
IPG – Como deve ser feito o descomissionamento de aterros, ao final de sua vida útil?
CJ – O descomissionamento de um aterro é uma fase integral do ciclo de vida de um aterro, desde sua concepção e licenciamento, até o fim de sua operação, que envolve o período em que não mais recebe RSU para destinação final, mas que ainda deve ser operado para assegurar que seus impactos ambientais sejam minimizados.
Após o encerramento das atividades de recebimento e condicionamento dos RSU (cobertura regular e constante com material adequado, como argila ou terra), o aterro ainda deverá ser operado por vários anos, enquanto o chorume e o biogás continuarem a ser gerados.
O chorume continuará sendo gerado por bastante tempo, portanto seu tratamento, ou disposição final em estação de tratamento de efluentes (ETE) capacitada para tal recebimento, precisa continuar até que sua geração seja insignificante.
Da mesma forma, o biogás proveniente da decomposição da matéria orgânica também continuará sendo gerado por bastante tempo, e necessita ser captado e aproveitado, ou incinerado nos pontos de escape, para evitar sua emissão como potente gás de efeito estufa (predominantemente composto por metano e dióxido de carbono, além de outros componentes altamente tóxicos e perigosos).
Finalmente, as instalações que abrigavam a operação de um aterro precisam ser convertidas para um uso adequado, permitindo que um possível passivo ambiental seja transformado em um ativo útil. Geralmente, a superfície de um aterro é convertida em áreas vegetadas, parques, etc., ou em outras instalações condizentes com os cuidados exigidos pela necessidade da continuada captação e tratamento do chorume e biogás.
IPG – Quais os impactos e riscos do descomissionamento?
CJ – O descomissionamento de um aterro deve levar em conta os impactos ambientais possivelmente ocasionados, como o da geração continuada de chorume e biogás, mas também o impacto social que pode ocorrer com o fim de seu funcionamento, especialmente para as pessoas cujo trabalho dependia da operação do aterro, como aqueles que coletavam materiais recicláveis no local ou próximo dele.
Medidas eficazes para mitigar os impactos sociais podem ser muito complexas e de difícil implementação, já que podem exigir a transferência de populações afetadas, orientações para essa transição, oferta de oportunidades alternativas, recolocação ou capacitação, etc., e tudo de forma não impositiva, mas através de ações participativas.
IPG – O descomissionamento do aterro em Petrópolis pode ser feito? Quem seria o responsável?
CJ – O descomissionamento deveria ser responsabilidade do operador, que geralmente é o titular dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, mas que pode ter concedido o serviço através de contrato. Como vimos, as ações de descomissionamento, inclusive seu monitoramento, por exigências legais e técnicas, podem durar anos após o encerramento das atividades de recebimento de RSU.
Dessa forma, o descomissionamento se configura como uma etapa potencialmente onerosa, e de longa duração, motivo pelo qual qualquer ente responsável por essa etapa busca reduzir os custos e as atividades associadas ao máximo. Resta à autoridade municipal concedente, que no caso de Petrópolis é a Comdep fiscalizar a operação e assegurar a adequada realização dos serviços tecnicamente, ambientalmente e legalmente necessários. E resta ao órgão estadual fiscalizador, que no caso de Petrópolis é o INEA, acompanhar e exigir o cumprimento dessas obrigações, monitorando a operação através de relatórios do operador e por fiscalização própria, independente. Mas no caso de Petrópolis, a Secretária de Meio Ambiente, que está capacitada a fazer licenciamento de operações cujos impactos residem exclusivamente no município, também teria que monitorar e fiscalizar a operação durante a fase toda do descomissionamento.
Em Petrópolis, o aterro de Pedro do Rio já teve sua operação encerrada, e teoricamente não deveria haver mais destinação de RSU para lá. As medidas mais básicas de descomissionamento, como o tratamento do chorume e biogás, deveriam estar sendo realizadas e monitoradas. A transformação do local para outro uso adequado e útil parece não ter sido realizado, até porque o local, até onde sabemos, continua recebendo outros resíduos, que tecnicamente também são RSU, mas que são categorizados separadamente. Esses resíduos são basicamente entulho (resíduos inertes de obras) e lixo verde (de podas, jardinagem, etc.).
Se a situação atual constitui ou não uma atuação de acordo com a lei e com as obrigações contratuais e legais das partes e dos órgãos fiscalizadores, é uma questão em aberto, que não é facilmente determinada. Isso porque não há transparência nas ações e operações realizadas, nem por parte do operador nem por parte dos órgãos fiscalizadores responsáveis. A falta de transparência impede uma avaliação da real situação atual.
O que pode ser dito é que eu visitei o Aterro de Pedro do Rio em duas ocasiões, em 2012 e 2014, quando fiz relatórios técnicos da situação encontrada, e em ambas as ocasiões apontei grosseiros erros e falhas em sua operação. Esses relatórios estão disponíveis na página do Dados Municipais, mantido pelo IPG (www.dadosminicipais.org.br). Entretanto, se quando o aterro ainda estava operando e gerando receita para o operador, e essas receitas ainda podiam justificar e permitir uma operação correta, isso não ocorria, imagino que agora, sem que o local esteja gerando receitas significativas, isso deve ser ainda mais improvável, infelizmente. A falta de transparência suscita ainda mais dúvidas, assim como o fato que após a visita de 2014, não me foi mais concedida a autorização para realizar outra visita técnica de inspeção.
