ENTREVISTA COM A ARQUITETA NATÁLIA KOCHEM

“Programas que incentivem a manutenção de áreas verdes e diminuam as superfícies construídas e impermeabilizadas seriam muito interessantes para uma cidade cujo conjunto paisagístico e patrimônio natural é reconhecido”. Esta é uma das muitas propostas da arquiteta Natália Kochem para a cidade de Petrópolis.

Com uma larga experiência em diversas áreas, como por exemplo, perícias judiciais e laudos técnicos, paisagismo, planejamento urbano, recursos hídricos, Natália foi uma das colaboradoras do PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis nos próximos 20 anos),documento elaborado pelo IPG com a participação da sociedade civil.

Formação e experiência profissional

Graduada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, atualmente é Mestranda em Urbanismo pelo PROURB. Ilustradora há mais de 20 anos, Natália também é professora de pintura e desenho, motion graphic designer, especializada em animação frame a frame, roteirista, produtora e participante em projetos artísticos e audiovisuais como livros, murais, exibições, eventos, filmes, curtas. E mesmo com todas essas atividades, ela ainda consegue tempo para, de forma voluntária, participar de grupos de discussão da sociedade civil e de classe acerca de projetos sustentáveis, mobilidade, acessibilidade urbana e gestão de riscos e desastres hidrológicos na região serrana do Rio de Janeiro. Além disso é conselheira convidada na Comissão temporária de Acessibilidade do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro – CAU/RJ e uma das coordenadoras do grupo Urban Sketchers Petrópolis, filiado à organização internacional sem fins lucrativos Urban Sketchers (comunidade global de desenhadores dedicados à prática do desenho no local.)

Durante sua formação acadêmica, ela participou de projetos de extensão e iniciação científica na Universidade Federal do Rio de Janeiro, nas áreas de pesquisa sobre a reprodução sócio territorial de comunidades cariocas de baixa renda e favelas (Morro dos Prazeres e Complexo da Maré), de forma multidisciplinar em conjunto com a Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010) e como graduanda-arquiteta atuante na área de Cenografia para Artes Cênicas e Cinema (2012), em parceria com o Programa de Educação e Criação em Dança DAC/EEFD/UFRJ.

Projetos premiados

O trabalho final de Graduação de Natália, intitulado – O Rio, a Cidade e o Tempo – Sistemas de Espaços Livres envolvendo as faixas marginais do Rio Piabanha em Petrópolis-RJ – recebeu menção superior, grau A e foi agraciado pela instituição de ensino com indicação para o 29 Prêmio Opera Prima (2019) e resultou na produção de um curta sobre a questão da acessibilidade, que ainda será lançado. A arquiteta também participou do Projeto Citylab, Erasmum+ Programme – European Union, que foi desenvolvido pelo PROURB/FAU-UFRJ, segundo método PBL – Problem Based Learning (2017). Este trabalho envolveu, além do projeto de um parque natural, a produção e codireção de um vídeo sobre o processo, que foi apresentado na Conferência internacional PBL 4 Sustainable Cities e recebeu Menção Honrosa na CityLab Student Competition – na Universidad del Rosario em Bogotá – Colômbia. E tem mais! Natália é Coautora do projeto – Environmentally friendly buffer between the Guaratiba Biological Reserve and the rapidly expanding region of Barra de Guaratiba – pré-selecionado pelo Building 4Humanity na categoria student unbuilt projects regarding flood-prone areas, exposto no 8 ICBR International Conference on Building Resilience (2019) em Lisboa – Portugal.

Agora que você conhece a história profissional e acadêmica de Natália, confira as propostas e ideias da arquiteta para Petrópolis.

IPG – Um dos objetivos do IPG é a gestão participativa para que os moradores possam opinar sobre o planejamento da cidade. De que forma você acredita que esta participação possa ocorrer efetivamente?

NK -Acho importante o esforço em levar as discussões para o espaço público através de eventos com programação atrativa. A participação e engajamento em discussões de interesse público faz parte de um contexto cultural, que na realidade brasileira precisa ser, de certa forma estimulado para que ocorra. Tal processo é dificultado quando confinado a espaços fechados.

IPG – Você participou da elaboração do PEP 20. Como foi essa experiência?

NK – Foi muito agradável a experiência, tendo me sentido muito bem recebida por todos os colaboradores e representantes do IPG.. Foi uma oportunidade de discutir questões relevantes para a instituição e retribuir apresentando o resultado da minuciosa pesquisa que fiz sobre o trecho médio do Rio Piabanha durante a ocasião de meu Trabalho Final na FAU/UFRJ, onde foi desenvolvida a sugestão da criação de um sistema de espaços livres acessíveis, caminháveis e hidrológicos sensíveis, em parceria com o Laboratório de Hidráulica Computacional da COPPE onde foram calculados os gráficos e mapas de alagamento do trecho.

IPG – Petrópolis, em sua origem, teve um plano de urbanização, mas depois as construções foram ocorrendo sem muito controle. É possível retomar um planejamento urbano para a cidade que realmente consiga atender a toda a população?

NK – Não vejo forma de retomar um atendimento real dessa questão sem proporcionar e garantir a devida fiscalização e acompanhar o cumprimento dos dispositivos legais. Adicionalmente, pensaria em programas de incentivo a quem constrói e reforma da forma correta e dentro das normas, ou mesmo estimulando práticas que trazem comprovado benefício coletivo, como recuos, telhados verdes, cuidados com espécies de arvores nativas, etc.

IPG – Em relação às ocupações em áreas de risco, você tem alguma proposta?

NK – Não é minha área de expertise mas considero que ninguém opta por abrigar seus entes queridos em áreas de risco. O que ocorre é que os programas habitacionais até 10 anos atrás, além de ainda excludentes, eram absolutamente limitantes, baseados em modelos de conjuntos habitacionais estéreis que atendiam muito mal a realidade prática e cultural da população brasileira. Considero que todos precisam ter o direito de imaginar e buscar realizar o sonho de definir como deseja viver, sendo a moradia um direito mínimo em uma sociedade fartamente taxada. Considero os programas que visam garantir Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (ATHIS) os mais acertados, principalmente os que consideram a importância da localização, da adaptabilidade e pessoalidade dos projetos, humanizando esse processo e enxergando indivíduos. Considero o ATHIS, o SUS da habitação e espero que o programa seja não só bem implementado em todos os municípios brasileiros, mas que tenha uma evolução exponencial em benefício tanto da população necessitada, como dos muitos profissionais da construção civil, quanto da comunidade como um todo.

