O BRADO DE PETRÓPOLIS Pró-Gestão Participativa: ANO V – Nº 55

Boletim mensal dedicado à prática da Gestão Participativa – 15 de Julho de 2018

1º BRADO: UTOPIA MUNICIPAL – 1º CENÁRIO

De repente, em alguns dos 5.570 Municípios brasileiros, uma lufada de loucura do bem arrebata alguns prefeitos em curso de mandato. Percebem o descalabro à sua volta, a gerar um mundo chapa-branca moribundo por diagnóstico de corporativismo galopante, agravado por um quadro de hegemonia partidária fatal. Pessoas de bem que ingressaram na política por idealismo constatam que se tornaram feitores da exploração de comunidades inteiras, para satisfaze a ganância de alguns e a falta de consciência cívica de tantos. Elegeram-se para mudar o mundo, e são soldados do exército multipartidário da mesmice predadora. Aqui e ali, multiplicam-se exemplos de prefeitos (as) que “chutam o balde” dos partidos que ordenham a população. Do alto das margens de seus riachos ipirangas, açudes, rios ou costões que mergulham no mar, bradam “Sou prefeito do povo, não de uma sigla! E nesta condição agirei doravante!”.

2º BRADO: UTOPIA MUNICIPAL – 2º CENÁRIO

De repente, em alguns dos 5.570 Municípios brasileiros, um vereador sobe à tribuna ou ocupa o parlatório, e convida a maioria dos edis que compõem a Casa do Povo local a ser exatamente isto que não são: a Casa do Povo. Em vez de buscarem o seu bem-estar e a satisfação das patotas que lhes trouxeram até este nicho dourado, convida os seus pares a servir o povo. O povo, que deveriam representar desde o primeiro dia, e que logo foi reduzido ao papel de patrocinador da festa onde não pode entrar. O povo que deve cumprir leis e pagar taxas, votar em quem lhes é empurrado goela abaixo, e que recebe em troca pífios serviços públicos apresentados como benesses concedidas por este ente generoso chamado Poder Público.

3º BRADO: UTOPIA MUNICIPAL – 3º CENÁRIO

De repente, em alguns dos 5.570 Municípios brasileiros, o presidente do Sindicato dos Servidores locais, pede a palavra na reunião do Conselho Diretor e declara que acordou no meio da noite por força de um pesadelo. Imerso no sono, se vira conversando com alguns conhecidos e conhecidas da cidade que lhe pediam para definir se o seu papel era o de defensor dos interesses corporativistas de uma categoria, mesmo se às custas da comunidade inteira, ou se entendia ser um membro da comunidade encarregado de assegurar a justiça e a harmonia entre os servidores e o povo. E começara, no sonho, a chorar, ao reconhecer que lutava apenas pelos interesses de sua categoria, pouco lhe interessando os ônus, necessários ou insuportáveis e injustos, que seus esforços acarretavam para a comunidade de onde todos os seus filiados provinham. Sabia ele que o regime de previdência própria tornara-se um sistema de exceção, custeado à razão de dois terços por verbas públicas, formadas por impostos e taxas de quem jamais poderia gozar das mesmas venturas. Reconhecia que os interesses dos seus filiados deviam levar em conta os do povo ou todas as “conquistas” alcançadas implicavam, ao fim e ao cabo, na falência do seu próprio povo, sinônimo da falência de sua própria classe… E neste momento acordara em lágrimas, pois não enxergara antes o absurdo em que se metera.

4º BRADO: UTOPIA MUNICIPAL – 4º CENÁRIO

Prefeitos, vereadores e lideranças sindicais de servidores de alguns dos 5.570 Municípios brasileiros se encontram à volta de mesas ou instalados em auditórios, convencidos que o modelo da hegemonia dos partidos – construído por quase todos, fora três ou quatro – já tinha levado as suas comunidades a deslizar, barranco abaixo, em direção ao desastre final. Era hora e vez do brado de “BASTA!”, da reversão de expectativas, do cumprimento do Princípio Fundamental da Constituição Federal, que as maiores Autoridades do País ignoravam todos os dias da semana: “Todo o poder emana do povo que o exerce por meio de representantes (dele, povo, adendo nosso) eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. A representação se dá por meio dos partidos, mas não é dos partidos, e sim do povo. A César o que é de César, a Deus o que é de Deus; aos representantes do povo o que lhes cabe, ao povo o que a Constituição assegura. Mas que foi surrupiado.