IPG – Poderia dar exemplos de descomissionamento de aterros bem-sucedidos?
CJ – Um exemplo de um descomissionamento de um aterro que considero bem-sucedido é justamente o que eu coordenei no projeto de Diagnóstico Socioambiental da região do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho (AMJG). Como esse era o maior aterro da América do Sul, naturalmente o projeto envolveu muitos profissionais, e muitos aspectos a serem considerados, envolvendo questões técnicas, operacionais, ambientais e sociais. O trabalho foi realizado em duas partes: uma, analisando e fazendo recomendações referentes ao meio biótico e aspectos ambientais e operacionais, e outra, analisando e fazendo recomendações referentes aos aspectos socioeconômicos.
O MP-RJ respaldou o projeto (e minha indicação como coordenador geral), e assim conseguiu fazer com que a UERJ (através da qual eu participei) e o município de Caxias celebrassem o acordo que permitiu esse derradeiro trabalho para diagnosticar a realidade do AMJG e orientar seu encerramento e as respectivas recomendações. Certamente isso contribuiu para empoderar a equipe, viabilizar seu trabalho e permitir sua realização em um difícil ambiente de muitas pressões e interesses locais e regionais, que representavam históricos entraves ao efetivo e adequado encerramento do AMJG. Entretanto, a premência da necessidade de encontrar uma alternativa para a situação do lixo do Rio de Janeiro também deve ter sido chave, pois nesses casos, a vontade política é essencial para o êxito de qualquer iniciativa, e a falta de vontade política mais efetiva, no passado, condenou o AMJG a operar por bem mais tempo do que poderia ser justificado.
IPG – Poderia falar um pouco da sua experiência em Gramacho?
CJ – Apesar dos desafios, o encerramento operacional do aterro se deu apenas três anos após a conclusão de meus relatórios, que apontaram a triste realidade do AMJG e seu entorno, a necessidade de cessar o destino de RSU para o AMJG, e apresentaram propostas para mitigar os impactos ambientais e sociais daquela época e os que viriam após o descomissionamento do AMJG.
Aterro de Gramacho antes do encerramento
As dificuldades de lidar com as questões dos resíduos sólidos no Brasil, sempre relegados a um segundo plano, e notadamente no cenário local, onde inúmeras irregularidades existiram abertamente durante anos a fio, sugeriam a todos que o objetivo de eliminar completamente os problemas ambientais, operacionais e sociais do AMJG e de seu encerramento era uma meta que ninguém, inclusive eu, esperava alcançar plenamente.
Ainda assim, as principais conquistas foram justamente as mais importantes: a de precipitar a criação de uma alternativa ao AMJG, que foi a implementação e operacionalização do aterro em Seropédica, RJ; o descomissionamento efetivo e adequado do AMJG; o cadastramento e os cuidados e indenizações aos quase dois mil catadores que diretamente trabalhavam no AMJG; a oferta de novas oportunidades de trabalho com a implementação de centros de reciclagem de resíduos; a realização de ações técnicas para minimizar e mitigar os impactos ambientais do encerramento (tratamento de chorume e planta de biogás e geração de energia).
Diversas outras recomendações acabaram não sendo implementadas, ou pelo menos não plenamente, e algumas foram posteriormente descontinuadas, já que poder assegurar sua efetiva continuidade por muito tempo estava fora do alcance do projeto, especialmente considerando que o tema lixo é altamente contaminado pela política, e é volátil e sujeito à interação dos interesses locais, estaduais e federais.
Mas cabe ressaltar que nem todos os aterros oferecem tantos desafios, nem tampouco tantas oportunidades para implementar medidas para mitigar impactos negativos. Dada a escala do AMJG, por exemplo, a captação e tratamento de chorume conseguiu ser realizada em plantas maiores e mais eficazes, assim como a captura do biogás pode ser realizada com o aproveitamento do gás na geração de energia, já que o volume justificava essa instalação, e inclusive permitiu a emissão de créditos de carbono associados. As medidas socioeconômicas sugeridas foram as mais precarizadas, pois naturalmente são de longo prazo e exigem constante apoio financeiro e político, algo que tende a não se sustentar por muito tempo.
Contudo, considero o descomissionamento do AMJG um sucesso, ainda mais considerando o histórico de fracassos anteriores nesse sentido, e o próprio fracasso do Brasil em eliminar os lixões em todos os municípios brasileiros, algo que ainda está distante de ser alcançado, e representa uma vergonha nacional.
Lembremos que o grau de civilização de uma sociedade pode ser observado pelos seus cuidados com seu lixo. Por essa ótica, estamos mal no Brasil, mas também deficientes em Petrópolis.
