25 de outubro – dia da democracia: dois anos sem guédon

A gestão participativa como uma das ferramentas para se alcançar uma Democracia plena sempre foi um dos objetivos de Philippe Guédon, fundador do IPG. E por uma coincidência no dia 25 de outubro, dia da Democracia, há dois anos, o mestre Philippe Guédon partia. Para lembrar esta data tão simbólica, nesta terça-feira, pela manhã, familiares e integrantes do IPG prestaram uma homenagem nos jardins da Casa dos Conselhos, local onde estão as cinzas de Guédon. Foram depositadas flores e alguns participantes relembraram a importância da continuidade do trabalho de Guédon através do IPG para assim continuar o estímulo à cidadania.
A frase de D.Helder Câmara, escolhida para a placa, reforça o ideal de Guédon “Feliz de quem atravessa a vida inteira tendo mil razões para viver”.

HABITAÇÃO: É PRECISO QUEBRAR PARADIGMAS

“É preciso quebrar paradigmas, realizando obras com a aplicação de Soluções baseadas na Natureza – SbN”. Este foi um dos temas destacados por Maria Cristina Franca Melo arquiteta diretora do IPG, na programação do “CAU na sua Cidade – Petrópolis”.

O evento realizado na Praça da Liberdade, entre os dias 27 e 29 de setembro, foi promovido pelo CAU/RJ em conjunto com o Núcleo de Arquitetos e Urbanistas de Petrópolis – NAU, reunindo especialistas para discutir diversos temas através de palestras, mesas de conversas e mostras de trabalhos.

Arquiteta Maria Melo representando o IPG (terceira, da esquerda para direita)

Maria participou na mesa do tema relacionado à habitação e natureza e como esta temática se insere nas questões sociais, ambientais e urbanísticas do município. Além do IPG, que também contou com a representação do seu Presidente Cleveland Jones, participaram os profissionais do CAU/RJ, do NAU/Petrópolis, do CDDH (Petrópolis), e docentes de instituições de ensino em Petrópolis e da cidade do Rio de Janeiro. Na ocasião foram abordados diversos desafios e problemas tais como o déficit habitacional, as construções em áreas de elevado risco, a falta de drenagem nas comunidades e no Centro Histórico, assim como propostas de mitigação para o seu enfrentamento pelo município.

Maria apresentou o PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis), com visão de 20 anos, organizado pelo IPG com a participação da sociedade civil, destacando o capítulo sobre habitação do subtema do GT-01 (Urbanismo e Infraestrutura). Colocou e comentou as ameaças, oportunidades e propostas contidas no documento. Enfatizou também a importância do planejamento estratégico como forma de integrar as políticas habitacionais, ambientais e urbanas, um trabalho que vem sendo desenvolvido pelo IPG. Neste sentido, acredita que a “criação de um Instituto de Planejamento é premente para a cidade”, não se tratando apenas de criação de cargos, uma vez que poderia absorver alguns existentes nas diversas secretarias, tendo inclusive uma configuração jurídica independente politicamente às alternâncias de governo.

Para Maria é urgente a necessidade de uma legislação específica voltada para cidades como Petrópolis, as quais precisam ser resilientes aos efeitos das mudanças climáticas (cidades esponjas) e não continuem fazendo “obras seguindo o mesmo modelo de muitos e muitos anos”.

Para conhecer o capítulo sobre habitação no PEP 20 clique aqui.

Texto: Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação – IPG

Soluções para as Margens dos rios em Petrópolis

Entrevista com o Mestre e Doutor em Geologia, Cleveland Jones, sobre as margens dos rios em Petrópolis

IPG – O tipo de solo em Petrópolis facilita problemas como este da foto?
CJ – O problema das margens erodidas dos rios em Petrópolis é antigo. Boa parte do problema é cultural, já que as pessoas se acostumaram a pensar que margens sem vegetação abundante são mais “bonitas.” Uma visão mais esclarecida, no entanto, leva as pessoas a desejar que as margens estejam cobertas com vegetação mais abundante, como arbustos e árvores.Sem essa visão, e para atender aos anseios dos que não tem essa visão, a Comdep realiza ações e intervenções totalmente equivocadas, inclusive retirando a vegetação arbustiva e arbórea existente, e plantando ou colocando placas de grama.A integridade das margens dos rios é assegurada pela vegetação com raízes mais profundas, enquanto margens só com grama não se sustentam, especialmente em taludes íngremes ou na ausência de vegetação arbustiva ou arbórea. Apesar da grama ajudar a impedir a erosão superficial, quando há chuvas fortes ou inundações, ela é incapaz de evitar a erosão, e até mesmo o desmoronamento das margens dos rios. O solo das margens é geralmente pouco consolidado, e é mais facilmente desagregado, erodido e carreado por chuvas fortes e enchentes. Essa erosão e desmoronamento das margens resulta em grande aporte de sedimentos para os rios, o que gera assoreamento.
IPG – Os rios da cidade estão sempre com problemas de assoreamento e de vez em quando é feita uma limpeza e o rio volta a ficar assoreado e temos as enchentes. Qual a melhor técnica para diminuir esse problema?
CJ – É importante desmistificar o assoreamento como o grande problema no imaginário das pessoas, pois o próprio rio se encarrega de desassorear as partes com excesso de sedimentos, quando volta a encher. Infelizmente, se as margens continuam erodindo e desmoronando, não há como impedir o assoreamento e acúmulo de sedimentos no leito dos rios. Daí a importância de resolver a origem do problema – cuidar das margens.
IPG – Quais seriam as alternativas mais seguras e sustentáveis?CJ – É muito conveniente para as empreiteiras (e para a administração pública) fazer serviços de desassoreamento, que estragam ainda mais as margens, pela movimentação de grandes máquinas, e não resolve o problema fundamental. Adicionalmente, é um serviço de difícil medição, pois não há controle efetivo de quantas carretas de sedimentos são efetivamente retiradas, e a contratação está facilmente sujeita a manipulação, superfaturamento e desvios.Seria interessante que os próprios moradores que, por falta de entendimento da dinâmica natural dos rios, solicitam o desassoreamento, solicitassem mais cuidados assim como o plantio de espécies arburstivas e arbóreas, que embelezariam o ambiente inclusive com flores, e forneceriam condições que beneficiariam os pássaros e a fauna local, além de ajudar a combater a erosão e desmoronamento das margens dos rios.

