O IPG PRESTA HOMENAGEM A PHILIPPE Guédon


Para homenageá-lo, alunos de arquitetura participarão de concurso para elaborar uma placa comemorativa

Em 25 de outubro de 2020, coincidentemente, dia da democracia, falecia uma das figuras públicas mais carismáticas de Petrópolis: Philippe Guédon. Empresário, político, mas principalmente um cidadão consciente, que acreditava que a participação popular era a ferramenta para a consolidação do processo democrático. Por isso, para marcar a data e a importância de seu fundador, o IPG está lançando um concurso para elaborar um marco comemorativo que será instalado na Casa dos Conselhos, ao lado do prédio da Prefeitura Municipal de Petrópolis.

Cleveland M. Jones, Presidente do IPG, explica que a diretoria resolveu fazer esta ação “como lembrança de seu empenho em incentivar e liderar esforços em prol da gestão participativa, da melhoria da qualidade de vida e do desenvolvimento sustentável em prol da população, e um concurso é uma forma colaborativa de participação”.

Para realizar o concurso, o arquiteto e professor Adriano Gomes, também membro do IPG, convocará seus alunos para apresentar projetos de uma placa ou outro elemento comemorativo. Uma comissão julgadora composta por Karina Wilberg (arquiteta e Diretora de Estratégias do IPG), Cleveland M. Jones e o professor Adriano selecionarão a proposta vencedora, que será utilizada para elaborar o marco comemorativo e instalada na Casa dos Conselhos, em data a ser determinada.

Quem foi Guédon?

Temas como gestão e orçamento participativo, valorização dos catadores de materiais recicláveis, estímulo à formação de associações de moradores, observatório de transparência das contas públicas e muitos outros assuntos que parecem que surgiram há pouco tempo, já faziam parte dos objetivos de Guédon. Municipalista, Philippe Guédon acreditava que a gestão participativa era essencial para o pleno exercício da democracia, especialmente em relação às políticas municipais, que tão diretamente afetam os moradores. Cleveland M. Jones, atual Presidente do IPG, conviveu bastante com Guédon e destaca que “Guédon se dedicou intensamente a promover a gestão participativa e era um profundo pensador sobre como a política partidária é exercida no Brasil, e ele lembrava que nenhum dos estatutos partidários cita o princípio fundamental da Constituição –“Todo o poder emana do povo”.

Em 2013 fundou o Instituto Pró-Gestão Participativa que, após seu falecimento, foi transformado no Instituto Philippe Guédon, presidido por Cleveland M. Jones e que tem como presidente de honra sua filha Silvia Guédon. Um dos principais objetivos é manter vivo o legado de Guédon, através das ações do IPG. Cleveland também ressalta que Philippe Guédon ficou feliz pelas conquistas que chegou a ver realizadas, como a construção colaborativa do PEP20 – Planejamento Estratégico para Petrópolis com Visão de 20 Anos, “e certamente ficaria feliz de ver que o IPG segue fomentando e operacionalizando as iniciativas de participação cidadã, e alcançando novas conquistas”.

Além de um exemplo de cidadão preocupado com a Democracia e com as políticas públicas do município, Guédon também foi uma referência em seu núcleo familiar. Philippe Chaves Guédon e Rodolfo Guédon Tobler, netos de Guédon, em depoimento ao IPG, contaram como o avô foi importante para suas formações como cidadãos e relembraram momentos marcantes. O neto Philippe lembra de “quando Guédon subiu as escadas do Clube Petropolitano, quando o seu direito ao voto esteve ameaçado por um erro que colocava um senhor de 80 anos para subir escadas para votar, ele desceu da cadeira de rodas, rastejou, subiu as escadas e exerceu o seu direito”. Rodolfo conta que “Muitas vezes não entendia nem o assunto, mas admirava como ele podia, em todos os dias de sua vida, pensar em transformar o mundo em um lugar melhor”.

Para inspirar os participantes do concurso, o IPG reuniu os depoimentos, na íntegra, dos netos de Guédon e também o artigo “Trajetória de Guédon”, escrito por Maria Melo.

