UNIDADES DE CONSERVAÇÃO: FUNDAMENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Embora alguns setores ainda insistam que a legislação ambiental possa ser um entrave para o desenvolvimento econômico, o fato é que a realidade mostra o contrário. As Unidades de Conservação são um bom exemplo. Desde que foi criado o SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), as cidades onde estão estas unidades se beneficiam de diversos serviços ambientais, que são aqueles proporcionados pela natureza, como fartura de água, florestas e ar puro, e que acabam colaborando para impulsionar a economia local.

Recentemente Petrópolis, que possui vinte e duas áreas de preservação, quase oitenta por cento do seu território, se tornou a Capital Estadual das Unidades de Conservação, após a aprovação do Projeto de Lei nº 363/2023.

Mas quais as vantagens deste título para os moradores e como isto pode afetar o cotidiano? Para compreender melhor o assunto, o IPG conversou com três profissionais que conhecem bem a realidade das unidades de conservação:  Julian Kronemberger, montanhista e ambientalista, Jorge Tardan – Mestre em administração, analista de gestão da Fundação Osvaldo Cruz e pesquisador sobre serviços socioambientais – e Raquel Neves, presidente da Associação dos Guias de Turismo de Petrópolis.

Como surgiu a ideia do título?

Julian Kronemberger

A ideia partiu de Julian Kronemberger, que já foi entrevistado pelo IPG, e é um cidadão que está sempre dando sugestões para os legisladores, tanto para questões que envolvam o município, estado ou até mesmo o governo federal. Ele explica que só apresenta uma proposta quando percebe que há algo viável e para um mandato que tenha afinidade e conhecimento do assunto, independente do partido. “A minha intenção é só iniciar e depois quem administra é o gestor”, esclarece. Neste caso a proposta foi para o Deputado Yuri Moura, que junto com o Deputado Carlos Minc, apresentou o projeto aprovado em agosto na ALERJ. Julian também destaca que pensou no título “para prestigiar o trabalho das pessoas que cuidam das unidades de conservação e nem sempre são lembradas, como por exemplo, os guarda-parques, os brigadistas e os técnicos que fazem monitoramento de fauna”.

As Unidades de Conservação e a Economia local

Jorge Tardan

Floricultura, apicultura, agricultura orgânica de base familiar, turismo gastronômico, de aventura ou contemplação, cervejarias. Essas são algumas das muitas possibilidades para as unidades de conservação de Petrópolis, de acordo com o pesquisador Jorge Tardan, pois já possuem histórico neste bioma. Ele também sugere eventos para impulsionar a economia, “Poderia se pensar num festival da orquídea, por exemplo, alguma coisa que durasse um fim de semana, com atrações musicais, visitas guiadas às unidades de conservação da região.” Essas atividades só podem ser realizadas nas unidades de uso sustentável. Jorge lembra que “nas de proteção integral as atividades econômicas possíveis são bastante restritas, ou mesmo legalmente impossíveis, a depender do tipo”.

Raquel Neves

Em relação ao título, Julian acredita que é “É sempre muito vantajoso porque fomenta diversos setores da economia, como restaurantes, comércio, cervejarias, agropecuária. Raquel Neves, turismóloga, que trabalha na área há 17 anos também como Guia de Turismo credenciada, concorda e reforça que “a conquista deste título será importante para continuar a batalha pela preservação dos atrativos naturais e de nossas unidades de conservação. Sem dúvida, esse título poderá atrair mais público para Petrópolis, gerando mais permanência dos turistas aqui para realizar essas atividades, bem como estimular que as pessoas visitem os locais com profissionais que tenham conhecimento da região”. Jorge Tardan, pensa um pouco diferente.  Para ele “O título por si pouco contribui, mas a utilização publicitária dele pela governança municipal parece poder contribuir para alavancagem da economia local”. Mas teme que “sem a introjecção por parte dos governos da relevância natural e paisagística a que este título remete e a consequente criação de políticas públicas orientadas por esta consciência, que esta lei se torne não mais que um título honorífico”.

Como funciona na prática?

Os moradores podem se beneficiar dos serviços ecossistêmicos de diferentes formas. Jorge citou os seguintes exemplos:

  • Controle do clima feito pelas florestas, que impede eventos extremos, como ondas de calor.
  • A manutenção das condições de respirabilidade do ar porque grandes áreas verdes garantem a qualidade de ar atmosférico local, o que leva a menores incidências de atendimentos médicos por alergias ou outras afecções respiratórias quando comparadas a áreas poluídas.

O turismo, sem dúvida, é um dos setores mais beneficiados pela criação de UCs. Raquel Neves, frisa que “Petrópolis por ser um local de belezas naturais, sempre atraiu as pessoas para cá”. Julian explica que, além de aumentar o número de visitações nas Unidades onde são permitidas visitas, o título facilita “incrementar um ecoturismo consciente que gera empregos verdes, como guias de turismo, pousadas simples não só para montanhistas, mas quem quer ter um lazer próximo à natureza.”  E o objetivo do título é “firmar um compromisso não só de criar mais UCS. mas de manter as atuais”. Raquel reforça que o título traz muito mais credibilidade e ressalta o encantamento dos turistas que visitam Petrópolis “pois além das belezas históricas, arquitetônicas, as belezas naturais se destacam e por isso muitos turistas retornam”. 

A possibilidade de ter uma fiscalização mais eficaz também é um benefício que o título pode trazer. “O poder público acaba tendo mais atenção, melhora a responsabilidade na conservação e manutenção da própria unidade e também do entorno, porque há um controle maior e evita desmatamentos e construções irregulares, que podem acabar em tragédias como as que ocorreram diversas vezes em Petrópolis.”, acredita Julian.

ICMS Verde

O aumento do ICMS verde é um ponto positivo que Julian e Jorge destacam, embora lembrem que ter várias Unidades não é o único requisito para receber mais desse imposto. Há critérios como saneamento básico, política de resíduos sólidos, entre outros.  Jorge acredita que “É necessário, talvez até mais do que criar novas UCs, investir nas existentes com ações de regularização fundiária, delimitação georreferenciada dos limites, planejamento operacional, fiscalização e guarda ambiental”.

Gestão participativa

A Lei do SNUC foi importante para introduzir e assegurar a participação da sociedade na criação das UCS, através de consulta pública e da gestão através de conselhos e o tema gestão participativa é um dos objetivos do IPG. Sobre isso, Jorge destaca que “Segundo a base de dados do MMA, há hoje em território nacional 2761 UCs (proteção integral e uso sustentável) distribuídas entre os diferentes entes federativos da nação. Destas, apenas 20,39% contam com conselho gestor instituído e plano de manejo elaborado. Considerando a política de desmonte na área ambiental levada a cabo nos últimos 4 anos, não há motivos para se acreditar que a participação popular que não era das mais expressivas tenha se ampliado”. Mas em sua experiência pode constatar que “A melhoria da participação e engajamento da população com as UCs, guarda relação intrínseca com a “apropriação” do território pela mesma”. Por isso, Julian reforça “a importância da Educação Ambiental nas UCs direcionada não só para as crianças, mas para os adultos, para que compreendam a importância do cuidado com a natureza”. Raquel ressalta que “O fato de continuar preservando esses locais, é algo muito importante. Nosso bioma agradece e as futuras gerações, também”.