ST: Minha motivação veio muito cedo, na fase de infância, quando comecei a descobrir “O POR QUÊ DAS COISAS?”, que era uma brincadeira muito interessante e acabei descobrindo como muitas coisas, realmente, funcionavam.
Já na Universidade Católica de Petrópolis – UCP, em fevereiro/1986, quando ingressei para estudar Engenharia Mecânica, comecei a estudar e compreender melhor o funcionamento de algumas máquinas e instrumentos usados em nossa vida diária, tais como: ferramentas, eletrodomésticos, máquinas de tornearia, automóveis e seus motores à combustão interna, aviões e suas turbinas à jato, e como todas essas coisas eram projetadas, desenhadas e fabricadas. Também, fiquei impressionado como era feito o sistema de impressão de cartões, para gerarmos código de programação em computadores e a realização de determinadas tarefas.
De lá prá cá, minha curiosidade tem sido aguçada e os impactos tecnológicos em nossa vida tem sido um dos meus focos de interesse, estudo e trabalho.
IPG – Quais os benefícios da tecnologia para a gestão participativa?
ST – A tecnologia desempenha um importante papel na promoção da gestão participativa, que é um modelo de administração que envolve a colaboração ativa dos membros da equipe na tomada de decisões e no processo de gestão. Cito alguns benefícios que a tecnologia pode proporcionar à gestão participativa:
1. Comunicação Eficiente:
• Ferramentas de comunicação online (e-mails, mensagens instantâneas e plataformas de colaboração), facilitam a troca rápida/eficiente de informações entre a equipe, promovendo transparência e inclusão.
2. Colaboração Remota:
• Equipes distribuídas geograficamente usam a tecnologia na colaboração eficaz, permitindo que todos contribuam independentemente de sua localização. Videoconferências, compartilhamento de documentos online e outras ferramentas colaborativas são essenciais.
3. Acesso a Dados e Informações:
• Sistemas de gestão de informação permitem acesso fácil e rápido a dados relevantes, permitindo que a equipe de trabalho tome decisões acertadas. Para uma gestão participativa baseada em informações precisas, isso é essencial.
4. Feedback em Tempo Real:
• Plataformas digitais possibilitam a coleta e análise de feedback em tempo real. Assim, ajustes rápidos e contínuos são realizados nas estratégias, promovendo uma gestão mais ágil.
5. Participação Virtual em Reuniões e Tomadas de Decisão:
• Ferramentas de videoconferência e plataformas de votação online possibilitam a participação remota em reuniões e processos de decisão. Isso é fundamental para a inclusão de membros de equipes que podem não estar fisicamente presentes.
6. Transparência:
• Sistemas de gestão e plataformas colaborativas proporcionam transparência nas operações e processos da empresa. Isso ajuda a construir confiança entre os membros do time e promove a participação ativa.
7. Inovação Colaborativa:
• Ambientes online facilitam a co-criação e inovação colaborativa. Sendo assim, a equipe pode contribuir com ideias e sugestões de maneira eficaz, independentemente de sua hierarquia.
8. Facilitação da Gestão de Projetos:
• Ferramentas de gestão de projetos online ajudam a coordenar atividades do time de trabalho, atribuir tarefas, acompanhar o progresso e garantir que todos estejam alinhados aos objetivos em comum.
9. Flexibilidade e Agilidade:
• A tecnologia estimula maior flexibilidade e agilidade na adaptação a mudanças e na implementação de novas abordagens, alinhando-se às necessidades dos times.
10. Desenvolvimento de Competências:
• Plataformas de aprendizado online e recursos digitais são usadas para o desenvolvimento de habilidades e competências dos membros da equipe, promovendo um ambiente de aprendizado contínuo.
Em resumo, a tecnologia desempenha um papel muito importante na viabilização e no aprimoramento da gestão participativa, oferecendo ferramentas que facilitam a comunicação, a colaboração e a tomada de decisões, contribuindo para o sucesso e a eficácia desse modelo de gestão.
IPG– Como fazer com que o acesso à tecnologia seja mais acessível? A pandemia mostrou como ainda é desigual esse acesso.
ST – A redução da desigualdade no acesso à tecnologia é um enorme desafio, especialmente após a pandemia, que ampliou as disparidades existentes. Cito algumas estratégias para tornar o acesso à tecnologia mais acessível:
1. Infraestrutura de Conectividade:
• Investir em banda larga acessível e infraestrutura de rede robusta, especialmente em áreas rurais e economicamente desfavorecidas.
2. Acesso a Dispositivos:
• Criar programas que forneçam dispositivos acessíveis, como laptops, tablets ou smartphones, para comunidades carentes, estudantes e famílias de baixa renda.
3. Iniciativas de Educação Digital:
•
Iniciativas de Educação Digital: • Desenvolver programas para capacitar as pessoas a usar a tecnologia de maneira eficaz, tais como: treinamentos, workshops e recursos online gratuitos.