IPG – Você realizou uma pesquisa sobre as margens dos rios em Petrópolis, que percebemos que estão bastante degradas. O que você sugere para a preservação dessas áreas?

NK – Todas as descobertas e cenários simulados referente ao trecho resultaram em sugestões que estão presentes no trabalho. Elas podem ser encontradas tanto no projeto quanto no memorial.

Mas as principais sugestões técnicas, em resumo, envolvem o afastamento do tráfego pesado da área contígua às margens, reduzindo assim o impacto mecânico incidente sobre as faixas marginais aliada à utilização de infraestrutura verde para contenção hidrológico sensível dos taludes em estado de erosão, justamente por sua capacidade de manutenção das capacidades infiltrastes das margens.

Uma técnica bem útil, para dar um exemplo, com ótimo resultado para contenção em taludes e baixo custo, é a técnica de engenharia chamada de grama armada. Lembrando que as técnicas de contenção devem ser definidas de acordo com a sondagem e análise de cada trecho das faixas marginais. Nem toda a extensão deve receber a mesma técnica de contenção.

IPG – Outra área onde você atua bastante é na mobilidade urbana e os moradores de Petrópolis encontram muitas dificuldades.  Quais as suas sugestões para melhorar, por exemplo, a acessibilidade e diminuir os engarrafamentos?

NK – Para melhorar a acessibilidade é necessário, primeiramente, cumprir a legislação. O que não é feito. Depois de um atendimento legal mínimo, ir além das normas e envolver soluções sensíveis ao contexto petropolitano, histórico, cultural, paisagístico seria excelente.

Em relação à mobilidade, a principal questão é justamente a descontinuidade das possibilidades de caminhabilidade e/ou utilização de transportes alternativos, como a bicicleta. Ademais, corroborando para o descompromisso com a acessibilidade e caminhabilidade, considero o projeto da cidade e seus distritos como altamente dependentes do uso de carro, aliado a isso o valor das passagens de ônibus são absolutamente exorbitantes em relação ao serviço oferecido, o que induz a população a colocar a propriedade de um carro como principal sonho de consumo, trazendo inúmeros problemas em relação à mobilidade devido à intensificação do trânsito. Incentivar o uso do transporte público, considerando até mesmo sua gratuidade absoluta; garantir infraestrutura segura e percursos desimpedidos para transporte alternativo; reformar e multiplicar, de acordo com a NBR9050 os trechos caminháveis da cidade, garantindo mobilidade segura são ferramentas que se provam eficientes ao redor do mundo e valem ser citadas.

IPG – Petrópolis, por ser uma cidade histórica, possui muitos imóveis tombados o que às vezes pode atrapalhar a acessibilidade. Poderia dar alguns exemplos de como é possível essa adaptação?

NK – Isso é um mito que prejudica, e muito, o cumprimento de ambas as legislações. Profissionais pouco criativos tentam desobedecer a normas de acessibilidade citando normas patrimoniais, enquanto tentam desobedecer a normas patrimoniais citando normas de acessibilidade.

Patrimônio e acessibilidade não entram em conflito em projetos bem feitos. Profissionais experientes e especializados sabem fazer bons projetos que respeitem todas as normas. Tombamentos apenas exigem que os projetos passem por análise específica para além dos parâmetros municipais e de acessibilidade e conflitos são resolvidos durante o processo de estudo da legislação e a concepção projetual. A contratação de profissional habilitado, especializado e que vai resolver os detalhes técnicos em conjunto com as observações dos técnicos do Iphan e do Inepac já resolvem esse problema em sua totalidade. Os profissionais envolvidos estão unidos em garantir a execução de bons projetos. O arquiteto e urbanista é o profissional mais recomendado, sendo a acessibilidade e também o estudo dos princípios patrimoniais especialidades profissionais dentro da classe. Observadas essas questões, patrimônio e acessibilidade são complementares. Reformas por toda a Europa podem ser exemplos a seguir. Principal inimigo da acessibilidade não é o patrimônio. O principal inimigo da acessibilidade e também do patrimônio é a ignorância. O descompromisso, o descumprimento, a decisão de se levar a cabo projetos muitas vezes sem responsável técnico habilitado durante toda a extensão das obras e sem sequer a consulta a um especialista. Esses são inimigos da acessibilidade e do patrimônio.

IPG – Você participa da comunidade global Urban Sketchers em Petrópolis. Poderia explicar como é este movimento e como a população pode se engajar?

NK – A prática do desenho urbano é principalmente uma filosofia de atuação que me acompanha. A comunidade acredita na prática do desenho in loco como um processo de conhecimento e reconhecimento da cidade, sendo o ato da prática do desenho, em contexto, o elemento essencial. Dessa forma, para se considerar um integrante, basta ler o manifesto e começar a incluir o desenho in loco na sua experiência de vida. Compartilhar os desenhos também é incentivado, embora não seja essencial. O essencial é fazer da prática uma constante e considerar os pontos do manifesto, como por exemplo, retratar sempre os contextos, entre outros detalhes. Os grupos se reúnem para desenhar juntos e partilhar os desenhos. A prática é derivada de um processo pessoal que encontra momentos de confraternizações esporádicas, sendo os encontros sempre abertos e o manifesto contendo as diretrizes que a comunidade desenvolveu disponível para consulta e download no site da comunidade. Dessa forma, para participar e começar a desenhar de acordo com a filosofia, basta acessar as informações e começar.

IPG – Agora me fale da sua experiência como moradora de Petrópolis. Quais as suas principais dificuldades na área urbana e o que você mais gostaria que melhorasse?

