PETRÓPOLIS SUSTENTÁVEL – IPG PROMOVE MESA-REDONDA PARA DEBATER PRÁTICAS AMBIENTAIS

Reciclagem, bioconstrução, energia solar e eventos sustentáveis. Essas são algumas práticas ambientais que podem ser uma oportunidade para gerar emprego e renda e que colaboram para uma cidade ser mais sustentável.

Para compreender melhor o assunto e também quais práticas podem ser implementadas em Petrópolis, o IPG (Instituto Philippe Guédon) promove no próximo dia 14, às 18h30, na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) a Mesa-Redonda “Petrópolis Sustentável: práticas ambientais para empreender e gerar emprego e renda”.

Este é terceiro evento neste formato que o IPG realiza este ano. De acordo com o Presidente do IPG, Cleveland Jones, o objetivo da mesa-redonda “é pensar em propostas reais, concretas para os problemas da cidade. Queremos que os participantes apresentem soluções, ideias, não somente reclamações, pois os problemas de Petrópolis já conhecemos.”

Para facilitar a troca de ideias, o IPG convidou Antônio Nassif, produtor de eventos, Guilherme Mergener, engenheiro e empresário do ramo de energia solar, e Roberto Musser, Doutor em Ciências, Energia e Ambiente, para que falem um pouco sobre as práticas ambientais que já implementaram e que tiveram bons resultados para a economia local para, assim, estimular o público participante a contar suas próprias iniciativas e sugestões.

Podem participar do evento quem já implementa práticas ambientais que colaboram para a economia ou quem quiser conhecer mais sobre o tema para dar sugestões. Como nas outras mesas-redondas do IPG, os assuntos que forem abordados serão incluídos no PEP 20, Planejamento Estratégico para Petrópolis, documento com diagnóstico e ações para os próximos vinte anos e que é elaborado pelo IPG com a participação da sociedade civil.

PERFIL DOS FACILITADORES

Antônio Nassif – Graduado em Marketing e empresário com experiência de gestão em bares e boates. Também atua na produção de eventos para turismo, tecnologia e entretenimento, incluindo o recente festival Rock the Mountain, realizado em novembro em Petrópolis, que se destacou por trazer algumas práticas sustentáveis.

Guilherme Mergener – Oficial da reserva da Marinha, formado em engenharia mecânica e administração, atualmente é proprietário da Enge Sol Brasil Ltda, uma empresa multidisciplinar de engenharia, com ênfase na sustentabilidade e sistemas de energias alternativas, como a energia solar.

Roberto Musser – Engenheiro eletricista e Doutor em Ciências, Energia e Ambiente. Com larga experiência, trabalhou para grandes empresas em projetos de energia renovável, distribuição de energia elétrica e políticas públicas para o desenvolvimento sustentável. Atualmente é consultor e também professor nas disciplinas gestão estratégica, administração da produção e energia renovável

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO: FUNDAMENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Embora alguns setores ainda insistam que a legislação ambiental possa ser um entrave para o desenvolvimento econômico, o fato é que a realidade mostra o contrário. As Unidades de Conservação são um bom exemplo. Desde que foi criado o SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), as cidades onde estão estas unidades se beneficiam de diversos serviços ambientais, que são aqueles proporcionados pela natureza, como fartura de água, florestas e ar puro, e que acabam colaborando para impulsionar a economia local.

Recentemente Petrópolis, que possui vinte e duas áreas de preservação, quase oitenta por cento do seu território, se tornou a Capital Estadual das Unidades de Conservação, após a aprovação do Projeto de Lei nº 363/2023.

Mas quais as vantagens deste título para os moradores e como isto pode afetar o cotidiano? Para compreender melhor o assunto, o IPG conversou com três profissionais que conhecem bem a realidade das unidades de conservação:  Julian Kronemberger, montanhista e ambientalista, Jorge Tardan – Mestre em administração, analista de gestão da Fundação Osvaldo Cruz e pesquisador sobre serviços socioambientais – e Raquel Neves, presidente da Associação dos Guias de Turismo de Petrópolis.

Como surgiu a ideia do título?

