ENTREVISTA COM A ARQUITETA NATÁLIA KOCHEM

“Programas que incentivem a manutenção de áreas verdes e diminuam as superfícies construídas e impermeabilizadas seriam muito interessantes para uma cidade cujo conjunto paisagístico e patrimônio natural é reconhecido”. Esta é uma das muitas propostas da arquiteta Natália Kochem para a cidade de Petrópolis.

Com uma larga experiência em diversas áreas, como por exemplo, perícias judiciais e laudos técnicos, paisagismo, planejamento urbano, recursos hídricos, Natália foi uma das colaboradoras do PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis nos próximos 20 anos),documento elaborado pelo IPG com a participação da sociedade civil.

Formação e experiência profissional

Graduada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, atualmente é Mestranda em Urbanismo pelo PROURB. Ilustradora há mais de 20 anos, Natália também é professora de pintura e desenho, motion graphic designer, especializada em animação frame a frame, roteirista, produtora e participante em projetos artísticos e audiovisuais como livros, murais, exibições, eventos, filmes, curtas. E mesmo com todas essas atividades, ela ainda consegue tempo para, de forma voluntária, participar de grupos de discussão da sociedade civil e de classe acerca de projetos sustentáveis, mobilidade, acessibilidade urbana e gestão de riscos e desastres hidrológicos na região serrana do Rio de Janeiro. Além disso é conselheira convidada na Comissão temporária de Acessibilidade do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro – CAU/RJ e uma das coordenadoras do grupo Urban Sketchers Petrópolis, filiado à organização internacional sem fins lucrativos Urban Sketchers (comunidade global de desenhadores dedicados à prática do desenho no local.)

Durante sua formação acadêmica, ela participou de projetos de extensão e iniciação científica na Universidade Federal do Rio de Janeiro, nas áreas de pesquisa sobre a reprodução sócio territorial de comunidades cariocas de baixa renda e favelas (Morro dos Prazeres e Complexo da Maré), de forma multidisciplinar em conjunto com a Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010) e como graduanda-arquiteta atuante na área de Cenografia para Artes Cênicas e Cinema (2012), em parceria com o Programa de Educação e Criação em Dança DAC/EEFD/UFRJ.

Projetos premiados

O trabalho final de Graduação de Natália, intitulado – O Rio, a Cidade e o Tempo – Sistemas de Espaços Livres envolvendo as faixas marginais do Rio Piabanha em Petrópolis-RJ – recebeu menção superior, grau A e foi agraciado pela instituição de ensino com indicação para o 29 Prêmio Opera Prima (2019) e resultou na produção de um curta sobre a questão da acessibilidade, que ainda será lançado. A arquiteta também participou do Projeto Citylab, Erasmum+ Programme – European Union, que foi desenvolvido pelo PROURB/FAU-UFRJ, segundo método PBL – Problem Based Learning (2017). Este trabalho envolveu, além do projeto de um parque natural, a produção e codireção de um vídeo sobre o processo, que foi apresentado na Conferência internacional PBL 4 Sustainable Cities e recebeu Menção Honrosa na CityLab Student Competition – na Universidad del Rosario em Bogotá – Colômbia. E tem mais! Natália é Coautora do projeto – Environmentally friendly buffer between the Guaratiba Biological Reserve and the rapidly expanding region of Barra de Guaratiba – pré-selecionado pelo Building 4Humanity na categoria student unbuilt projects regarding flood-prone areas, exposto no 8 ICBR International Conference on Building Resilience (2019) em Lisboa – Portugal.

Agora que você conhece a história profissional e acadêmica de Natália, confira as propostas e ideias da arquiteta para Petrópolis.

IPG – Um dos objetivos do IPG é a gestão participativa para que os moradores possam opinar sobre o planejamento da cidade. De que forma você acredita que esta participação possa ocorrer efetivamente?

NK -Acho importante o esforço em levar as discussões para o espaço público através de eventos com programação atrativa. A participação e engajamento em discussões de interesse público faz parte de um contexto cultural, que na realidade brasileira precisa ser, de certa forma estimulado para que ocorra. Tal processo é dificultado quando confinado a espaços fechados.

IPG – Você participou da elaboração do PEP 20. Como foi essa experiência?

