IPG ENTREVISTA CAMILA MIRANDA, ORGANIZADORA DO TEDxPETRÓPOLIS COUNTDOWN

Promover a ética, a participação cidadã, a sustentabilidade e a conscientização ambiental são objetivos institucionais do IPG. Por isso, sua diretoria está sempre atenta a movimentos que mobilizam a sociedade civil que estejam afinados com estes propósitos e que possam colaborar para o exercício da gestão participativa, a bandeiras de seu fundador, Philippe Guédon. Recentemente Cleveland Jones, Vice-Presidente do IPG, e o conselheiro Ramiro Farjalla, estiveram na 5ª edição do TEDxPetrópolis, uma iniciativa global do TED dedicada a acelerar soluções para a crise climática.

Cleveland e Ramiro durante TEDx

Cleveland e Ramiro concordaram que o evento sincronizou muito com as ideias do IPG e que foi um espaço de cidadania e mobilização que despertou a reflexão sobre mudanças climáticas e que muitos dos assuntos abordados foram também apresentados no PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis), documento elaborado pelo Instituto com a participação da sociedade civil que fez um diagnóstico de várias áreas da cidade e propôs soluções para os próximos 20 anos. O TEDx reforça o propósito do IPG em mobilizar a sociedade civil organizada para colocar em prática qual a Petrópolis que queremos, visto que mobilização para a gestão participativa é a ferramenta geradora de novos direitos porque o cidadão é o pilar principal do ordenamento jurídico como está na Constituição.

Como uma das propostas do IPG também é apresentar à sociedade petropolitana pessoas que se engajam na gestão participativa e no desenvolvimento socioambiental, o Instituto entrevistou Camila Miranda, organizadora do TEDx Petrópolis.

Camila Miranda, Mestre em Comunicação, se desdobra entre o trabalho empresarial e o voluntário. Head de Marketing na LDSOFT, atua há mais de 15 anos no planejamento estratégico de negócios, marcas e projetos de impacto. “Construir pontes entre propósito, território e desenvolvimento econômico, ampliando a consciência e impulsionando ação concreta” é seu objetivo como organizadora do TEDxPetrópolis.

Continue a leitura e confira entrevista de Camila Miranda.

IPG – Qual a motivação para organizar este evento em Petrópolis?

CM – O TEDxPetrópolis nasce do desejo de usar conhecimento e narrativa como ferramentas de transformação coletiva, por meio da criação de um espaço de pertencimento em que pessoas questionadoras e inconformadas possam imaginar possibilidades de construção de outros futuros. Liderar o TEDx é colocar a cidade no centro de debates relacionados à ciência, cultura, tecnologia e comunidade, temas esses fundamentais na sociedade atual. É uma forma de romper a apatia, ampliar consciência e mostrar que ideias locais podem gerar movimentos concretos. Meu papel, portanto, é unir essas vozes, já que quem transforma a cidade são as pessoas que sobem ao palco e, principalmente, aquelas que saem tocadas em cada um dos eventos que organizamos.

IPG – Esse ano o tema foi “Cuidar é Inteligente”. Sabemos que a forma como cuidamos do meio ambiente varia conforme a experiência de cada indivíduo e nem sempre esse cuidado resulta em bons resultados para o meio ambiente. Então, para você, o que é um cuidado inteligente que, de fato, resulte em uma mudança para a melhoria do meio ambiente para o coletivo?

CM – Cuidar é inteligente quando nossas escolhas consideram consequência, escala e impacto. Nem todo cuidado é eficaz, ou seja, às vezes fazemos o “melhor possível” dentro da nossa experiência, mas sem conhecimento técnico, aquilo não gera benefício coletivo. Para mim, o cuidado inteligente envolve três pilares. O primeiro é a base científica, que significa ouvir a ciência antes de agir. Nesta lógica, a restauração ecológica orientada por especialistas, por exemplo, é muito mais eficiente do que o simples plantio aleatório de mudas. O segundo pilar é a consciência de sistema, entender os efeitos em cadeia. Neste caso, priorizar o transporte público e soluções de mobilidade ativa tem mais impacto na redução de emissões do que ações isoladas de reciclagem. O último pilar é o cuidado comunitário, baseado em soluções que fortaleçam o território. Tomo como exemplo as hortas urbanas que unem segurança alimentar, educação ambiental e ocupação positiva de espaços. Em resumo, é o encontro entre saber técnico, sensibilidade humana e visão de futuro.

IPG – Quais os critérios usados para a escolha dos palestrantes?

CM – A curadoria segue uma lógica de teia, não de lista. Buscamos histórias que, juntas, criam uma jornada de consciência, responsabilização e ação. Nesse contexto, os critérios são: Originalidade da ideia (algo que realmente acrescente ao mundo); relevância territorial ou global (impacto comprovado ou emergente); diversidade de áreas e perspectivas (ciência, tecnologia, arte, cultura, comunidade); clareza narrativa (a ideia precisa ser comunicável, inspiradora e replicável); e alinhamento ético com o espírito TED (não temos alinhamento a nenhuma pauta política, religiosa, comercial ou pseudociência). A curadoria é convidativa, multidisciplinar e construída com especialistas de diferentes áreas do conhecimento. Também nos orgulhamos de trazer conceitos emergentes, que ainda virão a ser hype nos próximos anos, com essa oxigenação de oportunidades para nosso público. Além de dar holofotes para líderes e projetos em ascensão do próprio território, que mereçam espaço em uma plataforma que é, em si, internacional.

IPG – Um dos questionamentos que sempre acontece com os eventos ambientais em Petrópolis é que, na maioria das vezes, são as mesmas pessoas que participam. Na edição do TEDx desse ano, qual o perfil do público participante? Percebeu diversidade?

CM – Sim. Diferentemente de eventos tradicionais que abrem ingressos e você pode participar caso tenha interesse, nós também fazemos a curadoria do público. O que significa que até mesmo o público é convidado a partir de sua relevância no território e capacidade de replicar as ideias que serão compartilhadas no palco. O público é formado por empreendedores, educadores, empresários, gestores públicos, lideranças e ativistas comunitários. Além de estudantes engajados na construção da cidade que desejamos! Nesta edição, tivemos mais de 200 pessoas inscritas, representando um público diverso em idade, formação e áreas de atuação. Havia desde lideranças comunitárias e pesquisadores a artistas, estudantes e empresários. Essa composição mostrou que a pauta climática, quando bem narrada, alcança muito mais do que os já convertidos. Nossa intenção foi transmitir que cuidar do ambiente em que vivemos não é pauta de um grupo só, e cada um, a seu modo, é convidado a promover transformações de forma urgente.

IPG – O evento dedicou uma parte para falar sobre tecnologia. É uma área que pode trazer muitos benefícios econômicos para a cidade, porém complexa, pois ao mesmo tempo que pode encontrar soluções para minimizar, também causa grandes problemas ambientais. Então, explique um pouco sobre como esta temática foi abordada no TEDxPetrópolis.CM –Tratamos tecnologia como meio, não como fim. Nem como salvação, nem como condenação. Ou seja, reconhecemos que ela pode tanto acelerar soluções quanto ampliar impactos negativos. Por isso, trouxemos abordagens que atravessam questões como: 1) tecnologia como ferramenta de prevenção e mitigação (dados, inteligência territorial, energia); 2) tecnologia aliada à economia local (inovação como vetor de desenvolvimento); e 3) tecnologia com responsabilidade socioambiental (ética, governança, limites e riscos).

A conversa, portanto, não foi sobre “deslumbramento tecnológico”, mas sobre como aplicar inovação com cuidado, inteligência e responsabilidade, inclusive pela ótica da captura da atenção, mal da nossa atual sociedade. Esse fator dificulta, e muito, que estejamos atentos às pautas emergentes e à nossa própria sensibilidade humana. Por isso, ao longo do evento com as diversas interações culturais e artísticas, fizemos um convite ao reencantamento do mundo, através da natureza e da arte, daquilo que nos torna genuinamente humanos: a nossa subjetividade. Aquilo que toca você é diferente de algo que me toca, essa sensibilidade é algo que nenhuma inteligência artificial pode sentir ou substituir.

