Em um local que integra o meio ambiente natural a um centro urbano e histórico, o GT de Meio Ambiente do IPG (Instituto Philippe Guédon) iniciou na manhã de sábado (24/06) os trabalhos para a revisão do PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis na visão de 20 anos – Construindo a Petrópolis que Queremos).
No Parque Natural Municipal Padre Quinha, mais conhecido pelos petropolitanos como Parque Ipiranga, o grupo definiu as primeiras ações para estabelecer diretrizes e objetivos para esta revisão que será adequada à realidade de Petrópolis, após as tragédias socioambientais que ocorreram em fevereiro e março na cidade.
O PEP 20 foi formado a partir de oito grupos temáticos com participantes de diversos setores da sociedade petropolitana e contém propostas para o desenvolvimento da cidade nos próximos 20 anos e foi entregue a todos os candidatos a Prefeito de Petrópolis, em 2020.
Você sabia que o IPG fez um diagnóstico com os problemas socioambientais de Petrópolis?
E que este diagnóstico foi feito com a participação de representantes da sociedade civil?
Todos esses assuntos que hoje estamos discutindo depois das tragédias do início do ano como plano de prevenção de riscos, cuidado com as margens dos rios, descarte correto de resíduos e muitos outros estão lá no PEP 20.
Por isso o IPG acredita que para solucionar todos esses problemas é preciso PLANEJAMENTO. E o PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis) é uma ferramenta que pode ser útil para definirmos estratégias para termos a Cidade que Queremos
Pensar em um novo caminho para Petrópolis e assim dar continuidade à elaboração do PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis), organizado pelo IPG (Instituto Philippe Guédon) com a participação de mais de cem representantes da sociedade civil, foram assuntos debatidos na reunião desta terça-feira (03/05), realizada no Sicomércio e convocada pelo IPG para a retomada dos oito grupos de trabalho, que elaboraram as propostas contidas no documento.
A primeira versão do PEP foi entregue a todos os candidatos a Prefeito, em 2020, e propõe estratégias para o desenvolvimento da cidade nas seguintes áreas: Urbanismo e Infraestrutura; Saúde; Educação; Desenvolvimento Econômico; Meio Ambiente e Sustentabilidade; Cidadania; Administração Pública e Cultura.
Um dos objetivos do encontro, que contou com a presença de representantes da sociedade civil e também empresários de vários setores, foi motivar a participação de novos membros nos grupos de trabalho. Para isso, a diretoria do IPG explicou como foi feito o PEP e como funcionam os grupos. Destacou que é um trabalho voluntário, que precisa de novos participantes para que se possa enriquecer o PEP com ideias, projetos e ações, que possam ser executadas por qualquer governo, que sejam políticas públicas e não partidárias.
Como impulsionar a economia petropolitana, após as tragédias socioambientais ocorridas em fevereiro e março, também foi bastante debatido. Alguns participantes sugeriram que o IPG também comece a propor ações de curto e médio prazo e outros já escolheram de qual grupo querem participar. Em breve o IPG irá novamente convocar os grupos para que comecem a organizar os trabalhos de atualização do PEP20.
