TECNOLOGIA E CIDADANIA

ENTREVISTA COM SERGIO TALDO. Criador do Ctrl+Café

IPG – O que o motivou a atuar nesta área?

ST: Minha motivação veio muito cedo, na fase de infância, quando comecei a descobrir “O POR QUÊ DAS COISAS?”, que era uma brincadeira muito interessante e acabei descobrindo como muitas coisas, realmente, funcionavam.

Já na Universidade Católica de Petrópolis – UCP, em fevereiro/1986, quando ingressei para estudar Engenharia Mecânica, comecei a estudar e compreender melhor o funcionamento de algumas máquinas e instrumentos usados em nossa vida diária, tais como: ferramentas, eletrodomésticos, máquinas de tornearia, automóveis e seus motores à combustão interna, aviões e suas turbinas à jato, e como todas essas coisas eram projetadas, desenhadas e fabricadas. Também, fiquei impressionado como era feito o sistema de impressão de cartões, para gerarmos código de programação em computadores e a realização de determinadas tarefas.

De lá prá cá, minha curiosidade tem sido aguçada e os impactos tecnológicos em nossa vida tem sido um dos meus focos de interesse, estudo e trabalho.

IPG – Quais os benefícios da tecnologia para a gestão participativa?

ST – A tecnologia desempenha um importante papel na promoção da gestão participativa, que é um modelo de administração que envolve a colaboração ativa dos membros da equipe na tomada de decisões e no processo de gestão. Cito alguns benefícios que a tecnologia pode proporcionar à gestão participativa:

1.         Comunicação Eficiente:

•          Ferramentas de comunicação online (e-mails, mensagens instantâneas e plataformas de colaboração), facilitam a troca rápida/eficiente de informações entre a equipe, promovendo transparência e inclusão.

2.         Colaboração Remota:

•          Equipes distribuídas geograficamente usam a tecnologia na colaboração eficaz, permitindo que todos contribuam independentemente de sua localização. Videoconferências, compartilhamento de documentos online e outras ferramentas colaborativas são essenciais.

3.         Acesso a Dados e Informações:

•          Sistemas de gestão de informação permitem acesso fácil e rápido a dados relevantes, permitindo que a equipe de trabalho tome decisões acertadas. Para uma gestão participativa baseada em informações precisas, isso é essencial.

4.         Feedback em Tempo Real:

•          Plataformas digitais possibilitam a coleta e análise de feedback em tempo real. Assim, ajustes rápidos e contínuos são realizados nas estratégias, promovendo uma gestão mais ágil.

5.         Participação Virtual em Reuniões e Tomadas de Decisão:

•          Ferramentas de videoconferência e plataformas de votação online possibilitam a participação remota em reuniões e processos de decisão. Isso é fundamental para a inclusão de membros de equipes que podem não estar fisicamente presentes.

6.         Transparência:

•          Sistemas de gestão e plataformas colaborativas proporcionam transparência nas operações e processos da empresa. Isso ajuda a construir confiança entre os membros do time e promove a participação ativa.

7.         Inovação Colaborativa:

•          Ambientes online facilitam a co-criação e inovação colaborativa. Sendo assim, a equipe pode contribuir com ideias e sugestões de maneira eficaz, independentemente de sua hierarquia.

8.         Facilitação da Gestão de Projetos:

•          Ferramentas de gestão de projetos online ajudam a coordenar atividades do time de trabalho, atribuir tarefas, acompanhar o progresso e garantir que todos estejam alinhados aos objetivos em comum.

9.         Flexibilidade e Agilidade:

•          A tecnologia estimula maior flexibilidade e agilidade na adaptação a mudanças e na implementação de novas abordagens, alinhando-se às necessidades dos times.

10.      Desenvolvimento de Competências:

•          Plataformas de aprendizado online e recursos digitais são usadas para o desenvolvimento de habilidades e competências dos membros da equipe, promovendo um ambiente de aprendizado contínuo.

Em resumo, a tecnologia desempenha um papel muito importante na viabilização e no aprimoramento da gestão participativa, oferecendo ferramentas que facilitam a comunicação, a colaboração e a tomada de decisões, contribuindo para o sucesso e a eficácia desse modelo de gestão.

IPG Como fazer com que o acesso à tecnologia seja mais acessível? A pandemia mostrou como ainda é desigual esse acesso.

ST – A redução da desigualdade no acesso à tecnologia é um enorme desafio, especialmente após a pandemia, que ampliou as disparidades existentes. Cito algumas estratégias para tornar o acesso à tecnologia mais acessível:

1.         Infraestrutura de Conectividade:

•          Investir em banda larga acessível e infraestrutura de rede robusta, especialmente em áreas rurais e economicamente desfavorecidas.

2.         Acesso a Dispositivos:

•          Criar programas que forneçam dispositivos acessíveis, como laptops, tablets ou smartphones, para comunidades carentes, estudantes e famílias de baixa renda.

3.         Iniciativas de Educação Digital:

•         

  1. Iniciativas de Educação Digital:
    • Desenvolver programas para capacitar as pessoas a usar a tecnologia de maneira eficaz, tais como: treinamentos, workshops e recursos online gratuitos.
  2. Parcerias Público-Privadas:
    • Estabelecer parcerias entre o setor público e privado, criando soluções inovadoras e acessíveis, onde empresas podem contribuir com recursos, conhecimento e tecnologia, apoiando iniciativas governamentais.
  3. Planos de Acesso Subsidiado:
    • Oferecer subsídios para famílias de baixa renda, garantindo que o custo não seja uma barreira para a conectividade.
  4. Incentivar a Produção Local de Tecnologia:
    • Desenvolver a tecnologia local, reduzindo custos e tornando os produtos mais acessíveis. Isso pode incluir a fabricação local de dispositivos e a criação de software de código aberto.
  5. Bibliotecas e Espaços Comunitários Digitais:
    • Estabelecer espaços equipados com computadores e acesso à internet, como bibliotecas públicas ou centros comunitários, de forma que as pessoas possam acessar recursos digitais.
  6. Reciclagem de Dispositivos:
    • Criar programas de reciclagem e recondicionamento de dispositivos eletrônicos, para redistribuí-los à comunidades que não têm acesso a tecnologia.
  7. Desenvolver Conteúdo Localizado:
    • Criar conteúdo digital relevante e localizado, considerando as necessidades específicas das comunidades, incluindo idiomas locais, temas culturalmente relevantes e aplicativos adaptados.
  8. Incentivar a Inclusão Digital para Grupos Vulneráveis:
    • Implementar programas para garantir a inclusão digital de grupos, como: idosos, pessoas com deficiência e comunidades indígenas.
  9. Programas de Subsídios e Incentivos Fiscais:
    • Oferecer subsídios e incentivos fiscais para empresas que desenvolvem soluções tecnológicas acessíveis e que contribuam para a redução da desigualdade digital.
  10. Apoiar Iniciativas de Inovação Social:
    • Investir em inovação social, com soluções criativas e acessíveis para resolver desafios relacionados ao acesso à tecnologia.