Parcerias Público-Privadas: • Estabelecer parcerias entre o setor público e privado, criando soluções inovadoras e acessíveis, onde empresas podem contribuir com recursos, conhecimento e tecnologia, apoiando iniciativas governamentais.
Planos de Acesso Subsidiado: • Oferecer subsídios para famílias de baixa renda, garantindo que o custo não seja uma barreira para a conectividade.
Incentivar a Produção Local de Tecnologia: • Desenvolver a tecnologia local, reduzindo custos e tornando os produtos mais acessíveis. Isso pode incluir a fabricação local de dispositivos e a criação de software de código aberto.
Bibliotecas e Espaços Comunitários Digitais: • Estabelecer espaços equipados com computadores e acesso à internet, como bibliotecas públicas ou centros comunitários, de forma que as pessoas possam acessar recursos digitais.
Reciclagem de Dispositivos: • Criar programas de reciclagem e recondicionamento de dispositivos eletrônicos, para redistribuí-los à comunidades que não têm acesso a tecnologia.
Desenvolver Conteúdo Localizado: • Criar conteúdo digital relevante e localizado, considerando as necessidades específicas das comunidades, incluindo idiomas locais, temas culturalmente relevantes e aplicativos adaptados.
Incentivar a Inclusão Digital para Grupos Vulneráveis: • Implementar programas para garantir a inclusão digital de grupos, como: idosos, pessoas com deficiência e comunidades indígenas.
Programas de Subsídios e Incentivos Fiscais: • Oferecer subsídios e incentivos fiscais para empresas que desenvolvem soluções tecnológicas acessíveis e que contribuam para a redução da desigualdade digital.
Apoiar Iniciativas de Inovação Social: • Investir em inovação social, com soluções criativas e acessíveis para resolver desafios relacionados ao acesso à tecnologia.
Essas estratégias, quando implementadas de forma coordenada e integrada, podem contribuir para reduzir as disparidades no acesso à tecnologia e promover a inclusão digital em diversas comunidades.
IPG – E para a sustentabilidade, como a tecnologia pode se tornar uma atividade mais “limpa”? Por exemplo: O trabalho em home office demonstrou um impacto ambiental negativo menor, pois o profissional diminui gastos com transporte, ou seja, menos combustível, consequentemente, menos CO2. Mas, o equipamento usado causou grandes impactos quando foi produzido.
Sergio também participa do GT de Meio Ambiente do IPG.
ST – Para tornar a tecnologia uma atividade mais sustentável e “limpa”, é fundamental considerar todo o ciclo de vida dos produtos e processos tecnológicos. Vamos a algumas estratégias para mitigar os impactos ambientais da tecnologia:
1. Design Sustentável:
• Priorizar o desenvolvimento de produtos tecnológicos, considerando materiais de baixo impacto ambiental, facilidade de reciclagem, eficiência energética e durab…
IPG –Em relação à sustentabilidade, dê um panorama a respeito das formas de trabalho atuais: à distância, híbrido e presencial. Quais os pontos fracos e fortes destas formas que impactam o meio ambiente?
ST – As formas de trabalho atuais, como presencial, à distância (teletrabalho ou trabalho remoto) e híbrido, apresentam diferentes implicações ambientais. Aqui está um panorama geral dos pontos fortes e fracos de cada uma em termos de sustentabilidade:
Trabalho Presencial:
Pontos Fortes: Interações Face a Face: Promove interações sociais e colaboração direta, o que pode levar a um melhor entendimento e comunicação entre os membros da equipe.
Pontos Fracos: Deslocamento: Geralmente, envolve deslocamento diário, seja de carro, transporte público ou outros meios, contribuindo para emissões de gases de efeito estufa e poluição do ar.
2. Consumo de Recursos no Escritório: Uso de energia, água e outros recursos no local de trabalho físico.
Trabalho à Distância (Teletrabalho/Remoto):
Pontos Fortes:
1. Redução de Deslocamentos: Minimiza ou elimina a necessidade de deslocamentos diários, reduzindo as emissões de carbono associadas ao transporte.
2. Menor Consumo de Recursos no Escritório: Menos demanda por instalações de escritório, resultando em menor consumo de recursos.
Pontos Fracos:
1. Consumo de Eletricidade em Casa: Aumento do consumo de eletricidade nas residências, se as condições de trabalho em casa não forem otimizadas em termos de eficiência energética.
2. Descarte de Equipamentos Eletrônicos: Aumento do descarte de dispositivos eletrônicos devido à necessidade de equipamentos pessoais para o trabalho remoto.
Trabalho Híbrido:
Pontos Fortes:
1. Equilíbrio entre Presencial e Remoto: Permite uma combinação flexível de trabalho presencial e remoto, com benefícios de ambos os modelos.
2. Redução de Deslocamentos em Dias de Trabalho Remoto: Há uma redução nas emissões devido aos deslocamentos evitados.
Pontos Fracos:
1. Complexidade da Gestão: Pode ser desafiador gerenciar as equipes e manter uma cultura organizacional coesa com a flexibilidade do trabalho híbrido.