Os interessados em participar podem acessar o formulário no link https://forms.gle/CeQyuwvugq1m8PZR9 . Neste formulário, poderá escolher qual o tema e também já poderá dar sugestões. Mais informações sobre o PEP 20 no site http://www.ipg.org.br
O que é o PMRR (Plano Municipal de Redução de Risco)? Como deve ser aplicado? Quais as perspectivas econômicas para Petrópolis após as tragédias socioambientais que ocorreram este ano? Estes foram alguns temas da entrevista que o IPG fez com o engenheiro e sócio da empresa Theopratique, Luís Carlos Dias. A empresa tem dado apoio à Defesa Civil, na elaboração de laudos, além de outras questões relacionadas às obras, como vistorias e licenciamentos. Com larga experiência, Luís Carlos fez parte da equipe que elaborou o PMRR em Petrópolis e também participou do projeto de reconstrução da cidade após as chuvas de 1988, outra grande tragédia ambiental da história petropolitana. O engenheiro também integrou o grupo que participou da elaboração do PEP 20 (Planejamento Estratégico para Petrópolis), organizado pelo IPG (Instituto Philippe Guédon)
IPG – Você participou da elaboração do Plano Municipal de redução de risco de Petrópolis, em 2007, e depois também da atualização em 2017. A população normalmente desconhece detalhes desses planos, então, poderia explicar, como é este plano, na prática? LC – O Plano foi elaborado a partir de uma metodologia própria desenvolvida pela equipe da THEOPRATIQUE de forma a atender as Normativas e Diretrizes da CEF (Caixa Econômica Federal) que fiscalizou todo o trabalho. O PMRR elaborado em 2007 abrangeu apenas o território do primeiro distrito que concentra mais de 60% da população de Petrópolis. No PMRR, versão 2017, o plano foi ampliado para os demais distritos (2o, 3o, 4o e 5o) e foi feita uma revisão/atualização para o primeiro. Primeiramente, preparouse uma base cartográfica para cada distrito. Nessa base foram elaborados mapas de estado natural: mapa de vegetação; mapa de isodeclividades; mapa de curvatura; mapa de drenagem natural; mapa de domínios geológicos. Estes mapas foram integrados através de um modelo probabilística, a partir do conhecimento de uma probabilidade inicial para cada região ou distrito, por exemplo, a região do Alto da Serra, historicamente tem uma probabilidade alta de escorregamentos. Esta integração temática produziu o Mapa de Perigo (Suscetibilidade de Escorregamentos), ou seja, define as áreas mais perigosas nas encostas da Cidade. O Mapa de Perigo foi integrado com um mapa da urbanização do município, onde foram delimitadas manchas com diversos padrões construtivos. Ou seja, quanto pior o padrão construtivo, mais os seus moradores são vulneráveis. Assim, a partir dessa integração obtém-se o Mapa de Risco, delimitando Manchas de Risco Baixo, Médio, Alto e Muito Alto. Destas, as que nos interessam são as Áreas de Risco Alto e Muito Alto. Por fim, nas Áreas de Risco Muito Alto e Alto foi feita uma planta definindo Categorias de Intervenção para cada Área de Risco: Reassentamento de famílias; obras de infraestrutura (drenagem e contenção); melhorias habitacionais; saneamento básico; recuperação de áreas degradadas, etc. Todas essas intervenções foram a época quantificada em termos de valores de investimento em cada região. Enfim, hoje, por conta desse trabalho conhecemos com boa acurácia e precisão as nossas Áreas de Risco. Além disso, elaboramos um documento muito interessante sobre as intervenções não estruturais.
IPG – Como o PMRR deveria ser aplicado? LC – Primeiramente, o PMRR deveria ser amplamente empregado pelos diversos órgãos da PMP, o que acaba não ocorrendo, por várias razões, mas quando há uma demanda do MP (Ministério Público), acabam usando como referência. Mas tem sido usado para, por exemplo, em projetos para a captação de recursos, como foi o caso do PAC das encostas que captou cerca de R$ 60 milhões em obras de infraestrutura para a prevenção e acidentes. Mas o que gosto sempre de chamar atenção são as ações não estruturais que envolvem a conscientização dos moradores em áreas de risco, pois, entendemos que eles têm que ter a consciência de sua condição e diante disso tem que lutar para mudar essa condição. Além disso, existe uma questão séria, que é o Controle Urbano, que envolve as ações de fiscalização para impedir a expansão e adensamento das áreas de risco que são negligenciadas pelas sucessivas administrações. Estas ações são deixadas de lado pelos administradores, pois, não aparecem e promovem um enorme desgaste político, pois, conflitam com muitos interesses nas comunidades, como por exemplo, construção de moradias de aluguel, invasões com venda de terras, desvalorização de imóveis, etc. Existe em muitas áreas de risco um mercado imobiliário informal, eu melhor diria, marginal, que na ausência, de uma política habitacional, ocupa os espaços da cidade. Enfim, fazer obras sem uma política habitacional perene, sem conscientização dos moradores nas áreas de risco e sem controle urbano, vamos continuar enxugar gelo. Hoje ainda penso que urge mudar o eixo de desenvolvimento da cidade com a criação de novos polos de geração de emprego e renda com áreas habitacionais próximas, ou seja, uma mudança no planejamento urbano da cidade. Na Secretaria de Obras estamos trabalhando na fiscalização das obras emergenciais e na gestão e elaboração de projetos de reestabelecimento de vias e reconstrução. Entendemos que este ano vamos desenvolver projetos para a captação de recursos junto do governo Federal e Estadual, pois, a reconstrução pós 15/02 e 20/03 vai demorar vários anos. Participei do projeto de reconstrução pós 1988 e sei como o processo é demorado e, em face das obras de grande vulto que tem que ser feitas, não vai acontecer de curto prazo.
