Conversar sobre assuntos fundamentais para a coletividade podem ser discutidos de forma leve e descontraída. Assim foi a roda de conversa que o IPG (Instituto Philippe Guédon) promoveu na Livraria Nobel neste sábado (21/01). O tema, “Democracia e Cidadania”, foi inspirado no livro póstumo de Philippe Guédon “Um olhar cidadão para a Democracia Brasileira”. Na roda, os participantes puderam não só trocar ideias, mas também conhecer um pouco mais sobre quem foi Philippe Guédon.
A Presidente de Honra, Silvia Guédon, contou várias histórias sobre a atuação de Guédon em Petrópolis, como seu empenho na formação de associações de moradores, cooperativas de reciclagem e a fundação de um partido que depois ele mesmo teve coragem de sair porque o partido havia perdido compromisso com o bem comum. Silvia lembrou que foi ele quem formou a Frente-Pró Petrópolis após a tragédia do Vale do Cuiabá e que esta Frente que deu origem ao IPG.
O livro acabou inspirando outros assuntos como gestão participativa, formação dos partidos políticos, contestação do sistema, críticas a falta de ação do Poder Público, volta do orçamento participativo, mobilização social, e claro, o Planejamento Estratégico para Petrópolis (PEP 20), elaborado pelo IPG, também foi mencionado.
Quem já havia lido o livro também deixou sua opinião. Ramiro Farjalla, por exemplo, disse que na obra de Guédon “Há um olhar crítico para a situação atual e que ele faz um resgate do conceito de Democracia, do poder do povo para o povo”.
A Diretoria do IPG considerou o encontro um sucesso e acredita que são eventos assim que fazem com que o cidadão reflita sobre sua participação na sociedade.
Os interessados em conhecer melhor esta obra, já podem adquirir o livro na Livraria Nobel, que fica na Rua 16 de março, 399.
Silvia Guédon autografando o livroE ao lado de Sandra Madeira, proprietária da Livraria
Ecossistemas de inovações sociais. Este é o tema do projeto que o IPG (Instituto Philippe Guédon) submeteu ao edital da FAPERJ e que faz parte do programa pesquisador na empresa. O projeto foi aprovado e agora está na fase de contratação do pesquisador bolsista. Coordenado pelo petropolitano Gustavo Costa, Doutor em Políticas Públicas, tem como principal objetivo mapear o ecossistema de inovações sociais de Petrópolis, começa em janeiro e vai durar um ano.
Para entender melhor sobre o assunto vamos relembrar o que é ecossistema. O termo é o nome dado a um conjunto de comunidades que vivem em um determinado local e interagem entre si e com o meio ambiente, constituindo um sistema estável, equilibrado e autossuficiente*. Este conceito veio lá da biologia, mas também é usado em sociologia. De acordo com Gustavo, “o conceito de inovação social é bastante elástico, vem da sociologia crítica francesa e consiste em compreender como os diferentes atores sociais (associações, cooperativas, coletivos, movimentos sociais, grupos políticos locais etc.) interagem para produzir soluções inovadoras para problemas públicos e como essas soluções podem virar políticas públicas”. Já os ecossistemas de inovação são ambientes que promovem articulações para o desenvolvimento social e econômico. Gustavo cita como exemplo o Programa Cisternas do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), tecnologia social desenvolvida pelas famílias do semiárido brasileiro para armazenar água durante os períodos de seca e que se tornou uma política pública do Governo Federal instituída pela Lei Nº 12.873/2013. *www.oeco.org.br
A metodologia empregada para identificar os problemas públicos e as inovações sociais é diferente das formas convencionais de se fazer políticas públicas. Tradicionalmente, as políticas públicas foram entendidas como um modo de solucionar problemas “de cima para baixo”, isto é, “de um planejamento que parte das altas cúpulas do governo para a sociedade, esta, compreendida como polo passivo de uma intervenção previamente planejada. Segundo Gustavo, em geral, partem de alguma solução pré-concebida para um determinado problema. Com frequência, esta forma “top-down” de planejar não leva em conta a realidade local, as questões sócio-históricas que caracterizam os territórios, e muito dificilmente consideram as interpretações dos atores sociais situados no terreno e que lidam diretamente com os problemas públicos. Estes muitas vezes têm soluções mais simples, mais baratas e mais facilmente implementadas.