5º BRADO: FAZENDO O CERTO NOS MUNICÍPIOS

Tão fácil! Apenas cumprindo a Leis fundamentais e corrigindo os enxertos lá colocados pelos partidos do “pró-grana”. Se os representantes são do povo, não cabe aos partidos ditarem com exclusividade em quem se pode votar. Se todo o poder emana do povo, e se este o exerce por meio de representantes eleitos para mandatos de quatro anos, o que excede os quatro anos é parte de um poder que o povo não delegou. E a isto se chama de planejamento estratégico, de longo prazo (20 anos); ao povo, diretamente, cabe dizer para onde quer rumar, e não a administradores de quadriênios. Pombas, a lógica não morreu, mesmo se foi engavetada ou usurpada pelos Poderes! Deve-se cumprir TODA a Constituição, e não apenas os artigos e parágrafos que interessam aos poderosos. Por exemplo, por que sumiu o texto do art. 5º, XX: “ninguém será compelido a associar-se ou a permanecer associado”? Ou há diferença entre “associado” e “filiado”?

FLAGRANTE DA CAMPANHA ELEITORAL

Philippe Guédon * (Texto escrito por Guédon em 03 de outubro de 2020)

Foi-me contado o episódio por um empresário visitado por pequena comitiva à volta de um de nossos candidatos a prefeito, todos pessoas simpáticas e do bem.

O grupo começava a cumprir o seu programa de visitas com o objetivo de apresentar as linhas mestras de seu programa de trabalho para o quadriênio. Logo após as apresentações e as gentilezas de parte à parte que são usuais na abertura de tais encontros, os visitantes começaram a argumentar a respeito dos pontos de seu projeto de ação que mais de perto deveriam interessar o visitado, quando este, de modo bem humorado e respeitoso – como cabia – pediu para fazer uma pequena intervenção. O candidato e seus companheiros aquiesceram, e o empresário disse-lhes o seguinte:

“Não seria justo nem cortês que eu ouvisse com fingida atenção o que os caros amigos estão aqui me detalhando. Pois, vejam, vieram aqui apresentar uma candidatura a prefeito municipal e me informar sobre as linhas mestras dos pontos que pretendem desenvolver, em caso de vitória nas urnas, e para que eu transmita as informações aos meus companheiros de empresa e de entidades de classe às quais possa pertencer. Por favor, quero pedir-lhes que atentem para um ponto que talvez venha a lhes ser útil em sua campanha.

Nem eu, nem meus companheiros de trabalho profissional, baseamos o nosso planejamento conforme o ritmo das transições de Governos. Pois estas são quadrienais e desconheço uma única empresa que se contente em viver no curto prazo e, mais sério ainda, se sujeite à mudanças de rumo relevantes, incompatíveis com o planejamento privado. Empresas e famílias precisam de continuidade e rejeitam mudanças de rumo bruscas. Levantar um galpão, lançar um produto, colocar um filho numa Faculdade, são alérgicos às guinadas de cunho administrativo público. Os partidos podem conviver com elas, mas as suas fontes de financiamento são diversas das privadas.

Também detalhamos muito mais os nossos passos à frente do que vi os seus antecessores fazerem nos documentos “É tempo de participação”, “É bom viver aqui”, “Petrópolis vai ser feliz”, “Cidade Saudável, viva e sustentável” ou “Um novo caminho”. Que, vejam, nunca mereceram uma avaliação posterior. Imaginem, peço-lhes, se a nossa empresa tivesse tido de mudar cinco vezes de rumos e metas nestes últimos vinte anos, sem compararmos projeções e realidades. Nenhum cotista ou acionista o aceitaria. Mas é praxe na vida partidária.

Perdoem, por favor, o que pode soar como pretensão. Pensei que vocês viriam aqui me pedir o que desejávamos fosse feito pelo próximo Governo em apoio ao nosso trabalho. A visita dos amigos me faria assim pleno sentido, e eu lhes entregaria um exemplar do Plano Estratégico de Petrópolis com horizonte a vinte anos, o PEP 20, de cuja redação participamos ativamente nos três últimos anos, levando à equipe de trabalho os nossos anseios a harmonizando-os com os de outros segmentos.

