Uma proposta inovadora e pioneira. Assim pode ser definido o projeto de pesquisa “Cartografia do Ecossistema de Inovações Sociais de Petrópolis” que está sendo desenvolvido pelo Instituto Philippe Guédon (IPG). “De acordo com o Professor Gustavo Costa, Coordenador do projeto, “o tema é emergente e há pouquíssimos estudos sobre inovações sociais no Brasil, sobretudo baseados na perspectiva pragmatista”. O Presidente do IPG, Cleveland Jones, acredita que esta pesquisa deixaria Guédon muito feliz, pois “inovação e pioneirismo sempre fizeram parte da trajetória de Philippe Guédon. Foi ele quem fundou a primeira associação de moradores de Itaipava, a primeira cooperativa de reciclagem e esteve presente em muitas outras iniciativas de gestão participativa”. O projeto faz parte do programa pesquisador na empresa, da FAPERJ, que financia as bolsas para os profissionais que ficarão encarregados de fazer a pesquisa. Os bolsistas foram selecionados através de uma chamada pública do IPG e recebeu mais de 20 currículos. Os escolhidos foram Reginaldo Braga Junior, Mestre em Arquitetura e doutorando em Planejamento Urbano e Regional, e Gopala Miron Assis, Mestre em Política Social. (Confira no box abaixo o perfil dos bolsistas)
Da direita para a esquerda: Cleveland Jones conversando com os pesquisadores.
Reginaldo e Gopala apesar de terem motivações e experiências acadêmicas e profissionais bem distintas um do outro, possuem em comum o interesse pelos temas ecossistema de inovação social e gestão participativa. Reginaldo resolveu participar da seleção porque percebeu que havia pontos que se relacionavam com suas pesquisas, e o fato de ser uma pesquisa nova no Brasil também o entusiasma. Gopala destaca que por ser “uma proposta nova, um projeto em construção, ainda há poucas referências no país”, o que mostra que o trabalho deles poderá ser também uma referência e ter desdobramentos. E eles já estão trabalhando. Neste momento, o primeiro passo é fazer um mapeamento das localidades de Petrópolis, através de dados estatísticos oficiais. O objetivo é entender a cidade, identificar iniciativas, as instituições envolvidas e elencar os principais problemas de Petrópolis. Só depois desta etapa é que irão para o trabalho em campo, ou seja, conhecer de perto os locais e visitar as comunidades.
Entenda mais sobre o projeto
Inovação social é desenvolver soluções para problemas e necessidades que impactam toda a sociedade, por isso, basicamente, a pesquisa pretende responder as seguintes perguntas:
Quais iniciativas promovem Inovação Social e como são formadas?
Quem são os atores de suporte e quais papeis desempenham?
Quais são e como ocorrem as interações entre os atores?
Quais são as principais causas mobilizadas?
Quem são os públicos atendidos?
De acordo com o coordenador, “o objetivo deste projeto é conhecer a rede de interações e transações dos atores do Ecossistema de Inovação Social de Petrópolis, permitindo assim compreender melhor a dinâmica das inovações que tratam mais especificamente da resolução dos problemas públicos na cidade e, a partir deste conhecimento, estudar e promover formas que potencializam e dinamizam as inovações sociais” Segundo Reginaldo, na prática, o projeto pretende compreender como os atores (moradores, pessoas que estejam ligadas à determinada localidade e iniciativas) estão dialogando com o poder público, e se, por exemplo, “há potencial para novas políticas públicas, identificar esses atores, as causas dos problemas, enfim conhecer todas as experiências relacionadas à inovação”. Gopala enfatiza que esse projeto vai resultar em “uma memória dessas iniciativas nos bairros, nas localidades do município”. Além disso, o projeto poderá propor soluções. “Não é apenas um projeto acadêmico bibliográfico, o trabalho principal será em campo, conhecendo as iniciativas e construindo o Ecossistema de Inovações Sociais em Petrópolis”. esclarece Gopala.
Além dos bolsistas e do Professor Gustavo, responsável pela coordenação acadêmica e orientação científica, o projeto também conta com a participação de uma equipe do IPG, sendo Cleveland M. Jones, responsável pela Coordenação Técnica, e Teresinha de Jesus Fidelles de Almeida e Ramiro Farjalla Ferreira no apoio institucional e colaborando também na articulação local.
Quinzenalmente serão realizadas oficinas com estudantes de gestão pública no IPPUR (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional/UFRJ), que também participa da pesquisa. O IPG irá informar a data dessas oficinas, abertas ao público interessado, que têm por objetivo acompanhar o andamento do projeto e trocar ideias com os participantes. Dentro do projeto também estão previstos diversos eventos que serão organizados pelo IPG, mas que ainda precisam de financiamento. Quem quiser colaborar para a realização dessas atividades e assim fazer parte desta iniciativa, que será um diferencial para a sociedade petropolitana, pode entrar em contato através do e-mail ipgpar@gmail.com.
Da esquerda para a direita: Teresinha Almeida, Reginaldo Braga, Gustavo Costa e Gopala MironRamiro FarjallaCleveland JonesGustavo Costa
“Programas que incentivem a manutenção de áreas verdes e diminuam as superfícies construídas e impermeabilizadas seriam muito interessantes para uma cidade cujo conjunto paisagístico e patrimônio natural é reconhecido”. Esta é uma das muitas propostas da arquiteta Natália Kochem para a cidade de Petrópolis.