IPG – Quais as principais dificuldades que você tem encontrado neste trabalho de fiscalização? LC – Não estamos trabalhando com a fiscalização de obras particulares, está ação faz parte do Controle Urbano que discorri anteriormente. Inclusive, a Fiscalização que hoje existe é uma fiscalização que foi concebida para a Cidade Formal, portanto, não se aplica às áreas de risco que não tem as características da cidade formal, portanto, há de se criar uma fiscalização própria para essas comunidades.
IPG – A empresa também colabora com a realização dos pareceres técnicos dos laudos de vistoria, pois a demanda foi muito grande para a Defesa Civil. Você percebeu um aumento dessas vistorias em locais onde antes não havia tanto risco? LC – No momento imediatamente após eventos catastróficos como os ocorridos em 15/02 e 20/03, com mais de uma centena de mortos e muita destruição, as pessoas tendem a desenvolver uma maior aversão ao risco e, assim, demandam por vistorias pela Defesa Civil em seus imóveis. Em poucos meses essa demanda se ampliou para quase 10 mil Registros de Ocorrência (RO). Muitos desses ROs são duplicados e não detectados pelo sistema, mas como se organizou os profissionais por regiões, quando se sai para fazer a vistoria já se constata a duplicidade do RO. Mas o que ocorre é que grande parte da população foi sensibilizada pela catástrofe e precisa desse apoio técnico para ser orientadas quando tem o seu imóvel interditado, por estar em situação de risco iminente ou até mesmo tranquilizadas quando o risco é baixo ou até inexistente. Mas esse trabalho de apoio técnico precisa ser ampliado para se tornar uma Assistência técnica permanente, muitos chamam de Engenharia Social. Noções de como construir, como adaptar as construções para as encostas, orientação para pequenas obras de contenção e drenagem e gestão de conflitos com vizinhos, etc.
IPG – Como morador de Petrópolis, mas também como profissional, poderia falar um pouco da sua percepção sobre a realidade da cidade neste momento e qual a sua perspectiva para os próximos meses? LC – Percebo que desde 2014 com a acentuação da crise econômica associada a uma instabilidade política a nível estadual e federal, depois com o advento da pandemia e agora esses eventos catastróficos, a Cidade se abateu muito do ponto de vista econômico. O Polo de Moda é Vestuário que tem como principal vitrine a Rua Teresa, que chegou a faturar mais de R$ 4 bilhões anuais, encontra-se com problemas estruturais, pois, não produz moda, enfrenta a concorrência inevitável com o e-comerce; as grandes empresas não tiveram sucessão; concentração de imóveis em poucos proprietários. O setor de turismo também sofreu muito com a pandemia e resiste, de uma certa forma a se profissionalizar permanecendo como uma iniciativa de negócios familiares, não se avançou com o Centro de Convenções e outras iniciativas. Mas temos outros setores muito promissores, pois, somos hoje uma Cidade Universitária, temos que atrair e, principalmente, estimular nossos jovens e suas propostas de startups na área de TIC (Tecnologia de Informação e Comunicação).Tirar do papel o Condomínio Industrial. E por aí vai. Temos que ser revolucionários, temos que inovar, temos que ousar, pensar grande, passar por cima dessa mentalidade conservadora. Uma Cidade de veraneio de cariocas não vai a lugar nenhum!!!
A realização de obras para a reconstrução de Petrópolis após as duas tempestades que resultaram em desastres socioambientais em Petrópolis, tem sido uma grande preocupação dos moradores. O IPG conversou sobre esta questão com Claudia Karina Wilberg Costa, Arquiteta e Urbanista. Karina, como é mais conhecida, é carioca e reside em Petrópolis desde 1986. Atualmente é profissional autônoma e aposentada como servidora pública municipal de Petrópolis/RJ. Participa de diversas Organizações da Sociedade Civil e é membro do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Piabanha, das Sub-bacias Hidrográficas dos rios Paquequer e Preto (Comitê Piabanha) e representa o CBH Piabanha no Conselho de Meio Ambiente municipal (Comdema). Atualmente é Presidente do NAU, Nucleo Petropolitano do IAB-RJ.