Essas estratégias, quando implementadas de forma coordenada e integrada, podem contribuir para reduzir as disparidades no acesso à tecnologia e promover a inclusão digital em diversas comunidades.

IPG – E para a sustentabilidade, como a tecnologia pode se tornar uma atividade mais “limpa”? Por exemplo: O trabalho em home office demonstrou um impacto ambiental negativo menor, pois o profissional diminui gastos com transporte, ou seja, menos combustível, consequentemente, menos CO2. Mas, o equipamento usado causou grandes impactos quando foi produzido.

Sergio também participa do GT de Meio Ambiente do IPG.

ST – Para tornar a tecnologia uma atividade mais sustentável e “limpa”, é fundamental considerar todo o ciclo de vida dos produtos e processos tecnológicos. Vamos a algumas estratégias para mitigar os impactos ambientais da tecnologia:

1.         Design Sustentável:

•          Priorizar o desenvolvimento de produtos tecnológicos, considerando materiais de baixo impacto ambiental, facilidade de reciclagem, eficiência energética e durab…

IPG – Em relação à sustentabilidade, dê um panorama a respeito das formas de trabalho atuais:  à distância, híbrido e presencial. Quais os pontos fracos e fortes destas formas que impactam o meio ambiente?

ST – As formas de trabalho atuais, como presencial, à distância (teletrabalho ou trabalho remoto) e híbrido, apresentam diferentes implicações ambientais. Aqui está um panorama geral dos pontos fortes e fracos de cada uma em termos de sustentabilidade:

Trabalho Presencial:

Pontos Fortes:        Interações Face a Face: Promove interações sociais e colaboração direta, o que pode levar a um melhor entendimento e comunicação entre os membros da equipe.

Pontos Fracos: Deslocamento: Geralmente, envolve deslocamento diário, seja de carro, transporte público ou outros meios, contribuindo para emissões de gases de efeito estufa e poluição do ar.

2.         Consumo de Recursos no Escritório: Uso de energia, água e outros recursos no local de trabalho físico.

Trabalho à Distância (Teletrabalho/Remoto):

Pontos Fortes:

1.         Redução de Deslocamentos: Minimiza ou elimina a necessidade de deslocamentos diários, reduzindo as emissões de carbono associadas ao transporte.

2.         Menor Consumo de Recursos no Escritório: Menos demanda por instalações de escritório, resultando em menor consumo de recursos.

Pontos Fracos:

1.         Consumo de Eletricidade em Casa: Aumento do consumo de eletricidade nas residências, se as condições de trabalho em casa não forem otimizadas em termos de eficiência energética.

2.         Descarte de Equipamentos Eletrônicos: Aumento do descarte de dispositivos eletrônicos devido à necessidade de equipamentos pessoais para o trabalho remoto.

Trabalho Híbrido:

Pontos Fortes:

1.         Equilíbrio entre Presencial e Remoto: Permite uma combinação flexível de trabalho presencial e remoto, com benefícios de ambos os modelos.

2.         Redução de Deslocamentos em Dias de Trabalho Remoto: Há uma redução nas emissões devido aos deslocamentos evitados.

Pontos Fracos:

1.         Complexidade da Gestão: Pode ser desafiador gerenciar as equipes e manter uma cultura organizacional coesa com a flexibilidade do trabalho híbrido.

2.         Variação no Consumo de Recursos: A eficiência em termos de recursos pode variar dependendo de como as organizações implementam o modelo híbrido.

Considerações Gerais:

1.         Tecnologia e Infraestrutura: Todas as formas de trabalho dependem da tecnologia. A produção, o uso e o descarte de dispositivos eletrônicos podem ter impactos ambientais significativos.

2.         Eficiência Energética: O uso eficiente de energia em escritórios, em casa e nos centros de dados é crucial para reduzir o impacto ambiental.

Em resumo, enquanto o trabalho remoto e híbrido oferecem oportunidades para reduzir as emissões associadas ao deslocamento diário, é crucial abordar os desafios específicos de cada modelo para garantir práticas sustentáveis. Isso inclui a implementação de políticas e práticas que visam a eficiência energética, a gestão adequada de dispositivos eletrônicos e a conscientização sobre o impacto ambiental das escolhas de trabalho

IPG Quais os prós e contras da IA (Inteligência Artificial) para a sociedade e como ela pode contribuir para o exercício da cidadania?

ST – A Inteligência Artificial (IA) tem impactado a sociedade de várias formas, trazendo benefícios, mas também desafios e preocupações éticas. Seguem alguns prós e contras da IA para a sociedade, bem como maneiras pelas quais ela pode contribuir para o exercício da cidadania:

Prós da IA para a Sociedade:

1.         Eficiência e Automação:

•          Pró: A IA pode automatizar tarefas repetitivas e otimizar processos, aumentando a eficiência em diversas áreas, desde a indústria até os serviços.

2.         Inovação em Saúde:

•          Pró: Na área da saúde, a IA pode contribuir para diagnósticos mais rápidos e precisos, identificação de padrões em grandes conjuntos de dados e desenvolvimento de tratamentos personalizados.