Abordagens mais recentes, de vertente crítica e abordagem pós-positivista, invertem esta relação, levam em conta os saberes locais e procuram compreender como os diversos atores em interação lidam com os problemas públicos e produzem soluções. É, portanto, uma forma de planejar as políticas públicas de baixo para cima, isto é, que parte da sociedade para o Estado.
Gustavo destaca que o conhecimento técnico dos especialistas não mais é suficiente para dar conta da complexidade dos problemas públicos atuais. “Os problemas públicos complexos da atualidade não podem mais ser resolvidos por soluções essencialmente técnicas. É necessário uma abordagem tecnopolítica para enfrentar os problemas públicos que enfrentamos hoje, como a questão do clima, por exemplo”. Na abordagem das inovações sociais, “a diversidade de interpretações e o conflito de ideias em relação aos problemas públicos são entendidos como algo natural e são encarados como positivos para o processo das políticas públicas. A inovação social advém das interações nas arenas públicas, considera as diferenças e valoriza os diversos conhecimentos dos atores engajados no enfrentamento e na produção de soluções para os problemas públicos”.
O envolvimento do IPG no projeto não foi por acaso. Gustavo acredita que este projeto pode dar uma contribuição para estimular a participação social na gestão pública. O PEP 20, Planejamento Estratégico para Petrópolis elaborado pelo IPG com representantes da sociedade civil também pode se beneficiar dos resultados do projeto. “O Instituto tem como foco a gestão participativa e esse mapeamento permitirá conhecer a rede de atores e apoiadores das inovações sociais em Petrópolis. Conhecer este ecossistema permitirá que os agentes públicos promovam ações no sentido de dinamizar não só a inovação social, mas também estimulem a participação social no processo das políticas públicas”, enfatiza. Além disso, “Petrópolis já possui um Polo Tecnológico orientado para o desenvolvimento de inovações empresariais e a promoção do desenvolvimento econômico, estimulando a geração de soluções inovadoras para os mercados. Este projeto pode contribuir também com o Serratec, ao abordar de forma mais ampliada a inovação, agregando as dimensões sociais e culturais do desenvolvimento, potencializando também as inovações sociais e soluções para problemas públicos com a participação de atores da sociedade”, acrescenta.
Para o Presidente do IPG, Cleveland Jones, participar de um projeto como esse “é de suma importância para Petrópolis e é também uma forma de dar continuidade ao trabalho de Philippe Guédon, pois a iniciativa realmente facilita a participação da sociedade, estimula a gestão participativa, como sempre sonhou Guédon”.
Conheça o Coordenador do Projeto – Gustavo Costa
Petropolitano, Doutor em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (IE/UFRJ), Diretor da Associação Nacional de Ensino, Pesquisa e Extensão do Campo de Públicas (ANEPECP), membro da International Public Policy Association (IPPA), Professor e Pesquisador do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ) no Programa de Graduação em Gestão Pública para o Desenvolvimento Econômico e Social (GPDES/IPPUR) e na Especialização em Gestão Pública (PPGPUR/IPPUR). http://lattes.cnpq.br/0152465744578116https://ippur.ufrj.brhttps://anepecp.org.br
Quando pensamos em fontes alternativas de gerar energia limpa logo vem à mente a energia solar. Essa energia renovável e, portanto, sustentável, tem atraído o interesse de empresas e também de cidadãos que querem colaborar com o meio ambiente, mas também reduzir custos.
Para entender melhor sobre esta questão, o IPG entrevistou dois especialistas que fazem parte do GT de meio ambiente do IPG: Massami Saito e Guilherme Mergener.
Confira!!!
