Quando pensamos em políticas públicas quase sempre nos lembramos de ações relacionadas à saúde, à educação e à economia. Raramente o esporte é citado de imediato. Mas ter uma política pública voltada para este setor também é importante para a sociedade.

Para entender melhor como devem ser essas políticas e como elas beneficiam a população, o IPG conversou com o Profissional de Educação Física Renato Farjalla, que possui mais de trinta anos de experiência nesta área. Formado pela UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), em 1989. Renato é Mestre em Inovação Institucional em Educação Física Esportes e Lazer, pela Universidade Gama Filho, e Doutor em Ciências do Desporto pela Universidade Trás os Montes e Alto Douro, Portugal. Renato também já atuou como pesquisar responsável pelo Laboratório de Atividades Físicas, Esportes e Lazer na Unesa, entre 2005 e 2018, e atua nos Conselhos Municipais do Idoso e do Esporte.
Sempre envolvido em estudos e projetos sobre políticas públicas para o Esporte em Petrópolis, Renato é autor de estudos sobre perfil de usuários, impacto de programas públicos e privados na saúde, educação, turismo, mobilidade da cidade de Petrópolis.
De acordo com Renato, uma prova da importância de implementar políticas para o esporte é que “cada unidade de real investida em política pública de esporte e lazer, chega-se a economizar mais de quatro reais na área de saúde”.
Quer saber mais?
Confira a entrevista.
IPG: Qual a importância das políticas públicas para o esporte no cotidiano da população?
RF: As Políticas Públicas são um modo de atuação e gestão da administração, que o governo imprime durante ciclos de governança, seu ciclo político. Existem as políticas públicas de governo e as de Estado, dentro da área do esporte. O cotidiano da população é tremendamente interferido, sofre interferências dessas políticas que são voltadas ao atendimento das necessidades da população. As políticas públicas são o Estado em Ação, o Município em Ação”.
IPG – Quais os reais benefícios para a saúde?
RF: Se sabe muito que o exercício é a medicina preventiva mais eficiente e barata que se tem conhecimento científico a respeito disso. Então, os benefícios à saúde são inúmeros porque as doenças crônicas não transmissíveis, por exemplo, como a obesidade, vêm do sedentarismo e do acúmulo de energia, ou seja, de comida. Todas as doenças cardiorrespiratórias, hipertensivas, tudo isso vem em função do sedentarismo, da pouca prática de atividade física sistemática ou ainda da falta de incentivos aos exercícios e às noções de autocuidado. A educação da população de uma cidade pouca amiga do exercício físico, pouca amiga da mobilidade ativa, das práticas regulares ou ainda a baixa qualificação da educação física nas escolas, cria um ciclo de sedentarismo e de aversão ao exercício até das próprias famílias que não incentivam seus filhos a participarem de exercícios ou a participar das aulas regulares, torna-se um círculo vicioso.
IPG – Na prática, como devem ser aplicadas essas políticas no Município? Já existem?
RF: No município essas políticas existem de uns tempos para cá. Está se profissionalizando, se qualificando. São políticas que vem desde quando a Secretaria (de Esportes) não existia. Vem de uma transição de uma coordenadoria para secretaria. Elas já existem e são voltadas, por exemplo, no atendimento das necessidades das populações, das reinvindicações das populações. Por exemplo, a rua de lazer na Barão do Rio Branco é uma reinvindicação da população. Projetos esportivos que atendem crianças no contraturno escolar também é uma reinvindicação antiga da população. Esses projetos existem, são feitos por exemplo, no CEI do Caxambu, num ginásio que tem verba federal, que serve exatamente para isso, aulas de educação física para as escolas do entorno e preencher o tempo livre da população.
IPG – O estilo de vida da maioria da população não colabora para que consiga praticar uma atividade esportiva. Então, você tem alguma sugestão de como motivar ou facilitar essa prática?
RF:Se tem uma cidade que não é amiga, que é potencialmente adversária das pessoas para que elas tenham uma boa mobilidade fisicamente ativa, ou seja, andem com segurança, possam usar bicicletas, isso dificulta a prática. Petrópolis está atrasada uns 50 anos na mobilidade, em relação a isso, gravemente. Na cidade prevalece o carro. Tem um carro para cada dois habitantes. Então, essa questão do estilo de vida ativo que chame as pessoas para uma atividade física, um exercício físico, que é algo mais intenso, em um lugar acessível isso tem que ser discutido, porque isso impõe um enorme custo ao erário público no tratamento das doenças. Então, o tratamento das doenças crônicas não transmissíveis como obesidade, hipertensão, diabetes, seriam minimizadas se houvesse uma cidade com estilo de vida mais ativo, que congratulasse a quem corre, quem anda, quem pedala, nada, a quem usa o ginásio público como uma forma de exercitar e manter sua saúde com consciência e educação, que tem haver com alimentação, com hábitos saudáveis.
IPG – Na sua prática, poderia dar algum exemplo de indivíduos (crianças e adultos) que passaram por alguma transformação ou benefício após aderirem ao esporte?
RF – Existem centenas de exemplos de populações que se tornaram mais ativas fisicamente. Temos exemplos de cidades, e até de Petrópolis mesmo, no início dos anos 2000 quando passou por um programa de iniciação desportiva promovido pela Prefeitura. Teve um aumento de aderência às práticas esportivas e às aulas esportivas. São exemplos de que as pessoas crescem e se desenvolvem através de políticas públicas regulares de baixo custo e de grande impacto na população. Então, são formas de fazer com que as pessoas tenham melhoria de qualidade de vida a partir do oferecimento que lhes é proposto. E um outro aspecto interessante é a própria rua de lazer que acontece aos domingos e feriados. Essa rua provocou o hábito de caminhar e muitas pessoas aferidas pelos seus médicos e em programas de pesquisas, tiveram redução da pressão arterial e o surgimento de um gosto esportivo, um gosto pela prática, que trouxe mais saúde.
IPG – Gostaria de citar mais algum ponto importante sobre essa política pública em Petrópolis?
RF: As Políticas Públicas de esporte e lazer na cidade estão amadurecendo, porque elas deram às mãos à Educação, que é a origem do esporte e lazer; à cultura, que é uma questão da compreensão de que o movimento é uma razão cultural, o esporte faz parte de uma cultura, e ao turismo, congratulando, por exemplo, os eventos esportivos que mexem um erário considerável de dinheiro, com as pessoas que vêm aqui e que fazem exercício e esporte, que gastam dinheiro, que fazem com que o ciclo do capitalismo que envolve o esporte, de lazer ou de desempenho, seja acrescido de um montante considerável. É muito importante que as políticas públicas sejam colocadas em Petrópolis com um caminho de cuidado com a população. É muito importante nós percebermos que Petrópolis depois da pandemia e de duas tragédias socioambientais seguidas, que ela precisa de cuidados, precisa cuidar da população e uma das ferramentas que cuida da população e combate o estresse e todas as mazelas, do sedentarismo, da depressão, em várias faixas etárias, desde crianças aos adultos, chama-se atividade física ou ESPORTE.

Entrevista – Teresinha Almeida

