3.         Assistência ao Cliente e Chatbots:

•          Pró: Chatbots e sistemas de IA podem oferecer assistência ao cliente 24 horas por dia, proporcionando respostas rápidas e eficientes.

4.         Veículos Autônomos:

•          Pró: Contribui para a redução de acidentes de trânsito e pode otimizar o transporte público, melhorando a segurança nas estradas.

5.         Personalização de Conteúdo:

•          Pró: A IA pode personalizar recomendações de conteúdo online, como filmes, música e notícias, melhorando a experiência do usuário.

Contras da IA para a Sociedade:

1.         Desemprego e Mudança no Mercado de Trabalho:

•          Contra: A automação impulsionada pela IA pode levar à substituição de empregos por máquinas, exigindo a requalificação de trabalhadores para novas funções.

2.         Vieses e Discriminação:

•          Contra: Algoritmos de IA podem refletir preconceitos existentes na sociedade, resultando em decisões discriminatórias, especialmente quando treinados em dados enviesados.

3.         Privacidade e Vigilância:

•          Contra: A coleta massiva de dados para alimentar algoritmos de IA pode levantar preocupações sobre privacidade e vigilância, especialmente se não houver regulamentações adequadas.

4.         Desafios Éticos:

•          Contra: Decisões automatizadas pela IA podem gerar dilemas éticos, como em casos de carros autônomos decidindo sobre situações de colisão.

5.         Dependência Tecnológica:

•          Contra: A crescente dependência da IA pode criar vulnerabilidades significativas, especialmente se sistemas críticos forem comprometidos.

Contribuições da IA para o Exercício da Cidadania:

1.         Acesso à Informação:

•          A IA pode facilitar o acesso à informação, ajudando os cidadãos a tomar decisões mais informadas sobre questões políticas, sociais e econômicas.

2.         Engajamento Cívico:

•          Ferramentas baseadas em IA podem impulsionar o engajamento cívico, fornecendo plataformas para participação pública, discussões online e feedback sobre políticas.

3.         Análise de Dados para Políticas Públicas:

•          A IA pode auxiliar na análise de grandes conjuntos de dados para informar políticas públicas mais eficazes, identificando áreas de necessidade e otimizando recursos.

4.         Detecção de Fake News:

•          Algoritmos de IA podem ajudar na detecção de notícias falsas, melhorando a qualidade da informação disponível para os cidadãos.

5.         Aprimoramento dos Serviços Públicos:

•          A IA pode ser usada para melhorar a eficiência dos serviços públicos, desde o atendimento ao cliente até a gestão de recursos.

Em última análise, a aplicação responsável e ética da IA é crucial para maximizar seus benefícios e minimizar seus impactos negativos. As políticas, discussões públicas e regulamentações desempenham um papel fundamental na orientação do desenvolvimento e uso da IA para o bem da sociedade.

IPGApesar das vantagens e, como qualquer nova ferramenta, a AI (Inteligência Artificial) pode ser mal utilizada, já tivemos exemplos recentemente. Então, qual deveria ser o papel da educação em relação às inovações digitais?

ST – O papel da educação em relação às inovações digitais, incluindo a Inteligência Artificial (IA), é fundamental para preparar os indivíduos para compreender, utilizar e abordar criticamente os impactos dessas tecnologias na sociedade. Cito aqui alguns aspectos do papel da educação nesse contexto:

1.         Alfabetização Digital e em IA:

•          A educação deve focar em desenvolver habilidades de alfabetização digital, incluindo o entendimento básico de como as tecnologias digitais funcionam e como os dados são coletados e utilizados. A alfabetização em IA é crucial para que as pessoas compreendam as decisões automatizadas tomadas por algoritmos.

2.         Conscientização Ética:

•          As escolas devem incluir a ética digital como parte integrante do currículo, ajudando os alunos a entenderem as implicações éticas do uso da tecnologia, incluindo questões relacionadas à privacidade, viés algorítmico e transparência.

3.         Habilidades de Pensamento Crítico:

•          A educação deve incentivar o desenvolvimento de habilidades de pensamento crítico para que os alunos possam avaliar criticamente informações online, entender os impactos sociais das inovações digitais e formar opiniões informadas.

4.         Desenvolvimento de Habilidades Tecnológicas:

•          As instituições educacionais devem oferecer programas que desenvolvam habilidades práticas em tecnologia, programação e uso de ferramentas digitais. Isso não apenas capacita os alunos para futuras carreiras, mas os torna mais capazes de entender e influenciar o mundo digital ao seu redor.

5.         Inclusão Digital:

•          A educação deve se esforçar para reduzir a lacuna digital, garantindo que todos os alunos tenham acesso igual a recursos digitais. Isso é crucial para evitar a exclusão de grupos socioeconômicos menos favorecidos.

6.         Currículo Flexível e Adaptável:

•          Dada a rápida evolução das tecnologias, os currículos educacionais devem ser flexíveis e adaptáveis para incorporar novas informações sobre inovações digitais à medida que surgem.

7.         Abordagem Interdisciplinar:

•          Incluir abordagens interdisciplinares na educação, conectando disciplinas como ciência da computação, ética, sociologia e ciências políticas. Isso permite uma compreensão mais holística das implicações sociais, éticas e políticas das inovações digitais.

8.         Cidadania Digital Responsável:

•          Promover a cidadania digital responsável, incentivando atitudes éticas, respeitosas e responsáveis no ambiente digital. Isso envolve compreender e respeitar os direitos e responsabilidades online.

9.         Apoio Contínuo para Professores:

•          Fornecer suporte contínuo e formação para professores, capacitando-os a integrar efetivamente as tecnologias digitais em suas práticas de ensino e orientar os alunos na compreensão e uso responsável dessas ferramentas.

10.      Discussões e Diálogos Abertos:

•          Criar ambientes de aprendizado que incentivem discussões abertas sobre questões éticas, sociais e políticas relacionadas à tecnologia, permitindo que os alunos expressem suas opiniões e compreendam diferentes perspectivas.