IPG – Mensurar o resultado de um evento como esse é difícil. Mas, na sua experiência, já teve a oportunidade de saber de algum resultado prático que tenha sido efetivado?

CM –Sim. O TEDxPetrópolis, ao longo dos anos, gerou conexões que se materializaram em projetos colaborativos entre palestrantes ou público; parcerias institucionais iniciadas no evento e fortalecidas depois; novos voluntários entrando para iniciativas sociais e ambientais da cidade; amplificação de projetos locais que ganharam visibilidade e apoio após suas talks circularem na plataforma TEDx. O principal resultado, porém, é menos mensurável e mais profundo: mudar mentalidades. Isso transforma a qualidade das decisões que as pessoas tomam a partir dali, e isso, sim, reverbera no território.

IPG – Independente de resultados posteriores, você acredita que eventos assim podem ser um estímulo à gestão participativa e ao exercício da cidadania? Conseguiu percebeu no público algo que sugerisse isso?

CM-Com certeza! No caso do TEDxPetrópolis isso acontece de maneira muito concreta.
Os eventos TEDx são, por natureza, eventos inteiramente construídos por voluntários: a equipe organizadora, os palestrantes, os artistas que sobem ao palco, todos doam seu tempo, suas ideias e seus talentos sem qualquer remuneração. Essa cultura do voluntariado é de difícil assimilação por não quem não entende o valor das coisas, apenas o preço. Mas cria um ambiente onde a participação cidadã deixa de ser ideal e se torna prática. É um espaço que nasce muito do improviso, da humildade de aprender algo que você não tinha percebido antes, daquilo que só surge a partir do que é bem comum ao projeto e pessoas muito certas de seus vieses técnicos, ou uma noção muito própria de mundo, têm uma dificuldade maior de se estar. O trabalho comunitário apesar de mudar vidas, realmente não é pra todo mundo. Nosso público, curiosamente, também carrega esse espírito. É um público generoso com eventuais erros, são curiosos e profundamente respeitosos com quem está no palco, porque entende que cada pessoa ali está oferecendo algo valioso para a cidade por pura entrega, não por obrigação. E quando uma comunidade reconhece e celebra quem se dispõe a contribuir, ela fortalece sua própria capacidade de ação coletiva. Durante o evento, ficou evidente esse movimento de pessoas querendo se engajar, perguntando como participar, oferecendo ajuda, trocando contatos, iniciando parcerias. O TEDx não é um evento que tem intenção de oferecer respostas prontas e sim de abrir campos de possibilidades, e quando vemos voluntários, artistas, palestrantes e público construindo juntos, percebemos que cidadania é isso: criar, cuidar e transformar como comunidade. Isso cria senso de pertencimento autoestima coletiva, acima dos interesses individuais.

Camila durante o TEDxPetrópolis

Entrevista e edição: Teresinha de Jesus Fidelles de Almeia

INTERNACIONALISTA PETROPOLITANA PARTICIPA DA CÚPULA DOS POVOS

A internacionalista Ana Lúcia de Lacerda Gonçalves, petropolitana do bairro Alto Independência, participou da Cúpula do Povos, realizada recentemente durante a COP 30. Bacharel e Mestre em Relações Internacionais e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGRI-UERJ), representou o Movimento de Atingidos por Barragens, que durante a cúpula construiu o eixo de Transição Justa e realizou o IV Encontro Internacional de Atingidos e Atingidas por Barragens e Crise Climática.

Ana atua na linha de pesquisa em Política Externa e sua tese tem como tema principal a cooperação internacional na área ambiental, com ênfase na internalização de parcerias e na formulação de políticas públicas. Possui também experiência em outras associações – foi educadora social no Centro Educacional Comunidade São Jorge – e faz parte da equipe do Projeto Incuba Aí, que será implementado pelo IPG no bairro Independência, através do programa PISTA (Parques de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental), promovido pela Faperj.

Durante a Cúpula dos povos Ana participou das discussões da mesa “Atingidos pela Crise Climática- a reconstrução do Rio Grande do Sul”, refletindo sobre o contexto petropolitano, que historicamente tem sido atingido por desastres climáticos. Sobre a conjuntura de sua comunidade, Ana escreveu uma crônica, destacando a realidade do Independência. (Clique aqui para ler a crônica). Também participou da coordenação do alojamento, onde estavam 1200 pessoas, de todo o país, que foram atingidas por desastres socioambientais.

Em entrevista ao IPG, Ana relata que as áreas social e ambiental sempre constituíram para ela um foco central de estudo e reflexão e que a situação de Petrópolis ampliou seu senso de urgência e reforçou suas escolhas profissionais. Sobre os eventos, Ana acredita que “os encontros internacionais são fundamentais para a construção conjunta de soluções frente aos problemas ambientais, já que esses desafios são transfronteiriços” e que o projeto “Incuba Aí”, implementado pelo IPG “potencializa essa perspectiva para a comunidade, podendo transformar a forma como as pessoas compreendem e vivenciam a construção das políticas públicas”.
Para saber mais sobre a experiência de Ana, suas perspectivas e ideias sobre gestão participativa, confira abaixo a entrevista na íntegra.

IPG – Qual a sua motivação para entrar na área ambiental? A situação de
vulnerabilidade de Petrópolis foi um fator que estimulou esta escolha?


AG – As áreas social e ambiental sempre constituíram um foco central de estudo e reflexão para mim, especialmente no que diz respeito ao modelo de desenvolvimento econômico hegemônico intensificado a partir da Revolução Industrial. Ao longo da minha trajetória acadêmica, procurei examinar diferentes formas de organizar os territórios e os Estados a partir de modelos econômicos alternativos ao capitalismo. Por isso, durante a graduação, pesquisei Economia Solidária, e, no mestrado e doutorado, aprofundei o estudo sobre o Vivir Bien boliviano. A situação de Petrópolis ampliou meu senso de urgência e reforçou essa escolha. Ela evidencia, de forma concreta, como o uso desenfreado da natureza intensifica eventos extremos e, simultaneamente, escancara a desigualdade social. A maior parte das pessoas atingidas pertence às periferias, são negras e historicamente marginalizadas pelas políticas públicas e econômicas do Estado.


IPG – Poderia falar um pouco da sua experiência profissional, em movimentos sociais e também em projetos socioambientais? Por exemplo, quais os trabalhos que considera mais importantes.