Julian Kronemberger

A ideia partiu de Julian Kronemberger, que já foi entrevistado pelo IPG, e é um cidadão que está sempre dando sugestões para os legisladores, tanto para questões que envolvam o município, estado ou até mesmo o governo federal. Ele explica que só apresenta uma proposta quando percebe que há algo viável e para um mandato que tenha afinidade e conhecimento do assunto, independente do partido. “A minha intenção é só iniciar e depois quem administra é o gestor”, esclarece. Neste caso a proposta foi para o Deputado Yuri Moura, que junto com o Deputado Carlos Minc, apresentou o projeto aprovado em agosto na ALERJ. Julian também destaca que pensou no título “para prestigiar o trabalho das pessoas que cuidam das unidades de conservação e nem sempre são lembradas, como por exemplo, os guarda-parques, os brigadistas e os técnicos que fazem monitoramento de fauna”.

As Unidades de Conservação e a Economia local

Jorge Tardan

Floricultura, apicultura, agricultura orgânica de base familiar, turismo gastronômico, de aventura ou contemplação, cervejarias. Essas são algumas das muitas possibilidades para as unidades de conservação de Petrópolis, de acordo com o pesquisador Jorge Tardan, pois já possuem histórico neste bioma. Ele também sugere eventos para impulsionar a economia, “Poderia se pensar num festival da orquídea, por exemplo, alguma coisa que durasse um fim de semana, com atrações musicais, visitas guiadas às unidades de conservação da região.” Essas atividades só podem ser realizadas nas unidades de uso sustentável. Jorge lembra que “nas de proteção integral as atividades econômicas possíveis são bastante restritas, ou mesmo legalmente impossíveis, a depender do tipo”.

Raquel Neves

Em relação ao título, Julian acredita que é “É sempre muito vantajoso porque fomenta diversos setores da economia, como restaurantes, comércio, cervejarias, agropecuária. Raquel Neves, turismóloga, que trabalha na área há 17 anos também como Guia de Turismo credenciada, concorda e reforça que “a conquista deste título será importante para continuar a batalha pela preservação dos atrativos naturais e de nossas unidades de conservação. Sem dúvida, esse título poderá atrair mais público para Petrópolis, gerando mais permanência dos turistas aqui para realizar essas atividades, bem como estimular que as pessoas visitem os locais com profissionais que tenham conhecimento da região”. Jorge Tardan, pensa um pouco diferente.  Para ele “O título por si pouco contribui, mas a utilização publicitária dele pela governança municipal parece poder contribuir para alavancagem da economia local”. Mas teme que “sem a introjecção por parte dos governos da relevância natural e paisagística a que este título remete e a consequente criação de políticas públicas orientadas por esta consciência, que esta lei se torne não mais que um título honorífico”.

Como funciona na prática?

Os moradores podem se beneficiar dos serviços ecossistêmicos de diferentes formas. Jorge citou os seguintes exemplos:

  • Controle do clima feito pelas florestas, que impede eventos extremos, como ondas de calor.
  • A manutenção das condições de respirabilidade do ar porque grandes áreas verdes garantem a qualidade de ar atmosférico local, o que leva a menores incidências de atendimentos médicos por alergias ou outras afecções respiratórias quando comparadas a áreas poluídas.

O turismo, sem dúvida, é um dos setores mais beneficiados pela criação de UCs. Raquel Neves, frisa que “Petrópolis por ser um local de belezas naturais, sempre atraiu as pessoas para cá”. Julian explica que, além de aumentar o número de visitações nas Unidades onde são permitidas visitas, o título facilita “incrementar um ecoturismo consciente que gera empregos verdes, como guias de turismo, pousadas simples não só para montanhistas, mas quem quer ter um lazer próximo à natureza.”  E o objetivo do título é “firmar um compromisso não só de criar mais UCS. mas de manter as atuais”. Raquel reforça que o título traz muito mais credibilidade e ressalta o encantamento dos turistas que visitam Petrópolis “pois além das belezas históricas, arquitetônicas, as belezas naturais se destacam e por isso muitos turistas retornam”. 

A possibilidade de ter uma fiscalização mais eficaz também é um benefício que o título pode trazer. “O poder público acaba tendo mais atenção, melhora a responsabilidade na conservação e manutenção da própria unidade e também do entorno, porque há um controle maior e evita desmatamentos e construções irregulares, que podem acabar em tragédias como as que ocorreram diversas vezes em Petrópolis.”, acredita Julian.