O interesse em estudar as fontes de energia alternativas acabou fazendo com que o engenheiro mecânico Guilherme Menerger se encantasse pela tecnologia envolvida na implementação de energia solar e assim desde 2017 está no mercado instalando painéis em todo o Brasil com a sua empresa Engesol. Já a gestora ambiental Massami Saito sempre esteve ligada à preservação do meio ambiente, atua na área desde 2012 e atualmente é coordenadora de gente e gestão da ONG Revolusolar.
A imediata economia financeira é uma das vantagens da energia solar. Segundo Guilherme é uma questão de custo/benefício. “Particularmente eu considero um excelente investimento. É um sistema que se paga em menos de quatro anos e irá gerar uma economia de 90% do valor de consumo por no mínimo 25 anos. Dependendo do consumo, com a economia você pode trocar de carro ou comprar imóveis”. O engenheiro também destaca que o custo está totalmente atrelado ao consumo, “nas instalações com consumo médio de 500KWh/mês, é de aproximadamente 40 vezes o valor da conta, por isso dizemos que o retorno é de menos de quatro anos de consumo. Nas instalações menores, o tempo de retorno é um pouco maior, pois a economia deve descontar a tarifa mínima da concessionária, que num sistema trifásico está em R$ 120,00. Imagine gastar R$ 18.000,00 num equipamento e mão de obra e economizar apenas R$ 150 ou 200,00/mês, você vai precisar de 100 meses para recuperar o investimento”. Guilherme recomenda que neste caso “os consumidores estudem uma melhor forma de economizar ou realizar a obra por uma consciência ambiental, sem se importar com o investimento”.
Como a implementação da energia solar requer um bom investimento parece um sonho distante para comunidades de baixa renda. Mas, este cenário está mudando. A ONG Revolusolar, onde Massami atua, sediada no Morro da Babilônia (Leme/RJ), trabalha com projetos que levam energia solar à essas comunidades através de um modelo de cooperativa solar. A Ong, que surgiu há sete anos, está aprimorando a metodologia de trabalho, chamada de “Ciclo Solar” para que seja replicável. “Como implantamos usinas de energia solar, creio ser possível replicar a experiência em Petrópolis, mesmo que, aparentemente, tenhamos uma incidência solar menor do que no Rio de Janeiro”, explica Massami. Em relação aos custos destes projetos e ela não pode adiantar “pois cada projeto tem características e dimensões próprias e que precisam de patrocinadores”, mas afirma “que sempre será mais vantajoso e educativo o uso de energia solar, como medida de redução de custo, bem como de transição energética e se o poder público tiver interesse e disponibilidade de recursos, pode ser patrocinador do projeto”, destaca.
O Marco Legal da Geração Distribuída, que foi sancionado em janeiro deste ano, determinou que consumidores produtores de energia solar passem a pagar pela Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD).Quem fizer a instalação de energia solar até 6 de janeiro de 2023 será isento de encargos pelos próximos 23 anos. Quem fizer depois desta data, já perderá esta isenção. Será que isso poderá desestimular os consumidores?
Guilherme acredita que “a revogação da isenção da tarifa de uso do cabeamento da concessionária, é justa e não irá interferir de forma significativa os consumidores médios ou grandes, mas pode inviabilizar as instalações de baixo consumo”. Para Massami “A “taxação do Sol”, como tem sido chamada, irá aumentar os custos totais e aumentar o prazo do payback (retorno do investimento), além de “afugentar” outros possíveis interessados, sobretudo os mais pobres”.
Esta questão ainda não está definida. Ainda tramita na Câmara Federal o projeto de lei 2703/2022 que tem por objetivo de acrescentar doze meses ao prazo em que pode ser protocolada solicitação de acesso na distribuidora sem que sejam aplicadas novas regras tarifárias menos vantajosas às unidades.
Como incentivar o uso da energia solar?
“Creio que uma maior informação sobre o sistema, principalmente para arquitetos, engenheiros e formadores de opinião. Vejo muito preconceito e falta de informação para esses profissionais, que são nossos principais clientes”. Guilherme Menerger.