AG – Participei anteriormente da construção de movimentos de juventude, debatendo a situação desse segmento na sociedade petropolitana. Como mulher jovem, vivencio diretamente como Petrópolis se tornou uma cidade hostil: não há investimentos políticos voltados para a juventude. Embora existam universidades importantes na cidade, observa-se que a população periférica ainda encontra grandes barreiras para ingressar nelas e, mesmo quando consegue se formar, muitos jovens precisam deixar Petrópolis para buscar empregos de qualidade. O mercado de trabalho local está cada vez mais limitado e pouco valorizado. Além disso, embora Petrópolis tenha uma vida cultural significativa, com juventudes organizadas em diversas expressões, sobretudo periféricas, vinculadas ao hip-hop e às culturas de matriz afro-brasileira, essa estrutura é sustentada essencialmente pela sociedade civil e pelos movimentos sociais, tendo pouca expressão nas políticas municipais.
A partir desse diagnóstico, atuei no Conselho da Juventude, na construção de manifestações populares e na organização do Festival de Cultura Periférica, realizado na Casa Socialista, na Vila São José. Em todos esses espaços, nosso objetivo era intervir no cotidiano político petropolitano, evidenciando a necessidade de debater juventude com foco nas demandas do presente. Afinal, se o jovem é considerado o futuro, não existe futuro possível sem ações concretas no presente e sem incentivos públicos para a juventude atual.
Minha atuação ambiental, especificamente, está mais vinculada ao campo profissional. Como pesquisadora, sempre busquei compreender como as instituições podem se tornar mais democráticas e orientadas por concepções que integrem natureza e ação humana. Por isso, tanto no mestrado quanto no doutorado, foquei a Bolívia, que se tornou uma República Plurinacional ao incluir o Vivir Bien na constituição do Estado. Mais recentemente, passei a integrar o Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), que ampliou sua pauta para abranger a luta dos atingidos pela crise climática. O movimento compreende que a emergência climática tem gerado atingidos em larga proporção e que, portanto, é necessário construir saídas populares para essa crise. Desde 2022, o MAB atua em Petrópolis, mas no bairro Independência sua construção se intensificou no último ano. Em 2024, as chuvas provocaram quatro mortes e deixaram mais de 200 pessoas desalojadas.
Nesse cenário, o MAB atuou cobrando do poder público condições dignas para as pessoas atingidas, fortalecendo o poder de decisão das próprias comunidades diante da tragédia, por meio da organização da luta. Desde então, temos discutido direito à reparação, políticas de prevenção e adaptação às mudanças climáticas. Estamos construindo um plano emergencial que visa fortalecer a compreensão da população sobre seus direitos, para que possam cobrá-los diante das tragédias.

IPG – Como foi sua participação na Cúpula?

AG – Durante a cúpula, o MAB construiu o eixo de Transição Justa. Defendemos que o debate
sobre transição, além de considerar as distintas vulnerabilidades das pessoas e dos
territórios diante da crise, intensificadas pelas desigualdades, deve ser constituído com
participação deliberativa da população. Defendemos, portanto, uma transição justa e
popular. Atualmente, a transição energética tem sido tratada principalmente como substituição de fontes fósseis por energias limpas. Embora isso reduza emissões de GEE, não altera a lógica de desenvolvimento vigente, pois permanece a mentalidade de exploração ambiental para sustentar o crescimento econômico. Assim, novos problemas ambientais emergem. Além disso, há anos os impactos das energias renováveis vêm sendo sentidos no interior do país: inicialmente por hidrelétricas e, mais recentemente, pela expansão da energia eólica e solar. Diante disso, o MAB compreende que salvar o planeta exige transformar a lógica humana em relação à natureza, de posse para pertencimento. O impacto sobre as populações também precisa ser discutido de forma horizontal, com participação deliberativa, e não apenas consultiva.
Também realizamos o IV Encontro Internacional de Atingidos e Atingidas por Barragens e Crise Climática. Nele, debatemos as diferentes formas pelas quais territórios no mundo vêm sendo atingidos, traçando caminhos e estratégias para a defesa de direitos internacionais das populações afetadas. Compreendemos que, para que a mudança ocorra, os movimentos sociais do mundo precisam estar articulados, compartilhando experiências e construindo alternativas em união. Essa perspectiva fortalece o movimento nacional e influencia decisões globais. Fui delegada em ambos os encontros. Na cúpula, participei de debates sobre transição energética e reconstrução de territórios atingidos por desastres climáticos. No encontro internacional, a programação teve dois momentos: um primeiro destinado à discussão de conjuntura nacional e internacional e às estratégias do movimento; e um segundo dividido em eixos temáticos, onde participei do eixo destinado à juventude e às mulheres.

IPG – Qual a sua expectativa para a COP 30 e a Cúpula dos Povos?

AG – A COP ocorre desde os anos 1990 e, apesar do avanço das discussões se dar de forma lenta e
com poucos encaminhamentos efetivos, ela representa um espaço importante de consenso mínimo: a aceitação da necessidade de transformar a matriz de desenvolvimento econômico atual. O maior problema, a meu ver, é a falta de mecanismos de coerção para países que descumprem os acordos, além das desigualdades entre países, já que muitos não dispõem de tecnologias para avançar na transição. Ainda assim, a existência da COP já é, em si, um avanço. Como as duas últimas COPs ocorreram em países petroleiros, que defenderam fortemente a indústria fóssil, havia uma animação maior para esta edição, especialmente porque os movimentos sociais pretendiam ocupar as ruas de Belém, algo inviável nas anteriores devido à forte repressão. Não acredito que os encaminhamentos desta COP serão muito diferentes dos já
existentes, sobretudo no que diz respeito ao Artigo 6º do Acordo de Paris (descarbonização e mercado de carbono) e às responsabilidades comuns, porém diferenciadas (fundos de adaptação e perdas e danos). Entretanto, um possível avanço é o “mapa do caminho” proposto pelo governo brasileiro, que busca construir um consenso mínimo sobre quatro temas: financiamento, lacuna das metas climáticas, medidas unilaterais de comércio e relatórios de transparência.
Quanto à Cúpula dos Povos, sua realização é essencial para trazer à tona a perspectiva
da sociedade civil, diretamente afetada pelas decisões governamentais. Os encaminhamentos da cúpula orientam a construção da agenda climática dos movimentos sociais e fortalecem a capacidade de incidência popular. Esta edição, em particular, foi marcante: reuniu 23 mil pessoas credenciadas, distribuídas em sete eixos, com forte protagonismo indígena.
A carta final da Cúpula apontou os problemas da crise atual, enfatizou o avanço da extrema direita (que dificulta a agenda ambiental) e reforçou a necessidade de mudança sistêmica, já que o modelo vigente se baseia na predação ambiental e na desigualdade. Trouxe 15 propostas fundamentadas na construção coletiva de políticas públicas, com enfoque nas populações vulneráveis e na participação efetiva nos processos políticos e econômicos dos Estados.
Sobre Petrópolis, os eventos climáticos extremos se intensificam devido ao desmatamento e ao aumento de GEEs na atmosfera, que altera o fluxo global de chuvas. Isso evidencia que a cidade não superará a crise sozinha: necessita de políticas nacionais e internacionais que contenham a frequência desses eventos. Ainda assim, permanece a responsabilidade municipal de implementar políticas de prevenção, adaptação e reparação. Desde 2022, houve avanços nos mecanismos de alerta e emergência da Defesa Civil, mas ainda é insuficiente. As políticas habitacionais devem ser prioritárias, pois o modelo atual de aluguel social é insustentável a longo prazo. Os mecanismos de reparação também precisam ser revistos, já que as famílias precisam de condições mínimas para reconstruir suas vidas, nesse aspecto, o Rio Grande do Sul
oferece aprendizados relevantes. As respostas às tragédias devem integrar municípios, estados e União, com orçamentos e planos específicos para territórios vulneráveis. Os encontros internacionais possibilitam cooperações fundamentais para implementar políticas públicas. Nesse contexto, a paradiplomacia é uma ferramenta estratégica para criar redes capazes de financiar políticas climáticas na cidade.

IPG – Em relação a Petrópolis, quais os principais fatores para o agravamento
contínuo dos problemas socioambientais da cidade?


AG – O primeiro fator é a falta de políticas de prevenção. Já sabemos que eventos climáticos
extremos são uma realidade, e, por isso, políticas públicas capazes de prevenir perdas
materiais e, principalmente, mortes devem ser implementadas. A vulnerabilidade de
Petrópolis está vinculada à forma como a cidade foi urbanizada: pessoas foram
empurradas para periferias e áreas de risco, enquanto faltou planejamento adequado para
drenagem das águas de chuva e saneamento básico, resultando diretamente em enchentes. Até hoje, os governos petropolitanos trataram o tema majoritariamente por meio de
políticas de reparação. De um lado, o aluguel social, que, como já dito, é insustentável
porque o número de atingidos tende a crescer. De outro, as contenções nos locais de
deslizamento e o desassoreamento dos rios, que, embora necessários, permanecem insuficientes. Por isso, o segundo fator é a ausência de formas efetivas de reparação. É preciso desenvolver auxílios emergenciais e projetar políticas habitacionais específicas para pessoas atingidas. Um exemplo é o cartão Recomeçar, oferecido pelo governo do Estado, que não contempla todas as pessoas atingidas, dificultando a reconstrução da vida daqueles que já viviam em vulnerabilidade significativa.