Pensei que vocês desejavam ser, por quatro anos, os administradores da vontade popular. Asseguro-lhes que ainda é tempo de refletir a respeito. Ficarei feliz se voltarem com esta visão diversa, que privilegia a população e suas perspectivas. OK?”

25 MEDIDAS A FAVOR DO POVO

Philippe Guédon

01)  Acordar do sono induzido os Fundamentos, Princípio Fundamental, Direito Fundamental XX e meios de exercício da Soberania Popular (CF).

02)  “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos” ; onde são citados os partidos-atravessadores? (CF, art. 1º, § ún.).

03)  O monopólio partidário (CF, art. 14, §3º, V) confronta o “pluralismo político” (art. 1º, V) e é, pois, inconstitucional.

04)  O pluralismo político (todas as correntes) Fundamento V da República, não é sinônimo de pluripartidarismo (CF. art. 17), como entenderam as legendas.

05)  CF, art. 5º, XX: “ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado”; qual outra acolhida aos avulsos pode ser requerida? (CF, art. 14, §3º, V)?

06)  A Cidadania é Fundamento II da República sem definição nem direitos (CF, art. 1º, II).

07)  Cidadania é o direito da iniciativa de planejar o seu Município.

08)  Dentre os maiores partidos, MDB, PSDB, DEM e PP foram criados por leis de exceção. As normas valeram para os outros.

09)  O Brasil é uma Federação de entes autônomos (União, Estados/DF e Municípios); na contra-mão, os partidos são nacionais com sedes em Brasília e suas diretrizes atropelam autonomias.

10)  Partidos estaduais são patamares federativos indispensáveis para acesso e decesso do âmbito nacional, e reforçam a vida política local hoje refém de Brasília.

11)  Vereadores profissionais de Municípios com menos de 500.000 habitantes têm custo / benefício ruim; preferível avulsos sem custos.

12)  Por que a Câmara nega o Ouvidor do Povo?

13)  O Estatuto da Cidade (Lei 10.257/01) invade a autonomia municipal ao legislar sobre cidades (182/3).

14)  A responsabilidade pelos erros cometidos em qualquer dos três Poderes deve ser igual à hoje imposta aos membros do Executivo.

15)  “Todo o poder emana do povo”: pois sim, já foram promulgadas 107 Emendas à CF (PECs) e só convocaram um plebiscito e um referendo.

16)  Os mandatos proporcionais (art. 14, §3º, V) não podem ser dos partidos pois já pertencem ao povo (Princípio Fundamental, CF, art. 1º, § Ún.).

17)  As fundações das siglas custam 20% do Fundo Partidário pago pelo povo e não lhe retribuem com qualquer serviço.

18)  Se cada um dos 16,5 milhões de filiados a partido, que participa do monopólio eleitoral, pagasse mensalidade de 2 passagens de ônibus, os demais 131 milhões de eleitores (e os que não podem votar) implodiriam os dois Fundos vergonhosos.

19)  Será voto direto o sistema onde 11% dos eleitores dita aos outros 89% em quem se pode votar?

20)  Pluralismo político abriga todas as doutrinas; aqui, temos 33 legendas, 4 são comunistas democráticas e a maioria das outras é oportunista.

21)  Monopólio eleitoral é antônimo do pluralismo político; ambos estão na CF.

22)  Mandatos eletivos são de 4 ou 8 anos; dirigentes de partidos podem ser eternos.

23)  Sem avulsos, não há pluralismo político nem democracia.

24)  A democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo; o nosso modelo é isso mesmo, com partidos no lugar de povo.