2. Variação no Consumo de Recursos: A eficiência em termos de recursos pode variar dependendo de como as organizações implementam o modelo híbrido.
Considerações Gerais:
1. Tecnologia e Infraestrutura: Todas as formas de trabalho dependem da tecnologia. A produção, o uso e o descarte de dispositivos eletrônicos podem ter impactos ambientais significativos.
2. Eficiência Energética: O uso eficiente de energia em escritórios, em casa e nos centros de dados é crucial para reduzir o impacto ambiental.
Em resumo, enquanto o trabalho remoto e híbrido oferecem oportunidades para reduzir as emissões associadas ao deslocamento diário, é crucial abordar os desafios específicos de cada modelo para garantir práticas sustentáveis. Isso inclui a implementação de políticas e práticas que visam a eficiência energética, a gestão adequada de dispositivos eletrônicos e a conscientização sobre o impacto ambiental das escolhas de trabalho
IPG – Quais os prós e contras da IA (Inteligência Artificial) para a sociedade e como ela pode contribuir para o exercício da cidadania?
ST – A Inteligência Artificial (IA) tem impactado a sociedade de várias formas, trazendo benefícios, mas também desafios e preocupações éticas. Seguem alguns prós e contras da IA para a sociedade, bem como maneiras pelas quais ela pode contribuir para o exercício da cidadania:
Prós da IA para a Sociedade:
1. Eficiência e Automação:
• Pró: A IA pode automatizar tarefas repetitivas e otimizar processos, aumentando a eficiência em diversas áreas, desde a indústria até os serviços.
2. Inovação em Saúde:
• Pró: Na área da saúde, a IA pode contribuir para diagnósticos mais rápidos e precisos, identificação de padrões em grandes conjuntos de dados e desenvolvimento de tratamentos personalizados.
3. Assistência ao Cliente e Chatbots:
• Pró: Chatbots e sistemas de IA podem oferecer assistência ao cliente 24 horas por dia, proporcionando respostas rápidas e eficientes.
4. Veículos Autônomos:
• Pró: Contribui para a redução de acidentes de trânsito e pode otimizar o transporte público, melhorando a segurança nas estradas.
5. Personalização de Conteúdo:
• Pró: A IA pode personalizar recomendações de conteúdo online, como filmes, música e notícias, melhorando a experiência do usuário.
Contras da IA para a Sociedade:
1. Desemprego e Mudança no Mercado de Trabalho:
• Contra: A automação impulsionada pela IA pode levar à substituição de empregos por máquinas, exigindo a requalificação de trabalhadores para novas funções.
2. Vieses e Discriminação:
• Contra: Algoritmos de IA podem refletir preconceitos existentes na sociedade, resultando em decisões discriminatórias, especialmente quando treinados em dados enviesados.
3. Privacidade e Vigilância:
• Contra: A coleta massiva de dados para alimentar algoritmos de IA pode levantar preocupações sobre privacidade e vigilância, especialmente se não houver regulamentações adequadas.
4. Desafios Éticos:
• Contra: Decisões automatizadas pela IA podem gerar dilemas éticos, como em casos de carros autônomos decidindo sobre situações de colisão.
5. Dependência Tecnológica:
• Contra: A crescente dependência da IA pode criar vulnerabilidades significativas, especialmente se sistemas críticos forem comprometidos.
Contribuições da IA para o Exercício da Cidadania:
1. Acesso à Informação:
• A IA pode facilitar o acesso à informação, ajudando os cidadãos a tomar decisões mais informadas sobre questões políticas, sociais e econômicas.
2. Engajamento Cívico:
• Ferramentas baseadas em IA podem impulsionar o engajamento cívico, fornecendo plataformas para participação pública, discussões online e feedback sobre políticas.
3. Análise de Dados para Políticas Públicas:
• A IA pode auxiliar na análise de grandes conjuntos de dados para informar políticas públicas mais eficazes, identificando áreas de necessidade e otimizando recursos.
4. Detecção de Fake News:
• Algoritmos de IA podem ajudar na detecção de notícias falsas, melhorando a qualidade da informação disponível para os cidadãos.
5. Aprimoramento dos Serviços Públicos:
• A IA pode ser usada para melhorar a eficiência dos serviços públicos, desde o atendimento ao cliente até a gestão de recursos.
Em última análise, a aplicação responsável e ética da IA é crucial para maximizar seus benefícios e minimizar seus impactos negativos. As políticas, discussões públicas e regulamentações desempenham um papel fundamental na orientação do desenvolvimento e uso da IA para o bem da sociedade.
IPG – Apesar das vantagens e, como qualquer nova ferramenta, a AI (Inteligência Artificial) pode ser mal utilizada, já tivemos exemplos recentemente. Então, qual deveria ser o papel da educação em relação às inovações digitais?
ST – O papel da educação em relação às inovações digitais, incluindo a Inteligência Artificial (IA), é fundamental para preparar os indivíduos para compreender, utilizar e abordar criticamente os impactos dessas tecnologias na sociedade. Cito aqui alguns aspectos do papel da educação nesse contexto:
1. Alfabetização Digital e em IA:
• A educação deve focar em desenvolver habilidades de alfabetização digital, incluindo o entendimento básico de como as tecnologias digitais funcionam e como os dados são coletados e utilizados. A alfabetização em IA é crucial para que as pessoas compreendam as decisões automatizadas tomadas por algoritmos.