Concluindo, a educação desempenha um papel crucial na capacitação dos indivíduos para prosperar em uma sociedade digital. Uma abordagem abrangente que combine conhecimentos técnicos, habilidades éticas e pensamento crítico é essencial para garantir que os benefícios das inovações digitais sejam aproveitados de maneira responsável e inclusiva.

IPG – Você realizou algumas rodas de conversa, com a participação do Vice-Presidente do IPG, sobre tecnologia e meio ambiente, baseadas no autor Harari. Poderia explicar quais as questões tratadas pelo autor que podem ser aplicadas no âmbito de Petrópolis?

Sergio em uma das rodas de conversa do IPG

ST – Yuval Noah Harari é conhecido por suas obras como: “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, “Homo Deus: Breve História do Amanhã” e, recentemente, “21 Lições para o Século XXI”. Embora ele aborde temas amplos relacionados à história e o futuro da humanidade, suas obras não necessariamente focam especificamente em questões locais ou cidades específicas. Dito isso, se estiver considerando a relação entre tecnologia, meio ambiente e questões locais, como a cidade de Petrópolis, é possível extrair conceitos gerais de Harari que podem ser aplicados em diferentes contextos. Aqui estão alguns princípios que podem ser relevantes:

1.         Interconexão Global:

•          Harari destaca como a globalização e a interconexão impactam as sociedades modernas. Isso pode ser aplicado a Petrópolis ao considerar como as tecnologias de comunicação e transporte afetam a cidade em termos de economia, cultura e ambiente.

2.         Desafios Ambientais:

•          O autor aborda este tema incluindo mudanças climáticas. Isso pode ser aplicado em Petrópolis, uma cidade que pode enfrentar questões relacionadas ao desmatamento, gestão de recursos hídricos e sustentabilidade em geral.

3.         Impactos da Tecnologia:

•          Harari discute como avanços tecnológicos, como Inteligência Artificial e biotecnologia, podem moldar o futuro da humanidade. Esses avanços também podem ter impactos locais em Petrópolis, influenciando setores como saúde, educação, transporte e gestão urbana.

4.         Questões Éticas:

•          Ele aborda questões éticas relacionadas ao uso da tecnologia, e, ao aplicar isso a Petrópolis, seria muito importante considerar como as decisões tecnológicas na cidade estão alinhadas com princípios éticos, especialmente quando se trata de coleta de dados, privacidade e automação.

5.         Adaptação a Mudanças:

•          Harari também destaca a necessidade de adaptação diante das mudanças rápidas na sociedade. Em Petrópolis, isso pode se traduzir na capacidade de se adaptar a transformações tecnológicas e ambientais, como a transição para práticas sustentáveis ou a implementação de soluções inovadoras.

Lembre-se de que, para uma análise mais específica e detalhada das questões em Petrópolis, é importante consultar fontes locais, dados e especialistas que tenham um entendimento aprofundado da situação atual na cidade, necessariamente a Defesa Civil, a Prefeitura de Petrópolis, os empresários e os órgãos e associações locais.

Abaixo algumas obras que Sergio indica como referência sobre o tema e que embasaram a entrevista.

(1)- “A ERA DAS MÁQUINAS ESPIRITUAIS”, de Ray Kurzweil (Editora Aleph).

(2)- “A SINGULARIDADE ESTÁ PRÓXIMA”, de Ray Kurzweil (ILUMINURAS / OBSERVATÓRIO ITAÚ CULTURAL).

(3)- “INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: DO ZERO AO METAVERSO”, de Martha Gabriel (gen | atlas).

(4)- “EDUCAÇÃO NA ERA DIGITAL: CONCEITOS, ESTRATÉGIAS E HABILIDADES”, de Martha Gabriel (gen | atlas).

(5)- “VOCÊ, EU E OS ROBÔS”, de Martha Gabriel (gen | atlas).

(6)- “A PRÓXIMA ONDA: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, PODER E O MAIOR DILEMA DO SÉCULO XXI”, de Mustafa Suleyman e Michael Bhaskar (RECORD).

(7)- “O QUE NOS TORNA HUMANOS: UMA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL RESPONDE ÀS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES DA VIDA”, de Iain S. Thomas e Jasmine Wang (LATITUDE). NOTA: Um livro elaborado a partir do ChatGPT-3.

(8)- “CHATGPT EXPLICADO: O GUIA DEFINITIVO SOBRE ESTA E OUTRAS INTELIGÊNCIAS ARTIFICIAIS”, de Helbert Costa (CITADEL Grupo Editorial).

(9)- “PENSANDO O IMPENSÁVEL: COMO SOBREVIVER A UM PRESENTE CAÓTICO E PREPAPAR-SE PARA UM FUTURO PROMISSOR”, de Gil Giardelli (CITADEL Grupo Editorial).

(10)- “2030: COMO AS MAIORES TENDÊNCIAS DE HOJE VÃO COLIDIR COM O FUTURO DE TODAS AS COISAS E REMODELÁ-LAS”, de Mauro F. Guillén (ALTA CULT EDITORA).

(11)- “O LIVRO DO CLIMA”, criado por: Greta Thunberg (COMPANHIA DAS LETRAS).

(12)- “O MUNDO PÓS-PANDEMIA: REFLEXÕES SOBRE UMA NOVA VIDA”, organização de: José Roberto de Castro Neves (EDITORA NOVA FRONTEIRA).

(13)- “O PREÇO DO PÂNICO: COMO A TIRANIA DOS ESPECIALISTAS TRNASFORMOU UMA PANDEMIA EM UMA CATÁSTROFE”, de Douglas Axe | William M. Briggs | Jay W. Richards (LVM EDITORA).

(14)- “STEVE JOBS”, por Walter Isaacson (COMPANHIA DAS LETRAS).

(15)- “ELON MUSK”, por Walter Isaacson (INTRÍNSECA).