25)  Nenhum órgão controla nosso processo legislativo.

segunda oficina do projeto de pesquisa “Cartografia do Ecossistema de Inovação Social de Petrópolis” reuniu organizações de assistência social

Dez organizações de Petrópolis ligadas às áreas de assistência social e dos direitos da criança e do adolescente participaram, na última semana, no dia 19 de agosto, da segunda oficina proposta pelo projeto de pesquisa “Cartografia do Ecossistema de Inovação Social de Petrópolis”. O projeto parte de uma abordagem da área de políticas públicas que entende que são os agentes sociais, as pessoas que estão nos territórios, nas comunidades, vivendo o cotidiano dos problemas públicos da cidade, as pessoas mais indicadas para encontrar soluções para esses problemas. O coordenador, Gustavo Costa, e os pesquisadores Carla Magno e Reginaldo Braga Jr. têm trabalhado no mapeamento e no reconhecimento da rede de organizações, entidades, coletivos, grupos (formais e não formais) que se mobilizam para buscar e/ou propor soluções inovadoras para problemas públicos da de Petrópolis. São essas soluções que são chamadas de inovações sociais.

Durante a oficina, além de um panorama mais detalhado da base teórica da pesquisa, foi apresentado um protótipo da plataforma digital que está sendo desenvolvida para funcionar como uma ferramenta pública, colaborativa, que ajude na dinamização e no fortalecimento da rede de iniciativas de inovação social, facilitando a troca e a interação entre elas. “Estamos mapeando e buscando conhecer todas as iniciativas que identificamos como iniciativas de inovação social com o objetivo de reconhecer essa rede e alimentar essa plataforma para que ela possa, de fato, colaborar com o enfrentamento aos problemas públicos da cidade. Com ela no ar e com a ampliação do número de iniciativas cadastradas, a ideia é que as próprias iniciativas que se entendam enquanto iniciativas de inovação social se cadastrem e a plataforma passe a funcionar de forma mais orgânica”, ressalta Carla.

Para mapear esses agentes sociais e as iniciativas em que muitos deles estão organizados, a equipe de pesquisadores utilizou, como um dos pontos de partida, por exemplo, a base de dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre organizações da sociedade civil e também estudou o território de Petrópolis, produzindo alguns mapas para que, posteriormente, seja possível entender como as iniciativas e sua disposição na cidade dialogam com a dinâmica territorial do município. Dinamizar a rede de iniciativas de inovação social pode facilitar a mobilização e a organização diante das esferas de poder e, consequentemente, favorecer o surgimento de mais iniciativas do tipo, ou seja, mais ideias de soluções para os problemas públicos de Petrópolis.

“Nossa instituição estava muito ansiosa para conhecer mais sobre a pesquisa, e a oficina foi extremamente esclarecedora. A ideia de reconhecer essa rede e promover interações e conexões entre as iniciativas é incrível. A possibilidade de identificar, por meio da plataforma, outras iniciativas que atuam na mesma causa e enfrentam os mesmos desafios é muito interessante. Isso nos permite iniciar um diálogo para resolver conjuntamente esses problemas, promovendo uma colaboração mútua e eficaz”, comentou Monique Boechat, que compareceu à oficina representando a Renovar, associação que presta assistência a crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade social na cidade desde 1998.

O projeto de pesquisa é uma parceria entre o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Instituto Phillipe Guédon (IPG) e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Presente na oficina, o presidente do IPG, Cleveland Jones, destacou que o evento foi um marco no andamento do projeto EIS Petrópolis, deixando evidente que os objetivos estão sendo alcançados. Cleveland apontou para a organicidade de engajamento dos setores da sociedade envolvidos com inovações sociais no projeto a partir dos movimentos dos pesquisadores, indicando um potencial cada vez maior de iniciativas envolvidas. “A condução da oficina pelo professor Gustavo Costa e pela pesquisadora bolsista Carla Magno contou com uma grande participação de entidades e indivíduos atuantes no campo de assistência social e dos direitos da criança e do adolescente. Os resultados do projeto certamente trarão grandes benefícios para os atores que já fazem parte do ecossistema de inovações sociais, e deve alavancar as ações e os resultados das diversas e dispersas iniciativas, que muitas vezes ficam restritas a uma atuação individual. Como representante do IPG, proponente do projeto, fiquei muito satisfeito ao observar que os participantes entenderam e se empolgaram com o potencial da plataforma que o projeto pretende desenvolver e oferecer à sociedade”.

Interessados em participar da pesquisa devem acessar o formulário diretamente pelo link https://forms.gle/1ajDfwrbmxkN4my76.