Com uma larga experiência em diversas áreas, como por exemplo, perícias judiciais e laudos técnicos, paisagismo, planejamento urbano, recursos hídricos, Natália foi uma das colaboradoras do PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis nos próximos 20 anos),documento elaborado pelo IPG com a participação da sociedade civil.
Formação e experiência profissional
Graduada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, atualmente é Mestranda em Urbanismo pelo PROURB. Ilustradora há mais de 20 anos, Natália também é professora de pintura e desenho, motion graphic designer, especializada em animação frame a frame, roteirista, produtora e participante em projetos artísticos e audiovisuais como livros, murais, exibições, eventos, filmes, curtas. E mesmo com todas essas atividades, ela ainda consegue tempo para, de forma voluntária, participar de grupos de discussão da sociedade civil e de classe acerca de projetos sustentáveis, mobilidade, acessibilidade urbana e gestão de riscos e desastres hidrológicos na região serrana do Rio de Janeiro. Além disso é conselheira convidada na Comissão temporária de Acessibilidade do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro – CAU/RJ e uma das coordenadoras do grupo Urban Sketchers Petrópolis, filiado à organização internacional sem fins lucrativos Urban Sketchers(comunidade global de desenhadores dedicados à prática do desenho no local.)
Durante sua formação acadêmica, ela participou de projetos de extensão e iniciação científica na Universidade Federal do Rio de Janeiro, nas áreas de pesquisa sobre a reprodução sócio territorial de comunidades cariocas de baixa renda e favelas (Morro dos Prazeres e Complexo da Maré), de forma multidisciplinar em conjunto com a Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010) e como graduanda-arquiteta atuante na área de Cenografia para Artes Cênicas e Cinema (2012), em parceria com o Programa de Educação e Criação em Dança DAC/EEFD/UFRJ.
Projetos premiados
O trabalho final de Graduação de Natália, intitulado – O Rio, a Cidade e o Tempo – Sistemas de Espaços Livres envolvendo as faixas marginais do Rio Piabanha em Petrópolis-RJ – recebeu menção superior, grau A e foi agraciado pela instituição de ensino com indicação para o 29 Prêmio Opera Prima (2019) e resultou na produção de um curta sobre a questão da acessibilidade, que ainda será lançado. A arquiteta também participou do Projeto Citylab, Erasmum+ Programme – European Union, que foi desenvolvido pelo PROURB/FAU-UFRJ, segundo método PBL – Problem Based Learning (2017). Este trabalho envolveu, além do projeto de um parque natural, a produção e codireção de um vídeo sobre o processo, que foi apresentado na Conferência internacional PBL 4 Sustainable Cities e recebeu Menção Honrosa na CityLab Student Competition – na Universidad del Rosario em Bogotá – Colômbia. E tem mais! Natália é Coautora do projeto – Environmentally friendly buffer between the Guaratiba Biological Reserve and the rapidly expanding region of Barra de Guaratiba – pré-selecionado pelo Building 4Humanity na categoria student unbuilt projects regarding flood-prone areas, exposto no 8 ICBR International Conference on Building Resilience (2019) em Lisboa – Portugal.
Agora que você conhece a história profissional e acadêmica de Natália, confira as propostas e ideias da arquiteta para Petrópolis.
IPG – Um dos objetivos do IPG é a gestão participativa para que os moradores possam opinar sobre o planejamento da cidade. De que forma você acredita que esta participação possa ocorrer efetivamente?
NK -Acho importante o esforço em levar as discussões para o espaço público através de eventos com programação atrativa. A participação e engajamento em discussões de interesse público faz parte de um contexto cultural, que na realidade brasileira precisa ser, de certa forma estimulado para que ocorra. Tal processo é dificultado quando confinado a espaços fechados.
IPG – Você participou da elaboração do PEP 20. Como foi essa experiência?
NK – Foi muito agradável a experiência, tendo me sentido muito bem recebida por todos os colaboradores e representantes do IPG.. Foi uma oportunidade de discutir questões relevantes para a instituição e retribuir apresentando o resultado da minuciosa pesquisa que fiz sobre o trecho médio do Rio Piabanha durante a ocasião de meu Trabalho Final na FAU/UFRJ, onde foi desenvolvida a sugestão da criação de um sistema de espaços livres acessíveis, caminháveis e hidrológicos sensíveis, em parceria com o Laboratório de Hidráulica Computacional da COPPE onde foram calculados os gráficos e mapas de alagamento do trecho.
IPG – Petrópolis, em sua origem, teve um plano de urbanização, mas depois as construções foram ocorrendo sem muito controle. É possível retomar um planejamento urbano para a cidade que realmente consiga atender a toda a população?
NK – Não vejo forma de retomar um atendimento real dessa questão sem proporcionar e garantir a devida fiscalização e acompanhar o cumprimento dos dispositivos legais. Adicionalmente, pensaria em programas de incentivo a quem constrói e reforma da forma correta e dentro das normas, ou mesmo estimulando práticas que trazem comprovado benefício coletivo, como recuos, telhados verdes, cuidados com espécies de arvores nativas, etc.
IPG – Em relação às ocupações em áreas de risco, você tem alguma proposta?