IPG – Como o projeto com o IPG e sua experiência na Cúpula podem contribuir para
promover ações em Petrópolis que sensibilizem e ampliem a participação
comunitária nas políticas públicas?


AG – A participação popular nas políticas públicas depende diretamente dos métodos pelos
quais essas políticas são formuladas e implementadas. O modelo institucional atual oferece pouca abertura para a participação efetiva. Embora existam mecanismos constitucionais, como consultas públicas e plebiscitos, eles raramente são incentivados ou divulgados pelos órgãos do Estado, já que a classe política tende a centralizar as decisões no Legislativo e no Executivo, verticalizando o processo decisório.
Minha participação na Cúpula evidenciou como processos decisórios podem assumir
caráter horizontal, com encaminhamentos coletivos e abertos. As políticas debatidas
foram construídas com a participação de diversos setores sociais, buscando consensos
entre os integrantes de cada eixo. O modelo representativo atual concentra a decisão em indivíduos eleitos, que poderiam horizontalizar o debate, mas, na prática, frequentemente individualizam as decisões. Até mesmo os conselhos municipais têm caráter consultivo, e suas deliberações podem ser ignoradas pelos tomadores de decisão.
Dessa forma, é preciso pensar mecanismos que permitam incidência coletiva real. Mas,
antes disso, é necessário reencantar as pessoas para a política institucional, mostrar que
a política vai além da disputa partidária e diz respeito à construção coletiva de soluções
para demandas sociais diversas. Nesse sentido, promover debates sobre gestão participativa e criar espaços que permitam à população apresentar suas demandas e elaborar soluções é essencial para reconstruir o vínculo político. O aumento da incidência popular, por meio desses canais, tende a aproximar os tomadores de decisão da sociedade, já que dependem do voto para
permanecer em seus cargos. Os encontros em Belém mostraram caminhos interessantes para construir mecanismos de gestão participativa do território. O projeto implementado pelo IPG potencializa essa perspectiva para a comunidade, podendo transformar a forma como as pessoas compreendem e vivenciam a construção das políticas públicas.

IPG – Qual a sua percepção de gestão participativa?

AG – Compreendo a gestão participativa como um processo político e administrativo
fundamentado na construção coletiva das decisões, no qual as políticas públicas são
formuladas, implementadas e avaliadas com a participação direta da população. Trata-se
de um modelo que rompe com a lógica verticalizada e centralizadora, ainda predominante
no Estado brasileiro, e que busca promover uma relação horizontal entre governo e
sociedade, reconhecendo que as pessoas que vivem os problemas do território são
também aquelas que melhor conhecem caminhos possíveis para solucioná-los. A gestão participativa pressupõe, portanto, a democratização do processo decisório. Isso significa não apenas oferecer espaços formais de escuta, mas garantir mecanismos reais de deliberação, transparência e corresponsabilidade. É uma prática que valoriza o diálogo entre diferentes setores sociais, a diversidade de experiências e saberes, e a construção de consensos que reflitam os interesses coletivos, especialmente das populações historicamente marginalizadas dos processos políticos. Além disso, a gestão participativa envolve pedagogia política: é preciso criar ambientes que incentivem a população a compreender a política como parte do cotidiano e não
apenas como disputa institucional ou partidária. Isso significa investir em processos
formativos, fortalecer conselhos, promover assembleias territoriais e construir instrumentos permanentes de participação, não apenas consultivos, mas deliberativos. Por fim, percebo a gestão participativa como uma estratégia fundamental para responder aos desafios contemporâneos, sobretudo os socioambientais. Em territórios vulneráveis, onde as desigualdades se expressam de forma mais intensa, a participação popular não é apenas desejável, mas necessária, pois garante que as políticas públicas sejam mais justas, eficazes e enraizadas nas realidades locais. É, portanto, uma forma de produzir decisões mais legítimas, sustentáveis e conectadas às necessidades reais da população.


    Entrevista e edição: Teresinha de Jesus Fidelles de Almeida

    O IPG PRESTA HOMENAGEM A PHILIPPE Guédon


    Para homenageá-lo, alunos de arquitetura participarão de concurso para elaborar uma placa comemorativa

    Em 25 de outubro de 2020, coincidentemente, dia da democracia, falecia uma das figuras públicas mais carismáticas de Petrópolis: Philippe Guédon. Empresário, político, mas principalmente um cidadão consciente, que acreditava que a participação popular era a ferramenta para a consolidação do processo democrático. Por isso, para marcar a data e a importância de seu fundador, o IPG está lançando um concurso para elaborar um marco comemorativo que será instalado na Casa dos Conselhos, ao lado do prédio da Prefeitura Municipal de Petrópolis.

    Cleveland M. Jones, Presidente do IPG, explica que a diretoria resolveu fazer esta ação “como lembrança de seu empenho em incentivar e liderar esforços em prol da gestão participativa, da melhoria da qualidade de vida e do desenvolvimento sustentável em prol da população, e um concurso é uma forma colaborativa de participação”.

    Para realizar o concurso, o arquiteto e professor Adriano Gomes, também membro do IPG, convocará seus alunos para apresentar projetos de uma placa ou outro elemento comemorativo. Uma comissão julgadora composta por Karina Wilberg (arquiteta e Diretora de Estratégias do IPG), Cleveland M. Jones e o professor Adriano selecionarão a proposta vencedora, que será utilizada para elaborar o marco comemorativo e instalada na Casa dos Conselhos, em data a ser determinada.

    Quem foi Guédon?

    Temas como gestão e orçamento participativo, valorização dos catadores de materiais recicláveis, estímulo à formação de associações de moradores, observatório de transparência das contas públicas e muitos outros assuntos que parecem que surgiram há pouco tempo, já faziam parte dos objetivos de Guédon. Municipalista, Philippe Guédon acreditava que a gestão participativa era essencial para o pleno exercício da democracia, especialmente em relação às políticas municipais, que tão diretamente afetam os moradores. Cleveland M. Jones, atual Presidente do IPG, conviveu bastante com Guédon e destaca que “Guédon se dedicou intensamente a promover a gestão participativa e era um profundo pensador sobre como a política partidária é exercida no Brasil, e ele lembrava que nenhum dos estatutos partidários cita o princípio fundamental da Constituição –“Todo o poder emana do povo”.

    Em 2013 fundou o Instituto Pró-Gestão Participativa que, após seu falecimento, foi transformado no Instituto Philippe Guédon, presidido por Cleveland M. Jones e que tem como presidente de honra sua filha Silvia Guédon. Um dos principais objetivos é manter vivo o legado de Guédon, através das ações do IPG. Cleveland também ressalta que Philippe Guédon ficou feliz pelas conquistas que chegou a ver realizadas, como a construção colaborativa do PEP20 – Planejamento Estratégico para Petrópolis com Visão de 20 Anos, “e certamente ficaria feliz de ver que o IPG segue fomentando e operacionalizando as iniciativas de participação cidadã, e alcançando novas conquistas”.