IPG – Após as chuvas de 15 de fevereiro e 20 de março, em relação à estrutura da cidade, a partir da sua experiência, que obras devem ser feitas na cidade nos próximos cinco meses, para queproblemas como os que ocorreram possam ser, pelo menos, minimizados?
Karina – Cinco meses, em termos de planejamento de obras, é um tempo muito curto. Porém, obras emergenciais de recomposição das vias são as mais prementes para que se possibilite a mobilidade urbana e a e podem ser executadas neste período. Obras de remoção de habitações em áreas de risco, grandes contenções e drenagens, novas soluções para nossos rios quanto a retardar os fluxos das águas, demandam estudos, licitações, e devem fazer parte de ações de estado, ter continuidade, não sendo soluções de curto prazo. Seria possível também fazer a remoção dos materiais soltos em locais onde houve deslizamentos, de modo a possibilitar estudos de aproveitamento destas áreas, seja para a proteção, seja para um uso seguro através de obras que minimizem os riscos. Já se chegou à conclusão de que Petrópolis não comporta a população que tem. Precisamos pensar, e digo isso contemplando a sociedade civil e toda a sua vivência, em como podemos viver por aqui comresiliência, com adaptações ao clima e as normas construtivas.
IPG – Petrópolis está dentro da área de proteção ambiental APA-Petrópolis, que é federal. Temos áreas protegidas tanto quanto a sua história quanto ao fato de estar dentro da região de mata atlântica. Poderia explicar em relação às obras emergenciais, quais seriam de atribuição do Estado e quais do Município?
Karina – Esta discussão está acontecendo com o apoio do Ministério Público, que já mapeou obras emergenciais que caberiam ao município e ao estado. Petrópolis é um município com suas peculiaridades históricas e ambientais. Temos áreas de patrimônio histórico tombadas e o município deve chamar os órgãos de tombamento para participar das decisões quanto as obras propostas, inclusive, as emergenciais pois muitos rios são tombados e para a reconstituição de suas margens deve ser ouvido o órgão de tombamento. Não adianta o município se omitir dizendo que o estado é quem vai fazer esta ou outra obra. Cabe a ele fazer esta mobilização e participar também das obras que caberão ao estado. Quanto ao acompanhamento das obras pela Apa Petrópolis, sua existência se dá para evitar a degradação ambiental da região, portanto deve também estar inserida nas discussões e ser ouvida quando de propostas para a reconstrução do município.
IPG – Você já participou e participa de várias Organizações da Sociedade Civil (NAU, IPG, REDE Ser.ra, Comdema). Qual a sua motivação para este engajamento?
Me sinto compelida a fazer algo. Sair da indignação para a ação! Não podemos esperar que alguém vá fazer! Sou apenas uma arquiteta que vivenciou, por dentro, o município por 27 anos e mesmo com a falta de estudos complementares como mestrado e doutorado, consigo contribuir com a minha vivência. Desde 2007, com o apoio de colegas como o Paulo Leite entre outros, comecei a frequentar as reuniões do Comitê Piabanha, onde fui aprendendo sobre gestão as águas, bacias hidrográficas, proteção e produção das águas, saneamento, de modo a propiciar a tomada de decisão com relação ao gerenciamento dos recursos hídricos na bacia. Hoje também estou coordenadora da Câmara Técnica de Saneamento Básico do comitê onde também estou como componente da diretoria.
IPG – Neste momento, como motivar a população petropolitana a participar das Organizações da Sociedade Civil e dos Conselhos?
Karina – Nossa! Superimportante isso! É muito difícil motivar a participação popular. Talvez tenha a ver com não se meter com a vida dos outros, algo cultural! As pessoas precisam abrir um tempinho nas suas lutas diárias, para ajudar a comunidade, a cidade onde vivem. Ficar em casa reclamando para as paredes não leva a nada além de criar uma nuvem pesada sobre si. Já em grupo podemos buscar por soluções, obter apoios. Penso ainda, que cabe ao Estado buscar caminhos e promover a capacitação de representantes da população para os diversos espaços de participação disponíveis através de cursos e apresentações nas diversas localidades. Tem que criar um setor que faça este serviço de modo a contemplar os sonhos e as lutas do Philippe Guedon, do Augusto Zanatta, do Bruno Nascimento, entre outros, todos que já se foram, mas que deixaram suas sementes.