NK – Não é minha área de expertise mas considero que ninguém opta por abrigar seus entes queridos em áreas de risco. O que ocorre é que os programas habitacionais até 10 anos atrás, além de ainda excludentes, eram absolutamente limitantes, baseados em modelos de conjuntos habitacionais estéreis que atendiam muito mal a realidade prática e cultural da população brasileira. Considero que todos precisam ter o direito de imaginar e buscar realizar o sonho de definir como deseja viver, sendo a moradia um direito mínimo em uma sociedade fartamente taxada. Considero os programas que visam garantir Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (ATHIS) os mais acertados, principalmente os que consideram a importância da localização, da adaptabilidade e pessoalidade dos projetos, humanizando esse processo e enxergando indivíduos. Considero o ATHIS, o SUS da habitação e espero que o programa seja não só bem implementado em todos os municípios brasileiros, mas que tenha uma evolução exponencial em benefício tanto da população necessitada, como dos muitos profissionais da construção civil, quanto da comunidade como um todo.
IPG – Você realizou uma pesquisa sobre as margens dos rios em Petrópolis, que percebemos que estão bastante degradas. O que você sugere para a preservação dessas áreas?
NK – Todas as descobertas e cenários simulados referente ao trecho resultaram em sugestões que estão presentes no trabalho. Elas podem ser encontradas tanto no projeto quanto no memorial.
Mas as principais sugestões técnicas, em resumo, envolvem o afastamento do tráfego pesado da área contígua às margens, reduzindo assim o impacto mecânico incidente sobre as faixas marginais aliada à utilização de infraestrutura verde para contenção hidrológico sensível dos taludes em estado de erosão, justamente por sua capacidade de manutenção das capacidades infiltrastes das margens.
Uma técnica bem útil, para dar um exemplo, com ótimo resultado para contenção em taludes e baixo custo, é a técnica de engenharia chamada de grama armada. Lembrando que as técnicas de contenção devem ser definidas de acordo com a sondagem e análise de cada trecho das faixas marginais. Nem toda a extensão deve receber a mesma técnica de contenção.
IPG – Outra área onde você atua bastante é na mobilidade urbana e os moradores de Petrópolis encontram muitas dificuldades. Quais as suas sugestões para melhorar, por exemplo, a acessibilidade e diminuir os engarrafamentos?
NK – Para melhorar a acessibilidade é necessário, primeiramente, cumprir a legislação. O que não é feito. Depois de um atendimento legal mínimo, ir além das normas e envolver soluções sensíveis ao contexto petropolitano, histórico, cultural, paisagístico seria excelente.
Em relação à mobilidade, a principal questão é justamente a descontinuidade das possibilidades de caminhabilidade e/ou utilização de transportes alternativos, como a bicicleta. Ademais, corroborando para o descompromisso com a acessibilidade e caminhabilidade, considero o projeto da cidade e seus distritos como altamente dependentes do uso de carro, aliado a isso o valor das passagens de ônibus são absolutamente exorbitantes em relação ao serviço oferecido, o que induz a população a colocar a propriedade de um carro como principal sonho de consumo, trazendo inúmeros problemas em relação à mobilidade devido à intensificação do trânsito. Incentivar o uso do transporte público, considerando até mesmo sua gratuidade absoluta; garantir infraestrutura segura e percursos desimpedidos para transporte alternativo; reformar e multiplicar, de acordo com a NBR9050 os trechos caminháveis da cidade, garantindo mobilidade segura são ferramentas que se provam eficientes ao redor do mundo e valem ser citadas.
IPG – Petrópolis, por ser uma cidade histórica, possui muitos imóveis tombados o que às vezes pode atrapalhar a acessibilidade. Poderia dar alguns exemplos de como é possível essa adaptação?
NK – Isso é um mito que prejudica, e muito, o cumprimento de ambas as legislações. Profissionais pouco criativos tentam desobedecer a normas de acessibilidade citando normas patrimoniais, enquanto tentam desobedecer a normas patrimoniais citando normas de acessibilidade.
Patrimônio e acessibilidade não entram em conflito em projetos bem feitos. Profissionais experientes e especializados sabem fazer bons projetos que respeitem todas as normas. Tombamentos apenas exigem que os projetos passem por análise específica para além dos parâmetros municipais e de acessibilidade e conflitos são resolvidos durante o processo de estudo da legislação e a concepção projetual. A contratação de profissional habilitado, especializado e que vai resolver os detalhes técnicos em conjunto com as observações dos técnicos do Iphan e do Inepac já resolvem esse problema em sua totalidade. Os profissionais envolvidos estão unidos em garantir a execução de bons projetos. O arquiteto e urbanista é o profissional mais recomendado, sendo a acessibilidade e também o estudo dos princípios patrimoniais especialidades profissionais dentro da classe. Observadas essas questões, patrimônio e acessibilidade são complementares. Reformas por toda a Europa podem ser exemplos a seguir. Principal inimigo da acessibilidade não é o patrimônio. O principal inimigo da acessibilidade e também do patrimônio é a ignorância. O descompromisso, o descumprimento, a decisão de se levar a cabo projetos muitas vezes sem responsável técnico habilitado durante toda a extensão das obras e sem sequer a consulta a um especialista. Esses são inimigos da acessibilidade e do patrimônio.
IPG – Você participa da comunidade global Urban Sketchers em Petrópolis. Poderia explicar como é este movimento e como a população pode se engajar?