Confira aqui a entrevista, na íntegra do pesquisador Jorge Tardan.

Entrevista a Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação – IPG

Foto UC Mona: Julian Kronenberguer

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Entrevista com Jorge Tardan, Mestre em Administração e Pesquisador


IPG- A partir da sua experiência como administrador, gestor ambiental e com trabalhos de pesquisas socioeconômicas sobre serviços ambientais em Unidades de Conservação, explique como uma lei, que dá um título a cidade de Petrópolis, de capital Estadual das UCs, pode ser importante para o desenvolvimento econômico deste Município?

JT – O título per si me parece que pouco contribui, mas a utilização publicitária dele pela governança municipal me parece poder contribuir para alavancagem da economia local. Todavia, sem a introjecção por parte dos governos da relevância natural e paisagística a que este título remete e a consequente criação de políticas públicas orientadas por esta consciência, temo que esta lei se torne não mais que um título honorífico.

IPG – Quando se fala em Unidades de Conservação, muitas pessoas acreditam que esta área não pode ser economicamente utilizada. Então, quais as atividades que podem ser desenvolvidas nas UCs de Petrópolis?

JT – A definição de atividades econômicas desenvolvidas em Unidades de Conservação (UCs) imprescinde de que tipo de UCs se está falando, o SNUC reuniu os 12 tipos de UCs legalmente possíveis em dois grandes grupos: proteção integral e uso sustentável. Nas UCs de proteção integral as atividades econômicas possíveis são bastante restritas, ou mesmo legalmente impossíveis, a depender do tipo. Nas UCs de uso sustentável, por sua vez, há um leque maior de possíveis benefícios econômicos que podem ser obtidos direta ou indiretamente dos serviços ecossistêmicos prestados pelas UCs.

Para responder mais objetivamente a sua pergunta, diria que o primeiro passo seria a identificação dos tipos existentes de UCs na região. Por exemplo, conforme a base de dados do MMA há 15 UCs abrangidas no todo ou em parte pelo território do município de Petrópolis, dez são de uso sustentável, sendo 6 de governança federal e 4 de governança estadual, 9 RPPN e uma APA. As outras 5 são de proteção integral, sendo 1 federal, 2 estaduais e 2 municipais, o Parque Municipal de Petrópolis e o Monumento Natural da Pedra do Elefante. Um cluster ou mosaico de UCs seria uma possibilidade de arranjo possível? Talvez sim. Envolveria uma “costura” política sensível dado a diversidade de esferas de governança e natureza das UCs existentes.

As atividades possíveis têm relação com o tipo de bioma local, na região notadamente há histórico de floricultura, apicultura, agricultura orgânica de base familiar, turismo gastronômico, de aventura ou contemplação, cervejarias, queijarias etc. Poderia se pensar num festival da orquídea, por exemplo, alguma coisa que durasse um fim de semana, com atrações musicais, visitas guiadas às UCs da região etc.

IPG – Quando se fala em serviços ambientais proporcionados por estas Unidades, o cidadão comum nem sempre percebe como isto pode afetar o seu cotidiano. Poderia dar alguns exemplos práticos desses benefícios?

JT – Serviços ambientais ou serviços ecossistêmicos, como na Academia se prefere chamar, são um rol de “serviços” prestados pela natureza sem necessariamente haver intervenção ou participação humana. Ou seja são benefícios que as pessoas obtêm dos ecossistemas. Certos serviços ecossistêmicos poderiam ser classificados como comuns, o que em economia é entendido como algo (bem ou serviço) ao qual não é possível restringir o acesso por parte de todos, o ar atmosférico, por exemplo.

Os serviços ecossistêmicos dividem-se basicamente em 4 categorias: serviços de suporte, como formação do solo, fotossíntese, evapotranspiração e ciclagem de nutrientes; serviços de provisão, como alimento, água, madeira, fibras; serviços de regulação, como controle do clima, de enchentes, de pragas e vetores de doenças, digestão de resíduos e serviços culturais, que propiciam benefícios recreacionais, estéticos e espirituais.

As pessoas podem se beneficiar dos serviços ecossistêmicos de diferentes formas, inclusive economicamente. O controle do clima feito pelas florestas, por exemplo, impede que eventos extremos como ondas de calor. A manutenção das condições de respirabilidade do ar é outro exemplo, grandes áreas verdes garantem a qualidade de ar atmosférico local, o que leva a menores incidências de atendimentos médicos por alergias ou outras afecções respiratórias quando comparadas às áreas poluídas, há diferentes estudos já realizados nesse sentido, comparando, por exemplo, a qualidade do ar às margens da Avenida Brasil com a do Alto da Boa Vista, bairro que rodeia a Floresta da Tijuca na cidade do Rio de Janeiro. A exploração comercial por comunidades tradicionais de flores endêmicas que ocorre no Parque Nacional das Sempre Vivas em Minas Gerais, por sua vez, é um exemplo de benefício econômico prestado por um serviço ecossistêmico da região.

IPG –  Um dos pontos positivos da criação de UCS é o aumento do repasse do ICMS-Verde para o município. Poderia explicar um pouco como esse repasse tem beneficiado a população? O como poderia de fato beneficiar? Enfim, onde podem ser aplicados estes recursos?

JT – Eu devo confessar que não domino o campo de estudo do direito tributário ambiental. Portanto, minha resposta a esta questão não deve ser tomada como possuidora de propriedade ou profundidade.

Do pouco que sei sobre o tema, o que talvez valha a pena destacar é que a lógica de uso do ICMS ecológico deve ser norteada pelo princípio que o fundamenta, ou seja, o protetor-recebedor. Tal princípio postula que o ente público ou privado que atua em defesa de um bem natural deve receber uma compensação financeira pelo serviço de defesa ambiental prestado. Isto é o oposto do princípio usuário-pagador, onde o usuário de um determinado recurso da natureza paga por sua utilização.

Sendo assim, o valor da parcela redistribuída pelos Estados aos Municípios deve ser proporcional aos seus compromissos com a preservação ambiental.

Eu desconheço a aplicação da parcela do ICMS destinada à Petrópolis que é de natureza ecológica. Entretanto, me parece que há duas dimensões a serem observadas por municípios que almejam o ICMS ecológico, a quantitativa e a qualitativa. Quero dizer que não basta o afã de se criar unidades de conservação (dimensão quantitativa) com o fito de ampliar a parcela de retorno do ICMS a título ecológico. É necessário, talvez até mais do que criar novas UCs, investir nas existentes com ações de regularização fundiária, delimitação georreferenciada dos limites, planejamento operacional, fiscalização e guarda ambiental etc. (dimensão qualitativa).

Óbvio, porém, é que ações que são o gêmeo siamês da sustentabilidade ambiental devem ser promovidas, se para isso se puder contar com os recursos do ICMS ecológico, que ótimo. Estou falando de saneamento básico, gestão de resíduos sólidos, preservação de mananciais públicos de águas, ações contínuas de educação ambiental entre outras. Ainda a respeito da capitalização por Petrópolis do título recebido, seria talvez uma oportunidade para implantação de um centro de referência em educação ambiental multidisciplinar na cidade.