NK – As principais dificuldades que identifico no tecido urbano de Petrópolis, devido ao meu olhar sensibilizado pela minha vivência pessoal com meu filho, são: a ausência, descontinuidade e irregularidade em relação às calçadas, passeios e acessos públicos e privados em praticamente toda a extensão da cidade, mas principalmente nas bordas do centro histórico, ou seja, nos bairros;

O descompromisso descarado para com a acessibilidade e respeito às normas em praticamente todas as edificações, incluindo descaso em reformas e projetos, públicos e privados, bares, restaurantes, museus, todos os prédios residenciais, incluindo os do centro da cidade e mesmo reformas em espaços livres de uso público, ou seja, nenhum especialista é sequer consultado para auxiliar o cumprimento da legislação na ocasião das construções e reformas, ficando a população obrigada a aceitar uma acessibilidade falsa, personalista, limitada ou decorativa que não atende à todos – idosos, crianças, pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida – o que vale ressaltar, é processo em desconformidade com a legislação vigente, restringindo suas vidas, de forma compulsória, ao universo da casa; a falta de fiscalização em relação às obras novas ou reformas, uso indevido de espaço público, corte irregular de árvores, descumprimentos diversos que impactam a vida da população em nível pessoal e coletivo também me entristecem porque afetam a saúde, integridade e geram conflitos em comunidades inteiras. Muitas vezes um recuo lateral, um prisma de ventilação, um acesso em rampa com angulação correta ou uma janela bem posicionada garantiriam muitos quesitos básicos. O processo de denúncias é altamente complexo também e isso cria um ciclo de irregularidade que afeta a cidade em seu nível visível, mas também em relação às estruturas urbanas como saneamento, escoamento, segurança e acesso; aliás, a questão de saneamento na cidade precisa ser melhor atendida. Programas que incentivem a manutenção de áreas verdes e diminuíam as superfícies construídas e impermeabilizadas seriam muito interessantes para uma cidade cujo conjunto paisagístico e patrimônio natural é reconhecido; a implementação de coleta seletiva em todos os bairros e parcerias em programas de reciclagem, com incentivos reais, que tenham verdadeiro impacto também são ações que sinto muita falta na cidade.

Entrevista a Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação – IPG

IPG PARTICIPA DA SEGUNDA RODA DE CONVERSA DA LIVRARIA NOBEL

Os desafios de viver em um mundo em transformação. Esse foi o foco da segunda Roda de Conversa que aconteceu na Livraria Nobel, no último dia 22. A convite da empresa CRTL+Café, o vice-presidente do IPG (Instituto Philippe Guédon), Ramiro Farjalla, mediou o debate a partir das obras de Yuval Noah Harari, com ênfase no livro as 21 Lições do Século XXI. 

No encontro, que foi de forma híbrida, os participantes destacaram várias situações que estamos vivenciando, como o exercício da cidadania, da participação social e da gestão participativa que hoje convivem com a inovação tecnológica, com as mudanças climáticas e o ambiente de trabalho pós-pandemia. Também destacaram a preocupação das empresas com a sustentabilidade e que muitas estão realizando ações com ênfase em problemas ambientais e sociais, modelo conhecido como ESG – Ambiental, Social e Governança.

Para estimular os participantes a lerem mais sobre o assunto, a empresa CTRL+Café realizou um sorteio de livros.

Ramiro Farjalla acredita que esses encontros são importantes, pois colaboram para que o cidadão compreenda que “é preciso se preparar para o debate nesse mundo bombardeado de informações, saber que algoritmos utilizam dos nossos dados que lançamos na qualidade de usuários da internet”. Com informação é possível “se planejar diante do desequilíbrio ecológico e criar mais espaço, como as rodas de conversas e outros eventos, que ajudam a lidar com o futuro que está mais presente do que antes”, enfatiza Ramiro. Por isso, o IPG, como uma Instituição de mobilização social, busca trabalhar e chamar a sociedade civil organizada para o debate e propostas de projetos inovadores como o PEP20, que vive a realidade presente e projeta o futuro de Petrópolis, de forma dinâmica e inclusiva.

Em breve o IPG realizará eventos com temas de interesse da sociedade civil, sempre buscando promover maior participação da sociedade nos assuntos que afetam os munícipes, e ressaltando a importância do planejamento para traçar o futuro que queremos para Petrópolis. Para mais informações acompanhe as nossas Redes Sociais.

Confira as fotos

Cultura e PARTICIPAÇÃO

Participar de atividades culturais é uma grande oportunidade de aprendizagem. Por isso, o IPG (Instituto Philippe Guédon) não só promove, como também comparece a eventos organizados por outras Instituições.  Por exemplo, recentemente, participou de Rodas de Leitura na Livraria Nobel. Atividades como esta proporcionam uma troca de ideias, porque todos podem se manifestar, o que é fundamental para a democratização dos saberes. Além disso, é uma grande chance para as Organizações divulgarem seus trabalhos e explicarem seus objetivos.  Apesar de estarmos conectados nas Redes Sociais, o contato “olho no olho” ainda é uma forma de comunicação bastante eficaz, pois promove também uma socialização dos participantes, que ao falar sobre suas próprias experiências e ouvir a dos outros, ficam mais motivados a se envolver em causas sociais. 

Escutar várias pessoas, com diferentes opiniões, é uma forma do IPG também dar continuidade aos seus objetivos, que são:

  • Contribuir para a capacitação dos cidadãos para o pleno exercício da gestão participativa;
  • Promover a ética, a participação cidadã, a sustentabilidade e a conscientização ambiental;
  • Promover a divulgação das informações aos cidadãos, com ênfase sobre a realidade municipal e intermunicipal, global e local, de forma conectada;
  • Estimular o desenvolvimento econômico-social;
  • Defender a criação de um instituto de planejamento estratégico permanente, independente, para o município de Petrópolis, como forma de orientar de orientar e estimular seu desenvolvimento ordenado e sustentável a longo prazo;
  • Promover programas e projetos que visem a melhoria do bem-estar coletivo.