2. Conscientização Ética:
• As escolas devem incluir a ética digital como parte integrante do currículo, ajudando os alunos a entenderem as implicações éticas do uso da tecnologia, incluindo questões relacionadas à privacidade, viés algorítmico e transparência.
3. Habilidades de Pensamento Crítico:
• A educação deve incentivar o desenvolvimento de habilidades de pensamento crítico para que os alunos possam avaliar criticamente informações online, entender os impactos sociais das inovações digitais e formar opiniões informadas.
4. Desenvolvimento de Habilidades Tecnológicas:
• As instituições educacionais devem oferecer programas que desenvolvam habilidades práticas em tecnologia, programação e uso de ferramentas digitais. Isso não apenas capacita os alunos para futuras carreiras, mas os torna mais capazes de entender e influenciar o mundo digital ao seu redor.
5. Inclusão Digital:
• A educação deve se esforçar para reduzir a lacuna digital, garantindo que todos os alunos tenham acesso igual a recursos digitais. Isso é crucial para evitar a exclusão de grupos socioeconômicos menos favorecidos.
6. Currículo Flexível e Adaptável:
• Dada a rápida evolução das tecnologias, os currículos educacionais devem ser flexíveis e adaptáveis para incorporar novas informações sobre inovações digitais à medida que surgem.
7. Abordagem Interdisciplinar:
• Incluir abordagens interdisciplinares na educação, conectando disciplinas como ciência da computação, ética, sociologia e ciências políticas. Isso permite uma compreensão mais holística das implicações sociais, éticas e políticas das inovações digitais.
8. Cidadania Digital Responsável:
• Promover a cidadania digital responsável, incentivando atitudes éticas, respeitosas e responsáveis no ambiente digital. Isso envolve compreender e respeitar os direitos e responsabilidades online.
9. Apoio Contínuo para Professores:
• Fornecer suporte contínuo e formação para professores, capacitando-os a integrar efetivamente as tecnologias digitais em suas práticas de ensino e orientar os alunos na compreensão e uso responsável dessas ferramentas.
10. Discussões e Diálogos Abertos:
• Criar ambientes de aprendizado que incentivem discussões abertas sobre questões éticas, sociais e políticas relacionadas à tecnologia, permitindo que os alunos expressem suas opiniões e compreendam diferentes perspectivas.
Concluindo, a educação desempenha um papel crucial na capacitação dos indivíduos para prosperar em uma sociedade digital. Uma abordagem abrangente que combine conhecimentos técnicos, habilidades éticas e pensamento crítico é essencial para garantir que os benefícios das inovações digitais sejam aproveitados de maneira responsável e inclusiva.
IPG– Você realizou algumas rodas de conversa, com a participação do Vice-Presidente do IPG, sobre tecnologia e meio ambiente, baseadas no autor Harari. Poderia explicar quais as questões tratadas pelo autor que podem ser aplicadas no âmbito de Petrópolis?
Sergio em uma das rodas de conversa do IPG
ST – Yuval Noah Harari é conhecido por suas obras como: “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, “Homo Deus: Breve História do Amanhã” e, recentemente, “21 Lições para o Século XXI”. Embora ele aborde temas amplos relacionados à história e o futuro da humanidade, suas obras não necessariamente focam especificamente em questões locais ou cidades específicas. Dito isso, se estiver considerando a relação entre tecnologia, meio ambiente e questões locais, como a cidade de Petrópolis, é possível extrair conceitos gerais de Harari que podem ser aplicados em diferentes contextos. Aqui estão alguns princípios que podem ser relevantes:
1. Interconexão Global:
• Harari destaca como a globalização e a interconexão impactam as sociedades modernas. Isso pode ser aplicado a Petrópolis ao considerar como as tecnologias de comunicação e transporte afetam a cidade em termos de economia, cultura e ambiente.
2. Desafios Ambientais:
• O autor aborda este tema incluindo mudanças climáticas. Isso pode ser aplicado em Petrópolis, uma cidade que pode enfrentar questões relacionadas ao desmatamento, gestão de recursos hídricos e sustentabilidade em geral.
3. Impactos da Tecnologia:
• Harari discute como avanços tecnológicos, como Inteligência Artificial e biotecnologia, podem moldar o futuro da humanidade. Esses avanços também podem ter impactos locais em Petrópolis, influenciando setores como saúde, educação, transporte e gestão urbana.
4. Questões Éticas:
• Ele aborda questões éticas relacionadas ao uso da tecnologia, e, ao aplicar isso a Petrópolis, seria muito importante considerar como as decisões tecnológicas na cidade estão alinhadas com princípios éticos, especialmente quando se trata de coleta de dados, privacidade e automação.