NK – A prática do desenho urbano é principalmente uma filosofia de atuação que me acompanha. A comunidade acredita na prática do desenho in loco como um processo de conhecimento e reconhecimento da cidade, sendo o ato da prática do desenho, em contexto, o elemento essencial. Dessa forma, para se considerar um integrante, basta ler o manifesto e começar a incluir o desenho in loco na sua experiência de vida. Compartilhar os desenhos também é incentivado, embora não seja essencial. O essencial é fazer da prática uma constante e considerar os pontos do manifesto, como por exemplo, retratar sempre os contextos, entre outros detalhes. Os grupos se reúnem para desenhar juntos e partilhar os desenhos. A prática é derivada de um processo pessoal que encontra momentos de confraternizações esporádicas, sendo os encontros sempre abertos e o manifesto contendo as diretrizes que a comunidade desenvolveu disponível para consulta e download no site da comunidade. Dessa forma, para participar e começar a desenhar de acordo com a filosofia, basta acessar as informações e começar.
IPG – Agora me fale da sua experiência como moradora de Petrópolis. Quais as suas principais dificuldades na área urbana e o que você mais gostaria que melhorasse?
NK – As principais dificuldades que identifico no tecido urbano de Petrópolis, devido ao meu olhar sensibilizado pela minha vivência pessoal com meu filho, são: a ausência, descontinuidade e irregularidade em relação às calçadas, passeios e acessos públicos e privados em praticamente toda a extensão da cidade, mas principalmente nas bordas do centro histórico, ou seja, nos bairros;
O descompromisso descarado para com a acessibilidade e respeito às normas em praticamente todas as edificações, incluindo descaso em reformas e projetos, públicos e privados, bares, restaurantes, museus, todos os prédios residenciais, incluindo os do centro da cidade e mesmo reformas em espaços livres de uso público, ou seja, nenhum especialista é sequer consultado para auxiliar o cumprimento da legislação na ocasião das construções e reformas, ficando a população obrigada a aceitar uma acessibilidade falsa, personalista, limitada ou decorativa que não atende à todos – idosos, crianças, pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida – o que vale ressaltar, é processo em desconformidade com a legislação vigente, restringindo suas vidas, de forma compulsória, ao universo da casa; a falta de fiscalização em relação às obras novas ou reformas, uso indevido de espaço público, corte irregular de árvores, descumprimentos diversos que impactam a vida da população em nível pessoal e coletivo também me entristecem porque afetam a saúde, integridade e geram conflitos em comunidades inteiras. Muitas vezes um recuo lateral, um prisma de ventilação, um acesso em rampa com angulação correta ou uma janela bem posicionada garantiriam muitos quesitos básicos. O processo de denúncias é altamente complexo também e isso cria um ciclo de irregularidade que afeta a cidade em seu nível visível, mas também em relação às estruturas urbanas como saneamento, escoamento, segurança e acesso; aliás, a questão de saneamento na cidade precisa ser melhor atendida. Programas que incentivem a manutenção de áreas verdes e diminuíam as superfícies construídas e impermeabilizadas seriam muito interessantes para uma cidade cujo conjunto paisagístico e patrimônio natural é reconhecido; a implementação de coleta seletiva em todos os bairros e parcerias em programas de reciclagem, com incentivos reais, que tenham verdadeiro impacto também são ações que sinto muita falta na cidade.
Entrevista a Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação – IPG
Participar de atividades culturais é uma grande oportunidade de aprendizagem. Por isso, o IPG (Instituto Philippe Guédon) não só promove, como também comparece a eventos organizados por outras Instituições. Por exemplo, recentemente, participou de Rodas de Leitura na Livraria Nobel. Atividades como esta proporcionam uma troca de ideias, porque todos podem se manifestar, o que é fundamental para a democratização dos saberes. Além disso, é uma grande chance para as Organizações divulgarem seus trabalhos e explicarem seus objetivos. Apesar de estarmos conectados nas Redes Sociais, o contato “olho no olho” ainda é uma forma de comunicação bastante eficaz, pois promove também uma socialização dos participantes, que ao falar sobre suas próprias experiências e ouvir a dos outros, ficam mais motivados a se envolver em causas sociais.
Escutar várias pessoas, com diferentes opiniões, é uma forma do IPG também dar continuidade aos seus objetivos, que são:
Contribuir para a capacitação dos cidadãos para o pleno exercício da gestão participativa;
Promover a ética, a participação cidadã, a sustentabilidade e a conscientização ambiental;
Promover a divulgação das informações aos cidadãos, com ênfase sobre a realidade municipal e intermunicipal, global e local, de forma conectada;
Estimular o desenvolvimento econômico-social;
Defender a criação de um instituto de planejamento estratégico permanente, independente, para o município de Petrópolis, como forma de orientar de orientar e estimular seu desenvolvimento ordenado e sustentável a longo prazo;
Promover programas e projetos que visem a melhoria do bem-estar coletivo.
Quem quiser conversar mais sobre esses objetivos não pode perder a próxima Roda de Conversa que será realizada pela empresa Crtl+Café, na Livraria Nobel, no próximo dia 22, a partir das 17 horas. O vice-presidente do IPG, Ramiro Farjalla, estará presente e dará continuidade ao tema sustentabilidade e inovação, baseado na literatura de Yuval Noah Harari, em suas obras Sapiens, Homo Deus e 21 Lições para o Século 21.