Quem quiser conversar mais sobre esses objetivos não pode perder a próxima Roda de Conversa que será realizada pela empresa Crtl+Café, na Livraria Nobel, no próximo dia 22, a partir das 17 horas. O vice-presidente do IPG, Ramiro Farjalla, estará presente e dará continuidade ao tema sustentabilidade e inovação, baseado na literatura de Yuval Noah Harari, em suas obras Sapiens, Homo Deus e 21 Lições para o Século 21.

O que é ser cidadão?

“O QUE É SER CIDADÃO?”

SAIBA COMO FOI A RODA DE LEITURA DO IPG

As dificuldades dos cidadãos para exercerem seus direitos, políticas públicas e o papel do Terceiro Setor na sociedade foram alguns assuntos abordados na Roda de Leitura, realizada pelo IPG (Instituto Philippe Guédon), na quinta-feira (01/06) na livraria Nobel. Com o tema, “O que é ser cidadão?’, as discussões começaram a partir do livro de Philippe Guédon, “Um olhar cidadão sobre a Democracia Brasileira”.  Segundo Cleveland Jones, Presidente do IPG, junto com o Vice-Presidente do IPG, Ramiro Farjalla, um dos facilitadores do evento, “o livro é apenas um pretexto para discutir questões tão importante nos dias atuais”.

A importância de conhecer a Constituição Brasileira foi outro ponto abordado. Todos concordaram que muitas vezes o que as pessoas sabem veio a partir da opinião de outros. Por isso, Ramiro destacou a importância do livro de Guédon sobre a Constituição, pois “foi uma análise feita por um cidadão, não foi baseada em ideologias políticas, e sim na experiência deste cidadão”.

Durante a Roda foi comentado que o exercício da cidadania pode começar com uma simples reclamação do morador sobre uma determinada situação que ele saiba que não está correta. E como lembrou Ramiro “a primeira experiência política que temos é em nossa cidade, então é natural que a percepção das pessoas comece desse ponto de partida”. Portanto, os participantes demonstraram preocupação com a dificuldade de fazer com que essas demandas cheguem às autoridades e sejam solucionadas.

O difícil acesso às políticas públicas básicas, seja por falta de informação, manipulação política ou mesmo precariedade financeira, também foi citado com um obstáculo para o indivíduo se sentir como parte de uma sociedade democrática. “As portas para o acesso às políticas públicas às vezes parecem pequenas para o cidadão acessá-las e é aí que entra a importância das associações do Terceiro Setor, como o IPG, que é contribuir, melhorar, onde o Estado não chega”, destacou Cleveland Jones.

A conclusão desta Roda de Leitura foi que a sociedade civil tem que se reunir para encontrar as soluções e para que esta união possa dar certo é preciso participação e planejamento.

INOVAÇÃO DIGITAL E MOBILIZAÇÃO SOCIAL: TEMAS DA APRESENTAÇÃO DO VICE-PRESIDENTE DO IPG NA LIVRARIA NOBEL

A segunda roda de conversa da Livraria Nobel, realizada dia 18 de maio pela empresa CTRL+Café, teve como destaque o vice-presidente do IPG (Instituto Philippe Guédon),Ramiro Farjalla. Advogado, especialista em Direito Ambiental e Mestre em Educação Ambiental pela UCP (Universidade Católica de Petrópolis), Ramiro baseou sua apresentação sobre sustentabilidade e inovação, na literatura de Yuval Noah Harari, em suas obras Sapiens, Homo Deus e 21 Lições para o Século 21.

De acordo com Ramiro, o autor destaca a capacidade do ser humano de criar
ferramentas para mudar a realidade no ambiente onde vive e fazer história, o que,
logicamente gerou impactos ambientais prejudiciais ao meio ambiente e a sociedade,tendo a pandemia como ápice. Ramiro explica que “para enfrentar os problemas contemporâneos, seja nas dimensões econômica, social e política, a humanidade vem criando nos últimos anos ferramentas nas áreas da legislação, educação e política para chegar à solução”. Entre as soluções Ramiro enfatiza a mobilização social, a gestão
participativa e o planejamento estratégico e acredita que por isso o “IPG é inovação,
porque o nosso PEP20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis ) é exemplo de
inovação social em que o instituto engaja a sociedade civil organizada para a construção de Petrópolis nos próximos 20 anos, no sentido de se tornar um município próspero e sustentável, onde oportunidade de trabalho, empreendedorismo e qualidade de vida são entrelaçados”.

Ramiro acredita que as rodas de leitura e de conversa são espaços importantes para desenvolver a cultura e a consciência da cidadania participativa, “tanto que a obra póstuma de Philippe Guédon foi citada no evento, como uma lição de cidadania, além do direito de votar e ser votado, onde cidadão precisa fazer parte do processo decisório da cidade onde vive. Os tempos atuais urgem da cultura participativa”. Por isso, segundo
o advogado, o IPG continuará estimulando a organização desses eventos e que o
próximo, também na Livraria Nobel, será realizado em breve e a data será divulgada
nas Redes Sociais do IPG.

Também estiveram presentes na roda de conversa, Cleveland Jones, Presidente do
IPG, e Gustavo Costa, Coordenador do Projeto “Ecossistemas de Inovações Sociais”, que está sendo desenvolvido pelo IPG.
Para conhecer melhor o PEP 20 acesse o link

“A bandeira do mestre Guédon está mais atual com o passar do
tempo”. Da esquerda para a direita (Ramiro Farjalla, Gustavo Costa e Cleveland)

Racismo ambiental: entrevista com a gestora ambIental pamela mercia

As consequências das mudanças climáticas têm sido bastante debatidas.
Porém, um tema que está relacionado e que não é muito comentado é o racismo
ambiental, um termo utilizado para se referir ao processo de discriminação que
populações periferizadas ou compostas de minorias étnicas sofrem através da
degradação ambiental. *

Recentemente este tema se destacou em Petrópolis por causa de um abaixo-assinado realizado pela Gestora Ambiental, Pamela Mércia, para combater o racismo ambiental em Petrópolis.