5. Adaptação a Mudanças:
• Harari também destaca a necessidade de adaptação diante das mudanças rápidas na sociedade. Em Petrópolis, isso pode se traduzir na capacidade de se adaptar a transformações tecnológicas e ambientais, como a transição para práticas sustentáveis ou a implementação de soluções inovadoras.
Lembre-se de que, para uma análise mais específica e detalhada das questões em Petrópolis, é importante consultar fontes locais, dados e especialistas que tenham um entendimento aprofundado da situação atual na cidade, necessariamente a Defesa Civil, a Prefeitura de Petrópolis, os empresários e os órgãos e associações locais.
Abaixo algumas obras que Sergio indica como referência sobre o tema e que embasaram a entrevista.
(1)- “A ERA DAS MÁQUINAS ESPIRITUAIS”, de Ray Kurzweil (Editora Aleph).
(2)- “A SINGULARIDADE ESTÁ PRÓXIMA”, de Ray Kurzweil (ILUMINURAS / OBSERVATÓRIO ITAÚ CULTURAL).
(3)- “INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: DO ZERO AO METAVERSO”, de Martha Gabriel (gen | atlas).
(4)- “EDUCAÇÃO NA ERA DIGITAL: CONCEITOS, ESTRATÉGIAS E HABILIDADES”, de Martha Gabriel (gen | atlas).
(5)- “VOCÊ, EU E OS ROBÔS”, de Martha Gabriel (gen | atlas).
(6)- “A PRÓXIMA ONDA: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, PODER E O MAIOR DILEMA DO SÉCULO XXI”, de Mustafa Suleyman e Michael Bhaskar (RECORD).
(7)- “O QUE NOS TORNA HUMANOS: UMA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL RESPONDE ÀS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES DA VIDA”, de Iain S. Thomas e Jasmine Wang (LATITUDE). NOTA: Um livro elaborado a partir do ChatGPT-3.
(8)- “CHATGPT EXPLICADO: O GUIA DEFINITIVO SOBRE ESTA E OUTRAS INTELIGÊNCIAS ARTIFICIAIS”, de Helbert Costa (CITADEL Grupo Editorial).
(9)- “PENSANDO O IMPENSÁVEL: COMO SOBREVIVER A UM PRESENTE CAÓTICO E PREPAPAR-SE PARA UM FUTURO PROMISSOR”, de Gil Giardelli (CITADEL Grupo Editorial).
(10)- “2030: COMO AS MAIORES TENDÊNCIAS DE HOJE VÃO COLIDIR COM O FUTURO DE TODAS AS COISAS E REMODELÁ-LAS”, de Mauro F. Guillén (ALTA CULT EDITORA).
(11)- “O LIVRO DO CLIMA”, criado por: Greta Thunberg (COMPANHIA DAS LETRAS).
(12)- “O MUNDO PÓS-PANDEMIA: REFLEXÕES SOBRE UMA NOVA VIDA”, organização de: José Roberto de Castro Neves (EDITORA NOVA FRONTEIRA).
(13)- “O PREÇO DO PÂNICO: COMO A TIRANIA DOS ESPECIALISTAS TRNASFORMOU UMA PANDEMIA EM UMA CATÁSTROFE”, de Douglas Axe | William M. Briggs | Jay W. Richards (LVM EDITORA).
(14)- “STEVE JOBS”, por Walter Isaacson (COMPANHIA DAS LETRAS).
(15)- “ELON MUSK”, por Walter Isaacson (INTRÍNSECA).
Reciclagem, bioconstrução, energia solar e eventos sustentáveis. Essas são algumas práticas ambientais que podem ser uma oportunidade para gerar emprego e renda e que colaboram para uma cidade ser mais sustentável.
Para compreender melhor o assunto e também quais práticas podem ser implementadas em Petrópolis, o IPG (Instituto Philippe Guédon) promove no próximo dia 14, às 18h30, na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) a Mesa-Redonda “Petrópolis Sustentável: práticas ambientais para empreender e gerar emprego e renda”.
Este é terceiro evento neste formato que o IPG realiza este ano. De acordo com o Presidente do IPG, Cleveland Jones, o objetivo da mesa-redonda “é pensar em propostas reais, concretas para os problemas da cidade. Queremos que os participantes apresentem soluções, ideias, não somente reclamações, pois os problemas de Petrópolis já conhecemos.”
Para facilitar a troca de ideias, o IPG convidou Antônio Nassif, produtor de eventos, Guilherme Mergener, engenheiro e empresário do ramo de energia solar, e Roberto Musser, Doutor em Ciências, Energia e Ambiente, para que falem um pouco sobre as práticas ambientais que já implementaram e que tiveram bons resultados para a economia local para, assim, estimular o público participante a contar suas próprias iniciativas e sugestões.
Podem participar do evento quem já implementa práticas ambientais que colaboram para a economia ou quem quiser conhecer mais sobre o tema para dar sugestões. Como nas outras mesas-redondas do IPG, os assuntos que forem abordados serão incluídos no PEP 20, Planejamento Estratégico para Petrópolis, documento com diagnóstico e ações para os próximos vinte anos e que é elaborado pelo IPG com a participação da sociedade civil.
