HELGA’S BROT E PHILIPPE GUÉDON

Iniciativas familiares que resultaram em um sucesso empresarial

Alfredo e Helga

Quem conheceu Philippe Guédon quase sempre lembra de ações relacionadas ao incentivo à gestão participativa dos cidadãos na política e aos ideais democráticos. Porém, há uma outra preocupação de Guédon pouco falada, que colaborou para transformar a vida de algumas pessoas: a geração de renda, através da qualificação profissional, para fazer com que as pessoas pudessem ganhar dinheiro de forma independente. Helga, Antônio Eccard e o filho Alfredo são exemplos desta transformação que aconteceu através de um curso de confeitaria francesa promovido por Guédon em 1990.

A história deste curso começou de uma situação familiar. Silvia, filha de Guédon, conta que a ideia surgiu depois que o pai fez um curso de padaria em Niterói “para incentivar a filha Isabela, dar ânimo a ela para que fizesse cursos de culinária”. E deu certo. Não só Isabela se interessou pelo assunto, como alguns anos depois, em uma visita a um amigo na França, ele conseguiu a indicação de Gérard Fournel, renomado confeiteiro francês, que concordou em vir ao Brasil para realizar um curso gratuito em Petrópolis.

O curso, que durou 45 dias, aconteceu graças à colaboração de vários amigos e foi dividido em duas turmas, à tarde e à noite, com 25 participantes cada. Silvia, filha de Guédon, lembra, por exemplo, da Irmã Iris, da Ordem do Cristo Operário, que conseguiu um preço especial no mosteiro da Virgem para hospedar Gerard e Guédon pagou a hospedagem. Destaca também que “a casa onde aconteceram as aulas foi emprestada pelo amigo, Walter Bretz, e que era também a Irmã Íris quem levava, de kombi, o professor para ministrar as aulas”.

À esquerda, professor Gerard e Guédon ao lado de Helga em 1997.

Como o professor não falava português, coube a esposa de Guédon, Lucia, e sua filha, Beatriz, professoras de francês, serem as intérpretes. Diferente de escolas privadas, onde cada aluno tem sua bancada, neste as aulas eram em uma cozinha com uma bancada única, que foi adaptada. Guédon comprava os insumos e alguns vinham de doação. Pessoas de vários bairros participaram, incluindo Helga que dava os primeiros passos na fabricação de pães, ainda informalmente. Silvia recorda que “A turma da noite levava lanches e que esta iniciativa também resultou na doação ,feita por Guédon, de um espaço na Escola São Jorge, onde foi montada uma padaria-escola, a partir dos conhecimentos deste curso, que contou com moradores do bairro Independência”.

Lembranças do período no hortomercado

O interesse de Helga pela panificação começou como uma forma de complementar renda, fazendo pães com as receitas da tradição familiar e vendendo na escola onde trabalhava. Depois resolveu se aprimorar e fez um curso no Senai. O convite para o curso de confeitaria com Gerard, foi feito por Guédon, quando ele trabalhava na Comdep e Helga já tinha conseguido instalar um banca para vender pães, no hortomercado de Itaipava. De acordo com Alfredo, filho de Helga, “a iniciativa deste curso mudou a nossa vida”. Com o que Helga aprendeu, por exemplo o creme de confeiteiro, ela chegou a fazer cafés coloniais. Mas o que fez a diferença foi a receita do croissant, iguaria tipicamente francesa, que hoje é o principal produto da empresa. Para vender nos mercados, ela adaptou a receita para poder ser embalada e ter durabilidade.

Uma das recordações que ela tem do professor é achá-lo muito intransigente, sempre reclamando da qualidade dos insumos, mas conta que “quando fui fazer a receita original do croissant, vi que ele tinha razão, pois não pode ser qualquer manteiga, a qualidade faz a diferença.” No início fazia a massa, tudo à mão, hoje tem uma máquina própria para este fim.

A fábrica, Helga’s Brot, no bairro Mosela, foi sendo construída aos poucos, se adequando às legislações. Alfredo lembra que os pais trabalhavam, no início, dia e noite, e “quando chegava da escola havia pães em todos os lugares, não tinha nem onde sentar”. Helga realizou o curso na parte da tarde e lembra com carinho de D. Lúcia que foi a intérprete e afirma que “as traduções eram feitas de forma tranquila e a comunicação fluía bem”. Até hoje ela guarda os cadernos do curso.

Helga se reencontrou com o professor e também com Guédon em 1997, quando ele veio a passeio ao Brasil, visitou a fábrica e quando retornou à França publicou no jornal local fotos e reportagem da visita e tempos depois enviou uma cópia do jornal com uma carta pelo correio.

O sucesso dos croissants também se deve a uma oportunidade que eles souberam aproveitar. Quando uma empresa que produzia e distribuía croissants no Rio de Janeiro fechou, o vendedor desta empresa viu o produto da Helga’s, entrou em contato e com a experiência dele, aprimorou a logística e o produto passou a ser vendido em mais locais. A produção que começou em família de forma artesanal se transformou em uma fábrica que atualmente emprega 60 funcionários.

Para a diretoria do IPG – Instituto Philippe Guédon – histórias de sucessos como esta são gratificantes e estimulam ainda mais o Instituto a manter vivo o legado de Guédon.

Para conhecer a fábrica acesse http://www.helgasbrot.com.br

Entrevista e edição: Teresinha de Jesus Fidelles de Almeida

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