As dificuldades dos cidadãos para exercerem seus direitos, políticas públicas e o papel do Terceiro Setor na sociedade foram alguns assuntos abordados na Roda de Leitura, realizada pelo IPG (Instituto Philippe Guédon), na quinta-feira (01/06) na livraria Nobel. Com o tema, “O que é ser cidadão?’, as discussões começaram a partir do livro de Philippe Guédon, “Um olhar cidadão sobre a Democracia Brasileira”. Segundo Cleveland Jones, Presidente do IPG, junto com o Vice-Presidente do IPG, Ramiro Farjalla, um dos facilitadores do evento, “o livro é apenas um pretexto para discutir questões tão importante nos dias atuais”.
A importância de conhecer a Constituição Brasileira foi outro ponto abordado. Todos concordaram que muitas vezes o que as pessoas sabem veio a partir da opinião de outros. Por isso, Ramiro destacou a importância do livro de Guédon sobre a Constituição, pois “foi uma análise feita por um cidadão, não foi baseada em ideologias políticas, e sim na experiência deste cidadão”.
Durante a Roda foi comentado que o exercício da cidadania pode começar com uma simples reclamação do morador sobre uma determinada situação que ele saiba que não está correta. E como lembrou Ramiro “a primeira experiência política que temos é em nossa cidade, então é natural que a percepção das pessoas comece desse ponto de partida”. Portanto, os participantes demonstraram preocupação com a dificuldade de fazer com que essas demandas cheguem às autoridades e sejam solucionadas.
O difícil acesso às políticas públicas básicas, seja por falta de informação, manipulação política ou mesmo precariedade financeira, também foi citado com um obstáculo para o indivíduo se sentir como parte de uma sociedade democrática. “As portas para o acesso às políticas públicas às vezes parecem pequenas para o cidadão acessá-las e é aí que entra a importância das associações do Terceiro Setor, como o IPG, que é contribuir, melhorar, onde o Estado não chega”, destacou Cleveland Jones.
A conclusão desta Roda de Leitura foi que a sociedade civil tem que se reunir para encontrar as soluções e para que esta união possa dar certo é preciso participação e planejamento.
A segunda roda de conversa da Livraria Nobel, realizada dia 18 de maio pela empresa CTRL+Café, teve como destaque o vice-presidente do IPG (Instituto Philippe Guédon),Ramiro Farjalla. Advogado, especialista em Direito Ambiental e Mestre em Educação Ambiental pela UCP (Universidade Católica de Petrópolis), Ramiro baseou sua apresentação sobre sustentabilidade e inovação, na literatura de Yuval Noah Harari, em suas obras Sapiens, Homo Deus e 21 Lições para o Século 21.
De acordo com Ramiro, o autor destaca a capacidade do ser humano de criar ferramentas para mudar a realidade no ambiente onde vive e fazer história, o que, logicamente gerou impactos ambientais prejudiciais ao meio ambiente e a sociedade,tendo a pandemia como ápice. Ramiro explica que “para enfrentar os problemas contemporâneos, seja nas dimensões econômica, social e política, a humanidade vem criando nos últimos anos ferramentas nas áreas da legislação, educação e política para chegar à solução”. Entre as soluções Ramiro enfatiza a mobilização social, a gestão participativa e o planejamento estratégico e acredita que por isso o “IPG é inovação, porque o nosso PEP20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis ) é exemplo de inovação social em que o instituto engaja a sociedade civil organizada para a construção de Petrópolis nos próximos 20 anos, no sentido de se tornar um município próspero e sustentável, onde oportunidade de trabalho, empreendedorismo e qualidade de vida são entrelaçados”.
Ramiro acredita que as rodas de leitura e de conversa são espaços importantes para desenvolver a cultura e a consciência da cidadania participativa, “tanto que a obra póstuma de Philippe Guédon foi citada no evento, como uma lição de cidadania, além do direito de votar e ser votado, onde cidadão precisa fazer parte do processo decisório da cidade onde vive. Os tempos atuais urgem da cultura participativa”. Por isso, segundo o advogado, o IPG continuará estimulando a organização desses eventos e que o próximo, também na Livraria Nobel, será realizado em breve e a data será divulgada nas Redes Sociais do IPG.
Também estiveram presentes na roda de conversa, Cleveland Jones, Presidente do IPG, e Gustavo Costa, Coordenador do Projeto “Ecossistemas de Inovações Sociais”, que está sendo desenvolvido pelo IPG. Para conhecer melhor o PEP 20 acesse o link
“A bandeira do mestre Guédon está mais atual com o passar do tempo”. Da esquerda para a direita (Ramiro Farjalla, Gustavo Costa e Cleveland)À esquerda, Sergio Taldo, da empresa Crtl+CAfé
As consequências das mudanças climáticas têm sido bastante debatidas. Porém, um tema que está relacionado e que não é muito comentado é o racismo ambiental, um termo utilizado para se referir ao processo de discriminação que populações periferizadas ou compostas de minorias étnicas sofrem através da degradação ambiental. *
Recentemente este tema se destacou em Petrópolis por causa de um abaixo-assinado realizado pela Gestora Ambiental, Pamela Mércia, para combater o racismo ambiental em Petrópolis.