Petrópolis deve ganhar plataforma colaborativa para favorecer a participação popular na busca por soluções para os problemas públicos da cidade

A primeira oficina do projeto “Cartografias do Ecossistema de Inovação Social de Petrópolis” aconteceu, nesta quarta-feira, 03 de julho, no Cefet Petrópolis.O projeto do Instituto Philippe Guédon (IPG) é uma parceria do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ) e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), tem trabalhado na pesquisa de reconhecimento da rede de organizações, entidades, coletivos, grupos (formais e não formais) que se mobilizam para buscar e/ou propor soluções inovadoras para problemas públicos da cidade. São essas soluções que são chamadas de inovações sociais.

Ramiro Farjalla

Representando o IPG, o Vice-Presidente, Ramiro Farjalla, destacou que “a parceria com o IPG tem como o principal propósito o uso da plataforma para impulsionar o PEP20 porque é o espaço de iniciativas sociais para empoderar a sociedade civil organizada e que a inovação social está inevitavelmente aliada ao digital para fortalecer a cultura da participação cidadã ou cidadania participativa nos dias atuais e para as gerações presente e futuras.”.

Na oficina, o coordenador do projeto, professor Gustavo Costa, e os pesquisadores Reginaldo Braga Jr. e Carla Magno falaram um pouco sobre a abordagem teórica de políticas públicas que sustenta a pesquisa, apresentaram um protótipo da plataforma digital que está sendo desenvolvida para funcionar como uma ferramenta pública, colaborativa, e contaram como tem sido o trabalho de estudo e mapeamento da rede de iniciativas de inovação social e seus atores de suporte. “Na década de 90, um teórico chamado Frank Fischer propõe uma virada argumentativa das políticas públicas, que é a ideia de pensar as políticas públicas a partir dos agentes sociais situados no território. Então, basicamente, o que ele diz é que o Estado tem especialistas que pensam as políticas públicas de cima para baixo e esses especialistas do governo estão muito afastados dos problemas públicos, o que faz com que nem sempre a interpretação deles seja adequada para resolvê-los. Por outro lado você tem, na sociedade, organizações ou indivíduos que estão lidando com os problemas públicos cotidianamente, pensando soluções para esses problemas públicos e agindo sobre eles”, explicou Gustavo.

Gustavo Costa

Para mapear esses agentes sociais e as iniciativas em que muitos deles estão organizados, a equipe de pesquisadores utilizou, como um dos pontos de partida, por exemplo, a base de dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre organizações da sociedade civil e também estudou o território de Petrópolis. “Dentro desse processo de preparação, desse trabalho inicial do planejamento do campo, a gente produziu alguns mapas até para entender, em uma etapa posterior, como é que essas inovações sociais dialogam com a dinâmica territorial do município”, comentou Reginaldo.

As informações sobre as iniciativas de inovação social, o perfil, a localização, as causas e as regiões em que atuam e de que forma agem são recolhidas a partir de um formulário, o que permite que os próprios agentes sociais possam cadastrar suas iniciativas e que a plataforma, futuramente, seja alimentada de forma orgânica e colaborativa. Por meio da produção de mapas e gráficos que vão cruzar essas informações, os pesquisadores pretendem, com essa ferramenta pública, produzir e disponibilizar conhecimentos que permitam dinamizar as trocas e interações entre as iniciativas e fomentar as inovações sociais, facilitando a mobilização e a organização diante das esferas de poder e, consequentemente, favorecendo o surgimento de mais iniciativas do tipo, ou seja, mais ideias de soluções para os problemas públicos de Petrópolis. No atual estágio da pesquisa, os pesquisadores têm agendado entrevistas diretamente com as iniciativas já mapeadas para aplicação do formulário, de forma que a ferramenta contenha uma base minimamente robusta de dados.

Interessados em conhecer e participar da pesquisa podem entrar em contato pelo email eisp@ippur.ufrj.br ou acessar o formulário diretamente pelo link https://forms.gle/1ajDfwrbmxkN4my76.