NK – Foi muito agradável a experiência, tendo me sentido muito bem recebida por todos os colaboradores e representantes do IPG.. Foi uma oportunidade de discutir questões relevantes para a instituição e retribuir apresentando o resultado da minuciosa pesquisa que fiz sobre o trecho médio do Rio Piabanha durante a ocasião de meu Trabalho Final na FAU/UFRJ, onde foi desenvolvida a sugestão da criação de um sistema de espaços livres acessíveis, caminháveis e hidrológicos sensíveis, em parceria com o Laboratório de Hidráulica Computacional da COPPE onde foram calculados os gráficos e mapas de alagamento do trecho.

IPG – Petrópolis, em sua origem, teve um plano de urbanização, mas depois as construções foram ocorrendo sem muito controle. É possível retomar um planejamento urbano para a cidade que realmente consiga atender a toda a população?

NK – Não vejo forma de retomar um atendimento real dessa questão sem proporcionar e garantir a devida fiscalização e acompanhar o cumprimento dos dispositivos legais. Adicionalmente, pensaria em programas de incentivo a quem constrói e reforma da forma correta e dentro das normas, ou mesmo estimulando práticas que trazem comprovado benefício coletivo, como recuos, telhados verdes, cuidados com espécies de arvores nativas, etc.

IPG – Em relação às ocupações em áreas de risco, você tem alguma proposta?

NK – Não é minha área de expertise mas considero que ninguém opta por abrigar seus entes queridos em áreas de risco. O que ocorre é que os programas habitacionais até 10 anos atrás, além de ainda excludentes, eram absolutamente limitantes, baseados em modelos de conjuntos habitacionais estéreis que atendiam muito mal a realidade prática e cultural da população brasileira. Considero que todos precisam ter o direito de imaginar e buscar realizar o sonho de definir como deseja viver, sendo a moradia um direito mínimo em uma sociedade fartamente taxada. Considero os programas que visam garantir Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (ATHIS) os mais acertados, principalmente os que consideram a importância da localização, da adaptabilidade e pessoalidade dos projetos, humanizando esse processo e enxergando indivíduos. Considero o ATHIS, o SUS da habitação e espero que o programa seja não só bem implementado em todos os municípios brasileiros, mas que tenha uma evolução exponencial em benefício tanto da população necessitada, como dos muitos profissionais da construção civil, quanto da comunidade como um todo.

IPG – Você realizou uma pesquisa sobre as margens dos rios em Petrópolis, que percebemos que estão bastante degradas. O que você sugere para a preservação dessas áreas?

NK – Todas as descobertas e cenários simulados referente ao trecho resultaram em sugestões que estão presentes no trabalho. Elas podem ser encontradas tanto no projeto quanto no memorial.

Mas as principais sugestões técnicas, em resumo, envolvem o afastamento do tráfego pesado da área contígua às margens, reduzindo assim o impacto mecânico incidente sobre as faixas marginais aliada à utilização de infraestrutura verde para contenção hidrológico sensível dos taludes em estado de erosão, justamente por sua capacidade de manutenção das capacidades infiltrastes das margens.

Uma técnica bem útil, para dar um exemplo, com ótimo resultado para contenção em taludes e baixo custo, é a técnica de engenharia chamada de grama armada. Lembrando que as técnicas de contenção devem ser definidas de acordo com a sondagem e análise de cada trecho das faixas marginais. Nem toda a extensão deve receber a mesma técnica de contenção.

IPG – Outra área onde você atua bastante é na mobilidade urbana e os moradores de Petrópolis encontram muitas dificuldades.  Quais as suas sugestões para melhorar, por exemplo, a acessibilidade e diminuir os engarrafamentos?

NK – Para melhorar a acessibilidade é necessário, primeiramente, cumprir a legislação. O que não é feito. Depois de um atendimento legal mínimo, ir além das normas e envolver soluções sensíveis ao contexto petropolitano, histórico, cultural, paisagístico seria excelente.