Pamela MerciaEm palestras, Pamela explica o que é o racismo ambiental
Para entender melhor como isto acontece na prática, o IPG conversou com Pamela. Atuante nas causas socioambientais é Presidente da ONG “Todos juntos, ninguém sozinho”. Trabalha há sete anos como consultora e educadora ambiental e começou o trabalho social em 2020 quando fundou a ONG, com o objetivo de dar assistência emergencial para famílias em vulnerabilidade por conta da pandemia. O que fez com que se aproximasse mais das questões sociais e encaixou com o trabalho na área ambiental. Assim a ONG passou a lidar com questões socioambientais.
O assunto racismo ambiental ficou muito mais forte para Pamela por conta das tragédias ocorridas em Petrópolis, em 2022, quando a família dela foi duramente afetada pelas chuvas de março, sua mãe e irmã perderam a casa, e a ONG de Pamela também foi interditada. Para ela “Foi muito difícil ter que lidar já com um trabalho que desenvolvia na ONG, atendendo as famílias que perderam suas casas e familiares em fevereiro, e ao mesmo tempo ter que lidar de forma muito mais próxima, vendo a casa em que cresci ser interditada”. explicou. Pamela ressaltou que naquele momento viu como o racismo ambiental a afetou diretamente e assim “por ser uma pessoa preta e militar pela justiça social, nada mais lógico e importante que lutar pelo racismo ambiental”. Além do abaixo-assinado, Pamela também tem participado de eventos que promovem ações para a sensibilização sobre o racismo ambiental.
Vamos conferir a entrevista.?
IPG– Em Petrópolis quais as áreas onde o racismo ambiental é mais visível?
PM – Em todas as comunidades onde residem a maioria de pessoas pretas e pobres, é onde temos o racismo ambiental. E por que essas áreas? São localidades mais distantes do Centro, onde as pessoas têm mais dificuldades de acessar escola, hospital, onde não há os serviços básicos ou é precário. Aí tem o racismo ambiental. O racismo ambiental não está só atrelado a eventos extremos, dias de chuva e locais onde ocorrem desabamentos. É um problema contínuo, diário. Quem reside nas comunidades sofre com isso. Se você entrar numa comunidade vai ver grandes lixeiras cheias de lixo, porque não comportam a quantidade de lixo que aquela comunidade gera. E se ainda tem um déficit na coleta, a situação é muito pior. E essa precarização de serviços afeta a saúde, porque há proliferação de vetores (ratos, baratas, mosquitos, moscas, insetos) que pode gerar doenças. Você não vê isso em locais de casas bem estruturadas, visivelmente com poder aquisitivo melhor e onde a maioria são brancos.
IPG – Como a cidade foi inicialmente colonizada por europeus, acredita que isso pode dificultar a compreensão de que esta situação também ocorre em Petrópolis? Se concorda, como você acha que é possível sensibilizar a população petropolitana sobre o racismo ambiental?
PM – Petrópolis, na verdade, era um espaço de veraneio. Valério Winter, geógrafo de Petrópolis, conta no livro “Petrópolis e Meio Ambiente”, que a formação de Petrópolis vem das pessoas muitos ricas que vinham com D.Pedro passar férias e quando se instalaram as fábricas de tecido, vem a mão de obra, que são as pessoas mais pobres e começam a se instalar próximo às fabricas em locais que não são seguros. Moramos numa cidade conservadora onde pessoas brancas ocupam a maior parte do poder. Então é muito complicado sensibilizar porque as pessoas brancas não passam por isso, elas nunca vão entender o que é isso. Aí estamos falando de vários contextos, não só de racismo ambiental, mas também racismo institucional, racismo estrutural que tem que ser quebrado por uma visão de quem comanda Petrópolis, que são pessoas brancas. Precisamos sensibilizar sempre, explorando canais de informação, apoiando pessoas que abordam esse tema, não só eu, como outros, e abrindo espaços como esse (referindo-se a essa entrevista). Porque precisamos expor esse problema de quem é afetado, as pessoas pretas. Mas quem precisa dar espaço são pessoas brancas.
IPG– Quais políticas públicas relacionadas ao racismo ambiental você sugere para Petrópolis?
PM – Petrópolis precisa de políticas públicas para melhoria da habitação, precisamos que essas pessoas tenham locais apropriados para habitar, já que os locais que elas residem não são adequados. Sobretudo precisamos de pessoas pretas ocupando lugares de poder, porque são pessoas pretas que vão poder tomar decisões. Pessoas brancas não passam por isso. Não vão notar esse problema e, se notarem, não vão notar urgência. O resultado disso é o que vemos em Petrópolis, não temos pessoas pretas no poder, logo cada ano que passa mais pessoas são atingidas. Mais pessoas morrem, mais pessoas ficam desabrigadas e mais pessoas passam por esse problema, ficam completamente desesperadas a cada chuva que chega, a cada verão. Então, precisamos de pessoas pretas ocupando esses espaços para fazer políticas públicas.
IPG – Poderia falar um pouco sobre o mito de que as mudanças climáticas atingem a todos por igual? Essa é uma das dificuldades que muitas pessoas têm em compreender este conceito de racismo ambiental.