“Projetos de usinas/cooperativas solares podem ser bem interessantes, pois dividem os custos com coletivos de moradores, assim a conta fica mais leve para o consumidor. Pensar soluções como essas é um bom caminho. Condomínios podem propor soluções nessa linha. Comprar as placas de forma coletiva é bem mais interessante do que individualmente” (Massami Saito)
COMO FUNCIONA O SISTEMA DE ENERGIA SOLAR?
O sistema de energia solar pode ser instalado em qualquer local ensolarado. De acordo com Guilherme, “existe a opção de sistemas híbridos, onde você pode armazenar energia em baterias, para os casos de quedas da energia pública”. Mas, áreas com sombreamento ou construções sem área disponível não são apropriadas.
A geração é feita pela reação da luz incidindo nos átomos de silício, essa reação gera excitação dos elétrons, que são instáveis e começam a migrar de átomos e geram a energia. Os módulos atuais têm uma maior capacidade de rendimento, com isso a quantidade de luz necessária pode ser um pouco menor, para gerar a mesma quantidade de watts. Na questão das chuvas o engenheiro explica que “existe um mapeamento da média de horas de sol por dia/mês, em quase todo o território nacional, dependendo do número de horas de sol, podemos calcular a quantidade de módulos solares para a geração de energia necessária para compensar o consumo da residência, comércio, indústria ou propriedade rural”. Portanto, Petrópolis pode ter energia solar, sim.
Sistema residencial com bateria de backup de lítio. Essa pequena bateria mantém uma resistência de 4 quartos, com iluminação dos cômodos, geladeira, sistemas de segurança e internet, por até 12h.
Chamada para Seleção de Bolsista com grau de Mestre (ME1)
Projeto: Ecossistema de Inovações Sociais de Petrópolis-RJ
Seleção de Bolsista (ME1) Edital Faperj 07/2022 – Programa Pesquisador na Empresa para atuar no projeto de pesquisa “Ecossistema de Inovações Sociais de Petrópolis-RJ” desenvolvido pelo IPG. Coordenação: Prof. Gustavo Costa de Souza – IPPUR/UFRJ.
Requisitos:
Ter obtido o grau de mestre em programa de pós-graduação stricto sensu reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (Capes) em áreas das ciências humanas, sociais ou sociais aplicadas;
Ter disponibilidade para realizar a pesquisa no município de Petrópolis-RJ;
Ter disponibilidade para se dedicar às atividades previstas compatível com os objetivos e metas apresentados no projeto anexo (neste link);
Estar ciente e apta(o) às demais condições previstas no Edital Faperj 07/2022 – Programa Pesquisador na Empresa (https://www.faperj.br/?id=28.5.7)
Atividades a serem desenvolvidas:
Reuniões semanais de trabalho com equipe e coordenação para debates sobre textos de formação teórica, procedimentos metodológicos e sobre as atividades de levantamento, registro e análise de experiências selecionadas;
Levantamento de dados secundários sobre a trajetória do ecossistema de inovações sociais da cidade;
Identificação e caracterização dos atores chave promotores ou apoiadores de inovações sociais na cidade;
Visitas a campo para observações e levantamentos;
Realização de consultas institucionais e entrevistas em profundidade sobre experiências selecionadas;
Planejamento, preparação, operacionalização e relatoria de oficinas de mobilização;
Elaboração de relatórios mensais de atividades sob supervisão da coordenação;
Cronograma:
Envio da documentação
até 14/12
Entrevistas
19 a 22/12
Divulgação do resultado
23/12
Início das atividades
02/01/2023
Interessadas(os) enviar Currículo Lattes, histórico escolar e demais informações com breve texto (1 página) no corpo do e-mail comentando sobre seu conhecimento e habilidades para realizar a pesquisa (tomar como referência o trabalho de Andion et al., 2020).[1]
[1] Andion, Carolina, Alperstedt, Graziela D. e Graeff, Júlia F. Ecossistema de inovação social, sustentabilidade e experimentação democrática: um estudo em Florianópolis. Revista de Administração Pública [online]. 2020, v. 54, n. 1, pp. 181-200. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0034-761220180418. Epub 09 Mar 2020. ISSN 1982-3134.