Confira a análise de Cleveland Jones, Presidente do IPG, sobre a conferência

A Reunião do Comcidade 2022 – X Conferência Municipal da Cidade de Petrópolis (Comcidade), ocorreu em 3 de setembro de 2022, na Casa dos Conselhos, sendo convocada no Diário Oficial de 03 de agosto de 2022.

Segue análise do Presidente do IPG sobre esta Conferência:

O IPG vem buscando promover a gestão participativa, e introduzir o planejamento estratégico na gestão do município, tentando sensibilizar os gestores e a sociedade sobre a importância de um planejamento de longo prazo, realizado por um instituto de planejamento estratégico em Petrópolis. Por isso, seus diretores do IPG, Cleveland M. Jones (Presidente), Renato Araújo, e Roberto Rocha, estiveram presentes, assim como outros colaboradores, na condição de ouvintes.

Infelizmente, apesar de ser presencial e ter contado com boa participação do público e de conselheiros do Comcidade, o processo de realização da Conferência foi relativamente pouco divulgado para a sociedade em geral. O modelo de funcionamento do Comcidade, que permite que apenas conselheiros de conselhos municipais sejam eleitos conselheiros do Comcidade, também inibe a participação adicional de membros da sociedade que não sejam conselheiros de algum conselho municipal, mas que desejem colaborar.


As propostas que foram desenvolvidas pelos grupos temáticos do Comcidade, e que seriam
apresentadas a partir das 11h, durante a Conferência, não foram apresentadas aos presentes, apesar que diversos presentes inscritos fizeram ponderações sobre alguns temas.
As palestras realizadas pelos palestrantes convidados realmente trouxeram boas reflexões sobre os desafios e o potencial de algumas ações que foram mencionadas. A fala do Secretário de Meio Ambiente corajosamente lembrou os problemas que Petrópolis terá que superar, para se tornar mais sustentável e promover seu desenvolvimento equilibrado (econômico, social e ambiental). Mas todos continuam cientes da dificuldade de conseguir quebrar paradigmas que assolam Petrópolis há décadas – interesses que impedem a implementação de soluções para a redução de riscos, para a construção de habitação de interesse social, para uma melhor mobilidade urbana, e para uma melhor qualidade de vida, entre outras.

Da forma que o município se encontra, sem o mínimo de fiscalização ou observância de regras básicasdo Código de Posturas, entre outras demonstrações de abandono das prerrogativas do poder municipal, é difícil imaginar que o Comcidade possa apresentar propostas que efetivamente ajudarão a promover a implementação de diretrizes para políticas públicas de desenvolvimento do município e de ações setoriais do Peder Público.

Como parte tão fundamental da transparência oferecida pelo poder público, e da oportunidade de participação da sociedade, a Conferência do Comcidade esteve muito aquém do que se poderia esperar. Em nada se assemelhou às “formas de gestão democrática participativa, determinadas pelo Estatuto da Cidade,” que o próprio regimento interno da Conferência sugere que seja seu objetivo.

Apesar das dificuldades pelas quais o município de Petrópolis passou e ainda padece, a Conferência poderia ter sido mais participativa, mais objetiva, e ter envolvido mais membros da sociedade na discussão e elaboração de propostas concretas.

Resta ao IPG, como entidade voltada para promover a transparência, a gestão participativa, o planejamento na gestão municipal, e o desenvolvimento equilibrado, assim como a todos os cidadãos que participaram da Conferência, torcer pelo sucesso dos objetivos do Comcidade, ainda que isso pareça difícil e até improvável.

Cleveland M. Jones, Presidente
IPG – Instituto Philippe Guédon de Gestão Participativa

ABRIGO PARA ANIMAIS: SOLUÇÃO OU PROBLEMA?

Um assunto que está sempre em pauta no cotidiano dos petropolitanos é o bem estar animal. Este tema também faz parte do PEP 20, dentro do grupo de trabalho de Meio Ambiente. Por isso, o IPG está atento a essas questões. Recentemente foi publicado em um jornal local sobre a possibilidade de ser construído um abrigo municipal para animais domésticos abandonados, conforme  ação civil do Ministério Público Estadual. A proposta não agrada aos protetores.

O IPG conversou com três ativistas da causa animal em Petrópolis, Ana Cristina, da AnimaVida, Carlos Eduardo Pereira, do Gapa, e Marcelo Pamplona, da Dog’s Heaven. Todos com larga experiência em causas do Bem Estar animal, sempre atuantes em conselhos e conferências, explicaram o porquê do abrigo não ser considerado uma solução para os animais abandonados (em sua maioria cães e gatos) e acabar se transformando em mais um problema.

Nesta matéria colocamos os principais argumentos desses ativistas sobre a questão do abrigo e também algumas soluções propostas para evitar o abandono animal em Petrópolis.