Para entender melhor como isto acontece na prática, o IPG conversou com
Pamela. Atuante nas causas socioambientais é Presidente da ONG “Todos
juntos, ninguém sozinho”. Trabalha há sete anos como consultora e educadora
ambiental e começou o trabalho social em 2020 quando fundou a ONG, com o
objetivo de dar assistência emergencial para famílias em vulnerabilidade por
conta da pandemia. O que fez com que se aproximasse mais das questões
sociais e encaixou com o trabalho na área ambiental. Assim a ONG passou a
lidar com questões socioambientais.

O assunto racismo ambiental ficou muito mais forte para Pamela por conta das tragédias ocorridas em Petrópolis, em 2022, quando a família dela foi duramente afetada pelas chuvas de março, sua mãe e irmã perderam a casa, e a ONG de Pamela também foi interditada. Para ela “Foi
muito difícil ter que lidar já com um trabalho que desenvolvia na ONG, atendendo
as famílias que perderam suas casas e familiares em fevereiro, e ao mesmo
tempo ter que lidar de forma muito mais próxima, vendo a casa em que cresci
ser interditada”. explicou. Pamela ressaltou que naquele momento viu como o
racismo ambiental a afetou diretamente e assim “por ser uma pessoa preta e
militar pela justiça social, nada mais lógico e importante que lutar pelo racismo
ambiental”. Além do abaixo-assinado, Pamela também tem participado de
eventos que promovem ações para a sensibilização sobre o racismo ambiental.

Vamos conferir a entrevista.?


IPG– Em Petrópolis quais as áreas onde o racismo ambiental é mais
visível?


PM – Em todas as comunidades onde residem a maioria de pessoas pretas e
pobres, é onde temos o racismo ambiental. E por que essas áreas? São
localidades mais distantes do Centro, onde as pessoas têm mais dificuldades de
acessar escola, hospital, onde não há os serviços básicos ou é precário. Aí
tem o racismo ambiental. O racismo ambiental não está só atrelado a eventos
extremos, dias de chuva e locais onde ocorrem desabamentos. É um problema
contínuo, diário. Quem reside nas comunidades sofre com isso. Se você entrar
numa comunidade vai ver grandes lixeiras cheias de lixo, porque não comportam
a quantidade de lixo que aquela comunidade gera. E se ainda tem um déficit na
coleta, a situação é muito pior. E essa precarização de serviços afeta a saúde,
porque há proliferação de vetores (ratos, baratas, mosquitos, moscas, insetos)
que pode gerar doenças. Você não vê isso em locais de casas bem estruturadas,
visivelmente com poder aquisitivo melhor e onde a maioria são brancos.


IPG – Como a cidade foi inicialmente colonizada por europeus, acredita que
isso pode dificultar a compreensão de que esta situação também ocorre
em Petrópolis? Se concorda, como você acha que é possível sensibilizar a
população petropolitana sobre o racismo ambiental?


PM – Petrópolis, na verdade, era um espaço de veraneio. Valério Winter,
geógrafo de Petrópolis, conta no livro “Petrópolis e Meio Ambiente”, que a
formação de Petrópolis vem das pessoas muitos ricas que vinham com D.Pedro
passar férias e quando se instalaram as fábricas de tecido, vem a mão de obra,
que são as pessoas mais pobres e começam a se instalar próximo às fabricas
em locais que não são seguros. Moramos numa cidade conservadora onde
pessoas brancas ocupam a maior parte do poder. Então é muito complicado
sensibilizar porque as pessoas brancas não passam por isso, elas nunca vão
entender o que é isso. Aí estamos falando de vários contextos, não só de racismo
ambiental, mas também racismo institucional, racismo estrutural que tem que ser
quebrado por uma visão de quem comanda Petrópolis, que são pessoas
brancas. Precisamos sensibilizar sempre, explorando canais de informação,
apoiando pessoas que abordam esse tema, não só eu, como outros, e abrindo
espaços como esse (referindo-se a essa entrevista). Porque precisamos expor
esse problema de quem é afetado, as pessoas pretas. Mas quem precisa dar
espaço são pessoas brancas.


IPG– Quais políticas públicas relacionadas ao racismo ambiental você
sugere para Petrópolis?


PM – Petrópolis precisa de políticas públicas para melhoria da habitação,
precisamos que essas pessoas tenham locais apropriados para habitar, já que
os locais que elas residem não são adequados. Sobretudo precisamos de
pessoas pretas ocupando lugares de poder, porque são pessoas pretas que vão
poder tomar decisões. Pessoas brancas não passam por isso. Não vão notar
esse problema e, se notarem, não vão notar urgência. O resultado disso é o que
vemos em Petrópolis, não temos pessoas pretas no poder, logo cada ano que
passa mais pessoas são atingidas. Mais pessoas morrem, mais pessoas ficam
desabrigadas e mais pessoas passam por esse problema, ficam completamente
desesperadas a cada chuva que chega, a cada verão. Então, precisamos de
pessoas pretas ocupando esses espaços para fazer políticas públicas.


IPG – Poderia falar um pouco sobre o mito de que as mudanças climáticas
atingem a todos por igual? Essa é uma das dificuldades que muitas
pessoas têm em compreender este conceito de racismo ambiental.