Em relação à mobilidade, a principal questão é justamente a descontinuidade das possibilidades de caminhabilidade e/ou utilização de transportes alternativos, como a bicicleta. Ademais, corroborando para o descompromisso com a acessibilidade e caminhabilidade, considero o projeto da cidade e seus distritos como altamente dependentes do uso de carro, aliado a isso o valor das passagens de ônibus são absolutamente exorbitantes em relação ao serviço oferecido, o que induz a população a colocar a propriedade de um carro como principal sonho de consumo, trazendo inúmeros problemas em relação à mobilidade devido à intensificação do trânsito. Incentivar o uso do transporte público, considerando até mesmo sua gratuidade absoluta; garantir infraestrutura segura e percursos desimpedidos para transporte alternativo; reformar e multiplicar, de acordo com a NBR9050 os trechos caminháveis da cidade, garantindo mobilidade segura são ferramentas que se provam eficientes ao redor do mundo e valem ser citadas.

IPG – Petrópolis, por ser uma cidade histórica, possui muitos imóveis tombados o que às vezes pode atrapalhar a acessibilidade. Poderia dar alguns exemplos de como é possível essa adaptação?

NK – Isso é um mito que prejudica, e muito, o cumprimento de ambas as legislações. Profissionais pouco criativos tentam desobedecer a normas de acessibilidade citando normas patrimoniais, enquanto tentam desobedecer a normas patrimoniais citando normas de acessibilidade.

Patrimônio e acessibilidade não entram em conflito em projetos bem feitos. Profissionais experientes e especializados sabem fazer bons projetos que respeitem todas as normas. Tombamentos apenas exigem que os projetos passem por análise específica para além dos parâmetros municipais e de acessibilidade e conflitos são resolvidos durante o processo de estudo da legislação e a concepção projetual. A contratação de profissional habilitado, especializado e que vai resolver os detalhes técnicos em conjunto com as observações dos técnicos do Iphan e do Inepac já resolvem esse problema em sua totalidade. Os profissionais envolvidos estão unidos em garantir a execução de bons projetos. O arquiteto e urbanista é o profissional mais recomendado, sendo a acessibilidade e também o estudo dos princípios patrimoniais especialidades profissionais dentro da classe. Observadas essas questões, patrimônio e acessibilidade são complementares. Reformas por toda a Europa podem ser exemplos a seguir. Principal inimigo da acessibilidade não é o patrimônio. O principal inimigo da acessibilidade e também do patrimônio é a ignorância. O descompromisso, o descumprimento, a decisão de se levar a cabo projetos muitas vezes sem responsável técnico habilitado durante toda a extensão das obras e sem sequer a consulta a um especialista. Esses são inimigos da acessibilidade e do patrimônio.

IPG – Você participa da comunidade global Urban Sketchers em Petrópolis. Poderia explicar como é este movimento e como a população pode se engajar?

NK – A prática do desenho urbano é principalmente uma filosofia de atuação que me acompanha. A comunidade acredita na prática do desenho in loco como um processo de conhecimento e reconhecimento da cidade, sendo o ato da prática do desenho, em contexto, o elemento essencial. Dessa forma, para se considerar um integrante, basta ler o manifesto e começar a incluir o desenho in loco na sua experiência de vida. Compartilhar os desenhos também é incentivado, embora não seja essencial. O essencial é fazer da prática uma constante e considerar os pontos do manifesto, como por exemplo, retratar sempre os contextos, entre outros detalhes. Os grupos se reúnem para desenhar juntos e partilhar os desenhos. A prática é derivada de um processo pessoal que encontra momentos de confraternizações esporádicas, sendo os encontros sempre abertos e o manifesto contendo as diretrizes que a comunidade desenvolveu disponível para consulta e download no site da comunidade. Dessa forma, para participar e começar a desenhar de acordo com a filosofia, basta acessar as informações e começar.

IPG – Agora me fale da sua experiência como moradora de Petrópolis. Quais as suas principais dificuldades na área urbana e o que você mais gostaria que melhorasse?