O IPEA, há alguns anos atrás, publicou um bom estudo sobre o ICMS ecológico e sua aplicação em diferentes municípios do Brasil, talvez valha à pena consultar este material.

IPG – A Lei do Snuc foi importante para introduzir e assegurar a participação da sociedade na criação das UCS, através de consulta pública e da gestão através de conselhos. Atualmente, isto tem acontecido? A sociedade tem mesmo participado? E como essa participação pode melhorar?

JT – Eu não possuo os dados de tais participações em amplitude Brasil. Porém, posso citar alguns dados que podem dar uma ideia do estado da arte da situação. Segundo a base de dados do MMA, há hoje em território nacional 2761 UCs (proteção integral e uso sustentável) distribuídas entre os diferentes entes federativos da nação. Destas, apenas 20,39% contam com conselho gestor instituído e plano de manejo elaborado. Considerando a política de desmonte na área ambiental levada a cabo nos últimos 4 anos, não há motivos para se acreditar que a participação popular que não era das mais expressivas tenha se ampliado.

A melhoria da participação e engajamento da população com as UCs, do pouco que pude constatar até agora, guarda relação intrínseca com a “apropriação” do território pela mesma. Ainda que em contexto de diferentes beneficiários dos serviços ecossistêmicos essa “apropriação” possa ser um ponto nodal de conflitos de interesses, sem a mesma, as UCs tendem a ficar abandonadas à própria sorte, haja vista as limitações evidentes dos instrumentos de comando e controle utilizados pelos entes públicos responsáveis pelas UCs.

IPG – Poderia explicar um pouco sobre sua pesquisa atual?

JT – Minha pesquisa centra-se em verificar se UCs podem, e se podem sob que condições, funcionar como Sistemas Socioecológicos (SSE). A ideia de SSE deriva de uma corrente do pensamento econômico denominada Economia dos Comuns ou dos Bens Comuns. Um SSE, definido de uma maneira simplista, seria um pool de sistemas de recursos (florestas p. ex.) no qual usuários (comunidades tradicionais p. ex.) se beneficiariam de unidades de recursos (madeira p. ex.) sob a égide de um sistema de governança.

Minha pretensão acadêmica está no sentido de mapear quais variáveis socioeconômicas desses 4 núcleos subsistêmicos (sistemas de recursos, unidades de recursos, usuários e sistema de governança) são relevantes para a construção de uma matriz de avaliação da dinâmica do SSE no sentido de prospectar cenários que possam indicar a tendência: sucesso (conservação, continuidade, prosperidade) ou fracasso (degradação, esgotamento, ruína) do mesmo.

Como referencial de apoio à economia dos comuns, trabalho também com a economia ecológica que trata dos limites entrópicos de sistemas de produção/exploração econômica.

IPG DESENVOLVE PROJETO INOVADOR E PIONEIRO EM PETRÓPOlIS

Uma proposta inovadora e pioneira. Assim pode ser definido o projeto de pesquisa
“Cartografia do Ecossistema de Inovações Sociais de Petrópolis” que está sendo desenvolvido pelo Instituto Philippe Guédon (IPG). “De acordo com o Professor Gustavo Costa, Coordenador do projeto, “o tema é emergente e há pouquíssimos estudos sobre inovações sociais no Brasil, sobretudo baseados na perspectiva pragmatista”. O Presidente do IPG, Cleveland Jones, acredita que esta pesquisa deixaria Guédon muito feliz, pois “inovação e pioneirismo sempre fizeram parte da trajetória de Philippe Guédon. Foi ele quem fundou a primeira associação de moradores de Itaipava, a primeira cooperativa de reciclagem e esteve presente em muitas outras iniciativas de gestão participativa”.
O projeto faz parte do programa pesquisador na empresa, da FAPERJ, que financia as
bolsas para os profissionais que ficarão encarregados de fazer a pesquisa. Os bolsistas
foram selecionados através de uma chamada pública do IPG e recebeu mais de 20 currículos. Os escolhidos foram Reginaldo Braga Junior, Mestre em Arquitetura e
doutorando em Planejamento Urbano e Regional, e Gopala Miron Assis, Mestre em Política Social.
(Confira no box abaixo o perfil dos bolsistas)

Da direita para a esquerda: Cleveland Jones conversando com os pesquisadores.

Reginaldo e Gopala apesar de terem motivações e experiências acadêmicas e profissionais bem distintas um do outro, possuem em comum o interesse pelos temas
ecossistema de inovação social e gestão participativa. Reginaldo resolveu participar da seleção porque percebeu que havia pontos que se relacionavam com suas pesquisas,
e o fato de ser uma pesquisa nova no Brasil também o entusiasma. Gopala destaca que por ser “uma proposta nova, um projeto em construção, ainda há poucas referências no país”, o que mostra que o trabalho deles poderá ser também uma referência e ter desdobramentos.
E eles já estão trabalhando. Neste momento, o primeiro passo é fazer um mapeamento das localidades de Petrópolis, através de dados estatísticos oficiais. O objetivo é entender a cidade, identificar iniciativas, as instituições envolvidas e elencar os principais problemas de Petrópolis. Só depois desta etapa é que irão para o trabalho em
campo, ou seja, conhecer de perto os locais e visitar as comunidades.

Entenda mais sobre o projeto

Inovação social é desenvolver soluções para problemas e necessidades que impactam toda a sociedade, por isso, basicamente, a pesquisa pretende responder as seguintes perguntas:

  • Quais iniciativas promovem Inovação Social e como são formadas?
  • Quem são os atores de suporte e quais papeis desempenham?
  • Quais são e como ocorrem as interações entre os atores?
  • Quais são as principais causas mobilizadas?
  • Quem são os públicos atendidos?

De acordo com o coordenador, “o objetivo deste projeto é conhecer a rede de interações e transações dos atores do Ecossistema de Inovação Social de Petrópolis, permitindo assim compreender melhor a dinâmica das inovações que tratam mais especificamente da resolução dos problemas públicos na cidade e, a partir deste conhecimento, estudar e promover formas que potencializam e dinamizam as inovações sociais” Segundo Reginaldo, na prática, o projeto pretende compreender como os atores (moradores, pessoas que estejam ligadas à determinada localidade e iniciativas) estão dialogando com o poder público, e se, por exemplo, “há potencial para novas políticas públicas, identificar esses atores, as causas dos problemas, enfim conhecer todas as experiências relacionadas à inovação”. Gopala enfatiza que esse projeto vai resultar em “uma memória dessas iniciativas nos bairros, nas localidades do município”. Além disso, o projeto poderá propor soluções. “Não é apenas um projeto acadêmico bibliográfico, o trabalho principal será em campo, conhecendo as iniciativas e construindo o Ecossistema de Inovações Sociais em Petrópolis”. esclarece Gopala.