PM – Estamos vivendo uma crise climática global, onde o mundo inteiro está
sendo atingido. Alguns países poluem mais, que são os mais ricos, Estados
Unidos e China. E há países que são completamente devastados por catástrofes,
tsunamis, inundações terremotos e que não possuem estrutura alguma por
serem países muito pobres e poluem muito pouco. Então, sim, as mudanças
climáticas não afetam de forma igual. Aqui no Brasil, a gente vê mais mudanças
climáticas e percebe-se o ônus e o bônus. Se alguém está recebendo o bônus,
alguém tem que estar recebendo o ônus. Vimos isso em Mariana (MG). Quem
se beneficia com o trabalho de grandes mineradoras? Pessoas muito ricas. E
quem leva o ônus disso? Pessoas muito pobres, que residem perto desses
grandes empreendimentos, instalados em lugares mais distantes. São pessoas
pobres racializadas, como povos originários, quilombolas e pessoas pretas.
Então, se essas pessoas que tem menos acesso, menos recursos, menos voz,
menos visibilidade, elas é que serão mais afetadas. Com as mudanças
climáticas, o nível de precipitação vai aumentar, isso é algo que já mudou no
clima, as chuvas não serão como antes, serão mais intensas, mais fortes. Por
causa da grande quantidade de gases do efeito estufa, o aquecimento do planeta
subiu. Um planeta mais quente faz com que a evaporação da água seja mais
rápida e a precipitação também ocorrera mais rápido e será mais intensa. Só
que as cidades não estão preparadas. Um exemplo é aqui em Petrópolis. Em
2022, fevereiro e março, o Centro foi atingido, área nobre, e os bairros também.
E para quebrar esse mito de que as pessoas são atingidas de forma igual, é só
andar pelo Centro e ver que já está estruturado e as comunidades não estão. As
comunidades ainda possuem cicatrizes fortes das chuvas. Muitas não se
reergueram, algumas estão se levantando agora e quem mora lá nas
comunidades também, passando por diversos problemas, de instalação, de
adaptação e psicológicos. Isso é nítido.


Gostou da entrevista? Deixe aqui seu comentário.

Para acessar o abaixo-assinado de Pamela para combater o racismo ambiental,
clique aqui.


*Fonte: https://jornal.usp.br/atualidades/racismo-ambiental-e-uma-realidade-que-atinge-populacoes-vulnerabilizadas

Entrevista e edição: Teresinha de Jesus Fidelles de Almeida

IMPORTÂNCIA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O ESPORTE EM PETRÓPOLIS

Quando pensamos em políticas públicas quase sempre nos lembramos de ações relacionadas à saúde, à educação e à economia. Raramente o esporte é citado de imediato. Mas ter uma política pública voltada para este setor também é importante para a sociedade.

Para entender melhor como devem ser essas políticas e como elas beneficiam a população, o IPG conversou com o Profissional de Educação Física Renato Farjalla, que possui mais de trinta anos de experiência nesta área. Formado pela UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), em 1989. Renato é Mestre em Inovação Institucional em Educação Física Esportes e Lazer, pela Universidade Gama Filho, e Doutor em Ciências do Desporto pela Universidade Trás os Montes e Alto Douro, Portugal. Renato também já atuou como pesquisar responsável pelo Laboratório de Atividades Físicas, Esportes e Lazer na Unesa, entre 2005 e 2018, e atua nos Conselhos Municipais do Idoso e do Esporte.

Sempre envolvido em estudos e projetos sobre políticas públicas para o Esporte em Petrópolis, Renato é autor de estudos sobre perfil de usuários, impacto de programas públicos e privados na saúde, educação, turismo, mobilidade da cidade de Petrópolis.

De acordo com Renato, uma prova da importância de implementar políticas para o esporte é que “cada unidade de real investida em política pública de esporte e lazer, chega-se a economizar mais de quatro reais na área de saúde”.  

Quer saber mais?

Confira a entrevista.

IPG: Qual a importância das políticas públicas para o esporte no cotidiano da população?

RF: As Políticas Públicas são um modo de atuação e gestão da administração, que o governo imprime durante ciclos de governança, seu ciclo político. Existem as políticas públicas de governo e as de Estado, dentro da área do esporte. O cotidiano da população é tremendamente interferido, sofre interferências dessas políticas que são voltadas ao atendimento das necessidades da população. As políticas públicas são o Estado em Ação, o Município em Ação”.

IPG – Quais os reais benefícios para a saúde?

RF: Se sabe muito que o exercício é a medicina preventiva mais eficiente e barata que se tem conhecimento científico a respeito disso. Então, os benefícios à saúde são inúmeros porque as doenças crônicas não transmissíveis, por exemplo, como a obesidade, vêm do sedentarismo e do acúmulo de energia, ou seja, de comida. Todas as doenças cardiorrespiratórias, hipertensivas, tudo isso vem em função do sedentarismo, da pouca prática de atividade física sistemática ou ainda da falta de incentivos aos exercícios e às noções de autocuidado. A educação da população de uma cidade pouca amiga do exercício físico, pouca amiga da mobilidade ativa, das práticas regulares ou ainda a baixa qualificação da educação física nas escolas, cria um ciclo de sedentarismo e de aversão ao exercício até das próprias famílias que não incentivam seus filhos a participarem de exercícios ou a participar das aulas regulares, torna-se um círculo vicioso.

IPG – Na prática, como devem ser aplicadas essas políticas no Município? Já existem?

RF: No município essas políticas existem de uns tempos para cá. Está se profissionalizando, se qualificando. São políticas que vem desde quando a Secretaria (de Esportes) não existia. Vem de uma transição de uma coordenadoria para secretaria. Elas já existem e são voltadas, por exemplo, no atendimento das necessidades das populações, das reinvindicações das populações. Por exemplo, a rua de lazer na Barão do Rio Branco é uma reinvindicação da população. Projetos esportivos que atendem crianças no contraturno escolar também é uma reinvindicação antiga da população. Esses projetos existem, são feitos por exemplo, no CEI do Caxambu, num ginásio que tem verba federal, que serve exatamente para isso, aulas de educação física para as escolas do entorno e preencher o tempo livre da população.

IPG – O estilo de vida da maioria da população não colabora para que consiga praticar uma atividade esportiva. Então, você tem alguma sugestão de como motivar ou facilitar essa prática?

RF:Se tem uma cidade que não é amiga, que é potencialmente adversária das pessoas para que elas tenham uma boa mobilidade fisicamente ativa, ou seja, andem com segurança, possam usar bicicletas, isso dificulta a prática. Petrópolis está atrasada uns 50 anos na mobilidade, em relação a isso, gravemente. Na cidade prevalece o carro. Tem um carro para cada dois habitantes. Então, essa questão do estilo de vida ativo que chame as pessoas para uma atividade física, um exercício físico, que é algo mais intenso, em um lugar acessível isso tem que ser discutido, porque isso impõe um enorme custo ao erário público no tratamento das doenças. Então, o tratamento das doenças crônicas não transmissíveis como obesidade, hipertensão, diabetes, seriam minimizadas se houvesse uma cidade com estilo de vida mais ativo, que congratulasse a quem corre, quem anda, quem pedala, nada, a quem usa o ginásio público como uma forma de exercitar e manter sua saúde com consciência e educação, que tem haver com alimentação, com hábitos saudáveis.