NK – As principais dificuldades que identifico no tecido urbano de Petrópolis, devido ao meu olhar sensibilizado pela minha vivência pessoal com meu filho, são: a ausência, descontinuidade e irregularidade em relação às calçadas, passeios e acessos públicos e privados em praticamente toda a extensão da cidade, mas principalmente nas bordas do centro histórico, ou seja, nos bairros;

O descompromisso descarado para com a acessibilidade e respeito às normas em praticamente todas as edificações, incluindo descaso em reformas e projetos, públicos e privados, bares, restaurantes, museus, todos os prédios residenciais, incluindo os do centro da cidade e mesmo reformas em espaços livres de uso público, ou seja, nenhum especialista é sequer consultado para auxiliar o cumprimento da legislação na ocasião das construções e reformas, ficando a população obrigada a aceitar uma acessibilidade falsa, personalista, limitada ou decorativa que não atende à todos – idosos, crianças, pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida – o que vale ressaltar, é processo em desconformidade com a legislação vigente, restringindo suas vidas, de forma compulsória, ao universo da casa; a falta de fiscalização em relação às obras novas ou reformas, uso indevido de espaço público, corte irregular de árvores, descumprimentos diversos que impactam a vida da população em nível pessoal e coletivo também me entristecem porque afetam a saúde, integridade e geram conflitos em comunidades inteiras. Muitas vezes um recuo lateral, um prisma de ventilação, um acesso em rampa com angulação correta ou uma janela bem posicionada garantiriam muitos quesitos básicos. O processo de denúncias é altamente complexo também e isso cria um ciclo de irregularidade que afeta a cidade em seu nível visível, mas também em relação às estruturas urbanas como saneamento, escoamento, segurança e acesso; aliás, a questão de saneamento na cidade precisa ser melhor atendida. Programas que incentivem a manutenção de áreas verdes e diminuíam as superfícies construídas e impermeabilizadas seriam muito interessantes para uma cidade cujo conjunto paisagístico e patrimônio natural é reconhecido; a implementação de coleta seletiva em todos os bairros e parcerias em programas de reciclagem, com incentivos reais, que tenham verdadeiro impacto também são ações que sinto muita falta na cidade.

Entrevista a Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação – IPG

O que é ser cidadão?

“O QUE É SER CIDADÃO?”

SAIBA COMO FOI A RODA DE LEITURA DO IPG

As dificuldades dos cidadãos para exercerem seus direitos, políticas públicas e o papel do Terceiro Setor na sociedade foram alguns assuntos abordados na Roda de Leitura, realizada pelo IPG (Instituto Philippe Guédon), na quinta-feira (01/06) na livraria Nobel. Com o tema, “O que é ser cidadão?’, as discussões começaram a partir do livro de Philippe Guédon, “Um olhar cidadão sobre a Democracia Brasileira”.  Segundo Cleveland Jones, Presidente do IPG, junto com o Vice-Presidente do IPG, Ramiro Farjalla, um dos facilitadores do evento, “o livro é apenas um pretexto para discutir questões tão importante nos dias atuais”.

A importância de conhecer a Constituição Brasileira foi outro ponto abordado. Todos concordaram que muitas vezes o que as pessoas sabem veio a partir da opinião de outros. Por isso, Ramiro destacou a importância do livro de Guédon sobre a Constituição, pois “foi uma análise feita por um cidadão, não foi baseada em ideologias políticas, e sim na experiência deste cidadão”.

Durante a Roda foi comentado que o exercício da cidadania pode começar com uma simples reclamação do morador sobre uma determinada situação que ele saiba que não está correta. E como lembrou Ramiro “a primeira experiência política que temos é em nossa cidade, então é natural que a percepção das pessoas comece desse ponto de partida”. Portanto, os participantes demonstraram preocupação com a dificuldade de fazer com que essas demandas cheguem às autoridades e sejam solucionadas.

O difícil acesso às políticas públicas básicas, seja por falta de informação, manipulação política ou mesmo precariedade financeira, também foi citado com um obstáculo para o indivíduo se sentir como parte de uma sociedade democrática. “As portas para o acesso às políticas públicas às vezes parecem pequenas para o cidadão acessá-las e é aí que entra a importância das associações do Terceiro Setor, como o IPG, que é contribuir, melhorar, onde o Estado não chega”, destacou Cleveland Jones.

A conclusão desta Roda de Leitura foi que a sociedade civil tem que se reunir para encontrar as soluções e para que esta união possa dar certo é preciso participação e planejamento.