MESA-REDONDA DO IPG APONTA BOAS PRÁTICAS AMBIENTAIS PARA SEREM IMPLEMENTADAS EM PETRÓPOLIS

A conquista por boas práticas ambientais deve ser feita através da participação dos cidadãos e as ações sociais, a economia e o meio ambiente devem estar integrados. Estas foram algumas das conclusões da Mesa-Redonda “Petrópolis Sustentável – Práticas ambientais para empreender e gerar trabalho e renda”, realizada nesta quinta-feira (14/12) pelo IPG (Instituto Philippe Guédon), na CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas).

O evento teve início com uma breve apresentação sobre o IPG e seus objetivos e em seguida, o Vice-Presidente do IPG, Ramiro Farjalla, coordenador do GT de meio ambiente do Instituto explicou sobre como foi feito o documento PEP 20 – Planejamento Estratégico para Petrópolis, que o IPG organizou com a colaboração de inúmeros membros sociedade civil, profissionais e outros colaboradores. Ramiro destacou que “mais do que preservar o meio ambiente, temos que mudar de estilo de vida e que para isso as questões ambientais e a participação social devem andar juntas, não é apenas um tema para o governo, mas para todos os cidadãos”.

De acordo com o Presidente do IPG, Cleveland Jones, o IPG busca fomentar a gestão participativa para conscientizar a sociedade da necessidade de um planejamento estratégico no município. Ele considera que o objetivo do evento foi alcançado, pois os participantes, um público bastante diversificado, com profissionais de várias áreas “realmente apresentaram propostas reais para os problemas da cidade”.

Para estimular a discussão, atuaram como facilitadores Antônio Nassif, produtor de eventos, Guilherme Mergener, engenheiro especialista em energia solar, e Roberto Musser, Doutor em Ciências, Energia e Ambiente, que falaram de suas realidades e experiências com práticas ambientais.

Antônio explicou sobre o evento “Rock the mountain”, produzido recentemente por ele, e que executou diversas ações sustentáveis que colaboraram para gerar emprego e renda, como por exemplo, a forma correta de lidar com os resíduos sólidos gerados durante o evento, o plantio de árvores no local, que resultou em uma área verde que poderá ser usada pela população, além do comércio de produtos mais sustentáveis, uma oportunidade de renda extra para pequenos empresários.

Já Guilherme explicou sobre as vantagens da energia solar e do reuso da água. Segundo ele, “não é só diminuir o valor da conta de luz, mas nos tempos em que vivemos é uma garantia de que não faltará luz em casa”. Enfatizou que apesar de ser uma área econômica promissora, “a falta de mão de obra especializada é um obstáculo e que tem interesse em promover cursos de qualificação para este setor”.

As práticas ambientais ESG – sigla em inglês para “environmental, social and Governance”, correspondem às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização, e foram o destaque da fala de Roberto. Segundo ele, é preciso “Planejamento de longo prazo, política de Estado e não de Governo, mas que os gastos devem ser feitos com responsabilidade, devem ser efetivos”. Roberto acrescentou que “as políticas públicas para práticas e soluções ambientais devem se adequar à nossa realidade, e a população tem que ser ouvida, pois é quem vivencia os problemas.”

Após as falas de estímulo à participação, o público fez sugestões e trocou ideias sobre diversas práticas ambientais e algumas propostas foram apontadas para serem implementadas em Petrópolis. Destacamos as seguintes:

  • Ônibus elétricos para o transporte público, além de não poluir, o custo de manutenção é menor;
  • Incentivo ao reuso de água doméstica;
  • Tratamento de esgoto com biodigestores, além de gerar gás para energia também produz fertilizante sem produtos químicos;
  • Usina solar para abastecer as escolas municipais, ao invés de um sistema solar individual para cada escola, porque diminui custos e facilita a transmissão de energia;
  • A partir do conceito de que Floresta em Pé Rende Mais, verificar o que Petrópolis possui de vegetação, não só em áreas públicas, mas particulares, para identificar oportunidades que possam contribuir para o aumento do ICMS Ecológico;
  • Incentivos fiscais, desconto no IPTU, para os moradores que realizarem boas práticas ambientais, como reuso da água, coleta seletiva, preservação de área verde com espécies da mata atlântica, energia solar, entre outras.

Em 2024 o IPG continuará promovendo debates com outras temáticas importantes para o Município e todas essas sugestões que foram apontadas serão incluídas na atualização do PEP 20.

MESA-REDONDA DO IPG RESULTA EM MUITAS PROPOSTAS PARA A ECONOMIA DO MUNICÍPIO

“Um público engajado, bem participativo. O evento conseguiu envolver as pessoas com a pauta econômica da cidade.” Esta foi a impressão do Vice-Presidente do IPG, Ramiro Farjalla, sobre a mesa-redonda “Cenário econômico empresarial de Petrópolis” realizada pelo Instituto, na Câmara de Diretores Lojistas de Petrópolis, CDL, nesta terça-feira (17/10) e que faz parte da atualização do PEP20 – Planejamento Estratégico para Petrópolis, com visão de 20 anos, que o IPG vem promovendo.

Ramiro ficou animado ao ver as pessoas trocando ideias sobre assuntos que foram além da geração de emprego e renda.  O público foi bastante diversificado. Participaram empresários dos segmentos da construção civil, comércio, comunicação, tecnologia e empreendedorismo, além de profissionais liberais, servidores públicos e representantes da Câmara de Vereadores e das Associações Firjan, Cufa-Petrópolis, Acipe e Novamosanta.

Com foco na importância do planejamento estratégico para Petrópolis, e na gestão participativa como forma de guiar os rumos do município, o IPG tem convidado todos os segmentos da sociedade para participar de suas ações, dando continuidade aos diagnósticos e propostas do PEP20, e buscando estabelecer um ambiente de mais oportunidades para o desenvolvimento de Petrópolis e de mais qualidade de vida para os petropolitanos.

Para estimular a participação ao debate, o IPG teve como facilitadores profissionais de diferentes áreas para trocar ideias e assim encontrar possíveis soluções ao identificar os obstáculos que possam se tornar oportunidades para o Município. De acordo com o Presidente do IPG, Cleveland Jones “o objetivo era pensar em soluções, não apenas falar dos problemas, que já são bastante conhecidos e o evento vai ajudar o IPG a produzir as atualizações do PEP20- que poderão guiar o futuro do município de acordo com o desejo da sociedade”.