Confira:

PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DA CONSTRUÇÃO DESTE ABRIGO

Todos os entrevistados concordaram que não há pontos positivos na construção de um abrigo para animais. Marcelo destaca que “Qualquer política voltada para proteção dos animais deve ser desenvolvida a partir de parâmetros de diagnóstico, ser estudada de maneira sistemática e com a abrangência adequada, como qualquer estratégia que pretenda atacar problemas complexos como os da proteção animal. É uma ideia que não partiu de um estudo concreto que tenha abraçado todos os aspectos’.  Já Ana Cristina, acredita que  a “ construção de um abrigo dentro do atual contexto da cidade – total falta de controle da população de cães e gatos – não trará nenhum benefício, nem para a cidade, nem para os animais e poderá se tornar um novo ponto de abandono de animais”.  E ainda há a questão financeira, como lembrou Carlos Eduardo, pois o abrigoé um equipamento de alto custo, tanto de construção, quanto de manutenção”. Os ativistas também estão de acordo que o abrigo não vai resolver o problema de animais abandonados e que em pouco tempo estará superlotado porque dificilmente a prefeitura terá condições de manter esse abrigo funcionando em condições de excelência. Uma preocupação de Carlos Eduardo é que caso tenha esse abrigo “para se retirar esses animais das ruas a solução é a volta da velha carrocinha, que é um equipamento absolutamente cruel, e que não faz distinção entre os animais comunitários, daqueles que tem tutores e que saíram para dar um passeio. Passou na frente da carrocinha, ela captura, captura com violência e isso é um retrocesso de cinquenta anos”.

DESTACAMOS OS SEGUINTES PONTOS NEGATIVOS

  • Aumento constante da população de animais no abrigo;
  • O incentivo ao abandono (no canil ou nas ruas) pois “tem alguém que cuide”,
  • A necessidade crescente de material e pessoal para manutenção
  • Alto custo, tanto de construção, quanto de manutenção.
  • Dificuldades da prefeitura de manter esse abrigo funcionando em condições de excelência.

TRAGÉDIAS DO INÍCIO DO ANO REACENDERAM OS DEBATES

Muitos animais nas tragédias que ocorreram não foram exatamente abandonados, seus tutores ou morreram ou ficaram sem casa. Isso pode ter estimulado a discussão sobre este tema do abrigo novamente. Marcelo afirma que depois da trajédia o abandono aumentou consideravelmente. Ana enfatiza que “a situação extraordinária dos animais vítimas das tragédias não seria um problema se a população de animais estivesse sob controle dentro do município. Talvez nem precisássemos de abrigo porque as ONGs e protetores independentes teriam condições de acolhê-los e trabalhar suas adoções com calma e responsabilidade.” CARLOS EDUARDO acredita queo número de animais nas ruas não cresceu em função desses eventos climáticos, mas sim “pela falta de uma política pública constante de castrações. Esse é o principal ponto que envolve o grande número de animais nas ruas. E é claro que a crise também. Porque muitas pessoas perderam o emprego, estão com dificuldades, estão enfrentando custos de alimentação das suas famílias bastante elevado e a ração no Estado do Rio tem um ICMS altíssimo e os custos de clínica veterinária também subiram bastante”.

SELO PET FRIENDLY COLABORA PARA DIMINUIR O ABANDONO?

Algumas cidades turísticas pelo Brasil estão aceitando animais em estabelecimentos como restaurantes e hotéis e muitas cidades já possuem o selo pet friendly, que é um certificado dado pelo poder público para estimular estabelecimentos a aceitarem a presença de animais de estimação. MARCELO acredita que Essa ideia é ótima e não é por acaso que está inserida em quase todas as propostas do relatório da conferência do bem estar animal”. Carlos Eduardo lembra que o selo pet friendly é hoje uma grande tendência mundial de turismo, pois as famílias atualmente já são consideradas multiespécies, mas não acredita que isto vá diminuir o abandono. Para Ana, o “ selo “pet friendly” é puramente comercial, não traz nenhum benefício para a questão animal da cidade. Uma cidade que não cuida de seus animais e que permite o abandono não pode ser chamada de “pet friendly”.

ONGS ENFRENTAM DIFICULDADES MAS O ABRIGO NÃO É A SOLUÇÃO

AFIRMAM PROTETORES

A Ongs protetoras de animais em Petrópolis têm passado por muitas dificuldades, como superlotação e falta de verbas, principalmente depois das tragédias de fevereiro e março. A Dog’s Heaven, por exemplo, estava com 270 cães em janeiro e atualmente tem 340 e teve que suspender o recebimento de cães, pois a superlotação foi atingida e não tem condições financeiras para arcar com os custos. Todos os entrevistados afirmam que a existência de um abrigo não resolve esse problema porque o número de animais nas ruas é enorme e só tende a aumentar pela falta de ações para coibir nascimentos descontrolados de animais. De acordo com Carlos Eduardo,A sociedade civil está respondendo por esse aumento de animais nas ruas, precisando de apoio, acolhimento e encaminhamento dos animais para adoção e não para a prisão. É a grande diferença do abrigo. Os animais ficam com os tutores, nas Ongs, e são oferecidos para adoção.”.

O QUE FAZER PARA EVITAR O ABANDONO

No início do ano foi realizada em Petrópolis a I Convenção de Proteção Animal, da qual resultou um documento com diversas propostas para o bem estar animal.

Elencamos aqui algumas soluções para evitar o abandono que todos os entrevistados concordam.