ACEP e IPG firmam parceria para novos projetos em Petrópolis

Uma combinação perfeita”. Assim Roberto Musser definiu a parceira da ACEP com o IPG. Responsável por articular a parceria, Roberto acredita na importância de “incorporar as visões das duas organizações com o compromisso do desenvolvimento sustentável de Petrópolis. Por um lado com a gestão social participativa e por outro na criação de um ambiente favorável aos negócios”.

A parceria foi formalizada em junho e de acordo com o Presidente do IPG, Cleveland Jones, “é uma demonstração de uma colaboração que pode beneficiar ambas as partes, e ampliar a oferta de serviços úteis aos empresários e à sociedade, fortalecendo o ambiente de negócios no município e ajudando a melhorar a qualidade de vida dos petropolitanos.”
Cleveland acrescentou que “o IPG está muito satisfeito com a parceria celebrada, que reúne as competências da ACEP e do IPG em prol do desenvolvimento sustentável de Petrópolis”.

Além de ofertar novos cursos focados no conceito de ESG e outros, Cleveland destaca que esta união “também permitirá ao IPG continuar ampliando sua atuação para fortalecer a gestão participativa e promover um ambiente digno de uma cidade inteligente, um objetivo comum do IPG e da ACEP.”

A Presidente de Honra do IPG, Silvia Guédon, disse estar muito contente e afirmou que “a união de instituições como o IPG e a ACEP que possuem em suas diretorias pessoas bastante capacitadas, com uma trajetória de credibilidade, proporcionará a realização de grandes projetos”.

ENTREVISTA COM CARLA MAGNO

PESQUISADORA DO PROJETO EIS DESENVOLVIDO PELO INSTITUTO PHILIPPE GUÉDON

Conhecer a rede de interações e transações dos atores do Ecossistema de Inovação Social de Petrópolis é o objetivo do projeto de pesquisa “Cartografia do Ecossistema de Inovações Sociais de Petrópolis – EIS” que está sendo desenvolvido pelo Instituto Philippe Guédon (IPG). O projeto faz parte do programa pesquisador na empresa, da FAPERJ, que financia as bolsas para os profissionais que são encarregados de fazer a pesquisa, e conta também com a parceria do IPPUR (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional/UFRJ).

A jornalista e escritora carioca, Carla Magno, é uma das pesquisadoras do projeto, coordenado pelo Dr.Gustavo Costa. Formada em Comunicação Social pela PUC-Rio, trabalhou em diversos veículos de comunicação de Petrópolis. Mestre em Educação pela Universidade Católica de Petrópolis (UCP), Carla participa pela primeira vez de um projeto de pesquisa com este tema. Em entrevista ao IPG, descreveu as atividades que desenvolve e também explicou sobre a importância desta pesquisa para Petrópolis.

IPG – O Instituto Philippe Guédon foi a Instituição que submeteu este projeto a um edital da Faperj. Então, poderia explicar sobre a importância de uma Organização da Sociedade Civil dar estímulo e apoio a pesquisas?

CM – Graças a essa disposição do Instituto Philippe Guédon estamos conseguindo trabalhar o nosso olhar cuidadoso e atencioso para algo que é fundamental, que é o envolvimento da população em torno das decisões e das resoluções dos problemas que são públicos, sendo assim, que atingem a todas e todos cotidianamente. Acredito que isso já é um forte indicativo sobre a importância do estímulo e do apoio à pesquisa.

IPG – O que te motivou a participar deste projeto?

CM – Ao longo de toda a minha formação, desde que comecei a tomar consciência das formas sociais extremamente injustas que sustentam esta sociedade, senti a necessidade de participar das questões públicas e de buscar caminhos, não apenas para melhorar a vida da população trabalhadora, mas para envolver as pessoas que constroem a cidade diariamente nas decisões e debates sobre suas próprias vidas, decisões estas que estão, quase sempre, nas mãos de pouquíssimas pessoas, em geral, homens brancos que ocupam os espaços de poder. Este projeto tem um objetivo incrível e muito importante que é facilitar e promover a articulação popular em torno de problemas que atingem a todas e todos nós diante do abismo social que provoca um dia a dia de luta por sobrevivência e não de vivência. Foi isso que me motivou a participar.

IPG – Qual as atividades que você desenvolve no projeto EIS?