INOVAÇÃO DIGITAL E MOBILIZAÇÃO SOCIAL: TEMAS DA APRESENTAÇÃO DO VICE-PRESIDENTE DO IPG NA LIVRARIA NOBEL

A segunda roda de conversa da Livraria Nobel, realizada dia 18 de maio pela empresa CTRL+Café, teve como destaque o vice-presidente do IPG (Instituto Philippe Guédon),Ramiro Farjalla. Advogado, especialista em Direito Ambiental e Mestre em Educação Ambiental pela UCP (Universidade Católica de Petrópolis), Ramiro baseou sua apresentação sobre sustentabilidade e inovação, na literatura de Yuval Noah Harari, em suas obras Sapiens, Homo Deus e 21 Lições para o Século 21.

De acordo com Ramiro, o autor destaca a capacidade do ser humano de criar
ferramentas para mudar a realidade no ambiente onde vive e fazer história, o que,
logicamente gerou impactos ambientais prejudiciais ao meio ambiente e a sociedade,tendo a pandemia como ápice. Ramiro explica que “para enfrentar os problemas contemporâneos, seja nas dimensões econômica, social e política, a humanidade vem criando nos últimos anos ferramentas nas áreas da legislação, educação e política para chegar à solução”. Entre as soluções Ramiro enfatiza a mobilização social, a gestão
participativa e o planejamento estratégico e acredita que por isso o “IPG é inovação,
porque o nosso PEP20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis ) é exemplo de
inovação social em que o instituto engaja a sociedade civil organizada para a construção de Petrópolis nos próximos 20 anos, no sentido de se tornar um município próspero e sustentável, onde oportunidade de trabalho, empreendedorismo e qualidade de vida são entrelaçados”.

Ramiro acredita que as rodas de leitura e de conversa são espaços importantes para desenvolver a cultura e a consciência da cidadania participativa, “tanto que a obra póstuma de Philippe Guédon foi citada no evento, como uma lição de cidadania, além do direito de votar e ser votado, onde cidadão precisa fazer parte do processo decisório da cidade onde vive. Os tempos atuais urgem da cultura participativa”. Por isso, segundo
o advogado, o IPG continuará estimulando a organização desses eventos e que o
próximo, também na Livraria Nobel, será realizado em breve e a data será divulgada
nas Redes Sociais do IPG.

Também estiveram presentes na roda de conversa, Cleveland Jones, Presidente do
IPG, e Gustavo Costa, Coordenador do Projeto “Ecossistemas de Inovações Sociais”, que está sendo desenvolvido pelo IPG.
Para conhecer melhor o PEP 20 acesse o link

“A bandeira do mestre Guédon está mais atual com o passar do
tempo”. Da esquerda para a direita (Ramiro Farjalla, Gustavo Costa e Cleveland)

POLÍTICAS PÚBLICAS: INSTITUTO PHILIPPE GUÉDON INICIA PROJETO EM JANEIRO

Ecossistemas de inovações sociais. Este é o tema do projeto que o IPG (Instituto Philippe Guédon) submeteu ao edital da FAPERJ e que faz parte do programa pesquisador na empresa. O projeto foi aprovado e agora está na fase de contratação do pesquisador bolsista. Coordenado pelo petropolitano Gustavo Costa, Doutor em Políticas Públicas, tem como principal objetivo mapear o ecossistema de inovações sociais de Petrópolis, começa em janeiro e vai durar um ano.

Para entender melhor sobre o assunto vamos relembrar o que é ecossistema. O termo é o nome dado a um conjunto de comunidades que vivem em um determinado local e interagem entre si e com o meio ambiente, constituindo um sistema estável, equilibrado e autossuficiente*. Este conceito veio lá da biologia, mas também é usado em sociologia. De acordo com Gustavo, “o conceito de inovação social é bastante elástico, vem da sociologia crítica francesa e consiste em compreender como os diferentes atores sociais (associações, cooperativas, coletivos, movimentos sociais, grupos políticos locais etc.) interagem para produzir soluções inovadoras para problemas públicos e como essas soluções podem virar políticas públicas”. Já os ecossistemas de inovação são ambientes que promovem articulações para o desenvolvimento social e econômico. Gustavo cita como exemplo o Programa Cisternas do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), tecnologia social desenvolvida pelas famílias do semiárido brasileiro para armazenar água durante os períodos de seca e que se tornou uma política pública do Governo Federal instituída pela Lei Nº 12.873/2013. *www.oeco.org.br