  • Controle de natalidade (mutirões de castrações sistemáticos e não somente a cada 6 meses),
  • Controle da guarda e posse de animais (microchipagem com o cadastro dos tutores na prefeitura e protocolo para que se possa saber para onde levar o animal)
  •  Educação ambiental pró-fauna dentro das escolas, incluindo nisso a educação e preparação dos professores.
  • Implementar as medidas que estão no relatório da conferência do bem estar animal – Necessidade de diálogo com o governo municipal;
  • Participação da sociedade civil no conselho municipal para opinar sobre as ações;
  • Adoção responsável – Incentivo à adoção de animais adultos

Entrevista e redação: Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação IPG

Planejamento e gestão participativa: entrevista com o empresário jonny klemperer

Gestão participativa, formação de um Instituto de Planejamento em Petrópolis e
Desenvolvimento Sustentável, são alguns dos temas da entrevista com o Diretor
do IPG, Jonny Klemperer, que além da larga experiência como empresário da
área tecnológica, participou de vários movimentos em prol da coletividade, junto
com Philippe Guédon.

Jonny Klemperer, empresário e Diretor Financeiro do IPG


IPG – Além do IPG, você já participou de diversos eventos, atividades,
associações, que envolvem a gestão participativa para o bem da coletividade,
como a Frente Ampla Pró-Petrópolis, em 2011, a elaboração da agenda 21 no
Município, o Polo Tecnológico de Petrópolis, entre outros. Então, explique qual
a sua motivação para participar dessas ações?


JK – Participar ativamente da “gestão participativa para o bem da coletividade” é
obrigação de todo cidadão que se preocupa com a melhoria do seu entorno e da
sua cidade: o cidadão que não praticar esta política-pública, não tem o direito a
reclamar dos problemas que afligem sua cidade!


IPG – Pela sua experiência em associações e como empresário, poderia explicar
de que forma a gestão participativa pode colaborar para o crescimento das
empresas?

JK – É muito simples: se você plantar uma semente num areal, não espere que
venha a obter uma colheita mais adiante. Sem cuidar do solo (cidade), dos
cuidados da adubagem e rega (boa administração pública) e do combate às
pragas (má administração pública), sua colheita será ou pífia ou inexistente!


IPG – Como empresário da área tecnológica, após as tragédias que ocorreram
no início do ano em Petrópolis, você acredita que a tecnologia pode ser a
principal ferramenta para o desenvolvimento de Petrópolis?


JK – A área tecnológica, na qual atuo, nunca foi e nunca será a “principal
ferramenta para o desenvolvimento de Petrópolis” e sim uma ferramenta
essencial-complementar para ajudar a minguar os estragos causados pelas
catástrofes climáticas em nossa região, que são potencializados pelo crime
praticado pelo poder público há décadas de forma consciente e sistemática, ou
seja: falta de planejamento de longo prazo!

IPG – Uma das críticas que sempre são lembradas quando acontecem essas
tragédias é que não havia planejamento por parte do poder público para
enfrentar situações de emergência. Como um dos colaboradores do PEP 20,
poderia explicar a importância do planejamento a longo prazo, para não só
minimizar os efeitos desses eventos climáticos, como também para o
desenvolvimento da cidade como um todo?


JK – Não é verdade dizer que Petrópolis não tem “planejamento urbano” já que
o Plano Koeler de 1846 nunca foi revogado e determinava (entre outras regras)
que as construções à beira dos rios tinha de obedecer a um afastamento bilateral
de 30 metros do eixo do rio e qualquer construção em encosta de morro era
terminantemente proibido! Estas 2 premissas ao serem desrespeitadas
sistematicamente com o passar do tempo (com anuência do poder público),
passamos a nos ater após cada período de verão, a compilar o número de
mortos pela tragédia-anunciada com data-marcada! Prova disto é o que
atualmente podemos assistir atônitos às obras de reconstrução e encerramento
de inúmeras atividades comerciais ao longo do Rio Quitandinha: com exceção
da fábrica São Pedro de Alcântara praticamente todas as construções ao longo
do rio Quitandinha foram atingidas de forma maior ou menor pela enxurrada –
todas fora do padrão Plano Koeler (a São Pedro de Alcântara foi construída
faceada ao rio, por necessidade de abastecimento da água fluvial para mover a
roda-d’água para os teares). Resumindo: qualquer cidade sem planejamento de
longo prazo levado a ferro e fogo, está fadada ao subdesenvolvimento e passa
a ser uma cidade-colcha-de-retalho!


IPG – Há algum tempo se discute em Petrópolis a formação de um Instituto de
Planejamento, como já existe em algumas cidades no Brasil. Acredita que este
Instituto seria a solução para o desenvolvimento da cidade de uma forma
sustentável? Se sim, como seria este Instituto?


JK – Desde a tragédia de 2011 (Vale do Cuiabá) Philippe Guédon & Abnegados
(naquela época reunidos na Frente Pró-Petrópolis/FPP) vêm tentando emplacar
um planejamento de longo prazo via Instituto Koeler/INK em Petrópolis – sem
sucesso e sem qualquer justificativa por parte do poder público! Tomamos por
modelo o IPLAP/Instituto de Planejamento de Piracicaba (formato públicoprivado) pela semelhança com Petrópolis e sucesso de desenvolvimento pósimplantação. Continuamos tentando emplacar o INK, agora pelo IPG/Instituto
Philippe Guédon, mas continuamos sem resposta por quem de direito!


IPG – Você conviveu durante muito tempo com Philippe Guédon. Poderia contar
alguma boa lembrança desse período?