CM – No momento estou trabalhando na parte de mapeamento de iniciativas que se encaixam no perfil das inovações sociais, assim como de seus atores de suporte, comunicação, agendamento e realização das entrevistas de cadastro. Também começo a produzir material para comunicação com a imprensa e organização de oficinas.

IPG – Quais os setores da sociedade serão mais beneficiados? Explique o porquê e quais esses benefícios.

CM – Qualquer setor que procure se organizar em torno de problemas públicos será beneficiado pelo projeto, porque ele pretende oferecer uma ferramenta de estímulo à articulação e à participação popular. Entre os benefícios que ele pode oferecer, através da plataforma digital em desenvolvimento, de perfil colaborativo, está o fortalecimento em torno das mesmas lutas com o reconhecimento de iniciativas com propósitos semelhantes; o contato com atores de suporte para apoio, financeiro ou não; a robustez na hora de demandar soluções e ações diante do poder público; ou seja, o benefício da dinamização da organização popular e da possibilidade de se criarem mais iniciativas de inovação social. Essa ferramenta pode estimular melhores práticas de transparência, participação social e gestão de informações. Conectada com uma base cartográfica, a plataforma terá a capacidade de gerar múltiplas leituras espaciais do conjunto de relações que compõem a rede do EIS, conectando suas expressões espaciais, temporais e informacionais. Além da cartografia, a plataforma pode abrigar dados e informações a respeito do EIS em diversas linguagens e formatos, como gráficos, diagramas, infográficos, dashboards, bancos de dados e mapas interativos, dentre outras formas de representação dessa complexa rede.

IPG – Qual a importância deste projeto para o município de Petrópolis?

CM – Petrópolis é uma cidade que, além de todos os problemas que já conhecemos, ligados à educação, à saúde, ao transporte, ao direito à moradia entre muitos outros, vem, mais recentemente, sofrendo com os efeitos das recorrentes alterações climáticas, muito por conta de um péssimo planejamento urbano e uma falta de atenção e de ações urgentes do poder público. Mesmo depois da inesquecível tragédia de 2022, quando terra e água levaram famílias inteiras e deixaram pessoas vivendo com esse trauma diário e com o medo de novos episódios como aquele, ainda não vemos um município preparado para lidar com as chuvas. A importância deste projeto está, justamente, em estimular e oferecer ferramentas para facilitar a organização e para incentivar a participação popular, diante deste cenário de urgência, em torno das decisões sobre nossas próprias vidas.

Entrevista à Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação – IPG

INSTITUTO PHILIPPE GUÉDON (IPG) APRESENTA PROPOSTAS PARA SECRETARIA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE

Nesta quinta-feira (22/02), o Instituto Philippe Guédon (IPG), representado por Silvia Guédon (Presidente de Honra), Cleveland M. Jones (Presidente), Maria Cristina Franca Melo, Roberto Musser, e Luís Carlos Dias de Oliveira, receberam na sede da ACEP (Associação Comercial e Empresarial de Petrópolis), junto com Paulo Marcos dos Reis (Presidente da ACEP), a visita do Secretário de Meio Ambiente de Petrópolis, Carlos Alberto, Secretário Municipal de Meio Ambiente e de Mauro Corrêa, técnico da Secretaria de Meio Ambiente.

No encontro, o Secretário relatou o histórico do Parque Natural Municipal Padre Quinha e dos projetos que a Secretaria apresentou para a reforma do casarão do parque e da construção do novo Pavilhão Oscar Niemeyer e também o que considera os possíveis impactos do Pavilhão Oscar Niemeyer no turismo, nas ações de Educação Ambiental e na imagem de Petrópolis.

O IPG reafirmou a sua posição apartidária em prol do debate amplo e livre e o compromisso com a promoção de políticas públicas construindo um ambiente de oportunidades para o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida em Petrópolis.

Em relação ao Pavilhão Niemeyer, o IPG mantém o seu entendimento de que existem assimetrias de informações e que o melhor caminho é o entendimento mútuo.

O IPG apresentou cinco propostas de projetos em temas considerados prioritários no entendimento da Secretaria de Meio Ambiente e serão desenvolvidas alternativas de parcerias com o IPG em projetos na área ambiental.