A importância do mercado de tecnologia foi o assunto destacado por Gustavo Braz, Diretor Executivo da Orange Business e Presidente do Serratec. Segundo ele, apesar de ser o segmento mais aquecido no Mundo, enfrenta dificuldades para contratar mão de obra qualificada e para encarar esse desafio, em Petrópolis o Serratec promove capacitações.  Gustavo também comentou sobre o trabalho home office, “uma oportunidade para a tecnologia que foi ampliada durante a pandemia e que acaba até sendo uma atividade mais sustentável porque não gera tantos resíduos” e que pode movimentar diretamente a economia local pois “mesmo que a pessoa trabalhe para uma empresa, por exemplo, na Europa, é na cidade que ela mora que ela vai consumir”.

O esporte pode ser um instrumento para aquecer a economia local. Este foi o tema de Renato Farjalla, educador físico que atua em Petrópolis há mais de 30 anos. Eventos de rua, montanhismo, estimulo ao uso da bicicleta, incluindo a elétrica, atividades de educação física online e aplicativos e jogos direcionados ao esporte e a dança foram algumas oportunidades citadas por Renato que colaboram para gerar renda. Ele ressalta que “é preciso planejar a cidade para ter mais áreas de lazer e que isso pode ser um diferencial para atrair e manter empresas na cidade”.

Felipe Henriques, Diretor do Cefet/RJ da unidade Petrópolis mostrou como o CEFET/Petrópolis e outras instituições educacionais têm feito diversas parcerias para vencer desafios, gerar oportunidades de emprego, e promover o desenvolvimento.  Acredita que a pandemia foi um desafio, com as aulas híbridas, mas também uma oportunidade de aperfeiçoamento e que o Turismo em Petrópolis é uma das principais oportunidades e que é preciso fazer parcerias com empresas e poder público para incrementar o setor.

Claudio Mohammad, Presidente da CDL, apresentou o trabalho do movimento Petrópolis 2030, que reúne diversos grupos e entidades petropolitanas na identificação de gargalos ao desenvolvimento local e de necessidades específicas, que foram levadas ao governo do estado.

Como questão de cidadania, o IPG proporciona espaços, como o evento realizado na CDL, para que o público possa expor as suas demandas, ajudando a identificar problemas e propor soluções para as políticas públicas e para o planejamento no município. Muitas ideias e propostas foram feitas pelos participantes durante o evento. Destacam-se as seguintes:

  • Integração de todos os setores da economia com a tecnologia:
  • Diminuir a Burocracia do Município para avaliar e aprovar projetos tanto os simples como os mais complexos.
  • Integração turismo e lazer.
  • Estimular novamente o setor moveleiro, que já foi destaque em Petrópolis
  • Apoio ao comércio no Bingen -foi sugerido formar uma associação dos comerciantes do bairro, como já acontece em outras ruas de Petrópolis (Rua Tereza e 16 de março).
  • Estimular o planejamento da cidade, como por exemplo, a formação de um Instituto de Planejamento;
  • Divulgar o destino Petrópolis de forma positiva para atrair mais turistas.
  • Atrair a Instalação de uma fábrica de bicicletas.

Em breve o IPG promoverá debates com outras temáticas importantes para o nosso cotidiano.

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO: FUNDAMENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Embora alguns setores ainda insistam que a legislação ambiental possa ser um entrave para o desenvolvimento econômico, o fato é que a realidade mostra o contrário. As Unidades de Conservação são um bom exemplo. Desde que foi criado o SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), as cidades onde estão estas unidades se beneficiam de diversos serviços ambientais, que são aqueles proporcionados pela natureza, como fartura de água, florestas e ar puro, e que acabam colaborando para impulsionar a economia local.

Recentemente Petrópolis, que possui vinte e duas áreas de preservação, quase oitenta por cento do seu território, se tornou a Capital Estadual das Unidades de Conservação, após a aprovação do Projeto de Lei nº 363/2023.

Mas quais as vantagens deste título para os moradores e como isto pode afetar o cotidiano? Para compreender melhor o assunto, o IPG conversou com três profissionais que conhecem bem a realidade das unidades de conservação:  Julian Kronemberger, montanhista e ambientalista, Jorge Tardan – Mestre em administração, analista de gestão da Fundação Osvaldo Cruz e pesquisador sobre serviços socioambientais – e Raquel Neves, presidente da Associação dos Guias de Turismo de Petrópolis.

Como surgiu a ideia do título?

Julian Kronemberger

A ideia partiu de Julian Kronemberger, que já foi entrevistado pelo IPG, e é um cidadão que está sempre dando sugestões para os legisladores, tanto para questões que envolvam o município, estado ou até mesmo o governo federal. Ele explica que só apresenta uma proposta quando percebe que há algo viável e para um mandato que tenha afinidade e conhecimento do assunto, independente do partido. “A minha intenção é só iniciar e depois quem administra é o gestor”, esclarece. Neste caso a proposta foi para o Deputado Yuri Moura, que junto com o Deputado Carlos Minc, apresentou o projeto aprovado em agosto na ALERJ. Julian também destaca que pensou no título “para prestigiar o trabalho das pessoas que cuidam das unidades de conservação e nem sempre são lembradas, como por exemplo, os guarda-parques, os brigadistas e os técnicos que fazem monitoramento de fauna”.

As Unidades de Conservação e a Economia local

Jorge Tardan

Floricultura, apicultura, agricultura orgânica de base familiar, turismo gastronômico, de aventura ou contemplação, cervejarias. Essas são algumas das muitas possibilidades para as unidades de conservação de Petrópolis, de acordo com o pesquisador Jorge Tardan, pois já possuem histórico neste bioma. Ele também sugere eventos para impulsionar a economia, “Poderia se pensar num festival da orquídea, por exemplo, alguma coisa que durasse um fim de semana, com atrações musicais, visitas guiadas às unidades de conservação da região.” Essas atividades só podem ser realizadas nas unidades de uso sustentável. Jorge lembra que “nas de proteção integral as atividades econômicas possíveis são bastante restritas, ou mesmo legalmente impossíveis, a depender do tipo”.