    Além de um exemplo de cidadão preocupado com a Democracia e com as políticas públicas do município, Guédon também foi uma referência em seu núcleo familiar. Philippe Chaves Guédon e Rodolfo Guédon Tobler, netos de Guédon, em depoimento ao IPG, contaram como o avô foi importante para suas formações como cidadãos e relembraram momentos marcantes. O neto Philippe lembra de “quando Guédon subiu as escadas do Clube Petropolitano, quando o seu direito ao voto esteve ameaçado por um erro que colocava um senhor de 80 anos para subir escadas para votar, ele desceu da cadeira de rodas, rastejou, subiu as escadas e exerceu o seu direito”. Rodolfo conta que “Muitas vezes não entendia nem o assunto, mas admirava como ele podia, em todos os dias de sua vida, pensar em transformar o mundo em um lugar melhor”.

    Para inspirar os participantes do concurso, o IPG reuniu os depoimentos, na íntegra, dos netos de Guédon e também o artigo “Trajetória de Guédon”, escrito por Maria Melo.

    Confira abaixo, na íntegra, os depoimentos dos netos de Guédon

    Philippe Chaves Guédon

    Antes de iniciar, é importante que uma apresentação seja feita. Sou Philippe (Chaves) Guedon, neto de Philippe Guedon. Tive o privilégio de conviver com ele até a sua partida em 2020 e tê-lo como referência para sempre. Compartilhei com ele o gosto pela história, pela política e pelas discussões sobre participação. Esses assuntos moldaram a minha formação e minha atuação profissional e, sem dúvida, tem absoluta relação com o papel que ele desempenhou em minha vida. Hoje, o relato é para trazer lembranças do Philippe, cidadão engajado é apaixonado por Petrópolis. Lembro que, há cerca de vinte anos, ainda em meu período escolar, recebi a incumbência de chamar alguém para participar de um debate. Na hora, pensei no meu avô. Eu não tinha muita ideia sobre a sua importância para a cidade, para os movimentos participativas ou para o planejamento do município. Ele era meu avô e gostava de política; devia bastar, pensava eu. Ele foi. Já tinha suas dificuldades de locomoção, adentrou o auditório da escola e pegou o microfone para saudar o público e fazer suas primeiras observações. O público era de jovens, adolescentes, muitos não interessados sobre o que a política poderia trazer para vida deles. Não lembro o tempo da intervenção, mas não deve ter durado mais do que uma hora. A sua paixão pelos temas caros à cidadania era tão evidente que era difícil que alguém não se conectasse com o que ele dizia. Afinal, todos somos impactados pela política, diariamente, querendo ou não, percebendo ou não. Saímos de lá e foram muitas as manifestações positivas sobre o encontro, sobre o tema e sobre as suas falas. Ali, ficou claro para mim que aquilo era um dom. Era capaz de despertar interesse ou gerar uma inquietação até naqueles menos propensos a isso. E o mais bonito: esse dom estava à disposição de todos, pensando na coletividade e em como melhorar a nossa vida. Foi esse espírito que o guiou até os últimos dias. Foi esse mesmo espírito que o fez subir as escadas do Clube Petropolitano em uma espécie de rastejo quando o seu direito ao voto esteve ameaçado por um erro que colocava um senhor de 80 anos para subir escadas para votar. Ele desceu da cadeira de rodas, rastejou, subiu as escadas e exerceu o seu direito. Felicidade a nossa, enquanto família e apaixonados por Petrópolis, que tudo aquilo que ele trouxe até 2020 não se foi junto com ele. São muitos os que foram impactados por essa energia, que recebeu o nome de Philippe Guedon (o verdadeiro). As suas ideias continuam fortes e vivas e o Instituto Philippe Guédon representa essa importância. Agora, cinco anos após a sua partida, Petrópolis continua precisando dessa energia e é um privilégio continuar sentido ela, agora através de diversos outros amigos e companheiros. Um salve para o Instituto Philippe Guedon e um viva para o Philippão, meu avô, de quem tenho muita saudade.

    Rodolfo Tobler Guédon

    Ser neto do vô Philippe talvez seja o grande privilégio que tive em vida.
    Nesses últimos 5 anos tem sido difícil equilibrar a saudade, que só aumenta, com a gratidão em ter convivido tanto tempo com uma pessoa tão especial. Ele continua presente em minha vida. Em toda decisão, novidade ou dificuldade, é nele que penso! Entender a importância de fazer o bem ao próximo, buscar uma sociedade melhor e viver em espírito coletivo, é a maior herança que poderíamos receber. Todos os dias tento ser um pouco mais PhG.Receber um e-mail ou ouvir os próximos planos para seu novo livro, é o que me faz mais falta. Muitas vezes eu não entendia nem o assunto, mas admirava como ele podia em todos os dias de sua vida pensar em transformar o mundo em um lugar melhor. Viver esse privilégio e carregar esse nome é o grande desafio que o IPG tem vem fazendo tão bem nesses anos. Viva vô Philippe, minha maior referência!

    INSTITUTO PHILIPPE GUÉDON PROMOVE CURSO GRATUITO SOBRE RESÍDUOS SÓLIDOS 

    Dando continuidade ao ciclo de cursos e capacitações oferecidos de forma gratuita pelo Instituto Phillipe Guédon (IPG) será realizado nos dias 28,29 e 30 de abril, de  9h  às 12h, o curso “Resíduos Sólidos – Responsabilidade Compartilhada _Descarte Consciente”.O curso terá como facilitadora a Jornalista, pós-graduada em Planejamento e Educação Ambiental, Teresinha de Jesus Fidelles de Almeida. Entre os temas que serão abordados estão  a legislação sobre resíduos sólidos e como ela deve ser aplicada no Município. As formas de descarte consciente dos resíduos, incluindo a logística reversa,  e a importância da reciclagem para o desenvolvimento econômico e sustentável da cidade e para a saúde da população, também fazem parte do conteúdo.

    O Presidente do IPG,Cleveland Jones, destaca que a proposta está “alinhada com os objetivos do Instituto de capacitar as pessoas para que possam exercer a cidadania de forma mais efetiva e trazer mais informações e compreensão sobre o tema, os problemas e desafios da gestão dos resíduos sólidos,  estimulando a sociedade a participar da construção de políticas públicas para serviços dos quais ela mesma usufrui”.

    De acordo com Teresinha “Como acontece em vários municípios do país, Petrópolis ainda não cumpre totalmente a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Parte disso, se deve à desinformação sobre o assunto, o que faz com que a questão não seja tratada corretamente, tanto por parte do poder público, quanto do cidadão”. Por isso “Este curso se faz necessário para desenvolver o senso crítico dos participantes  pois fornecerá informações que normalmente não são discutidas de uma maneira que resulte em ações concretas”.

    Cleveland ressalta que “Numa época em que os municípios sofrem grandes restrições financeiras, mas a sociedade exige serviços de qualidade na coleta do lixo e na disposição dos resíduos sólidos urbanos, o cidadão pode e deve assumir um papel mais proativo  para promover o melhor funcionamento dos serviços públicos municipais. Os moradores do município precisam não só cobrar do poder público o que se espera dele, mas também fazer sua parte, assumindo práticas mais sustentáveis e se envolvendo nas questões que afetam os munícipes” e ressalta que “Isso é justamente a gestão participativa em ação, aquilo que o idealizador do IPG, Philippe Guédon, tanto apregoou e  assim o Instituto estará colaborando para a construção de um ambiente de mais oportunidades para o desenvolvimento de Petrópolis, e de mais qualidade de vida para todos.