O lançamento do livro póstumo de Philippe Guédon, “Um olhar cidadão sobre a Democracia Brasileira”, tornou-se um grande encontro de familiares, amigos e simpatizantes do Mestre. Realizado no último dia 10, deixou o auditório da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas) lotado.
O lançamento foi uma oportunidade para aqueles que conviveram com ele relembrar bons momentos e fatos importantes da história petropolitana, protagonizados por Guédon.
Editada por Cleveland Jones, presidente do IPG (Instituto Philippe Guédon), a obra contém um tema bastante atual e Guédon, que se definia como municipalista, neste trabalho, se impôs, como desafio, a analisar criticamente o panorama político-partidário brasileiro.
No evento também foi exibido um vídeo com depoimentos que destacaram sua atuação em diversos setores da sociedade petropolitana. Após a exibição do vídeo, os participantes puderam conversar sobre suas experiências com o Mestre. O Presidente da CDL, Cláudio Mohammed lembrou que Guédon também foi Presidente da CDL em 1988 e parabenizou o IPG por dar continuidade ao trabalho dele através do Instituto e do PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis)..
Cláudio Mohammed, presidente do CDLVídeo com depoimentos de quem conviveu com Guédon
Cleveland Jones citou várias iniciativas de Guédon, como a Frente Pró-Petrópolis, fundada em 2011, após a tragédia do Vale do Cuiabá, e que sob sua coordenação, serviu de exemplo de participação cidadã ao mobilizar diferentes setores como a Mitra Diocesana, o Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, a Federação das Associações de Moradores de Petrópolis, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o Conselho de Ministros Evangélicos do Município de Petrópolis, e tantas outras entidades e indivíduos.
Já o professor de Direito Constitucional, Álvaro Jorge que acompanhou Guédon no desenvolvimento deste livro, salientou que ele era um cidadão aguerrido com muitas dimensões “ao mesmo tempo que era o pai amoroso, o criador de um partido político, planejava ações participativas, como conversas com produtores rurais para fazer com que a comida chegasse à mesa sem atravessadores e, mesmo com dificuldades para andar, subiu escadas para dar o exemplo do voto”. Álvaro também destaca que mesmo sempre pensando no município era “um cidadão global, pois já tratava das questões ambientais, quando ainda não se falava muito sobre isso”.
Carlos Eduardo Pereira, Presidente do Gapa, recordou como Guédon ficava feliz com as reuniões na Casa dos Conselhos e entusiasmado com a ideia de criar o Instituto Koeler de Planejamento, e acredita que o trabalho de Guédon deve ter continuidade.
A continuidade do trabalho tem seguido com os membros do IPG. Renato Araújo, participa do Instituto, desde a sua fundação, conheceu Guédon através de artigos na Tribuna de Petrópolis que o estimularam a sair do comodismo e assim entrou para a Frente pró-Petrópolis. Renato foi também um dos que acompanhou de perto o processo criativo de Guédon “ele era um escritor compulsivo e sem perceber já tinha um livro pronto. E o tema deste livro póstumo, a Constituição, é algo muito atual.”
Novos integrantes dos Grupos de Trabalho do IPG, também estiverem presentes, como Massami Saito, gestora ambiental, que ficou sensibilizada com “a admiração que todos demonstraram por Guédon”.
O Vice-Prefeito de Petrópolis, Paulo Mustrangi e o vereador Mauro Peralta, que conheciam bem o trabalho de Guédon, também estiveram presentes ao lançamento.
Após as conversas, Silvia, filha de Guédon, e Presidente de honra do IPG, autografou os livros.