Além dos bolsistas e do Professor Gustavo, responsável pela coordenação acadêmica
e orientação científica, o projeto também conta com a participação de uma equipe do
IPG, sendo Cleveland M. Jones, responsável pela Coordenação Técnica, e Teresinha
de Jesus Fidelles de Almeida
e Ramiro Farjalla Ferreira no apoio institucional e
colaborando também na articulação local.

Quinzenalmente serão realizadas oficinas com estudantes de gestão pública no IPPUR
(Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional/UFRJ), que também participa da pesquisa. O IPG irá informar a data dessas oficinas, abertas ao público interessado, que têm por objetivo acompanhar o andamento do projeto e trocar ideias com os participantes.
Dentro do projeto também estão previstos diversos eventos que serão organizados pelo IPG, mas que ainda precisam de financiamento. Quem quiser colaborar para a
realização dessas atividades e assim fazer parte desta iniciativa, que será um diferencial para a sociedade petropolitana, pode entrar em contato através do e-mail
ipgpar@gmail.com.

IPG Participa de reunião extraordinária do IBGE

A convite da coordenadoria da Região Serrana do IBGE, o Instituto Philippe Guédon (IPG) participou da reunião extraordinária de planejamento e acompanhamento do Censo 2022, realizada na última quinta-feira (20/07) na Casa dos Conselhos.

No evento, o Coordenador Sebastião Carlos de Carvalho apresentou diversos dados do Censo 2022, com destaque para a redução da população de Petrópolis, que teve queda de 5,7%. Em 2010 a população era de 296.044 habitantes e hoje é menos de 279 mil habitantes. Apesar da redução populacional, o número de habitações no município aumentou mais de 21% com relação ao último censo (2010). Sebastião também lembrou que IPG foi uma das Instituições que apoiaram o censo na cidade, colaborando com a divulgação.

Na reunião foi informado que a queda da população brasileira em muitos municípios motivou a Associação Brasileira dos Municípios a entrar com um recurso preventivo para evitar a aplicação imediata dos novos percentuais no Fundo de Participação dos Municípios. Além disso, discutiram a importância de focar mais esforços nas políticas para as vocações econômicas do município, que fortaleçam sua sustentabilidade econômica, e que poderão fixar mais talento e mão de obra em Petrópolis.

O presidente do IPG, Cleveland Jones, e Renato Araújo, ambos representando o IPG, participaram das discussões sobre as implicações para o município, tanto econômicas como sociais, em relação à composição populacional, distribuição espacial no território do município, e para seu desenvolvimento futuro.

De acordo com Renato Araújo “No contexto dos trabalhos do IPG para promover um planejamento de longo prazo no município, e estruturar as ações prioritárias e estratégicas para seu desenvolvimento e para a qualidade de vida em Petrópolis, diversos pontos já haviam sido abordados pelo PEP-20 – Planejamento Estratégico para Petrópolis, construído colaborativamente pelo IPG e mais de 100 colaboradores de toda a sociedade”. Renato citou também a questão do “abairramento” do município, mencionado pelo coordenador do IBGE, como uma ação para facilitar o censo e, consequentemente, o planejamento da cidade, e que esse tema já fazia parte das discussões de Philippe Guédon, na época da Frente Pró-Petrópolis que originou o IPG.

Cleveland Jones destacou que “ficou claro que muitos desses pontos merecem atenção especial agora, a partir da realidade que o Censo 2022 mostrou, como a necessidade de buscar mais resiliência para as habitações em locais que apresentam riscos, até como forma de estancar a fuga de habitantes”.

Cleveland Jones esclarece que “a participação do IPG em mais este evento demonstra o trabalho contínuo que desempenha, buscando ampliar, perante a sociedade, a discussão dos temas que afetam os munícipes de Petrópolis, e mostrando a importância e necessidade cada vez maior de um planejamento estratégico para direcionar conscientemente os rumos futuros do município.

ENTREVISTA COM A ARQUITETA NATÁLIA KOCHEM

“Programas que incentivem a manutenção de áreas verdes e diminuam as superfícies construídas e impermeabilizadas seriam muito interessantes para uma cidade cujo conjunto paisagístico e patrimônio natural é reconhecido”. Esta é uma das muitas propostas da arquiteta Natália Kochem para a cidade de Petrópolis.

Com uma larga experiência em diversas áreas, como por exemplo, perícias judiciais e laudos técnicos, paisagismo, planejamento urbano, recursos hídricos, Natália foi uma das colaboradoras do PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis nos próximos 20 anos),documento elaborado pelo IPG com a participação da sociedade civil.

Formação e experiência profissional

Graduada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, atualmente é Mestranda em Urbanismo pelo PROURB. Ilustradora há mais de 20 anos, Natália também é professora de pintura e desenho, motion graphic designer, especializada em animação frame a frame, roteirista, produtora e participante em projetos artísticos e audiovisuais como livros, murais, exibições, eventos, filmes, curtas. E mesmo com todas essas atividades, ela ainda consegue tempo para, de forma voluntária, participar de grupos de discussão da sociedade civil e de classe acerca de projetos sustentáveis, mobilidade, acessibilidade urbana e gestão de riscos e desastres hidrológicos na região serrana do Rio de Janeiro. Além disso é conselheira convidada na Comissão temporária de Acessibilidade do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro – CAU/RJ e uma das coordenadoras do grupo Urban Sketchers Petrópolis, filiado à organização internacional sem fins lucrativos Urban Sketchers (comunidade global de desenhadores dedicados à prática do desenho no local.)

Durante sua formação acadêmica, ela participou de projetos de extensão e iniciação científica na Universidade Federal do Rio de Janeiro, nas áreas de pesquisa sobre a reprodução sócio territorial de comunidades cariocas de baixa renda e favelas (Morro dos Prazeres e Complexo da Maré), de forma multidisciplinar em conjunto com a Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010) e como graduanda-arquiteta atuante na área de Cenografia para Artes Cênicas e Cinema (2012), em parceria com o Programa de Educação e Criação em Dança DAC/EEFD/UFRJ.

Projetos premiados

O trabalho final de Graduação de Natália, intitulado – O Rio, a Cidade e o Tempo – Sistemas de Espaços Livres envolvendo as faixas marginais do Rio Piabanha em Petrópolis-RJ – recebeu menção superior, grau A e foi agraciado pela instituição de ensino com indicação para o 29 Prêmio Opera Prima (2019) e resultou na produção de um curta sobre a questão da acessibilidade, que ainda será lançado. A arquiteta também participou do Projeto Citylab, Erasmum+ Programme – European Union, que foi desenvolvido pelo PROURB/FAU-UFRJ, segundo método PBL – Problem Based Learning (2017). Este trabalho envolveu, além do projeto de um parque natural, a produção e codireção de um vídeo sobre o processo, que foi apresentado na Conferência internacional PBL 4 Sustainable Cities e recebeu Menção Honrosa na CityLab Student Competition – na Universidad del Rosario em Bogotá – Colômbia. E tem mais! Natália é Coautora do projeto – Environmentally friendly buffer between the Guaratiba Biological Reserve and the rapidly expanding region of Barra de Guaratiba – pré-selecionado pelo Building 4Humanity na categoria student unbuilt projects regarding flood-prone areas, exposto no 8 ICBR International Conference on Building Resilience (2019) em Lisboa – Portugal.