    O curso acontece em parceria com a ACEP (Associação Comercial e Empresarial de Petrópolis),onde serão realizadas as aulas. “A Associação sempre teve o compromisso com temas relacionados aos cuidados com o município e com o meio ambiente. Apoiar um projeto como este é uma questão de responsabilidade social e requer o engajamento de entidades comprometidas com o propósito de incentivar práticas de sustentabilidade em todos os ambientes — desde as medidas adotadas dentro de casa até os grandes empreendimentos”, afirmou o diretor de desenvolvimento e competências da ACEP, Humberto Medrado. As inscrições para o curso, destinado a maiores de 18 anos, devem ser feitas até o dia 20 de abril através do link https://acesse.one/JkZgA. As vagas são limitadas. Serão elaborados certificados online para os interessados que informarem previamente. Qualquer dúvida será esclarecida através do e-mail ipgpar@gmail.com

    Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)

    A LDO é uma lei que define as metas e prioridades da administração pública de um município. A partir dessa lei, o Poder Executivo elabora o orçamento anual, a Lei Orçamentária Anual (LOA) e precisa entregar a proposta da LOA para a Câmara Municipal até o dia 15 de abril. Nesta proposta são estabelecidas metas e prioridades da administração pública, como por exemplo, as relacionadas às questões fiscais, previsão de despesas referentes a cargos, salários e plano de carreiras dos servidores e controle de custos e avaliação de resultados de programas.

    O ideal é que essas metas sejam definidas com a participação da sociedade. Então anote aí: dia 08 de abril na Casa dos Conselhos será realizada uma audiência pública para debater essa lei. Participe! Começa às 18h. Exerça sua cidadania.

    Em alguns artigos, que estão no site Dados municipais, Guédon refletiu diversas vezes sobre esse tema. Ele acreditava que o Município deveria ter mais autonomia e não ficar reduzido ao Sistema Orçamentário: PPA – Plano Plurianual, LDO e LOA. “Não entendo o silêncio obsequioso da comunidade municipal ao acolher normas perniciosas, mal formuladas e que agridem a sua autonomia.” Essa era a sua opinião sobre a forma de planejar o orçamento. Guédon sempre deixou claro que para maior participação da sociedade civil o ideal seria ter um Instituto de Planejamento.

    Confira abaixo um artigo de Guédon sobre o Orçamento Municipal que poderá colaborar para a sua participação na audiência pública.

    Onde o pé e a cabeça?

    A crise se abate sobre todas as instâncias e áreas da Administração Pública. Haja ajuste fiscal, geração de receitas e corte de despesas. Doze milhões de desempregados e número ainda maior de cidadãos à míngua de serviços públicos básicos dignos são os mais atingidos pelos efeitos da tormenta que varre a União, Estados e Municípios.

    Improvisos vão resolver? Não mais. 

    Aqui, nosso primeiro passo é completar o Plano Diretor, que desde 2.014 mofa incompleto, como documento supérfluo. A seguir, cuidar da estrutura e dos efetivos da PMP e da Câmara. Sem estes dois pontos, como vamos montar o plano plurianual e as diretrizes orçamentárias? Bomtempo negou o Instituto Koeler (INK) que asseguraria a ativa e gratuita colaboração da sociedade, os Poderes preferiram errar sozinhos. Tomara que  seja recolocado o tema na pauta.

    A Lei do Orçamento Anual 2017 (LOA) acaba de sair (dia 17, em data de 3) segundo unidades orçamentárias antigas, o que vai exigir mudanças muitas. Sem Plano Diretor completo e participativo, sem Código de Obras, sem Lei de Uso Parcelamento e Ocupação do Solo (Lupos) revista, sem Lei Orgânica nem Regimento da Câmara (não publicados), também deixamos passar a ocasião de dispor dos dados exigidos pelo art. 79 da Lei Orgânica do Município (LOM) nas transições. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Tomara. 

    Basta? Não. A estrutura da Administração é aquela mesma de 1990, distorcida por gatos e gatilhos, e os nossos efetivos (fonte: Governo e Sindicatos) são de 12.000, mais do dobro de 1.989 (Censo) enquanto a população não cresceu 30%. A Associação Contas Abertas (Gil Castelo Branco) cita o IBGE: a proporção servidores/população era de 2,1% em 2001, 3,2 em 1994. Aqui, estamos em 4% e com mais dívidas do que grana, ou seja, insolventes. A equação não fecha, já a PMP bem pode fechar… A Câmara? Acaba de voltar do primeiro de seus muitos recreios anuais.

    Uma boa parte de nossa sociedade, inclusive parcelas que deveriam assumir responsabilidades compatíveis com os papéis que desempenham, parece acomodar-se com este quadro e não se pronuncia. Eu não consigo calar e pergunto como podemos aceitar um Poder Legislativo que nos custa dez vezes mais do que seria razoável para o desempenho de suas tarefas. Nossa Câmara não é o Senadinho que se acha; se custa 25 milhões a mais do que o indispensável, retirados dos serviços públicos essenciais, que justifique o fato e prove que não é só para mimos internos. Se Petrópolis acha que os partidos políticos, omissos na nossa vida coletiva, vão resolver a parada, recomendo tirar o cavalinho da chuva.

    Até prova em contrário, não entendo para onde os Governos nos querem levar, sem planejamento nem participação. E também sem respeito às leis e transferindo fortunas do setor privado para a área pública que já quebrou, e sem citar o Regime Próprio da Previdência Social (RPPS). 

    Estou pronto a jogar-me cinzas na cabeça e pedir perdão, caso, por exemplo, estiverem o Plano Diretor completo, a Lei Orgânica e o Regimento Interno publicados nos termos da Lei, o Ouvidor pronto para ser votado e a Câmara mantiver uma relação custo/benefício minimamente razoável.

    Já, se não for o caso, que tal repensar no INK, que somaria a população ao Governo sem ônus adicionais? Se é para mudar a estrutura, poderíamos pensar neste avanço.

    PETRÓPOLIS INICIA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA DO ANO

    Com receita estimada em R$ 1.457 bilhão, a gestão municipal baixou o Decreto de execução do orçamento para o exercício 2025. A receita estimada para este ano é bem menor do que a receita corrente do exercício anterior, 20,33%, na ordem de R$ 1.829 bilhão. A queda de receita originária do ICMS é apontada por alguns especialistas como uma das causas para esta diminuição. Quando isto acontece, inibe investimentos, pois o planejamento decorre daquilo que está estimado para o exercício. Assim, o município tem que buscar recursos nos convênios com os governos federal e estadual, emendas parlamentares e patrocínios privados para realizar ações de melhoria para o município.

    Esses valores estão no Diário Oficial do Município, que é uma importante ferramenta para o cidadão compreender o que está sendo realizado na Cidade. Quem tiver interesse é só acessar https://www.petropolis.rj.gov.br/pmp/index.php/servicos-cidadao/diario-oficial

    ENTREVISTA: ARQUITETA MARIA CRISTINA FRANCA MELO

    INSTITUTO DE PLANEJAMENTO: GARANTIA DA CONTINUIDADE DOS SERVIÇOS PÚBLICOS

    O Planejamento estratégico é um processo que define metas, objetivos e estratégias, quase sempre associado às empresas, e que é elaborado considerando princípios da Organização, seus recursos, a cultura e fatores internos e externos. Mas você sabia que esse planejamento pode ser adotado nas administrações municipais? Uma das formas de se implementar este planejamento seria através dos Institutos de Planejamento. Algumas cidades do Brasil já possuem e também existe até uma Rede para estimular a criação desses Institutos, a ReDUSRede Brasileira de Institutos de Planejamento.Um dos argumentos para a implementação, seria facilitar a continuidade dos serviços públicos independente de quem for o gestor municipal.

    Para entender melhor sobre como isto poderia ser aplicado em Petrópolis, o IPG conversou com a arquiteta Maria Cristina Franca Melo. Mineira de Sete Lagoas, embora sua primeira graduação tenha sido em Biblioteconomia na Universidade de Brasília, ao longo da vida profissional adquiriu larga experiência em planejamento. Trabalhou como analista de sistemas, nas Prefeituras do Rio de Janeiro e de Petrópolis, onde passou pelas Secretarias de Obras e Planejamento e no IPLAN-Rio, Instituto de Planejamento do Rio. Em 2018 concluiu graduação em Arquitetura e Urbanismo (UCP), se especializou em Paisagismo Ecológico (PUC-RJ) e recentemente mestrado em História Crítica da Arte com foco na paisagem (UFRJ). Maria Cristina também participou da elaboração do PEP 20 (Planejamento estratégico para Petrópolis), organizado pelo IPG, portanto conhece bem os problemas de Petrópolis e sua história.