JK – Meu convívio com Guédon se deu entre 2007 e 2020 e a boa lembrança
nesses 13 anos com o “Mestre Guédon” ficou a sua marca registrada do
incansável diálogo no relacionamento Sociedade Civil/Poder Público como
prática da gestão participativa! Tanto mais lastimo que não tenha havido a
devida correspondência por parte do Poder Público.

CENSO DEMOGRÁFICO 2022 ENTREVISTA COM O COORDENADOR DE ÁREA SEBASTIÃO CARVALHO

Para que um planejamento estratégico, como o PEP 20, documento elaborado pelo IPG, seja realmente eficaz e consiga propor soluções, é preciso ter dados confiáveis. Mas como conseguimos acesso a esses dados? Uma das formas é através do Censo Demográfico do IBGE que começou dia 01 de agosto, em todo o país. Por isso, o IPG conversou com Sebastião Carvalho, Coordenador de Área do IBGE para entender um pouco mais da importância da coleta dos dados da população.

“Sem informação, sem dados reais, não é possível alcançar as soluções para os problemas da cidade”, destaca Sebastião Carvalho ao falar, com entusiasmo, da importância do censo demográfico. Petropolitano, Sebastião é servidor do IBGE há 38 anos e atualmente é coordenador de área, que abrange além de Petrópolis, Areal, Comendador Levi Gasparian, Guapimirim, Paraíba do Sul, São José do Vale do Rio Preto, Sapucaia, Teresópolis e Três Rios.
Para a realização do censo, em todo o país, foi estabelecida uma parceria do Ministério da Economia com a Previdência Social. Mas Sebastião também tenta outras parcerias para agilizar o andamento do censo. Por exemplo, ele solicitou a todas às prefeituras que liberassem o transporte para os recenseadores. Até agora só a Prefeitura de Três Rios respondeu positivamente. Em Petrópolis o posto de coleta está instalado no prédio do INSS, na rua Barão de Teffé e a cidade foi dividida em 721 setores, não em bairros, pois dessa área só Teresópolis tem legislação de bairros.

Uma das dúvidas dos moradores é se as tragédias que aconteceram em fevereiro e março poderão ser um obstáculo para a contagem da população. Neste caso, Sebastião esclareceu que isso é não é um impedimento, “pois independentemente do local onde o desabrigado esteja, ele será computado, pois os recenseadores visitarão todas as localidades e perguntarão se a pessoa mora há mais de 12 meses na cidade e, assim, aquele morador ficará cadastrado no censo”. Segundo ele, há dados desde da tragédia de 88 de pessoas sem moradia fixa. Só na primeira semana de recenseamento já foram visitados mais de 9 mil domicílios e 6.900 já responderam ao questionário.

Sebastião acompanhou a evolução dos métodos de coleta de dados, desde o período de anotações em papel, até a tecnologia usada hoje que facilita muito o trabalho dos recenseadores, pois as informações vão chegando para o posto de coleta em tempo real. Sebastião lembra com carinho como conheceu Philippe Guédon, fundador do IPG, na sede do IBGE, em Petrópolis, há mais de 30 anos. Na ocasião, “Guédon foi ao escritório pegar informações e ficamos lá até às oito da noite e o expediente era às até às cinco, não vimos o tempo passar. Foi na época do anuário impresso do IBGE, não tinha as facilidades de hoje, e lembro que Guédon ficou maravilhado com a quantidade de informações e disse que nem em muitos países da Europa havia algo assim”.

Em 2022 recenseadores trabalham com um tablet, um Dispositivo Móvel de Coleta (DMC), onde os dados são inseridos , mas também ainda usam um Mapa do Setor Censitário em papel.

CENSO É FUNDAMENTAL PARA A ELABORAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS


São os dados do Censo que possibilitam aos gestores elaborar as políticas públicas. A distribuição dos recursos do fundo de participação dos municípios é definida conforme o número de habitantes. “O censo é importante para o planejamento dos municípios, por exemplo, para saber onde se constrói uma escola, se há necessidade de mais postos de saúde, ou até para decidir sobre a compra da quantidade correta de vacinas, para cada faixa etária. explica Sebastião, que também esclarece que “Não só governos podem ter acesso a esses dados. Pesquisadores, pessoas físicas e Instituições que tenham projetos, também podem, como é o caso do IPG, e até mesmo para pesquisas acadêmicas que precisem de dados históricos comparativos”.
Então, quando o recenseador bater à sua porta, lembre-se de que a sua participação é importante para a tomada de decisões que influenciam em nosso dia-a-dia.
Fique atento no site e nas Redes do IPG que iremos dar mais informações sobre o Censo.

Parte da equipe do Posto de Petrópolis,
que conta com cerca de 300 profissionais.(Da esquerda para a direita): Sebastião Carvalho. Bruna Azevedo,Gustavo Porges,André Gandolpho, Edilene Gazeta e Jefferson Augusto

Texto e entrevista: Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação IPG.

Quer saber como apresentar suas ideias aos legisladores?Confira a entrevista de Julian Kronemberg ao IPG

“Tem que ter iniciativa e ir até a Casa do Povo”. Este é o conselho do petropolitano Julian Kronemberg para aquelas pessoas que tem boas ideias e projetos para a coletividade e pensam que precisam ficar esperando que o Poder Público se manifeste. Ele é um exemplo de que isto pode dar certo. Foi assim que o farmacêutico, montanhista e ambientalista conseguiu avanços na legislação ambiental ao apresentar projetos aos Legislativos Municipal, Estadual e Federal. Segundo Julian, temos que apresentar nossas ideias o mais organizado, estruturado possível para agilizar o trâmite, assim o jurídico não tem tanto trabalho. “Não precisamos esperar que o legislativo faça, se já temos todo a documentação.”