Um dos maiores desafios para a cidade de Petrópolis após as tragédias socioambientais dos dias 15 de fevereiro e 20 de março será implementar uma política de habitação. O IPG conversou com o arquiteto Adriano Gomes sobre o que é possível fazer sobre esta questão. Graduado pela UFRJ, Adriano é mestre em Urbanismo pelo PROURB/UFRJ e tem experiência em projetos corporativos e Urbanismo, com ênfase na elaboração de loteamentos. Atualmente participa do Nau (Núcleo de arquitetos e Urbanismo) de Petrópolis e também dos Grupos de Trabalhos de Meio Ambiente e Urbanismo do IPG, onde participou da elaboração do documento PEP 20 Planejamento Estratégico para Petrópolis nos próximos 20 anos – Construindo a Petrópolis que Queremos. Confira a entrevista e deixe aqui seus comentários e sugestões.
IPG – Neste momento emergencial as famílias desabrigadas por causa das chuvas de 15/02 e 20/03 estão sendo encaminhadas para o aluguel social. Porém, muitas não estão conseguindo um local seguro e acabam indo para uma outra área de risco ou voltando para suas casas interditadas. O que você sugere para que essas pessoas não fiquem tanto tempo no aluguel social? É possível construir ou conseguir casas a curto ou médio prazo? Será que há imóveis ociosos disponíveis?
AG – O ideal é que tivéssemos programas variados para atender a essa demanda emergencial. O aluguel social, em tese não é um mau programa, mas acaba produzindo algumas distorções como o inflacionamento dos valores de aluguel nesses momentos e um incentivo à ocupação de áreas impróprias justamente para atender a essa demanda. Não posso afirmar que existam imóveis vazios para atender as famílias que precisam de uma casa em momentos como o que estamos passando, mas tudo indica que sim. Há relatos de moradores nos empreendimentos da faixa 3 querendo sair por causa dos prejuízos causados pela enchente e o desconforto dos imóveis, mas não tenho comprovação nem dados confiáveis sobre esses comentários. Concretamente acredito que o governo poderia disponibilizar imóveis construídos especificamente para aluguel social. O valor pago hoje a essas famílias poderia ser investido na manutenção desses imóveis.
IPG – Petrópolis é uma área de montanhas e boa parte da população petropolitana, de todos os extratos sociais, ocupam alguma faixa de morro. Então, tecnicamente, seria possível intervenções que respeitassem a natureza, que pudessem ser feitas em algumas dessas habitações que hoje estão em risco? Se sim, poderia explicar quais seriam essas intervenções? Se a única solução for a remoção, como fazer essa remoção de forma que a população não tenha seu cotidiano drasticamente afetado com a mudança de bairro?
AG – O conceito de que temos a capacidade de intervir na natureza sempre para mitigar os efeitos adversos aos seres humanos está se esgotando. Ou melhor, já se esgotou. As soluções precisam levar em conta as dinâmicas naturais e respeitá-las. Nesse sentido muitas das áreas ocupadas não têm solução que não seja a remoção de quem ali vive. Em outros casos é possível implantar algumas soluções que tornem essas áreas viáveis à ocupação humana. Alguns possíveis caminhos são a relocação dessas famílias em locais próximos e isso, em muitos casos, vai demandar um aumento no adensamento construtivo das zonas seguras. Mas tão importante quanto a realocação dessas famílias é pensar o crescimento da cidade de forma mais segura e respeitosa em relação ao ambiente. Tudo leva a crer (dados do IBGE) que serão produzidas mais 30 a 50 mil novas habitações em Petrópolis nos próximos 20 anos. É preciso mudar essa lógica o quanto antes. Mas sem uma política habitacional consistente não adianta tentar fazer planejamento. A pressão da sociedade vai ser sempre maior do que a visão dos técnicos.
IPG – Você acha possível Petrópolis ter um plano habitacional que consiga respeitar, integrar todas as características da cidade? Ou seja, uma cidade turística, histórica, mas que também possui um polo tecnológico, indústrias, comércio. Se sim, como seria este plano? E como a população pode participar da elaboração desse plano?