    Confira abaixo a entrevista concedida ao IPG.

    IPG – Como o planejamento estratégico pode ser aplicado à gestão pública?

    MC – Não se trata de uma tarefa fácil. A principal pergunta a ser respondida pelos diversos atores envolvidos seria: Qual a cidade que queremos para os próximos 20, 30 anos? Um sonho, uma utopia, conhecemos a nossa cidade? Os Planos Plurianuais para aplicação do Orçamento Municipal refletem o que realmente a cidade precisa? A administração pública deveria ser a maior interessada nas respostas, bem como na liderança deste processo, de mãos dadas com os nossos representantes na Câmara Municipal. A participação da sociedade civil seja por seus representantes de classe, de associações, de comunidades, de conselhos ou pelo simples cidadão é prerrogativa de acerto.

    IPG – A gestão participativa sempre foi um dos objetivos de Philippe Guédon. Então, neste planejamento como podemos inserir e estimular a participação dos moradores?

    MC – Sinto muita falta do nosso amigo e defensor incansável da cidade. Admirava imensamente o seu trabalho meticuloso no acompanhamento da execução orçamentária do Município, seus apontamentos e preocupações com o futuro. Sua “voz” nos faz muita falta! O IPG trava uma luta diária na tentativa de comunicação e inserção da população na participação e colaboração com vistas ao Planejamento Estratégico da cidade, o PEP20 continua a ser um exemplo e uma ferramenta, mas como mencionei acima este processo precisa contar com os diversos atores.

    IPG – A partir da sua experiência como servidora pública e que esteve a frente da Secretaria de Planejamento por um período, explique quais as dificuldades de se implementar na prática as políticas públicas?

    MC – Em mais de 30 anos de atuação na área pública, seja na Prefeitura do Rio de Janeiro ou em Petrópolis, identifico diversos fatores limitantes, para citar apenas alguns: a ausência de um planejamento a curto, médio e longo prazos que perpasse as trocas dos titulares e visem a eficiência operacional e o atendimento às prioridades das cidades; a implementação de concursos e plano de cargos e salários para os funcionários, incluindo requalificação periódica e avaliação de desempenho; a existência de um “escritório de projetos” interdisciplinar, capaz de apresentar às instâncias estadual e federal soluções para aporte de recursos no Município; a introdução intensiva de recursos tecnológicos e ferramentas de acompanhamento e fiscalização na gestão pública e na sua relação com o cidadão.

    IPG – O IPG tem como objetivo a implementação de um Instituto de Planejamento e você realizou uma pesquisa sobre os Institutos de Planejamento existentes no Brasil. Acredita que esta proposta pode mesmo ser aplicada em Petrópolis? Se sim, como?

    MC – A proposta de um Instituto de Planejamento para a cidade pelo IPG vem ao encontro principalmente à necessidade de planos para a cidade, que possam ter continuidade independente das substituições de seus governantes. Então vejamos, a contar de 2014 retornei à área acadêmica para uma segunda formação em Arquitetura e Urbanismo, na qual ainda permaneço, iniciando um ciclo de doutoramento e mais do que nunca acredito na pesquisa para embasar os processos de transformação. A criação deste Instituto a meu ver precisa analisar dados e informações sobre a cidade, sua gestão, e até concluir sua viabilidade alguns passos precisam ser considerados: elaboração de um estudo e proposta da base legal; pesquisa e apresentação de modelos existentes (cases de sucesso); traçar um plano de sensibilização, desenvolvimento recursos de mídia social e pesquisa de opinião, divulgação e comunicação junto à sociedade civil.

    IPG – Petrópolis foi planejada através do Plano Koeler, porém a cidade mudou muito desde então. Mas, ter sido construída a partir deste plano, de alguma forma, isto ainda beneficia a cidade?

    MC – Não resta qualquer dúvida que Planejamento Urbano para uma cidade é imprescindível, funciona, mas a sua revisão e adequação periódica é de suma importância. A legislação também precisa acompanhar as transformações ocorridas no tempo e no espaço.

    IPG – Pensando no desenvolvimento da cidade, em termos urbanísticos, quais as suas sugestões para Petrópolis ser uma cidade considerada mais sustentável e que, consequentemente melhore a qualidade de vida dos seus moradores?

    MC – A centralização da prestação de serviços no Centro Histórico precisa ser revertida para os bairros, tornando-os capazes de atender os seus moradores com menor tempo de deslocamento possível. Planejar alternativas de mobilidade urbana para diminuir o volume de tráfego nas horas de pico, bem como para o acesso aos demais distritos. Implementação de SbN – Soluções baseadas na Natureza, para minimizar os efeitos das mudanças climáticas, como bacias de retenção, jardins de chuva, IPTU verde, dentre outros.

    ENTREVISTA: FELIPE FACKLAM

    VETERINÁRIO ESPECIALISTA EM MEDICINA DE ANIMAIS SELVAGENS

    No Planejamento Estratégico para Petrópolis (PEP 20), desenvolvido pelo IPG em 2020, há um capítulo específico para o tema Fauna. Por isso, é importante termos conhecimento das características dessa fauna, para assim conseguir planejar uma estratégia, já que Petrópolis está em uma Área de Proteção Ambiental e convive com animais domésticos e exóticos. Para compreender melhor como lidar com esta questão, o IPG conversou com o veterinário Felipe Facklam, especialista em Medicina de Animais Selvagens e Responsável técnico pela clínica escola de medicina veterinária da Universidade Estácio de Sá, da unidade Petrópolis. Felipe também atua como Médico veterinário socorrista e resgatista do GRAD (Grupo de Resposta a Animais em Desastres) e é assessor técnico na Coordenadoria de Bem-estar Animal da Prefeitura de Petrópolis.

    Confira abaixo a entrevista e deixe seu comentário.

    IPG – Em relação a um reflorestamento urbano, os veterinários especializados em animais silvestres costumam ser chamados para participar desses projetos? Se sim, como atuam?

    FF -Sim, veterinários especializados em animais silvestres são frequentemente chamados para participar de projetos de reflorestamento urbano. Sua atuação é importante no planejamento e execução das ações, pois possuem conhecimento sobre as espécies nativas e exóticas que habitam ou poderão habitar as áreas reflorestadas. Eles atuam na avaliação de impactos ambientais, monitoramento da fauna, manejo de espécies, reintrodução de animais silvestres e no atendimento a possíveis casos de animais feridos ou doentes que surgem durante o processo. Além disso, contribuem para a criação de corredores ecológicos e travessias de fauna que são essenciais para a manutenção da biodiversidade e para a conectividade entre fragmentos florestais.

    IPG – Os petropolitanos convivem muito com animais silvestres (gambás, capivaras, jacus, etc.) e algumas dessas populações têm aumentado nos centros urbanos, inclusive parece que alguns desses animais não são da nossa região (miquinhos, tucanos). Poderia explicar os motivos desse aumento e o que acontece com o ecossistema a partir dessa convivência?

    FF – O aumento da presença de animais silvestres em áreas urbanas, como ocorre em Petrópolis, pode ser explicado por diversos fatores, incluindo a expansão urbana que fragmenta habitats naturais, a busca por alimento e abrigo nos centros urbanos, e as alterações climáticas que afetam a disponibilidade de recursos naturais. Algumas espécies, podem não ser nativas da região e são classificadas como exóticas. A introdução dessas espécies pode causar desequilíbrios no ecossistema local, como a competição com espécies nativas por recursos, a transmissão de doenças, e a alteração das cadeias alimentares. Esses desequilíbrios podem levar à redução da biodiversidade e à degradação do ambiente natural.