Agora que você conhece a história profissional e acadêmica de Natália, confira as propostas e ideias da arquiteta para Petrópolis.

IPG – Um dos objetivos do IPG é a gestão participativa para que os moradores possam opinar sobre o planejamento da cidade. De que forma você acredita que esta participação possa ocorrer efetivamente?

NK -Acho importante o esforço em levar as discussões para o espaço público através de eventos com programação atrativa. A participação e engajamento em discussões de interesse público faz parte de um contexto cultural, que na realidade brasileira precisa ser, de certa forma estimulado para que ocorra. Tal processo é dificultado quando confinado a espaços fechados.

IPG – Você participou da elaboração do PEP 20. Como foi essa experiência?

NK – Foi muito agradável a experiência, tendo me sentido muito bem recebida por todos os colaboradores e representantes do IPG.. Foi uma oportunidade de discutir questões relevantes para a instituição e retribuir apresentando o resultado da minuciosa pesquisa que fiz sobre o trecho médio do Rio Piabanha durante a ocasião de meu Trabalho Final na FAU/UFRJ, onde foi desenvolvida a sugestão da criação de um sistema de espaços livres acessíveis, caminháveis e hidrológicos sensíveis, em parceria com o Laboratório de Hidráulica Computacional da COPPE onde foram calculados os gráficos e mapas de alagamento do trecho.

IPG – Petrópolis, em sua origem, teve um plano de urbanização, mas depois as construções foram ocorrendo sem muito controle. É possível retomar um planejamento urbano para a cidade que realmente consiga atender a toda a população?

NK – Não vejo forma de retomar um atendimento real dessa questão sem proporcionar e garantir a devida fiscalização e acompanhar o cumprimento dos dispositivos legais. Adicionalmente, pensaria em programas de incentivo a quem constrói e reforma da forma correta e dentro das normas, ou mesmo estimulando práticas que trazem comprovado benefício coletivo, como recuos, telhados verdes, cuidados com espécies de arvores nativas, etc.

IPG – Em relação às ocupações em áreas de risco, você tem alguma proposta?

NK – Não é minha área de expertise mas considero que ninguém opta por abrigar seus entes queridos em áreas de risco. O que ocorre é que os programas habitacionais até 10 anos atrás, além de ainda excludentes, eram absolutamente limitantes, baseados em modelos de conjuntos habitacionais estéreis que atendiam muito mal a realidade prática e cultural da população brasileira. Considero que todos precisam ter o direito de imaginar e buscar realizar o sonho de definir como deseja viver, sendo a moradia um direito mínimo em uma sociedade fartamente taxada. Considero os programas que visam garantir Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (ATHIS) os mais acertados, principalmente os que consideram a importância da localização, da adaptabilidade e pessoalidade dos projetos, humanizando esse processo e enxergando indivíduos. Considero o ATHIS, o SUS da habitação e espero que o programa seja não só bem implementado em todos os municípios brasileiros, mas que tenha uma evolução exponencial em benefício tanto da população necessitada, como dos muitos profissionais da construção civil, quanto da comunidade como um todo.

IPG – Você realizou uma pesquisa sobre as margens dos rios em Petrópolis, que percebemos que estão bastante degradas. O que você sugere para a preservação dessas áreas?

NK – Todas as descobertas e cenários simulados referente ao trecho resultaram em sugestões que estão presentes no trabalho. Elas podem ser encontradas tanto no projeto quanto no memorial.

Mas as principais sugestões técnicas, em resumo, envolvem o afastamento do tráfego pesado da área contígua às margens, reduzindo assim o impacto mecânico incidente sobre as faixas marginais aliada à utilização de infraestrutura verde para contenção hidrológico sensível dos taludes em estado de erosão, justamente por sua capacidade de manutenção das capacidades infiltrastes das margens.

Uma técnica bem útil, para dar um exemplo, com ótimo resultado para contenção em taludes e baixo custo, é a técnica de engenharia chamada de grama armada. Lembrando que as técnicas de contenção devem ser definidas de acordo com a sondagem e análise de cada trecho das faixas marginais. Nem toda a extensão deve receber a mesma técnica de contenção.

IPG – Outra área onde você atua bastante é na mobilidade urbana e os moradores de Petrópolis encontram muitas dificuldades.  Quais as suas sugestões para melhorar, por exemplo, a acessibilidade e diminuir os engarrafamentos?

NK – Para melhorar a acessibilidade é necessário, primeiramente, cumprir a legislação. O que não é feito. Depois de um atendimento legal mínimo, ir além das normas e envolver soluções sensíveis ao contexto petropolitano, histórico, cultural, paisagístico seria excelente.

Em relação à mobilidade, a principal questão é justamente a descontinuidade das possibilidades de caminhabilidade e/ou utilização de transportes alternativos, como a bicicleta. Ademais, corroborando para o descompromisso com a acessibilidade e caminhabilidade, considero o projeto da cidade e seus distritos como altamente dependentes do uso de carro, aliado a isso o valor das passagens de ônibus são absolutamente exorbitantes em relação ao serviço oferecido, o que induz a população a colocar a propriedade de um carro como principal sonho de consumo, trazendo inúmeros problemas em relação à mobilidade devido à intensificação do trânsito. Incentivar o uso do transporte público, considerando até mesmo sua gratuidade absoluta; garantir infraestrutura segura e percursos desimpedidos para transporte alternativo; reformar e multiplicar, de acordo com a NBR9050 os trechos caminháveis da cidade, garantindo mobilidade segura são ferramentas que se provam eficientes ao redor do mundo e valem ser citadas.

IPG – Petrópolis, por ser uma cidade histórica, possui muitos imóveis tombados o que às vezes pode atrapalhar a acessibilidade. Poderia dar alguns exemplos de como é possível essa adaptação?

NK – Isso é um mito que prejudica, e muito, o cumprimento de ambas as legislações. Profissionais pouco criativos tentam desobedecer a normas de acessibilidade citando normas patrimoniais, enquanto tentam desobedecer a normas patrimoniais citando normas de acessibilidade.

Patrimônio e acessibilidade não entram em conflito em projetos bem feitos. Profissionais experientes e especializados sabem fazer bons projetos que respeitem todas as normas. Tombamentos apenas exigem que os projetos passem por análise específica para além dos parâmetros municipais e de acessibilidade e conflitos são resolvidos durante o processo de estudo da legislação e a concepção projetual. A contratação de profissional habilitado, especializado e que vai resolver os detalhes técnicos em conjunto com as observações dos técnicos do Iphan e do Inepac já resolvem esse problema em sua totalidade. Os profissionais envolvidos estão unidos em garantir a execução de bons projetos. O arquiteto e urbanista é o profissional mais recomendado, sendo a acessibilidade e também o estudo dos princípios patrimoniais especialidades profissionais dentro da classe. Observadas essas questões, patrimônio e acessibilidade são complementares. Reformas por toda a Europa podem ser exemplos a seguir. Principal inimigo da acessibilidade não é o patrimônio. O principal inimigo da acessibilidade e também do patrimônio é a ignorância. O descompromisso, o descumprimento, a decisão de se levar a cabo projetos muitas vezes sem responsável técnico habilitado durante toda a extensão das obras e sem sequer a consulta a um especialista. Esses são inimigos da acessibilidade e do patrimônio.