Confira abaixo, na íntegra, os depoimentos dos netos de Guédon

Philippe Chaves Guédon

Antes de iniciar, é importante que uma apresentação seja feita. Sou Philippe (Chaves) Guedon, neto de Philippe Guedon. Tive o privilégio de conviver com ele até a sua partida em 2020 e tê-lo como referência para sempre. Compartilhei com ele o gosto pela história, pela política e pelas discussões sobre participação. Esses assuntos moldaram a minha formação e minha atuação profissional e, sem dúvida, tem absoluta relação com o papel que ele desempenhou em minha vida. Hoje, o relato é para trazer lembranças do Philippe, cidadão engajado é apaixonado por Petrópolis. Lembro que, há cerca de vinte anos, ainda em meu período escolar, recebi a incumbência de chamar alguém para participar de um debate. Na hora, pensei no meu avô. Eu não tinha muita ideia sobre a sua importância para a cidade, para os movimentos participativas ou para o planejamento do município. Ele era meu avô e gostava de política; devia bastar, pensava eu. Ele foi. Já tinha suas dificuldades de locomoção, adentrou o auditório da escola e pegou o microfone para saudar o público e fazer suas primeiras observações. O público era de jovens, adolescentes, muitos não interessados sobre o que a política poderia trazer para vida deles. Não lembro o tempo da intervenção, mas não deve ter durado mais do que uma hora. A sua paixão pelos temas caros à cidadania era tão evidente que era difícil que alguém não se conectasse com o que ele dizia. Afinal, todos somos impactados pela política, diariamente, querendo ou não, percebendo ou não. Saímos de lá e foram muitas as manifestações positivas sobre o encontro, sobre o tema e sobre as suas falas. Ali, ficou claro para mim que aquilo era um dom. Era capaz de despertar interesse ou gerar uma inquietação até naqueles menos propensos a isso. E o mais bonito: esse dom estava à disposição de todos, pensando na coletividade e em como melhorar a nossa vida. Foi esse espírito que o guiou até os últimos dias. Foi esse mesmo espírito que o fez subir as escadas do Clube Petropolitano em uma espécie de rastejo quando o seu direito ao voto esteve ameaçado por um erro que colocava um senhor de 80 anos para subir escadas para votar. Ele desceu da cadeira de rodas, rastejou, subiu as escadas e exerceu o seu direito. Felicidade a nossa, enquanto família e apaixonados por Petrópolis, que tudo aquilo que ele trouxe até 2020 não se foi junto com ele. São muitos os que foram impactados por essa energia, que recebeu o nome de Philippe Guedon (o verdadeiro). As suas ideias continuam fortes e vivas e o Instituto Philippe Guédon representa essa importância. Agora, cinco anos após a sua partida, Petrópolis continua precisando dessa energia e é um privilégio continuar sentido ela, agora através de diversos outros amigos e companheiros. Um salve para o Instituto Philippe Guedon e um viva para o Philippão, meu avô, de quem tenho muita saudade.

Rodolfo Tobler Guédon

Ser neto do vô Philippe talvez seja o grande privilégio que tive em vida.
Nesses últimos 5 anos tem sido difícil equilibrar a saudade, que só aumenta, com a gratidão em ter convivido tanto tempo com uma pessoa tão especial. Ele continua presente em minha vida. Em toda decisão, novidade ou dificuldade, é nele que penso! Entender a importância de fazer o bem ao próximo, buscar uma sociedade melhor e viver em espírito coletivo, é a maior herança que poderíamos receber. Todos os dias tento ser um pouco mais PhG.Receber um e-mail ou ouvir os próximos planos para seu novo livro, é o que me faz mais falta. Muitas vezes eu não entendia nem o assunto, mas admirava como ele podia em todos os dias de sua vida pensar em transformar o mundo em um lugar melhor. Viver esse privilégio e carregar esse nome é o grande desafio que o IPG tem vem fazendo tão bem nesses anos. Viva vô Philippe, minha maior referência!

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