Este ano duas leis de sua iniciativa foram aprovadas: o Programa Montanha Legal, na Câmara Municipal de Petrópolis, e o Projeto de Lei 3209/2020, que criou o Monumento Natural Estadual da Serra da Maria Comprida, na Alerj.

A aprovação desta Unidade de Conservação não foi apenas uma ideia de Julian. Este projeto foi idealizado também por Bruno Eckardt e Hugo de Castro, montanhistas que tinham ideias bem parecidas. Assim se uniram, montaram o projeto e apresentaram a um deputado na ALERJ e depois de três anos conseguiram aprovação. Apesar de todo o processo ter acontecido durante a pandemia, a participação popular foi fundamental para esta aprovação. Teve campanha nas redes sociais e uma audiência pública, que é obrigatória. Mas não foi fácil. Alguns proprietários reclamaram e a área da unidade teve que diminuir para se adequar às necessidades de todos os envolvidos.

Como esta Unidade está classificada como monumento, dentro da Legislação do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservaçaõ), ela pode ter visitação sem a necessidade de autorização. Assim é possível gerar renda com o ecoturismo e pesquisas. Julian também explica que esta UC possui características únicas de relevo e aspectos geográficos. Nesta região encontram-se ecossistemas naturais de grande relevância ecológica, onde existem espécies criticamente em perigo de extinção e endêmicas (só existem em Petrópolis), como a planta Worsleya Raineri, conhecida como rabo de galo.

Julian Kronemberg também tem apoiado outros projetos. Por exemplo, ele foi um dos responsáveis, junto com o CEP (Centro Excursionista Petropolitano), pelo montanhismo ter sido reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Petrópolis.

Então, se você tem alguma ideia ou projeto, Julian estimula a participação e dá uma dica: acesse o site legislAqui e coloque lá sua ideia.

Monumento Natural Estadual da Serra da Maria Comprida

O Monumento está sobreposto em parte pela APA Petrópolis e em seu entorno, ao sul, está a Reserva Biológica de Araras, a leste do Parque Nacional da Serra dos Órgãos e a nordeste o Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis. Esta unidade é de responsabilidade do Estado, no caso Inea, e depois que for sancionada pelo governador, conforme as regras do SNUC, será escolhido um gestor e eleito um conselho que vai elaborar o plano de manejo para a área. Para saber mais sobre o projeto clique aqui.

Neste vídeo, de Felipe Lombardi, é possível conhecer a região onde está localizado o MONA.

Fotos: Hugo de Castro

Entrevista – Teresinha Almeida

PERSPECTIVAS PARA A ECONOMIA PETROPOLITANA: ENTREVISTA COM MARCELO SOARES

Após as tragédias socioambientais ocorridas em Petrópolis, uma das preocupações dos moradores é com a economia da cidade. A questão econômica é um dos temas do PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis) elaborado pelo IPG com  a participação de representantes da sociedade civil. Por isso, o IPG conversou com o Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Marcelo Soares, que explicou um pouco sobre as perspectivas para a economia petropolitana.

Marcelo é engenheiro e presidiu a companhia GE Celma de 2001 a 2010 e outras quatro empresas de atuação global, nos setores de aviação, energia e óleo e gás. Integra conselhos de entidades como a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e de instituições como a UCP e o Museu Imperial.

IPG No PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis), o Condomínio Industrial da Posse foi apontado como uma das soluções para o desenvolvimento econômico da cidade. Em fevereiro algumas empresas já começaram a se instalar no local. Mas, como tivemos essas tragédias socioambientais em fevereiro e março na cidade, poderia explicar se isto afetou o andamento do projeto, se ainda está continuando e como e quando este Condomínio será efetivamente implementado?

MS – O condomínio continua em implantação. São três empresas preparando a área para construir seus galpões. É uma usina de asfalto, uma fábrica de massas alimentícias e uma fábrica de rações. As chuvas não atrapalharam e espero que até o final do ano, as obras de implantação de cada uma dessas indústrias já tenham começado. Temos todas as dificuldades de um negócio novo, partindo do zero, mas os três empresários estão animadíssimos e a obra de preparação dos terrenos e projeto dos galpões continua e isso certamente levará alguma atividade econômica, alguma riqueza para a Posse.

IPG – Quais os benefícios deste Condomínio para Petrópolis? Poderá gerar quantas vagas e em quais áreas?

MS – O benefício é mais movimentação econômica para Petrópolis. As três empresas estão crescendo, especialmente para Posse vai ser uma bela notícia, porque esses três empreendimentos deverão gerar em torno de 150 empregos diretos. E outro benefício é que o Polo Industrial vai efetivamente começar e quando ele começa ele pode atrair o interesse de outros empresários desacreditados do projeto desde quando ele começou. E já estamos vendo isso. Conforme as notícias do Condomínio avançam, outros empresários se interessam em se instalar lá.

IPGPetrópolis possui muitas Universidades e uma das reclamações dos moradores é que há poucas vagas de empregos de Nível Superior e os que existem a remuneração é baixa, em comparação a outros Municípios. O que pode ser feito para atrair empresas que absorvam essa mão de obra qualificada?