IPG – Você participa da comunidade global Urban Sketchers em Petrópolis. Poderia explicar como é este movimento e como a população pode se engajar?

NK – A prática do desenho urbano é principalmente uma filosofia de atuação que me acompanha. A comunidade acredita na prática do desenho in loco como um processo de conhecimento e reconhecimento da cidade, sendo o ato da prática do desenho, em contexto, o elemento essencial. Dessa forma, para se considerar um integrante, basta ler o manifesto e começar a incluir o desenho in loco na sua experiência de vida. Compartilhar os desenhos também é incentivado, embora não seja essencial. O essencial é fazer da prática uma constante e considerar os pontos do manifesto, como por exemplo, retratar sempre os contextos, entre outros detalhes. Os grupos se reúnem para desenhar juntos e partilhar os desenhos. A prática é derivada de um processo pessoal que encontra momentos de confraternizações esporádicas, sendo os encontros sempre abertos e o manifesto contendo as diretrizes que a comunidade desenvolveu disponível para consulta e download no site da comunidade. Dessa forma, para participar e começar a desenhar de acordo com a filosofia, basta acessar as informações e começar.

IPG – Agora me fale da sua experiência como moradora de Petrópolis. Quais as suas principais dificuldades na área urbana e o que você mais gostaria que melhorasse?

NK – As principais dificuldades que identifico no tecido urbano de Petrópolis, devido ao meu olhar sensibilizado pela minha vivência pessoal com meu filho, são: a ausência, descontinuidade e irregularidade em relação às calçadas, passeios e acessos públicos e privados em praticamente toda a extensão da cidade, mas principalmente nas bordas do centro histórico, ou seja, nos bairros;

O descompromisso descarado para com a acessibilidade e respeito às normas em praticamente todas as edificações, incluindo descaso em reformas e projetos, públicos e privados, bares, restaurantes, museus, todos os prédios residenciais, incluindo os do centro da cidade e mesmo reformas em espaços livres de uso público, ou seja, nenhum especialista é sequer consultado para auxiliar o cumprimento da legislação na ocasião das construções e reformas, ficando a população obrigada a aceitar uma acessibilidade falsa, personalista, limitada ou decorativa que não atende à todos – idosos, crianças, pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida – o que vale ressaltar, é processo em desconformidade com a legislação vigente, restringindo suas vidas, de forma compulsória, ao universo da casa; a falta de fiscalização em relação às obras novas ou reformas, uso indevido de espaço público, corte irregular de árvores, descumprimentos diversos que impactam a vida da população em nível pessoal e coletivo também me entristecem porque afetam a saúde, integridade e geram conflitos em comunidades inteiras. Muitas vezes um recuo lateral, um prisma de ventilação, um acesso em rampa com angulação correta ou uma janela bem posicionada garantiriam muitos quesitos básicos. O processo de denúncias é altamente complexo também e isso cria um ciclo de irregularidade que afeta a cidade em seu nível visível, mas também em relação às estruturas urbanas como saneamento, escoamento, segurança e acesso; aliás, a questão de saneamento na cidade precisa ser melhor atendida. Programas que incentivem a manutenção de áreas verdes e diminuíam as superfícies construídas e impermeabilizadas seriam muito interessantes para uma cidade cujo conjunto paisagístico e patrimônio natural é reconhecido; a implementação de coleta seletiva em todos os bairros e parcerias em programas de reciclagem, com incentivos reais, que tenham verdadeiro impacto também são ações que sinto muita falta na cidade.

Entrevista a Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação – IPG

IPG PARTICIPA DA SEGUNDA RODA DE CONVERSA DA LIVRARIA NOBEL

Os desafios de viver em um mundo em transformação. Esse foi o foco da segunda Roda de Conversa que aconteceu na Livraria Nobel, no último dia 22. A convite da empresa CRTL+Café, o vice-presidente do IPG (Instituto Philippe Guédon), Ramiro Farjalla, mediou o debate a partir das obras de Yuval Noah Harari, com ênfase no livro as 21 Lições do Século XXI. 

No encontro, que foi de forma híbrida, os participantes destacaram várias situações que estamos vivenciando, como o exercício da cidadania, da participação social e da gestão participativa que hoje convivem com a inovação tecnológica, com as mudanças climáticas e o ambiente de trabalho pós-pandemia. Também destacaram a preocupação das empresas com a sustentabilidade e que muitas estão realizando ações com ênfase em problemas ambientais e sociais, modelo conhecido como ESG – Ambiental, Social e Governança.

Para estimular os participantes a lerem mais sobre o assunto, a empresa CTRL+Café realizou um sorteio de livros.

Ramiro Farjalla acredita que esses encontros são importantes, pois colaboram para que o cidadão compreenda que “é preciso se preparar para o debate nesse mundo bombardeado de informações, saber que algoritmos utilizam dos nossos dados que lançamos na qualidade de usuários da internet”. Com informação é possível “se planejar diante do desequilíbrio ecológico e criar mais espaço, como as rodas de conversas e outros eventos, que ajudam a lidar com o futuro que está mais presente do que antes”, enfatiza Ramiro. Por isso, o IPG, como uma Instituição de mobilização social, busca trabalhar e chamar a sociedade civil organizada para o debate e propostas de projetos inovadores como o PEP20, que vive a realidade presente e projeta o futuro de Petrópolis, de forma dinâmica e inclusiva.

Em breve o IPG realizará eventos com temas de interesse da sociedade civil, sempre buscando promover maior participação da sociedade nos assuntos que afetam os munícipes, e ressaltando a importância do planejamento para traçar o futuro que queremos para Petrópolis. Para mais informações acompanhe as nossas Redes Sociais.

Confira as fotos

Cultura e PARTICIPAÇÃO

Participar de atividades culturais é uma grande oportunidade de aprendizagem. Por isso, o IPG (Instituto Philippe Guédon) não só promove, como também comparece a eventos organizados por outras Instituições.  Por exemplo, recentemente, participou de Rodas de Leitura na Livraria Nobel. Atividades como esta proporcionam uma troca de ideias, porque todos podem se manifestar, o que é fundamental para a democratização dos saberes. Além disso, é uma grande chance para as Organizações divulgarem seus trabalhos e explicarem seus objetivos.  Apesar de estarmos conectados nas Redes Sociais, o contato “olho no olho” ainda é uma forma de comunicação bastante eficaz, pois promove também uma socialização dos participantes, que ao falar sobre suas próprias experiências e ouvir a dos outros, ficam mais motivados a se envolver em causas sociais. 