Raquel Neves

Em relação ao título, Julian acredita que é “É sempre muito vantajoso porque fomenta diversos setores da economia, como restaurantes, comércio, cervejarias, agropecuária. Raquel Neves, turismóloga, que trabalha na área há 17 anos também como Guia de Turismo credenciada, concorda e reforça que “a conquista deste título será importante para continuar a batalha pela preservação dos atrativos naturais e de nossas unidades de conservação. Sem dúvida, esse título poderá atrair mais público para Petrópolis, gerando mais permanência dos turistas aqui para realizar essas atividades, bem como estimular que as pessoas visitem os locais com profissionais que tenham conhecimento da região”. Jorge Tardan, pensa um pouco diferente.  Para ele “O título por si pouco contribui, mas a utilização publicitária dele pela governança municipal parece poder contribuir para alavancagem da economia local”. Mas teme que “sem a introjecção por parte dos governos da relevância natural e paisagística a que este título remete e a consequente criação de políticas públicas orientadas por esta consciência, que esta lei se torne não mais que um título honorífico”.

Como funciona na prática?

Os moradores podem se beneficiar dos serviços ecossistêmicos de diferentes formas. Jorge citou os seguintes exemplos:

  • Controle do clima feito pelas florestas, que impede eventos extremos, como ondas de calor.
  • A manutenção das condições de respirabilidade do ar porque grandes áreas verdes garantem a qualidade de ar atmosférico local, o que leva a menores incidências de atendimentos médicos por alergias ou outras afecções respiratórias quando comparadas a áreas poluídas.

O turismo, sem dúvida, é um dos setores mais beneficiados pela criação de UCs. Raquel Neves, frisa que “Petrópolis por ser um local de belezas naturais, sempre atraiu as pessoas para cá”. Julian explica que, além de aumentar o número de visitações nas Unidades onde são permitidas visitas, o título facilita “incrementar um ecoturismo consciente que gera empregos verdes, como guias de turismo, pousadas simples não só para montanhistas, mas quem quer ter um lazer próximo à natureza.”  E o objetivo do título é “firmar um compromisso não só de criar mais UCS. mas de manter as atuais”. Raquel reforça que o título traz muito mais credibilidade e ressalta o encantamento dos turistas que visitam Petrópolis “pois além das belezas históricas, arquitetônicas, as belezas naturais se destacam e por isso muitos turistas retornam”. 

A possibilidade de ter uma fiscalização mais eficaz também é um benefício que o título pode trazer. “O poder público acaba tendo mais atenção, melhora a responsabilidade na conservação e manutenção da própria unidade e também do entorno, porque há um controle maior e evita desmatamentos e construções irregulares, que podem acabar em tragédias como as que ocorreram diversas vezes em Petrópolis.”, acredita Julian.

ICMS Verde

O aumento do ICMS verde é um ponto positivo que Julian e Jorge destacam, embora lembrem que ter várias Unidades não é o único requisito para receber mais desse imposto. Há critérios como saneamento básico, política de resíduos sólidos, entre outros.  Jorge acredita que “É necessário, talvez até mais do que criar novas UCs, investir nas existentes com ações de regularização fundiária, delimitação georreferenciada dos limites, planejamento operacional, fiscalização e guarda ambiental”.

Gestão participativa

A Lei do SNUC foi importante para introduzir e assegurar a participação da sociedade na criação das UCS, através de consulta pública e da gestão através de conselhos e o tema gestão participativa é um dos objetivos do IPG. Sobre isso, Jorge destaca que “Segundo a base de dados do MMA, há hoje em território nacional 2761 UCs (proteção integral e uso sustentável) distribuídas entre os diferentes entes federativos da nação. Destas, apenas 20,39% contam com conselho gestor instituído e plano de manejo elaborado. Considerando a política de desmonte na área ambiental levada a cabo nos últimos 4 anos, não há motivos para se acreditar que a participação popular que não era das mais expressivas tenha se ampliado”. Mas em sua experiência pode constatar que “A melhoria da participação e engajamento da população com as UCs, guarda relação intrínseca com a “apropriação” do território pela mesma”. Por isso, Julian reforça “a importância da Educação Ambiental nas UCs direcionada não só para as crianças, mas para os adultos, para que compreendam a importância do cuidado com a natureza”. Raquel ressalta que “O fato de continuar preservando esses locais, é algo muito importante. Nosso bioma agradece e as futuras gerações, também”.

Confira aqui a entrevista, na íntegra do pesquisador Jorge Tardan.

Entrevista a Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação – IPG

Foto UC Mona: Julian Kronenberguer

IMPORTÂNCIA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O ESPORTE EM PETRÓPOLIS

Quando pensamos em políticas públicas quase sempre nos lembramos de ações relacionadas à saúde, à educação e à economia. Raramente o esporte é citado de imediato. Mas ter uma política pública voltada para este setor também é importante para a sociedade.

Para entender melhor como devem ser essas políticas e como elas beneficiam a população, o IPG conversou com o Profissional de Educação Física Renato Farjalla, que possui mais de trinta anos de experiência nesta área. Formado pela UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), em 1989. Renato é Mestre em Inovação Institucional em Educação Física Esportes e Lazer, pela Universidade Gama Filho, e Doutor em Ciências do Desporto pela Universidade Trás os Montes e Alto Douro, Portugal. Renato também já atuou como pesquisar responsável pelo Laboratório de Atividades Físicas, Esportes e Lazer na Unesa, entre 2005 e 2018, e atua nos Conselhos Municipais do Idoso e do Esporte.

Sempre envolvido em estudos e projetos sobre políticas públicas para o Esporte em Petrópolis, Renato é autor de estudos sobre perfil de usuários, impacto de programas públicos e privados na saúde, educação, turismo, mobilidade da cidade de Petrópolis.