PM – Estamos vivendo uma crise climática global, onde o mundo inteiro está sendo atingido. Alguns países poluem mais, que são os mais ricos, Estados Unidos e China. E há países que são completamente devastados por catástrofes, tsunamis, inundações terremotos e que não possuem estrutura alguma por serem países muito pobres e poluem muito pouco. Então, sim, as mudanças climáticas não afetam de forma igual. Aqui no Brasil, a gente vê mais mudanças climáticas e percebe-se o ônus e o bônus. Se alguém está recebendo o bônus, alguém tem que estar recebendo o ônus. Vimos isso em Mariana (MG). Quem se beneficia com o trabalho de grandes mineradoras? Pessoas muito ricas. E quem leva o ônus disso? Pessoas muito pobres, que residem perto desses grandes empreendimentos, instalados em lugares mais distantes. São pessoas pobres racializadas, como povos originários, quilombolas e pessoas pretas. Então, se essas pessoas que tem menos acesso, menos recursos, menos voz, menos visibilidade, elas é que serão mais afetadas. Com as mudanças climáticas, o nível de precipitação vai aumentar, isso é algo que já mudou no clima, as chuvas não serão como antes, serão mais intensas, mais fortes. Por causa da grande quantidade de gases do efeito estufa, o aquecimento do planeta subiu. Um planeta mais quente faz com que a evaporação da água seja mais rápida e a precipitação também ocorrera mais rápido e será mais intensa. Só que as cidades não estão preparadas. Um exemplo é aqui em Petrópolis. Em 2022, fevereiro e março, o Centro foi atingido, área nobre, e os bairros também. E para quebrar esse mito de que as pessoas são atingidas de forma igual, é só andar pelo Centro e ver que já está estruturado e as comunidades não estão. As comunidades ainda possuem cicatrizes fortes das chuvas. Muitas não se reergueram, algumas estão se levantando agora e quem mora lá nas comunidades também, passando por diversos problemas, de instalação, de adaptação e psicológicos. Isso é nítido.
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Para acessar o abaixo-assinado de Pamela para combater o racismo ambiental, clique aqui.
Quando pensamos em políticas públicas quase sempre nos lembramos de ações relacionadas à saúde, à educação e à economia. Raramente o esporte é citado de imediato. Mas ter uma política pública voltada para este setor também é importante para a sociedade.
Para entender melhor como devem ser essas políticas e como elas beneficiam a população, o IPG conversou com o Profissional de Educação Física Renato Farjalla, que possui mais de trinta anos de experiência nesta área. Formado pela UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), em 1989. Renato é Mestre em Inovação Institucional em Educação Física Esportes e Lazer, pela Universidade Gama Filho, e Doutor em Ciências do Desporto pela Universidade Trás os Montes e Alto Douro, Portugal. Renato também já atuou como pesquisar responsável pelo Laboratório de Atividades Físicas, Esportes e Lazer na Unesa, entre 2005 e 2018, e atua nos Conselhos Municipais do Idoso e do Esporte.
Sempre envolvido em estudos e projetos sobre políticas públicas para o Esporte em Petrópolis, Renato é autor de estudos sobre perfil de usuários, impacto de programas públicos e privados na saúde, educação, turismo, mobilidade da cidade de Petrópolis.
De acordo com Renato, uma prova da importância de implementar políticas para o esporte é que “cada unidade de real investida em política pública de esporte e lazer, chega-se a economizar mais de quatro reais na área de saúde”.
Quer saber mais?
Confira a entrevista.
IPG: Qual a importância das políticas públicas para o esporte no cotidiano da população?
RF: As Políticas Públicas são um modo de atuação e gestão da administração, que o governo imprime durante ciclos de governança, seu ciclo político. Existem as políticas públicas de governo e as de Estado, dentro da área do esporte. O cotidiano da população é tremendamente interferido, sofre interferências dessas políticas que são voltadas ao atendimento das necessidades da população. As políticas públicas são o Estado em Ação, o Município em Ação”.
IPG – Quais os reais benefícios para a saúde?
RF: Se sabe muito que o exercício é a medicina preventiva mais eficiente e barata que se tem conhecimento científico a respeito disso. Então, os benefícios à saúde são inúmeros porque as doenças crônicas não transmissíveis, por exemplo, como a obesidade, vêm do sedentarismo e do acúmulo de energia, ou seja, de comida. Todas as doenças cardiorrespiratórias, hipertensivas, tudo isso vem em função do sedentarismo, da pouca prática de atividade física sistemática ou ainda da falta de incentivos aos exercícios e às noções de autocuidado. A educação da população de uma cidade pouca amiga do exercício físico, pouca amiga da mobilidade ativa, das práticas regulares ou ainda a baixa qualificação da educação física nas escolas, cria um ciclo de sedentarismo e de aversão ao exercício até das próprias famílias que não incentivam seus filhos a participarem de exercícios ou a participar das aulas regulares, torna-se um círculo vicioso.
IPG – Na prática, como devem ser aplicadas essas políticas no Município? Já existem?
RF: No município essas políticas existem de uns tempos para cá. Está se profissionalizando, se qualificando. São políticas que vem desde quando a Secretaria (de Esportes) não existia. Vem de uma transição de uma coordenadoria para secretaria. Elas já existem e são voltadas, por exemplo, no atendimento das necessidades das populações, das reinvindicações das populações. Por exemplo, a rua de lazer na Barão do Rio Branco é uma reinvindicação da população. Projetos esportivos que atendem crianças no contraturno escolar também é uma reinvindicação antiga da população. Esses projetos existem, são feitos por exemplo, no CEI do Caxambu, num ginásio que tem verba federal, que serve exatamente para isso, aulas de educação física para as escolas do entorno e preencher o tempo livre da população.