IPG – Na sua prática, poderia dar algum exemplo de indivíduos (crianças e adultos) que passaram por alguma transformação ou benefício após aderirem ao esporte?

RF – Existem centenas de exemplos de populações que se tornaram mais ativas fisicamente. Temos exemplos de cidades, e até de Petrópolis mesmo, no início dos anos 2000 quando passou por um programa de iniciação desportiva promovido pela Prefeitura. Teve um aumento de aderência às práticas esportivas e às aulas esportivas. São exemplos de que as pessoas crescem e se desenvolvem através de políticas públicas regulares de baixo custo e de grande impacto na população. Então, são formas de fazer com que as pessoas tenham melhoria de qualidade de vida a partir do oferecimento que lhes é proposto. E um outro aspecto interessante é a própria rua de lazer que acontece aos domingos e feriados. Essa rua provocou o hábito de caminhar e muitas pessoas aferidas pelos seus médicos e em programas de pesquisas, tiveram redução da pressão arterial e o surgimento de um gosto esportivo, um gosto pela prática, que trouxe mais saúde.

IPG – Gostaria de citar mais algum ponto importante sobre essa política pública em Petrópolis?

RF: As Políticas Públicas de esporte e lazer na cidade estão amadurecendo, porque elas deram às mãos à Educação, que é a origem do esporte e lazer; à cultura, que é uma questão da compreensão de que o movimento é uma razão cultural, o esporte faz parte de uma cultura, e ao turismo, congratulando, por exemplo, os eventos esportivos que mexem um erário considerável de dinheiro, com as pessoas que vêm aqui e que fazem exercício e esporte, que gastam dinheiro, que fazem com que o ciclo do capitalismo que envolve o esporte, de lazer ou de desempenho, seja acrescido de um montante considerável. É muito importante que as políticas públicas sejam colocadas em Petrópolis com um caminho de cuidado com a população. É muito importante nós percebermos que Petrópolis depois da pandemia e de duas tragédias socioambientais seguidas, que ela precisa de cuidados, precisa cuidar da população e uma das ferramentas que cuida da população e combate o estresse e todas as mazelas, do sedentarismo, da depressão, em várias faixas etárias, desde crianças aos adultos, chama-se atividade física ou ESPORTE.

Renato Farjalla em algumas de suas práticas esportivas

Entrevista – Teresinha Almeida

MESA-REDONDA DO IPG REÚNE REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL PARA DEBATER O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO EM PETRÓPOLIS

Compreender a situação da economia em Petrópolis e refletir sobre possíveis soluções para que a cidade se desenvolva de forma integrada ao meio ambiente foram alguns dos assuntos que surgiram durante a Mesa-Redonda “Desenvolvimento Econômico em Petrópolis – Desafios, Perspectivas e Soluções”, realizada nesta terça-feira (14/03), no auditório do Sicomércio.

O evento contou com mais de cinquenta participantes de diversos segmentos da sociedade, como empresários, professores, servidores públicos, membros de Organizações da Sociedade Civil, CUFA Petrópolis, BioMob e Firjan. Também estiverem presentes a Vereadora Gilda Beatriz e o assessor parlamentar Rafael Esteves, representando o mandato do Deputado Yuri Moura.

A preocupação com o crescimento econômico sustentável, diante do novo cenário imposto pela pandemia e pelos recentes eventos climáticos em Petrópolis, motivou a retomada do ciclo de mesas-redondas, como o que foi realizado em 2018, quando foram discutidas as vocações econômicas do Município.

Da esquerda para a direita: os facilitadores Cleveland Jones, George Paiva, Marcelo Soares e Silvia Guédon

Silvia Guédon, Presidente de Honra do IPG, fez uma introdução com o histórico de Philippe Guédon e a trajetória do IPG. Em seguida, Cleveland Jones, Presidente do IPG, apresentou algumas das ações do IPG que levaram à construção do PEP20 – Planejamento Estratégico para Petrópolis, e à realização da atual mesa redonda. George Paiva, Diretor de Estratégias do IPG, fez um apelo à participação da sociedade nas ações do Instituto, para tornar os anseios da sociedade, expressos neste exemplo de gestão participativa, em resultados concretos junto à administração pública.

Para facilitar a participação, alguns temas considerados desafios foram apresentados pelo IPG, como por exemplo: integrar economia, sustentabilidade e preservação ambiental; infraestrutura deficiente e defasada de internet, telefonia e logística; transporte público precário e carência de oportunidades de emprego e geração de renda. Também algumas perspectivas foram destacadas, como turismo, associativismo e tecnologia, setores importantes para alavancar o desenvolvimento econômico da cidade. 

Diante da importância de conhecer as ações e prioridades para o desenvolvimento econômico do município, do ponto de vista da administração pública, o IPG convidou Marcelo Soares, Secretário de Desenvolvimento Econômico, para apresentar o trabalho e objetivos de sua pasta. Marcelo Soares mencionou alguns pontos positivos da atual conjuntura do município, como a tendência favorável do crescimento de empregos formais e da arrecadação do município. Também frisou alguns pontos fortes da atratividade para negócios no município, como a disponibilidade de recursos humanos qualificados, a presença de diversas instituições de ensino superior e profissionalizante, a relativa segurança do município, a tradição e diversificação da economia local, e os próprios esforços da Secretaria de Desenvolvimento Econômico para atrair novos negócios.

Após a apresentação do Secretário, diversos questionamentos foram levantados, em relação ao que a administração pública ainda pode fazer para melhorar o ambiente de negócios em Petrópolis. Houve ampla participação dos que estavam presentes, em relatar gargalos e desafios para o desenvolvimento econômico do município, assim como indicações para possíveis sugestões.