O Presidente do IPG (Instituto Philippe Guédon), Cleveland M.Jones, participou na última sexta-feira (04/11), de uma reunião promovida pelo IBGE, na Casa dos Conselhos Municipais Augusto Ângelo Zanatta.
O evento, que contou também com participação de outras Instituições, teve como objetivo apresentar à sociedade, conforme previsto em lei, os resultados parciais do censo deste ano, assim como fazer uma prestação de contas dos trabalhos realizados.
O Coordenador de área do IBGE em Petrópolis, Sebastião Carvalho, explicou as dificuldades e os diversos desafios que o IBGE enfrentou para realizar o censo de 2020. Como, por exemplo, a redução do orçamento para realizar o censo que, de R$3,1 foi reduzido para R$1,6 Bi. A pouca adesão dos aprovados e convocados para a função de agentes censitários (em Petrópolis eram previstos 280, mas só 120 estão trabalhando), assim como a relutância de muitos moradores em atender aos agentes prejudicaram o andamento do censo. Até agora a população recenseada foi de 176 mil e a estimativa atual do município é de 309,4 mil habitantes.
Cleveland Jones, Presidente do IPG (último à direita)
Na reunião foi explicado que, até o fim do censo, diversas ações, como mutirões, serão realizadas para completar o levantamento. Além disso, também foi informado que Petrópolis está numa faixa de população em que pequenas mudanças na contagem não afetarão as transferências de recursos ao município (FPM), mas ainda assim o IBGE tenta sensibilizar a população sobre a importância do censo para fundamentar políticas públicas municipais, estaduais e federais, que beneficiam toda a população.
Uma reunião adicional está planejada para após o término dos trabalhos do censo em Petrópolis, para apresentar os resultados finais. De acordo com Cleveland, como o IPG tem como principais objetivos promover a gestão participativa e introduzir o planejamento estratégico na gestão do município, como parte de suas ações, se ofereceu para ajudar na realização do evento promovido pelo IBGE.
Quem quiser obter mais informações sobre o censo em Petrópolis é só clicar aqui para acessar o mapa
A gestão participativa como uma das ferramentas para se alcançar uma Democracia plena sempre foi um dos objetivos de Philippe Guédon, fundador do IPG. E por uma coincidência no dia 25 de outubro, dia da Democracia, há dois anos, o mestre Philippe Guédon partia. Para lembrar esta data tão simbólica, nesta terça-feira, pela manhã, familiares e integrantes do IPG prestaram uma homenagem nos jardins da Casa dos Conselhos, local onde estão as cinzas de Guédon. Foram depositadas flores e alguns participantes relembraram a importância da continuidade do trabalho de Guédon através do IPG para assim continuar o estímulo à cidadania. A frase de D.Helder Câmara, escolhida para a placa, reforça o ideal de Guédon “Feliz de quem atravessa a vida inteira tendo mil razões para viver”.
“É preciso quebrar paradigmas, realizando obras com a aplicação de Soluções baseadas na Natureza – SbN”. Este foi um dos temas destacados por Maria Cristina Franca Melo arquiteta diretora do IPG, na programação do “CAU na sua Cidade – Petrópolis”.
O evento realizado na Praça da Liberdade, entre os dias 27 e 29 de setembro, foi promovido pelo CAU/RJ em conjunto com o Núcleo de Arquitetos e Urbanistas de Petrópolis – NAU, reunindo especialistas para discutir diversos temas através de palestras, mesas de conversas e mostras de trabalhos.
Arquiteta Maria Melo representando o IPG (terceira, da esquerda para direita)
Maria participou na mesa do tema relacionado à habitação e natureza e como esta temática se insere nas questões sociais, ambientais e urbanísticas do município. Além do IPG, que também contou com a representação do seu Presidente Cleveland Jones, participaram os profissionais do CAU/RJ, do NAU/Petrópolis, do CDDH (Petrópolis), e docentes de instituições de ensino em Petrópolis e da cidade do Rio de Janeiro. Na ocasião foram abordados diversos desafios e problemas tais como o déficit habitacional, as construções em áreas de elevado risco, a falta de drenagem nas comunidades e no Centro Histórico, assim como propostas de mitigação para o seu enfrentamento pelo município.