IPG – O estilo de vida da maioria da população não colabora para que consiga praticar uma atividade esportiva. Então, você tem alguma sugestão de como motivar ou facilitar essa prática?
RF:Se tem uma cidade que não é amiga, que é potencialmente adversária das pessoas para que elas tenham uma boa mobilidade fisicamente ativa, ou seja, andem com segurança, possam usar bicicletas, isso dificulta a prática. Petrópolis está atrasada uns 50 anos na mobilidade, em relação a isso, gravemente. Na cidade prevalece o carro. Tem um carro para cada dois habitantes. Então, essa questão do estilo de vida ativo que chame as pessoas para uma atividade física, um exercício físico, que é algo mais intenso, em um lugar acessível isso tem que ser discutido, porque isso impõe um enorme custo ao erário público no tratamento das doenças. Então, o tratamento das doenças crônicas não transmissíveis como obesidade, hipertensão, diabetes, seriam minimizadas se houvesse uma cidade com estilo de vida mais ativo, que congratulasse a quem corre, quem anda, quem pedala, nada, a quem usa o ginásio público como uma forma de exercitar e manter sua saúde com consciência e educação, que tem haver com alimentação, com hábitos saudáveis.
IPG – Na sua prática, poderia dar algum exemplo de indivíduos (crianças e adultos) que passaram por alguma transformação ou benefício após aderirem ao esporte?
RF – Existem centenas de exemplos de populações que se tornaram mais ativas fisicamente. Temos exemplos de cidades, e até de Petrópolis mesmo, no início dos anos 2000 quando passou por um programa de iniciação desportiva promovido pela Prefeitura. Teve um aumento de aderência às práticas esportivas e às aulas esportivas. São exemplos de que as pessoas crescem e se desenvolvem através de políticas públicas regulares de baixo custo e de grande impacto na população. Então, são formas de fazer com que as pessoas tenham melhoria de qualidade de vida a partir do oferecimento que lhes é proposto. E um outro aspecto interessante é a própria rua de lazer que acontece aos domingos e feriados. Essa rua provocou o hábito de caminhar e muitas pessoas aferidas pelos seus médicos e em programas de pesquisas, tiveram redução da pressão arterial e o surgimento de um gosto esportivo, um gosto pela prática, que trouxe mais saúde.
IPG – Gostaria de citar mais algum ponto importante sobre essa política pública em Petrópolis?
RF: As Políticas Públicas de esporte e lazer na cidade estão amadurecendo, porque elas deram às mãos à Educação, que é a origem do esporte e lazer; à cultura, que é uma questão da compreensão de que o movimento é uma razão cultural, o esporte faz parte de uma cultura, e ao turismo, congratulando, por exemplo, os eventos esportivos que mexem um erário considerável de dinheiro, com as pessoas que vêm aqui e que fazem exercício e esporte, que gastam dinheiro, que fazem com que o ciclo do capitalismo que envolve o esporte, de lazer ou de desempenho, seja acrescido de um montante considerável. É muito importante que as políticas públicas sejam colocadas em Petrópolis com um caminho de cuidado com a população. É muito importante nós percebermos que Petrópolis depois da pandemia e de duas tragédias socioambientais seguidas, que ela precisa de cuidados, precisa cuidar da população e uma das ferramentas que cuida da população e combate o estresse e todas as mazelas, do sedentarismo, da depressão, em várias faixas etárias, desde crianças aos adultos, chama-se atividade física ou ESPORTE.
Renato Farjalla em algumas de suas práticas esportivas
Conversar sobre assuntos fundamentais para a coletividade podem ser discutidos de forma leve e descontraída. Assim foi a roda de conversa que o IPG (Instituto Philippe Guédon) promoveu na Livraria Nobel neste sábado (21/01). O tema, “Democracia e Cidadania”, foi inspirado no livro póstumo de Philippe Guédon “Um olhar cidadão para a Democracia Brasileira”. Na roda, os participantes puderam não só trocar ideias, mas também conhecer um pouco mais sobre quem foi Philippe Guédon.
A Presidente de Honra, Silvia Guédon, contou várias histórias sobre a atuação de Guédon em Petrópolis, como seu empenho na formação de associações de moradores, cooperativas de reciclagem e a fundação de um partido que depois ele mesmo teve coragem de sair porque o partido havia perdido compromisso com o bem comum. Silvia lembrou que foi ele quem formou a Frente-Pró Petrópolis após a tragédia do Vale do Cuiabá e que esta Frente que deu origem ao IPG.
O livro acabou inspirando outros assuntos como gestão participativa, formação dos partidos políticos, contestação do sistema, críticas a falta de ação do Poder Público, volta do orçamento participativo, mobilização social, e claro, o Planejamento Estratégico para Petrópolis (PEP 20), elaborado pelo IPG, também foi mencionado.
Quem já havia lido o livro também deixou sua opinião. Ramiro Farjalla, por exemplo, disse que na obra de Guédon “Há um olhar crítico para a situação atual e que ele faz um resgate do conceito de Democracia, do poder do povo para o povo”.
A Diretoria do IPG considerou o encontro um sucesso e acredita que são eventos assim que fazem com que o cidadão reflita sobre sua participação na sociedade.
Os interessados em conhecer melhor esta obra, já podem adquirir o livro na Livraria Nobel, que fica na Rua 16 de março, 399.
Silvia Guédon autografando o livroE ao lado de Sandra Madeira, proprietária da Livraria