Escutar várias pessoas, com diferentes opiniões, é uma forma do IPG também dar continuidade aos seus objetivos, que são:

  • Contribuir para a capacitação dos cidadãos para o pleno exercício da gestão participativa;
  • Promover a ética, a participação cidadã, a sustentabilidade e a conscientização ambiental;
  • Promover a divulgação das informações aos cidadãos, com ênfase sobre a realidade municipal e intermunicipal, global e local, de forma conectada;
  • Estimular o desenvolvimento econômico-social;
  • Defender a criação de um instituto de planejamento estratégico permanente, independente, para o município de Petrópolis, como forma de orientar de orientar e estimular seu desenvolvimento ordenado e sustentável a longo prazo;
  • Promover programas e projetos que visem a melhoria do bem-estar coletivo.

Quem quiser conversar mais sobre esses objetivos não pode perder a próxima Roda de Conversa que será realizada pela empresa Crtl+Café, na Livraria Nobel, no próximo dia 22, a partir das 17 horas. O vice-presidente do IPG, Ramiro Farjalla, estará presente e dará continuidade ao tema sustentabilidade e inovação, baseado na literatura de Yuval Noah Harari, em suas obras Sapiens, Homo Deus e 21 Lições para o Século 21.

O que é ser cidadão?

“O QUE É SER CIDADÃO?”

SAIBA COMO FOI A RODA DE LEITURA DO IPG

As dificuldades dos cidadãos para exercerem seus direitos, políticas públicas e o papel do Terceiro Setor na sociedade foram alguns assuntos abordados na Roda de Leitura, realizada pelo IPG (Instituto Philippe Guédon), na quinta-feira (01/06) na livraria Nobel. Com o tema, “O que é ser cidadão?’, as discussões começaram a partir do livro de Philippe Guédon, “Um olhar cidadão sobre a Democracia Brasileira”.  Segundo Cleveland Jones, Presidente do IPG, junto com o Vice-Presidente do IPG, Ramiro Farjalla, um dos facilitadores do evento, “o livro é apenas um pretexto para discutir questões tão importante nos dias atuais”.

A importância de conhecer a Constituição Brasileira foi outro ponto abordado. Todos concordaram que muitas vezes o que as pessoas sabem veio a partir da opinião de outros. Por isso, Ramiro destacou a importância do livro de Guédon sobre a Constituição, pois “foi uma análise feita por um cidadão, não foi baseada em ideologias políticas, e sim na experiência deste cidadão”.

Durante a Roda foi comentado que o exercício da cidadania pode começar com uma simples reclamação do morador sobre uma determinada situação que ele saiba que não está correta. E como lembrou Ramiro “a primeira experiência política que temos é em nossa cidade, então é natural que a percepção das pessoas comece desse ponto de partida”. Portanto, os participantes demonstraram preocupação com a dificuldade de fazer com que essas demandas cheguem às autoridades e sejam solucionadas.

O difícil acesso às políticas públicas básicas, seja por falta de informação, manipulação política ou mesmo precariedade financeira, também foi citado com um obstáculo para o indivíduo se sentir como parte de uma sociedade democrática. “As portas para o acesso às políticas públicas às vezes parecem pequenas para o cidadão acessá-las e é aí que entra a importância das associações do Terceiro Setor, como o IPG, que é contribuir, melhorar, onde o Estado não chega”, destacou Cleveland Jones.

A conclusão desta Roda de Leitura foi que a sociedade civil tem que se reunir para encontrar as soluções e para que esta união possa dar certo é preciso participação e planejamento.

INOVAÇÃO DIGITAL E MOBILIZAÇÃO SOCIAL: TEMAS DA APRESENTAÇÃO DO VICE-PRESIDENTE DO IPG NA LIVRARIA NOBEL

A segunda roda de conversa da Livraria Nobel, realizada dia 18 de maio pela empresa CTRL+Café, teve como destaque o vice-presidente do IPG (Instituto Philippe Guédon),Ramiro Farjalla. Advogado, especialista em Direito Ambiental e Mestre em Educação Ambiental pela UCP (Universidade Católica de Petrópolis), Ramiro baseou sua apresentação sobre sustentabilidade e inovação, na literatura de Yuval Noah Harari, em suas obras Sapiens, Homo Deus e 21 Lições para o Século 21.

De acordo com Ramiro, o autor destaca a capacidade do ser humano de criar
ferramentas para mudar a realidade no ambiente onde vive e fazer história, o que,
logicamente gerou impactos ambientais prejudiciais ao meio ambiente e a sociedade,tendo a pandemia como ápice. Ramiro explica que “para enfrentar os problemas contemporâneos, seja nas dimensões econômica, social e política, a humanidade vem criando nos últimos anos ferramentas nas áreas da legislação, educação e política para chegar à solução”. Entre as soluções Ramiro enfatiza a mobilização social, a gestão
participativa e o planejamento estratégico e acredita que por isso o “IPG é inovação,
porque o nosso PEP20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis ) é exemplo de
inovação social em que o instituto engaja a sociedade civil organizada para a construção de Petrópolis nos próximos 20 anos, no sentido de se tornar um município próspero e sustentável, onde oportunidade de trabalho, empreendedorismo e qualidade de vida são entrelaçados”.

Ramiro acredita que as rodas de leitura e de conversa são espaços importantes para desenvolver a cultura e a consciência da cidadania participativa, “tanto que a obra póstuma de Philippe Guédon foi citada no evento, como uma lição de cidadania, além do direito de votar e ser votado, onde cidadão precisa fazer parte do processo decisório da cidade onde vive. Os tempos atuais urgem da cultura participativa”. Por isso, segundo
o advogado, o IPG continuará estimulando a organização desses eventos e que o
próximo, também na Livraria Nobel, será realizado em breve e a data será divulgada
nas Redes Sociais do IPG.

Também estiveram presentes na roda de conversa, Cleveland Jones, Presidente do
IPG, e Gustavo Costa, Coordenador do Projeto “Ecossistemas de Inovações Sociais”, que está sendo desenvolvido pelo IPG.
Para conhecer melhor o PEP 20 acesse o link

“A bandeira do mestre Guédon está mais atual com o passar do
tempo”. Da esquerda para a direita (Ramiro Farjalla, Gustavo Costa e Cleveland)

Racismo ambiental: entrevista com a gestora ambIental pamela mercia

As consequências das mudanças climáticas têm sido bastante debatidas.
Porém, um tema que está relacionado e que não é muito comentado é o racismo
ambiental, um termo utilizado para se referir ao processo de discriminação que
populações periferizadas ou compostas de minorias étnicas sofrem através da
degradação ambiental. *

Recentemente este tema se destacou em Petrópolis por causa de um abaixo-assinado realizado pela Gestora Ambiental, Pamela Mércia, para combater o racismo ambiental em Petrópolis.

Para entender melhor como isto acontece na prática, o IPG conversou com
Pamela. Atuante nas causas socioambientais é Presidente da ONG “Todos
juntos, ninguém sozinho”. Trabalha há sete anos como consultora e educadora
ambiental e começou o trabalho social em 2020 quando fundou a ONG, com o
objetivo de dar assistência emergencial para famílias em vulnerabilidade por
conta da pandemia. O que fez com que se aproximasse mais das questões
sociais e encaixou com o trabalho na área ambiental. Assim a ONG passou a
lidar com questões socioambientais.