ICMS Verde

O aumento do ICMS verde é um ponto positivo que Julian e Jorge destacam, embora lembrem que ter várias Unidades não é o único requisito para receber mais desse imposto. Há critérios como saneamento básico, política de resíduos sólidos, entre outros.  Jorge acredita que “É necessário, talvez até mais do que criar novas UCs, investir nas existentes com ações de regularização fundiária, delimitação georreferenciada dos limites, planejamento operacional, fiscalização e guarda ambiental”.

Gestão participativa

A Lei do SNUC foi importante para introduzir e assegurar a participação da sociedade na criação das UCS, através de consulta pública e da gestão através de conselhos e o tema gestão participativa é um dos objetivos do IPG. Sobre isso, Jorge destaca que “Segundo a base de dados do MMA, há hoje em território nacional 2761 UCs (proteção integral e uso sustentável) distribuídas entre os diferentes entes federativos da nação. Destas, apenas 20,39% contam com conselho gestor instituído e plano de manejo elaborado. Considerando a política de desmonte na área ambiental levada a cabo nos últimos 4 anos, não há motivos para se acreditar que a participação popular que não era das mais expressivas tenha se ampliado”. Mas em sua experiência pode constatar que “A melhoria da participação e engajamento da população com as UCs, guarda relação intrínseca com a “apropriação” do território pela mesma”. Por isso, Julian reforça “a importância da Educação Ambiental nas UCs direcionada não só para as crianças, mas para os adultos, para que compreendam a importância do cuidado com a natureza”. Raquel ressalta que “O fato de continuar preservando esses locais, é algo muito importante. Nosso bioma agradece e as futuras gerações, também”.

Confira aqui a entrevista, na íntegra do pesquisador Jorge Tardan.

Entrevista a Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação – IPG

Foto UC Mona: Julian Kronenberguer

INOVAÇÃO DIGITAL E MOBILIZAÇÃO SOCIAL: TEMAS DA APRESENTAÇÃO DO VICE-PRESIDENTE DO IPG NA LIVRARIA NOBEL

A segunda roda de conversa da Livraria Nobel, realizada dia 18 de maio pela empresa CTRL+Café, teve como destaque o vice-presidente do IPG (Instituto Philippe Guédon),Ramiro Farjalla. Advogado, especialista em Direito Ambiental e Mestre em Educação Ambiental pela UCP (Universidade Católica de Petrópolis), Ramiro baseou sua apresentação sobre sustentabilidade e inovação, na literatura de Yuval Noah Harari, em suas obras Sapiens, Homo Deus e 21 Lições para o Século 21.

De acordo com Ramiro, o autor destaca a capacidade do ser humano de criar
ferramentas para mudar a realidade no ambiente onde vive e fazer história, o que,
logicamente gerou impactos ambientais prejudiciais ao meio ambiente e a sociedade,tendo a pandemia como ápice. Ramiro explica que “para enfrentar os problemas contemporâneos, seja nas dimensões econômica, social e política, a humanidade vem criando nos últimos anos ferramentas nas áreas da legislação, educação e política para chegar à solução”. Entre as soluções Ramiro enfatiza a mobilização social, a gestão
participativa e o planejamento estratégico e acredita que por isso o “IPG é inovação,
porque o nosso PEP20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis ) é exemplo de
inovação social em que o instituto engaja a sociedade civil organizada para a construção de Petrópolis nos próximos 20 anos, no sentido de se tornar um município próspero e sustentável, onde oportunidade de trabalho, empreendedorismo e qualidade de vida são entrelaçados”.

Ramiro acredita que as rodas de leitura e de conversa são espaços importantes para desenvolver a cultura e a consciência da cidadania participativa, “tanto que a obra póstuma de Philippe Guédon foi citada no evento, como uma lição de cidadania, além do direito de votar e ser votado, onde cidadão precisa fazer parte do processo decisório da cidade onde vive. Os tempos atuais urgem da cultura participativa”. Por isso, segundo
o advogado, o IPG continuará estimulando a organização desses eventos e que o
próximo, também na Livraria Nobel, será realizado em breve e a data será divulgada
nas Redes Sociais do IPG.

Também estiveram presentes na roda de conversa, Cleveland Jones, Presidente do
IPG, e Gustavo Costa, Coordenador do Projeto “Ecossistemas de Inovações Sociais”, que está sendo desenvolvido pelo IPG.
Para conhecer melhor o PEP 20 acesse o link

“A bandeira do mestre Guédon está mais atual com o passar do
tempo”. Da esquerda para a direita (Ramiro Farjalla, Gustavo Costa e Cleveland)