De acordo com Renato, uma prova da importância de implementar políticas para o esporte é que “cada unidade de real investida em política pública de esporte e lazer, chega-se a economizar mais de quatro reais na área de saúde”.  

Quer saber mais?

Confira a entrevista.

IPG: Qual a importância das políticas públicas para o esporte no cotidiano da população?

RF: As Políticas Públicas são um modo de atuação e gestão da administração, que o governo imprime durante ciclos de governança, seu ciclo político. Existem as políticas públicas de governo e as de Estado, dentro da área do esporte. O cotidiano da população é tremendamente interferido, sofre interferências dessas políticas que são voltadas ao atendimento das necessidades da população. As políticas públicas são o Estado em Ação, o Município em Ação”.

IPG – Quais os reais benefícios para a saúde?

RF: Se sabe muito que o exercício é a medicina preventiva mais eficiente e barata que se tem conhecimento científico a respeito disso. Então, os benefícios à saúde são inúmeros porque as doenças crônicas não transmissíveis, por exemplo, como a obesidade, vêm do sedentarismo e do acúmulo de energia, ou seja, de comida. Todas as doenças cardiorrespiratórias, hipertensivas, tudo isso vem em função do sedentarismo, da pouca prática de atividade física sistemática ou ainda da falta de incentivos aos exercícios e às noções de autocuidado. A educação da população de uma cidade pouca amiga do exercício físico, pouca amiga da mobilidade ativa, das práticas regulares ou ainda a baixa qualificação da educação física nas escolas, cria um ciclo de sedentarismo e de aversão ao exercício até das próprias famílias que não incentivam seus filhos a participarem de exercícios ou a participar das aulas regulares, torna-se um círculo vicioso.

IPG – Na prática, como devem ser aplicadas essas políticas no Município? Já existem?

RF: No município essas políticas existem de uns tempos para cá. Está se profissionalizando, se qualificando. São políticas que vem desde quando a Secretaria (de Esportes) não existia. Vem de uma transição de uma coordenadoria para secretaria. Elas já existem e são voltadas, por exemplo, no atendimento das necessidades das populações, das reinvindicações das populações. Por exemplo, a rua de lazer na Barão do Rio Branco é uma reinvindicação da população. Projetos esportivos que atendem crianças no contraturno escolar também é uma reinvindicação antiga da população. Esses projetos existem, são feitos por exemplo, no CEI do Caxambu, num ginásio que tem verba federal, que serve exatamente para isso, aulas de educação física para as escolas do entorno e preencher o tempo livre da população.

IPG – O estilo de vida da maioria da população não colabora para que consiga praticar uma atividade esportiva. Então, você tem alguma sugestão de como motivar ou facilitar essa prática?

RF:Se tem uma cidade que não é amiga, que é potencialmente adversária das pessoas para que elas tenham uma boa mobilidade fisicamente ativa, ou seja, andem com segurança, possam usar bicicletas, isso dificulta a prática. Petrópolis está atrasada uns 50 anos na mobilidade, em relação a isso, gravemente. Na cidade prevalece o carro. Tem um carro para cada dois habitantes. Então, essa questão do estilo de vida ativo que chame as pessoas para uma atividade física, um exercício físico, que é algo mais intenso, em um lugar acessível isso tem que ser discutido, porque isso impõe um enorme custo ao erário público no tratamento das doenças. Então, o tratamento das doenças crônicas não transmissíveis como obesidade, hipertensão, diabetes, seriam minimizadas se houvesse uma cidade com estilo de vida mais ativo, que congratulasse a quem corre, quem anda, quem pedala, nada, a quem usa o ginásio público como uma forma de exercitar e manter sua saúde com consciência e educação, que tem haver com alimentação, com hábitos saudáveis.

IPG – Na sua prática, poderia dar algum exemplo de indivíduos (crianças e adultos) que passaram por alguma transformação ou benefício após aderirem ao esporte?

RF – Existem centenas de exemplos de populações que se tornaram mais ativas fisicamente. Temos exemplos de cidades, e até de Petrópolis mesmo, no início dos anos 2000 quando passou por um programa de iniciação desportiva promovido pela Prefeitura. Teve um aumento de aderência às práticas esportivas e às aulas esportivas. São exemplos de que as pessoas crescem e se desenvolvem através de políticas públicas regulares de baixo custo e de grande impacto na população. Então, são formas de fazer com que as pessoas tenham melhoria de qualidade de vida a partir do oferecimento que lhes é proposto. E um outro aspecto interessante é a própria rua de lazer que acontece aos domingos e feriados. Essa rua provocou o hábito de caminhar e muitas pessoas aferidas pelos seus médicos e em programas de pesquisas, tiveram redução da pressão arterial e o surgimento de um gosto esportivo, um gosto pela prática, que trouxe mais saúde.

IPG – Gostaria de citar mais algum ponto importante sobre essa política pública em Petrópolis?

RF: As Políticas Públicas de esporte e lazer na cidade estão amadurecendo, porque elas deram às mãos à Educação, que é a origem do esporte e lazer; à cultura, que é uma questão da compreensão de que o movimento é uma razão cultural, o esporte faz parte de uma cultura, e ao turismo, congratulando, por exemplo, os eventos esportivos que mexem um erário considerável de dinheiro, com as pessoas que vêm aqui e que fazem exercício e esporte, que gastam dinheiro, que fazem com que o ciclo do capitalismo que envolve o esporte, de lazer ou de desempenho, seja acrescido de um montante considerável. É muito importante que as políticas públicas sejam colocadas em Petrópolis com um caminho de cuidado com a população. É muito importante nós percebermos que Petrópolis depois da pandemia e de duas tragédias socioambientais seguidas, que ela precisa de cuidados, precisa cuidar da população e uma das ferramentas que cuida da população e combate o estresse e todas as mazelas, do sedentarismo, da depressão, em várias faixas etárias, desde crianças aos adultos, chama-se atividade física ou ESPORTE.

Renato Farjalla em algumas de suas práticas esportivas

Entrevista – Teresinha Almeida