O assunto racismo ambiental ficou muito mais forte para Pamela por conta das tragédias ocorridas em Petrópolis, em 2022, quando a família dela foi duramente afetada pelas chuvas de março, sua mãe e irmã perderam a casa, e a ONG de Pamela também foi interditada. Para ela “Foi
muito difícil ter que lidar já com um trabalho que desenvolvia na ONG, atendendo
as famílias que perderam suas casas e familiares em fevereiro, e ao mesmo
tempo ter que lidar de forma muito mais próxima, vendo a casa em que cresci
ser interditada”. explicou. Pamela ressaltou que naquele momento viu como o
racismo ambiental a afetou diretamente e assim “por ser uma pessoa preta e
militar pela justiça social, nada mais lógico e importante que lutar pelo racismo
ambiental”. Além do abaixo-assinado, Pamela também tem participado de
eventos que promovem ações para a sensibilização sobre o racismo ambiental.

Vamos conferir a entrevista.?


IPG– Em Petrópolis quais as áreas onde o racismo ambiental é mais
visível?


PM – Em todas as comunidades onde residem a maioria de pessoas pretas e
pobres, é onde temos o racismo ambiental. E por que essas áreas? São
localidades mais distantes do Centro, onde as pessoas têm mais dificuldades de
acessar escola, hospital, onde não há os serviços básicos ou é precário. Aí
tem o racismo ambiental. O racismo ambiental não está só atrelado a eventos
extremos, dias de chuva e locais onde ocorrem desabamentos. É um problema
contínuo, diário. Quem reside nas comunidades sofre com isso. Se você entrar
numa comunidade vai ver grandes lixeiras cheias de lixo, porque não comportam
a quantidade de lixo que aquela comunidade gera. E se ainda tem um déficit na
coleta, a situação é muito pior. E essa precarização de serviços afeta a saúde,
porque há proliferação de vetores (ratos, baratas, mosquitos, moscas, insetos)
que pode gerar doenças. Você não vê isso em locais de casas bem estruturadas,
visivelmente com poder aquisitivo melhor e onde a maioria são brancos.


IPG – Como a cidade foi inicialmente colonizada por europeus, acredita que
isso pode dificultar a compreensão de que esta situação também ocorre
em Petrópolis? Se concorda, como você acha que é possível sensibilizar a
população petropolitana sobre o racismo ambiental?


PM – Petrópolis, na verdade, era um espaço de veraneio. Valério Winter,
geógrafo de Petrópolis, conta no livro “Petrópolis e Meio Ambiente”, que a
formação de Petrópolis vem das pessoas muitos ricas que vinham com D.Pedro
passar férias e quando se instalaram as fábricas de tecido, vem a mão de obra,
que são as pessoas mais pobres e começam a se instalar próximo às fabricas
em locais que não são seguros. Moramos numa cidade conservadora onde
pessoas brancas ocupam a maior parte do poder. Então é muito complicado
sensibilizar porque as pessoas brancas não passam por isso, elas nunca vão
entender o que é isso. Aí estamos falando de vários contextos, não só de racismo
ambiental, mas também racismo institucional, racismo estrutural que tem que ser
quebrado por uma visão de quem comanda Petrópolis, que são pessoas
brancas. Precisamos sensibilizar sempre, explorando canais de informação,
apoiando pessoas que abordam esse tema, não só eu, como outros, e abrindo
espaços como esse (referindo-se a essa entrevista). Porque precisamos expor
esse problema de quem é afetado, as pessoas pretas. Mas quem precisa dar
espaço são pessoas brancas.


IPG– Quais políticas públicas relacionadas ao racismo ambiental você
sugere para Petrópolis?


PM – Petrópolis precisa de políticas públicas para melhoria da habitação,
precisamos que essas pessoas tenham locais apropriados para habitar, já que
os locais que elas residem não são adequados. Sobretudo precisamos de
pessoas pretas ocupando lugares de poder, porque são pessoas pretas que vão
poder tomar decisões. Pessoas brancas não passam por isso. Não vão notar
esse problema e, se notarem, não vão notar urgência. O resultado disso é o que
vemos em Petrópolis, não temos pessoas pretas no poder, logo cada ano que
passa mais pessoas são atingidas. Mais pessoas morrem, mais pessoas ficam
desabrigadas e mais pessoas passam por esse problema, ficam completamente
desesperadas a cada chuva que chega, a cada verão. Então, precisamos de
pessoas pretas ocupando esses espaços para fazer políticas públicas.


IPG – Poderia falar um pouco sobre o mito de que as mudanças climáticas
atingem a todos por igual? Essa é uma das dificuldades que muitas
pessoas têm em compreender este conceito de racismo ambiental.


PM – Estamos vivendo uma crise climática global, onde o mundo inteiro está
sendo atingido. Alguns países poluem mais, que são os mais ricos, Estados
Unidos e China. E há países que são completamente devastados por catástrofes,
tsunamis, inundações terremotos e que não possuem estrutura alguma por
serem países muito pobres e poluem muito pouco. Então, sim, as mudanças
climáticas não afetam de forma igual. Aqui no Brasil, a gente vê mais mudanças
climáticas e percebe-se o ônus e o bônus. Se alguém está recebendo o bônus,
alguém tem que estar recebendo o ônus. Vimos isso em Mariana (MG). Quem
se beneficia com o trabalho de grandes mineradoras? Pessoas muito ricas. E
quem leva o ônus disso? Pessoas muito pobres, que residem perto desses
grandes empreendimentos, instalados em lugares mais distantes. São pessoas
pobres racializadas, como povos originários, quilombolas e pessoas pretas.
Então, se essas pessoas que tem menos acesso, menos recursos, menos voz,
menos visibilidade, elas é que serão mais afetadas. Com as mudanças
climáticas, o nível de precipitação vai aumentar, isso é algo que já mudou no
clima, as chuvas não serão como antes, serão mais intensas, mais fortes. Por
causa da grande quantidade de gases do efeito estufa, o aquecimento do planeta
subiu. Um planeta mais quente faz com que a evaporação da água seja mais
rápida e a precipitação também ocorrera mais rápido e será mais intensa. Só
que as cidades não estão preparadas. Um exemplo é aqui em Petrópolis. Em
2022, fevereiro e março, o Centro foi atingido, área nobre, e os bairros também.
E para quebrar esse mito de que as pessoas são atingidas de forma igual, é só
andar pelo Centro e ver que já está estruturado e as comunidades não estão. As
comunidades ainda possuem cicatrizes fortes das chuvas. Muitas não se
reergueram, algumas estão se levantando agora e quem mora lá nas
comunidades também, passando por diversos problemas, de instalação, de
adaptação e psicológicos. Isso é nítido.


Gostou da entrevista? Deixe aqui seu comentário.

Para acessar o abaixo-assinado de Pamela para combater o racismo ambiental,
clique aqui.


*Fonte: https://jornal.usp.br/atualidades/racismo-ambiental-e-uma-realidade-que-atinge-populacoes-vulnerabilizadas

Entrevista e edição: Teresinha de Jesus Fidelles de Almeida