Maria apresentou o PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis), com visão de 20 anos, organizado pelo IPG com a participação da sociedade civil, destacando o capítulo sobre habitação do subtema do GT-01 (Urbanismo e Infraestrutura). Colocou e comentou as ameaças, oportunidades e propostas contidas no documento. Enfatizou também a importância do planejamento estratégico como forma de integrar as políticas habitacionais, ambientais e urbanas, um trabalho que vem sendo desenvolvido pelo IPG. Neste sentido, acredita que a “criação de um Instituto de Planejamento é premente para a cidade”, não se tratando apenas de criação de cargos, uma vez que poderia absorver alguns existentes nas diversas secretarias, tendo inclusive uma configuração jurídica independente politicamente às alternâncias de governo.
Para Maria é urgente a necessidade de uma legislação específica voltada para cidades como Petrópolis, as quais precisam ser resilientes aos efeitos das mudanças climáticas (cidades esponjas) e não continuem fazendo “obras seguindo o mesmo modelo de muitos e muitos anos”.
Para conhecer o capítulo sobre habitação no PEP 20 clique aqui.
Maria enfatizou a importância do planejamento estratégico e a criação do Instituto de PlanejamentoCleveland Jones, Presidente do IPG, também participou do evento
Texto: Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação – IPG
Entrevista com o Mestre e Doutor em Geologia, Cleveland Jones, sobre as margens dos rios em Petrópolis
IPG – O tipo de solo em Petrópolis facilita problemas como este da foto? CJ – O problema das margens erodidas dos rios em Petrópolis é antigo. Boa parte do problema é cultural, já que as pessoas se acostumaram a pensar que margens sem vegetação abundante são mais “bonitas.” Uma visão mais esclarecida, no entanto, leva as pessoas a desejar que as margens estejam cobertas com vegetação mais abundante, como arbustos e árvores.Sem essa visão, e para atender aos anseios dos que não tem essa visão, a Comdep realiza ações e intervenções totalmente equivocadas, inclusive retirando a vegetação arbustiva e arbórea existente, e plantando ou colocando placas de grama.A integridade das margens dos rios é assegurada pela vegetação com raízes mais profundas, enquanto margens só com grama não se sustentam, especialmente em taludes íngremes ou na ausência de vegetação arbustiva ou arbórea. Apesar da grama ajudar a impedir a erosão superficial, quando há chuvas fortes ou inundações, ela é incapaz de evitar a erosão, e até mesmo o desmoronamento das margens dos rios. O solo das margens é geralmente pouco consolidado, e é mais facilmente desagregado, erodido e carreado por chuvas fortes e enchentes. Essa erosão e desmoronamento das margens resulta em grande aporte de sedimentos para os rios, o que gera assoreamento. IPG – Os rios da cidade estão sempre com problemas de assoreamento e de vez em quando é feita uma limpeza e o rio volta a ficar assoreado e temos as enchentes. Qual a melhor técnica para diminuir esse problema? CJ – É importante desmistificar o assoreamento como o grande problema no imaginário das pessoas, pois o próprio rio se encarrega de desassorear as partes com excesso de sedimentos, quando volta a encher. Infelizmente, se as margens continuam erodindo e desmoronando, não há como impedir o assoreamento e acúmulo de sedimentos no leito dos rios. Daí a importância de resolver a origem do problema – cuidar das margens. IPG – Quais seriam as alternativas mais seguras e sustentáveis?CJ – É muito conveniente para as empreiteiras (e para a administração pública) fazer serviços de desassoreamento, que estragam ainda mais as margens, pela movimentação de grandes máquinas, e não resolve o problema fundamental. Adicionalmente, é um serviço de difícil medição, pois não há controle efetivo de quantas carretas de sedimentos são efetivamente retiradas, e a contratação está facilmente sujeita a manipulação, superfaturamento e desvios.Seria interessante que os próprios moradores que, por falta de entendimento da dinâmica natural dos rios, solicitam o desassoreamento, solicitassem mais cuidados assim como o plantio de espécies arburstivas e arbóreas, que embelezariam o ambiente inclusive com flores, e forneceriam condições que beneficiariam os pássaros e a fauna local, além de ajudar a combater a erosão e desmoronamento das margens dos rios.