    IPG – Como os moradores devem agir se encontrarem um animal silvestre seja na rua ou na sua residência? E se este animal estiver ferido, o que fazer ou não fazer?

    FF – Ao encontrar um animal silvestre, é importante que os moradores mantenham a calma e evitem qualquer contato direto, pois o animal pode estar estressado, doente, com dor e pode reagir de forma imprevisível. O ideal é acionar as autoridades competentes, como a Polícia Ambiental, IBAMA (linha Verde), ou o Corpo de Bombeiros, que possuem equipes treinadas para o manejo e resgate desses animais. Se o animal estiver ferido, deve-se evitar tocá-lo ou tentar alimentá-lo, pois medidas inadequadas podem agravar a lesão. Aguarde a chegada dos profissionais que farão o resgate e prestarão os cuidados necessários.

    IPG – Você tem recebido muitos chamados de resgate?

    FF – Sim, o número de chamados para resgate de animais silvestres tem aumentado, principalmente em áreas urbanas onde a expansão e a fragmentação dos habitats naturais são mais intensas. Esses chamados geralmente envolvem animais que invadem residências, que são encontrados feridos ou desorientados, ou que estão em locais perigosos tanto para eles quanto para os humanos. Muitas pessoas alimentam esses animais e até deixam que fiquem nas residências, como ouriços e gambás.

    IPG – Esse comportamento pode trazer danos para o animal, para o ser humano e para os animais domésticos? Se sim, quais.

    FF – Sim, alimentar animais silvestres e permitir que fiquem nas residências pode trazer sérios danos tanto para os animais quanto para os seres humanos e animais domésticos. Para os animais silvestres, essa prática pode resultar na perda de seus instintos naturais de busca por alimento, tornando-os dependentes do ser humano, o que pode comprometer sua sobrevivência a longo prazo. Além disso, há o risco de transmissão de doenças zoonóticas, que podem afetar tanto humanos quanto animais domésticos, além de potenciais conflitos que podem resultar em ferimentos. Outro problema é a competição por alimento e espaço entre os animais silvestres e os domésticos, o que pode levar a brigas e ferimentos. Portanto, é fundamental que os moradores evitem alimentar ou abrigar animais silvestres e que busquem orientação das autoridades competentes em caso de contato com esses animais.

    Entrevista a Teresinha Almeida.

    O BRADO DE PETRÓPOLIS Pró-Gestão Participativa: ANO V – Nº 55

    Boletim mensal dedicado à prática da Gestão Participativa – 15 de Julho de 2018

    1º BRADO: UTOPIA MUNICIPAL – 1º CENÁRIO

    De repente, em alguns dos 5.570 Municípios brasileiros, uma lufada de loucura do bem arrebata alguns prefeitos em curso de mandato. Percebem o descalabro à sua volta, a gerar um mundo chapa-branca moribundo por diagnóstico de corporativismo galopante, agravado por um quadro de hegemonia partidária fatal. Pessoas de bem que ingressaram na política por idealismo constatam que se tornaram feitores da exploração de comunidades inteiras, para satisfaze a ganância de alguns e a falta de consciência cívica de tantos. Elegeram-se para mudar o mundo, e são soldados do exército multipartidário da mesmice predadora. Aqui e ali, multiplicam-se exemplos de prefeitos (as) que “chutam o balde” dos partidos que ordenham a população. Do alto das margens de seus riachos ipirangas, açudes, rios ou costões que mergulham no mar, bradam “Sou prefeito do povo, não de uma sigla! E nesta condição agirei doravante!”.

    2º BRADO: UTOPIA MUNICIPAL – 2º CENÁRIO

    De repente, em alguns dos 5.570 Municípios brasileiros, um vereador sobe à tribuna ou ocupa o parlatório, e convida a maioria dos edis que compõem a Casa do Povo local a ser exatamente isto que não são: a Casa do Povo. Em vez de buscarem o seu bem-estar e a satisfação das patotas que lhes trouxeram até este nicho dourado, convida os seus pares a servir o povo. O povo, que deveriam representar desde o primeiro dia, e que logo foi reduzido ao papel de patrocinador da festa onde não pode entrar. O povo que deve cumprir leis e pagar taxas, votar em quem lhes é empurrado goela abaixo, e que recebe em troca pífios serviços públicos apresentados como benesses concedidas por este ente generoso chamado Poder Público.

    3º BRADO: UTOPIA MUNICIPAL – 3º CENÁRIO

    De repente, em alguns dos 5.570 Municípios brasileiros, o presidente do Sindicato dos Servidores locais, pede a palavra na reunião do Conselho Diretor e declara que acordou no meio da noite por força de um pesadelo. Imerso no sono, se vira conversando com alguns conhecidos e conhecidas da cidade que lhe pediam para definir se o seu papel era o de defensor dos interesses corporativistas de uma categoria, mesmo se às custas da comunidade inteira, ou se entendia ser um membro da comunidade encarregado de assegurar a justiça e a harmonia entre os servidores e o povo. E começara, no sonho, a chorar, ao reconhecer que lutava apenas pelos interesses de sua categoria, pouco lhe interessando os ônus, necessários ou insuportáveis e injustos, que seus esforços acarretavam para a comunidade de onde todos os seus filiados provinham. Sabia ele que o regime de previdência própria tornara-se um sistema de exceção, custeado à razão de dois terços por verbas públicas, formadas por impostos e taxas de quem jamais poderia gozar das mesmas venturas. Reconhecia que os interesses dos seus filiados deviam levar em conta os do povo ou todas as “conquistas” alcançadas implicavam, ao fim e ao cabo, na falência do seu próprio povo, sinônimo da falência de sua própria classe… E neste momento acordara em lágrimas, pois não enxergara antes o absurdo em que se metera.

    4º BRADO: UTOPIA MUNICIPAL – 4º CENÁRIO

    Prefeitos, vereadores e lideranças sindicais de servidores de alguns dos 5.570 Municípios brasileiros se encontram à volta de mesas ou instalados em auditórios, convencidos que o modelo da hegemonia dos partidos – construído por quase todos, fora três ou quatro – já tinha levado as suas comunidades a deslizar, barranco abaixo, em direção ao desastre final. Era hora e vez do brado de “BASTA!”, da reversão de expectativas, do cumprimento do Princípio Fundamental da Constituição Federal, que as maiores Autoridades do País ignoravam todos os dias da semana: “Todo o poder emana do povo que o exerce por meio de representantes (dele, povo, adendo nosso) eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. A representação se dá por meio dos partidos, mas não é dos partidos, e sim do povo. A César o que é de César, a Deus o que é de Deus; aos representantes do povo o que lhes cabe, ao povo o que a Constituição assegura. Mas que foi surrupiado.

    5º BRADO: FAZENDO O CERTO NOS MUNICÍPIOS

    Tão fácil! Apenas cumprindo a Leis fundamentais e corrigindo os enxertos lá colocados pelos partidos do “pró-grana”. Se os representantes são do povo, não cabe aos partidos ditarem com exclusividade em quem se pode votar. Se todo o poder emana do povo, e se este o exerce por meio de representantes eleitos para mandatos de quatro anos, o que excede os quatro anos é parte de um poder que o povo não delegou. E a isto se chama de planejamento estratégico, de longo prazo (20 anos); ao povo, diretamente, cabe dizer para onde quer rumar, e não a administradores de quadriênios. Pombas, a lógica não morreu, mesmo se foi engavetada ou usurpada pelos Poderes! Deve-se cumprir TODA a Constituição, e não apenas os artigos e parágrafos que interessam aos poderosos. Por exemplo, por que sumiu o texto do art. 5º, XX: “ninguém será compelido a associar-se ou a permanecer associado”? Ou há diferença entre “associado” e “filiado”?