AG – Sim, totalmente! Como falei na resposta anterior são pelo menos duas questões que têm que caminhar de mãos dadas. Planejamento e Política Habitacional. Um planejamento constante e com diretrizes e normas muito claras e bem definidas, levando em consideração essa demanda por novas unidades habitacionais. Precisamos de uma estrutura robusta de planejamento na cidade urgente. Poderia até extrapolar o município e ter como delimitação a sub-bacia do Piabanha por exemplo. Também precisaremos desenvolver políticas habitacionais próprias e não ficar a reboque dos governos estadual e federal. Esses entes são fundamentais para o financiamento, mas como nossa realidade é muito diferente da maioria dos municípios brasileiros temos que criar soluções próprias e tentar buscar os canais de financiamento possíveis.
Meio ambiente e economia sendo pensados de forma integral. Esse foi segundo Ramiro Farjalla, Diretor do IPG (Instituto Philippe Guédon), um dos resultados positivos da reunião realizada nesta segunda-feira, no Sicomércio com entidades da sociedade civil. O objetivo da reunião, presidida por Marcelo Fiorini, também presidente do Secomércio, foi mobilizar o empresariado petropolitano para acompanhar as ações do poder público sobre as prevenções de risco e o plano de recuperação econômica no município, com a marca Petrópolis, e fazer uma agenda positiva para recuperar a autoestima da cidade e atrair turistas. Diversos assuntos relacionados à questão ambiental e que estão diretamente ligados à reestruturação da cidade foram discutidos, como a obra do túnel extravasor, limpeza das ruas e desassoreamento dos rios. No encontro Ramiro se propôs a compartilhar o PEP20 (documento elaborado pelo IPG com o planejamento estratégico para Petrópolis nos próximos 20 anos) para apresentarem propostas de curto, médio e longo prazo. Para Ramiro o evento foi “bem proveitoso e mobilizador com a recuperação econômica e prevenção como eixos”. A importância de abrir diálogo com os órgãos públicos, universidades e apoio técnico também foi um dos pontos considerados importantes para a conclusão destas ações e que segundo Ramiro “é um dos propósitos do PEP 20”. Além do IPG, participaram do encontro, Marcelo Schaffer, Presidente da OAB e representantes do segmento empresarial de Petrópolis.
Vamos falar de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)? Este tema faz parte das discussões do GT 05, Meio Ambiente, do PEP 20 Planejamento Estratégico para Petrópolis – Construindo a Petrópolis que Queremos. A PNRS existe desde 2010 mas até agora não foi cumprida em sua totalidade na maioria dos municípios, incluindo Petrópolis. Acontecem apenas algumas ações pontuais de coleta e triagem de materiais recicláveis no Município. Segundo Ramiro Farjalla, advogado e mestre em Educação Ambiental, isto ocorre ,entre outros fatores por, “falta de cultura ambientalmente sustentável, que envolve política de participação social. A lei leva a educação ambiental para a gestão participativa. Porém, precisa-se de políticas públicas de implementação nesse sentido”,enfatiza. A PRNS prevê a inclusão dos catadores de materiais recicláveis em todo o processo de reciclagem, o que também não acontece. Ramiro acredita que para reverter esta situação é preciso políticas públicas de incentivo fiscal e linhas de crédito que facilitem o empreendimento para a logística reversa”. Motivar a população é outro desafio. No IPG está sendo realizado um trabalho no GT05 sobre propostas ligadas à gestão de resíduos. Ramiro explica que a motivação “Começa pela capacitação dos servidores públicos municipais de Petrópolis. Precisa-se levar informação sobre a própria lei da PNRS. A Educação deve ser a chave para a implementação da lei. É uma mudança de cultura e modo de produção e consumo”. Em relação à reciclagem, Ramiro entende que é uma questão logística. ‘Precisa-se de planejamento, vontade política. Petrópolis está perdendo oportunidades econômicas sem a implantação da lei, sobretudo uma lei municipal para atrair investimentos. A sustentabilidade ambiental está se tornando oportunidade de empreendedorismo que envolve emprego e renda”. Então, o IPG quer saber: como a população pode colaborar para que esta política seja implementada em Petrópolis? Para compreender melhor sobre este assunto leia o artigo de Ramiro Farjalla em destaque aqui LinkedIn e deixe aqui seus comentários. Clique no link para ler o artigo https://lnkd.in/dbYGZvBXj Texto: Teresinha Almeida – Gestora de Comunicação