PERFIL DOS FACILITADORES
Antônio Nassif – Graduado em Marketing e empresário com experiência de gestão em bares e boates. Também atua na produção de eventos para turismo, tecnologia e entretenimento, incluindo o recente festival Rock the Mountain, realizado em novembro em Petrópolis, que se destacou por trazer algumas práticas sustentáveis.
Guilherme Mergener – Oficial da reserva da Marinha, formado em engenharia mecânica e administração, atualmente é proprietário da Enge Sol Brasil Ltda, uma empresa multidisciplinar de engenharia, com ênfase na sustentabilidade e sistemas de energias alternativas, como a energia solar.
Roberto Musser – Engenheiro eletricista e Doutor em Ciências, Energia e Ambiente. Com larga experiência, trabalhou para grandes empresas em projetos de energia renovável, distribuição de energia elétrica e políticas públicas para o desenvolvimento sustentável. Atualmente é consultor e também professor nas disciplinas gestão estratégica, administração da produção e energia renovável
Identificar os obstáculos para criar oportunidades para o Município e propostas para o PEP 20 (Planejamento estratégico para Petrópolis). Este é objetivo da Mesa-Redonda que o Instituto Philippe Guédon (IPG) promove no próximo dia 17 de outubro, na Câmara dos Diretores Lojistas (CDL), a partir das 18h, com o tema “Cenário econômico empresarial de Petrópolis”.
Cleveland Jones
A situação econômica do Município e também a necessidade de atualizar o PEP 20, documento elaborado em 2019 pelo IPG, a partir da formação de oito grupos temáticos com participantes de diversos setores da sociedade petropolitana, com propostas para o desenvolvimento da cidade nos próximos 20 anos, foram as motivações para a realização deste evento. O Presidente do IPG, Cleveland Jones, ressalta que “Petrópolis passou por diversas mudanças nos últimos anos que afetaram a economia e por isso este evento será a chance de descobrir oportunidades de negócios em diversas áreas”.
Ramiro Farjalla
O IPG convidou para facilitadores da mesa-redonda profissionais com perfis bem diferentes para estimular a participação do público. O Vice-Presidente do IPG, Ramiro Farjalla acredita “que muitas ideias relacionadas às vocações econômicas da cidade irão surgir a partir de temas como turismo, tecnologia e meio ambiente.”
Irão atuar como facilitadores Cláudio Ferreira Mohammad, Presidente da CDL, Felipe da Rocha Henriques, Diretor do CEFET/RJ Unidade Petrópolis, Gustavo Braz, Diretor Executivo da Orange Business e Presidente do Serratec, e Renato Farjalla, Doutor em Ciências do Desporto.
Podem participar todos os interessados em dar ideias ou também que queiram saber como está o cenário empresarial da cidade e quais as possibilidades reais de alavancar a economia petropolitana.
Conheça os facilitadores
Cláudio Ferreira Mohammad. Petropolitano, formado em administração empresarial pela Universidade Católica de Petrópolis (UCP) e empresário da rede de lojas Opção Jeans, onde foi diretor industrial durante 20 anos, diretor comercial por 10 anos e diretor presidente por 15 anos. Atualmente ocupa o cargo de diretor do conselho administrativo.
Gustavo Braz – Diretor Executivo do Centro de Serviços Compartilhados da Orange Business, onde atua há 18 anos. Desde julho de 2023, também é presidente do Serratec – Parque Tecnológico da Região Serrana. Sua formação executiva contempla especialização em Análise, Projeto e Gerência de Sistemas, além de MBA em Gerenciamento e Desenvolvimento Empresarial e MBA Executivo em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios.
Felipe da Rocha Henriques – Graduado em Engenharia Elétrica com ênfase em Telecomunicações pela UERJ, possui Mestrado em Engenharia Eletrônica pela UERJ e Doutorado em Engenharia Elétrica pela UFRJ. Trabalha principalmente com os temas Redes sem-fio e Processamento Digital de Sinais. Diretor do Cefet/RJ – unidade de Petrópolis, onde também leciona nos cursos Técnico em Telecomunicações, Engenharia de Computação, Mestrado em Ciência da Computação e no Doutorado em Instrumentação e Óptica Aplicada do CEFET/RJ. Em 2019, participou da equipe que coordenou o XXXVII Simpósio Brasileiro de Telecomunicações e Processamento de Sinais (SBrT 2019), na cidade de Petrópolis/RJ.
Renato Farjalla – Formado pela UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), Mestre em Inovação Institucional em Educação Física Esportes e Lazer, pela Universidade Gama Filho, e Doutor em Ciências do Desporto pela Universidade Trás os Montes e Alto Douro, Portugal. Possui mais de trinta anos de experiência na área de esportes. Também já atuou como pesquisador responsável pelo Laboratório de Atividades Físicas, Esportes e Lazer na Unesa, entre 2005 e 2018, e participa dos Conselhos Municipais do Idoso e do Esporte.