 MS – Não tenho informações concretas a esse respeito, mas eu compartilho desse sentimento. Empregos de nível superior não são um problema só em Petrópolis. Isso é um fenômeno conhecido. Há muito mais empregos para os níveis técnicos do que para os níveis superiores. A não ser que sejam para profissionais liberais como médicos e advogados. Outras funções têm que procurar emprego em alguma empresa e realmente eu concordo que as oportunidades são menores. Então, a solução ou é abrir o seu próprio negócio ou ser um profissional liberal como um dentista, um médico. É um problema que não é muito simples de resolver. Por exemplo, faculdades de engenharia formam muita gente, então, eu mesmo tenho um sobrinho, formado em Petrópolis, que foi trabalhar em Goiânia. Há empregos, mas não o suficiente para absorver todo o mundo. O que estamos fazendo é atrair empregos de base tecnológica para transformar Petrópolis num grande polo tecnológico de referência nacional. Aí eu acredito que vamos conseguir mais mão de obra no campo da tecnologia.

IPG – Pensando no cenário atual da cidade, quais os setores em que há chance de gerar empregos mais rapidamente?

MS – O setor que mais vai empregar certamente é o setor ligado ao turismo. Aí vai gastronomia, hotelaria, eventos, qualquer coisa nessa linha já está gerando empregos imediatos. Já vemos isso nos números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). É o setor que mais cresce no momento. O segundo setor que cresce bastante é o de construção civil. Ainda é relativamente pequeno, mais em termos de crescimento percentual, avançou bastante.

IPG – Petrópolis atualmente é lembrada por ser uma área de turismo e ecológica. Mas, também já teve muitas indústrias e com o passar dos anos muitas fecharam e outras se mudaram. Então, pensando no Desenvolvimento Sustentável e também no fato de boa parte de Petrópolis estar inserida em uma APA, quais os empreendimentos que seriam possíveis hoje nos bairros que não são estritamente residenciais?

MS – É verdade que Petrópolis perdeu algumas indústrias, mas ganhou muitas outras. É que a maioria das pessoas não se lembra. Então, nós perdemos sim basicamente muitos empregos na indústria têxtil, na indústria da moda. Por outro lado, ganhamos muitos que compensaram esta perda no setor de turismo, hotelaria, gastronomia, tecnologia. Eu tenho um estudo bastante amplo sobre este assunto. O que acho que vai gerar emprego, as indústrias que pretendemos atrair para Petrópolis, para gerar movimentação financeira, estão basicamente no setor de turismo, que é enorme, você pode inclusive pensar em cervejarias artesanais e também as grandes. Voltando ao ponto anterior. Petrópolis há alguns anos tinha a Bohemia, logo depois veio a Itaipava. Agora temos a Império e mais 25 cervejarias artesanais, que não têm só a questão da venda da cerveja. A maioria delas têm bares temáticos. Então, de novo, mais movimentação na economia através do turismo ou do comércio ligado ao turismo. Os empregos gerados têm basicamente um foco,  tecnologia e turismo no seu sentido mais amplo.

IPG – Para finalizar, no curto prazo, o que o petropolitano pode esperar de melhorias na economia local?

MS – A economia local já está se recuperando e basicamente no setor de turismo, gastronomia, hotelaria, eventos, cervejarias. Esse é o carro chefe do momento. A médio prazo seria o setor de tecnologia. Nós já estamos atraindo empregos de tecnologia e em breve vamos dar uma grande notícia de uma multinacional do setor de tecnologia que vai transferir sua matriz de São Paulo para Petrópolis. Os dados hoje comprovam que a economia já está se recuperando. Há muita desinformação e até atitude pessimista até de setores da nossa economia. Muitos fazem uma análise muito superficial sobre a economia de Petrópolis e geralmente mantém o foco nas indústrias que saíram de Petrópolis. Então, faria um apelo para um olhar mais abrangente, completo, sobre a economia da cidade, citando por exemplo essa questão dos empregos de base tecnológica, a questão da hotelaria, bares, restaurantes, eventos, cervejarias, um setor que cresce muito e emprega muita gente. Então, a economia de Petrópolis é uma economia saudável, evidentemente foi duramente atingida pelas chuvas. Vínhamos num crescimento interessante, mas felizmente já recuperamos e voltamos a crescer. Estou preparando um conjunto de dados concretos, informações objetivas para mostrar que a nossa economia demonstra saúde e sou muito otimista em relação ao nosso futuro, especialmente nessas duas áreas e  também em outras áreas que podem se beneficiar desse binômio turismo-tecnologia.

Gostaria de ressaltar também que a equipe da Prefeitura, liderada pela secretaria de turismo, trabalhando em parceria com a secretaria de cultura e a secretaria de desenvolvimento econômico, vem trazendo grandes eventos. Nosso calendário de eventos é muito robusto e beneficia a região de Itaipava e arredores e também o centro histórico. Então, têm os eventos de mountain bike e música no Parque Municipal. Nesse momento vamos reabrir o Palácio de Cristal, vem aí a Bauernfest, teve a reinauguração da Catedral, então, esse setor de eventos é muito potente. Isso tudo é um conjunto de atrações que traz muita movimentação econômica para Petrópolis

IPG ENTREVISTA EDUARDO COSTA, PRESIDENTE DA FAMPE

Para uma gestão pública ser democrática é preciso que a sociedade civil participe das decisões nas políticas públicas que envolvam o bem-estar da comunidade. E para muitas pessoas o primeiro caminho para iniciar esta participação pode ser uma associação de moradores. Por isso, o IPG conversou com o petropolitano Eduardo Costa, Presidente da FAMPE (Federação das Associações de Moradores de Petrópolis e Movimentos populares) para conhecermos um pouco mais sobre este tema. A FAMPE é bem atuante no Município e atualmente participa dos conselhos municipais COMPIR (Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial) e CGFMHIS (Gestor do Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social (CGFMHIS).