Também foi destacada a importância para o município e seu desenvolvimento econômico, do planejamento estratégico de longo prazo em todas as ações e esferas, como preconizado pelos esforços do IPG em promover a criação de um Instituto de Planejamento Estratégico permanente em Petrópolis, um dos objetivos estatutários do IPG, como o que já existe em várias cidades do país.

Outras questões importantes para que se pensem as soluções foram apontadas, entre elas: o trabalho híbrido que se firmou durante  a pandemia e que continuará sendo uma realidade; a infraestrutura precária do transporte público e dos serviços das concessionárias, que impacta todo o setor empresarial, incluindo quem trabalha em casa; a necessidade de minimizar e prever melhor os problemas ambientais agravados pelas mudanças climáticas, ou seja a necessidade de conclusão das obras para evitar enchentes e de efetuar ações para a previsibilidade desses eventos. Algumas soluções de curto prazo também foram citadas, como implementar a tecnologia de rede compactada na fiação elétrica em áreas arborizadas, para evitar podas desnecessárias, e a importância de facilitar o acesso dos empresários a seguros que cubram prejuízos causados por eventos climáticos, como os que aconteceram no ano passado.

Cleveland Jones disse que o IPG “formará subsequentes mesas redondas com temas mais específicos, conforme as discussões que surgiram neste evento, e que todas as contribuições serão feitas de forma propositiva, sem acusações gratuitas”. George Paiva frisou que somente de forma colaborativa o trabalho do IPG e de seus colaboradores será eficaz e terá mais chances de ser implementado com sucesso.

Durante o evento, o IPG também colocou à venda exemplares do último livro (póstumo) de Philippe Guédon – “Um Olhar Cidadão Sobre a Democracia Brasileira,” e disponibilizou sua chave de Pix para receber o apoio financeiro essencial para continuar desenvolvendo ações em prol de um ambiente de mais oportunidades para o desenvolvimento de Petrópolis, e de mais qualidade de vida para todos.

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO É TEMA DE MESA-REDONDA DO IPG

“Desenvolvimento Econômico – Desafios, Perspectivas e Soluções”. Este é o tema da Mesa-Redonda que o IPG – Instituto Philippe Guédon – promove no próximo dia 14 de março, no Auditório do Sicomércio (Rua Irmãos D’Ângelo, 48) às 18h30.

A preocupação com o crescimento econômico, de forma sustentável e o novo cenário imposto pela pandemia e pelos eventos climáticos em Petrópolis, motivou a equipe do IPG a retomar o ciclo de mesas-redondas, que ocorreu pela primeira vez em 2018, quando foram discutidas as vocações econômicas do Município.

O objetivo do evento é abrir o diálogo sobre o tema, para a participação da sociedade, e permitir que os presentes possam se pronunciar com comentários e sugestões. Essa participação será estimulada por quatro facilitadores: Cleveland Jones, economista e Doutor em Geologia; Silvia Guédon, administradora e cerimonialista, George Paiva, empresário e Marcelo Soares, engenheiro.

A mesa-redondaestará aberta à participação de empresários, profissionais, trabalhadores, acadêmicos, estudantes, autoridades e outros interessados em discutir os desafios, perspectivas e soluções para o desenvolvimento econômico de Petrópolis.

Durante o evento, serão apresentados os principais temas relativos ao desenvolvimento econômico, que estão sendo tratados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do município. De acordo com Cleveland Jones, Presidente do IPG “como o desenvolvimento econômico é um tema abrangente e transversal, o IPG espera que dessa primeira mesa-redonda surjam outras, focadas em alguns dos seus principais subtemas, como tecnologia, turismo, cervejarias e

outros” e destaca que “as contribuições recebidas durante este ciclo de mesas-redondas vão colaborar para identificar desafios, aproveitar as oportunidades, apontar caminhos mais promissores, para assim implementar as medidas indicadas”.

O ciclo de mesas-redondas de 2023 se junta a outras iniciativas do IPG em andamento, como a coordenação da retomada dos grupos de trabalho focados em alguns dos subtemas do PEP20 – Plano Estratégico para Petrópolis, que tem por objetivo construir um ambiente de mais oportunidades para o desenvolvimento e mais qualidade de vida para os petropolitanos.

Os interessados em participar do evento, que tem entrada franca, devem fazer a inscrição através do e-mail ipgpar@gmail.com. Estudantes podem solicitar certificado de participação de carga horária de duas horas, para crédito acadêmico.

GRUPOS DE TRABALHO DO IPG SE REÚNEM PARA ATUALIZAÇÃO DO PEP 20

Dois grupos de trabalho do IPG (Instituto Philippe Guédon) já iniciaram este ano as atividades para fazer a revisão do PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis nos próximos 20 anos). O primeiro PEP 20 foi entregue aos candidatos a Prefeito, em 2020, e como todo planejamento estratégico não é estático, precisa estar sempre atualizado, o que ficou mais urgente após às mudanças provocadas pela pandemia e pelas tragédias socioambientais ocorridas em Petrópolis. 

O GT 04, de Desenvolvimento Econômico, coordenado por Cleveland Jones, Presidente do IPG, se reuniu, online, no dia 18, e o GT 05, de Meio Ambiente, administrado pelo advogado Ramiro Farjalla, se encontrou na Casa dos Conselhos, dia 28.

O GT 04 definiu alguns pontos que devem ser atualizados no diagnóstico, entre eles, propor iniciativas para retenção de renda no próprio município, a curto prazo; estimular as vocações econômicas de Petrópolis, como turismo; tecnologia; saúde hospitalar; educação Superior; comércio, moda e indústrias, e também atrair novos investimentos a longo prazo.

Já o grupo de meio ambiente fez uma releitura das propostas feitas em 2020 e os membros irão se dedicar primeiro às propostas relacionadas ao manejo dos Resíduos Sólidos em Petrópolis, ações para prevenção de riscos e formas de comunicação ambiental para a sociedade civil.

Os GTs concordam que o PEP 20 deve ser amplamente divulgado e entregue, não só para o Poder Público, mas também para todas as Instituições que representem movimentos da sociedade civil.