A Reunião do Comcidade 2022 – X Conferência Municipal da Cidade de Petrópolis (Comcidade), ocorreu em 3 de setembro de 2022, na Casa dos Conselhos, sendo convocada no Diário Oficial de 03 de agosto de 2022.
Segue análise do Presidente do IPG sobre esta Conferência:
O IPG vem buscando promover a gestão participativa, e introduzir o planejamento estratégico na gestão do município, tentando sensibilizar os gestores e a sociedade sobre a importância de um planejamento de longo prazo, realizado por um instituto de planejamento estratégico em Petrópolis. Por isso, seus diretores do IPG, Cleveland M. Jones (Presidente), Renato Araújo, e Roberto Rocha, estiveram presentes, assim como outros colaboradores, na condição de ouvintes.
Infelizmente, apesar de ser presencial e ter contado com boa participação do público e de conselheiros do Comcidade, o processo de realização da Conferência foi relativamente pouco divulgado para a sociedade em geral. O modelo de funcionamento do Comcidade, que permite que apenas conselheiros de conselhos municipais sejam eleitos conselheiros do Comcidade, também inibe a participação adicional de membros da sociedade que não sejam conselheiros de algum conselho municipal, mas que desejem colaborar.
As propostas que foram desenvolvidas pelos grupos temáticos do Comcidade, e que seriam apresentadas a partir das 11h, durante a Conferência, não foram apresentadas aos presentes, apesar que diversos presentes inscritos fizeram ponderações sobre alguns temas. As palestras realizadas pelos palestrantes convidados realmente trouxeram boas reflexões sobre os desafios e o potencial de algumas ações que foram mencionadas. A fala do Secretário de Meio Ambiente corajosamente lembrou os problemas que Petrópolis terá que superar, para se tornar mais sustentável e promover seu desenvolvimento equilibrado (econômico, social e ambiental). Mas todos continuam cientes da dificuldade de conseguir quebrar paradigmas que assolam Petrópolis há décadas – interesses que impedem a implementação de soluções para a redução de riscos, para a construção de habitação de interesse social, para uma melhor mobilidade urbana, e para uma melhor qualidade de vida, entre outras.
Da forma que o município se encontra, sem o mínimo de fiscalização ou observância de regras básicasdo Código de Posturas, entre outras demonstrações de abandono das prerrogativas do poder municipal, é difícil imaginar que o Comcidade possa apresentar propostas que efetivamente ajudarão a promover a implementação de diretrizes para políticas públicas de desenvolvimento do município e de ações setoriais do Peder Público.
Como parte tão fundamental da transparência oferecida pelo poder público, e da oportunidade de participação da sociedade, a Conferência do Comcidade esteve muito aquém do que se poderia esperar. Em nada se assemelhou às “formas de gestão democrática participativa, determinadas pelo Estatuto da Cidade,” que o próprio regimento interno da Conferência sugere que seja seu objetivo.
Apesar das dificuldades pelas quais o município de Petrópolis passou e ainda padece, a Conferência poderia ter sido mais participativa, mais objetiva, e ter envolvido mais membros da sociedade na discussão e elaboração de propostas concretas.
Resta ao IPG, como entidade voltada para promover a transparência, a gestão participativa, o planejamento na gestão municipal, e o desenvolvimento equilibrado, assim como a todos os cidadãos que participaram da Conferência, torcer pelo sucesso dos objetivos do Comcidade, ainda que isso pareça difícil e até improvável.
Cleveland M. Jones, Presidente IPG – Instituto Philippe Guédon de Gestão Participativa