Eduardo é tecelão aposentado e começou a atuar em movimentos sindicais na década de 80 na luta por melhorias de salários e melhores condições no trabalho. Também foi diretor do Sindicato dos Têxteis e um dos fundadores da Escola Popular de Petrópolis. Em 2015 reativou a Associação de Moradores e Amigos do Bairro Floresta (AMAFLOR) e chegou à  Federação em 2017.

Confira aqui a entrevista e deixe seus comentários.

IPG– Qual a sua motivação para participar de movimentos comunitários?

EC: A minha motivação é ver tantas necessidades que os nossos Bairros de Petrópolis ainda têm. Apesar que com o passar dos anos acredito que avançou, acho que ainda tem muita a ser feito e precisamos cobrar do poder público para não perdermos o que já foi conquistado.

IPG – Philippe Guédon, fundador do IPG, foi um grande incentivador das associações de moradores? Você o conheceu? Tem alguma boa lembrança dele?

EC: Sim! Ainda quando era diretor no Sindicato Têxtil, o Presidente do Sindicato me convidou para ir em uma palestra dele. Fiquei encantado com as propostas de cidade que ele sempre defendeu e apresentou na palestra.

IPG – Poderia explicar o trabalho da Fampe atualmente? (Como ela se organiza, como ela interage com as outras associações?).

EC: Hoje a Federação das Associações de Moradores de Petrópolis (FAMPE) conta com trinta associações filiadas e está conseguindo, ainda com dificuldades,  fazer os processos eleitorais de algumas associações que nos procuram.

Conseguimos neste ano uma parceria com a diretoria da associação da casa da cidadania e estamos atendendo presencialmente aos presidentes de associações e lideranças que querem reativar alguma associação. Hoje em dia os contatos com as associações e lideranças é sempre através de grupos de watsapp e telefone. Temos também uma página no Facebook que respondemos as mensagens.

IPG –  Percebe-se que há muita dificuldade em fazer com que as pessoas participem das associações de moradores. Quais seriam as causas para esta desmotivação aqui em Petrópolis? Talvez os conflitos de vizinhança?

EC: Sim! Como também de outros movimentos sociais. Acho que uma das causas é o descrédito com a política pública e políticos que só prometem e não cumprem em campanhas. Acho que as pessoas já se contentaram com o que já foi efetivado em suas comunidades. Não vejo os conflitos como motivo para não participarem, na maioria são pessoas boas e que não se interessam mesmo.

IPG – Como estimular esta participação?

EC: Acho que para estimular é bem difícil, mas só mesmo na insistência, mostrando as reais necessidades de suas comunidades. Que só com a união e a participação em uma política democrática teremos como conquistar mais benefícios para a população e suas comunidades.

IPG– A legalização das associações de moradores também tem sido um obstáculo para que haja uma participação maior dos moradores nos Conselhos Municipais, pois muitas não estão com a documentação em dia ou às vezes não estão nem formalizadas. A Fampe tem realizado alguma ação para orientar essas Associações?

EC: Verdade! Muitas associações na cidade não conseguem se legalizar, é muita burocracia, com cartório e receita federal para regularizar um CNPJ, e ainda fica muito caro toda a documentação para uma entidade que é sem fins lucrativos. Quando se consegue a gratuidade na defensoria pública, aumenta as exigências quando chega no cartório.A Federação, como também é sem fins lucrativos e não temos nenhuma ajuda financeira, procuramos orientar mostrando os caminhos e às vezes acompanhamos até o cartório, receita federal e até na defensoria pública.   

IPG – Poderia citar exemplos de ações que se realizaram através da mobilização da sociedade, em Petrópolis?

EC: Ultimamente a nossa luta é com o transporte público de nosso município, já participamos de audiências públicas e várias reuniões com presidentes de associações, lideranças comunitárias na Câmara Municipal com os vereadores que integram a comissão dos transportes públicos. A Federação, conseguiu, mesmo com dificuldades, se mobilizar e ajudar muitas comunidades referenciando locais que estavam ajudando famílias que ficaram desabrigadas nesse último período de calamidade que ocorreu em Petrópolis no início do ano, em 15 de fevereiro e 20 de março.

IPG – A Fampe agora está fazendo um curso de lideranças comunitárias. Poderia explicar como é o curso? Quem pode participar? Como se inscrever?

EC: Sim! Esse tão sonhado curso de nossa gestão. Iríamos dar esse curso em 2020, estava quase tudo certo, mas infelizmente devido a pandemia tivemos que adiar. Então agora conseguimos voltar, estamos com a parceria da Escola Popular e a Universidade Estácio de Sá nos cedeu uma sala de aula para dar o curso neste mês de julho, aproveitando o mês de férias dos estudantes. A ideia é orientar as lideranças, montar projetos para a sua comunidade, e mostrar os caminhos de legalização da ata das associações e estatutos nos cartórios. E a importância da união comunitária para se conseguir a chegar ao poder público e ser atendida com as suas demandas.

Qualquer liderança pode participar. É totalmente aberto e para se inscrever é só procurar um de nossos diretores que passarão o nome para eu inscrever.

IPG- Um dos objetivos do IPG é estimular a gestão participativa, ou seja, a participação dos cidadãos de forma que influenciem a tomada de decisões dos gestores públicos. Por isso, pensando neste objetivo e na realidade de Petrópolis, após duas tragédias socioambientais, como você acredita que as Associações podem colaborar para que possamos reerguer a cidade, de acordo com as necessidades dos moradores?

EC: Não vejo outra maneira se não estiverem organizadas e legalizadas. Estou observando que após a tragédia tem muitas associações batalhando para se regularizar e até criar associações e até comissões de Rua.