A metodologia empregada para identificar os problemas públicos e as inovações sociais é diferente das formas convencionais de se fazer políticas públicas. Tradicionalmente, as políticas públicas foram entendidas como um modo de solucionar problemas “de cima para baixo”, isto é, “de um planejamento que parte das altas cúpulas do governo para a sociedade, esta, compreendida como polo passivo de uma intervenção previamente planejada. Segundo Gustavo, em geral, partem de alguma solução pré-concebida para um determinado problema. Com frequência, esta forma “top-down” de planejar não leva em conta a realidade local, as questões sócio-históricas que caracterizam os territórios, e muito dificilmente consideram as interpretações dos atores sociais situados no terreno e que lidam diretamente com os problemas públicos. Estes muitas vezes têm soluções mais simples, mais baratas e mais facilmente implementadas.

Abordagens mais recentes, de vertente crítica e abordagem pós-positivista, invertem esta relação, levam em conta os saberes locais e procuram compreender como os diversos atores em interação lidam com os problemas públicos e produzem soluções. É, portanto, uma forma de planejar as políticas públicas de baixo para cima, isto é, que parte da sociedade para o Estado.

Gustavo destaca que o conhecimento técnico dos especialistas não mais é suficiente para dar conta da complexidade dos problemas públicos atuais. “Os problemas públicos complexos da atualidade não podem mais ser resolvidos por soluções essencialmente técnicas. É necessário uma abordagem tecnopolítica para enfrentar os problemas públicos que enfrentamos hoje, como a questão do clima, por exemplo”. Na abordagem das inovações sociais, “a diversidade de interpretações e o conflito de ideias em relação aos problemas públicos são entendidos como algo natural e são encarados como positivos para o processo das políticas públicas. A inovação social advém das interações nas arenas públicas, considera as diferenças e valoriza os diversos conhecimentos dos atores engajados no enfrentamento e na produção de soluções para os problemas públicos”.

O envolvimento do IPG no projeto não foi por acaso. Gustavo acredita que este projeto pode dar uma contribuição para estimular a participação social na gestão pública. O PEP 20, Planejamento Estratégico para Petrópolis elaborado pelo IPG com representantes da sociedade civil também pode se beneficiar dos resultados do projeto. “O Instituto tem como foco a gestão participativa e esse mapeamento permitirá conhecer a rede de atores e apoiadores das inovações sociais em Petrópolis. Conhecer este ecossistema permitirá que os agentes públicos promovam ações no sentido de dinamizar não só a inovação social, mas também estimulem a participação social no processo das políticas públicas”, enfatiza. Além disso, “Petrópolis já possui um Polo Tecnológico orientado para o desenvolvimento de inovações empresariais e a promoção do desenvolvimento econômico, estimulando a geração de soluções inovadoras para os mercados. Este projeto pode contribuir também com o Serratec, ao abordar de forma mais ampliada a inovação, agregando as dimensões sociais e culturais do desenvolvimento, potencializando também as inovações sociais e soluções para problemas públicos com a participação de atores da sociedade”, acrescenta.

Para o Presidente do IPG, Cleveland Jones, participar de um projeto como esse “é de suma importância para Petrópolis e é também uma forma de dar continuidade ao trabalho de Philippe Guédon, pois a iniciativa realmente facilita a participação da sociedade, estimula a gestão participativa, como sempre sonhou Guédon”.

Conheça o Coordenador do Projeto – Gustavo Costa

Petropolitano, Doutor em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (IE/UFRJ), Diretor da Associação Nacional de Ensino, Pesquisa e Extensão do Campo de Públicas (ANEPECP), membro da International Public Policy Association (IPPA), Professor e Pesquisador do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ) no Programa de Graduação em Gestão Pública para o Desenvolvimento Econômico e Social (GPDES/IPPUR) e na Especialização em Gestão Pública (PPGPUR/IPPUR). http://lattes.cnpq.br/0152465744578116 https://ippur.ufrj.br https://anepecp.org.br