
Quando pensamos em fontes alternativas de gerar energia limpa logo vem à mente a energia solar. Essa energia renovável e, portanto, sustentável, tem atraído o interesse de empresas e também de cidadãos que querem colaborar com o meio ambiente, mas também reduzir custos.
Para entender melhor sobre esta questão, o IPG entrevistou dois especialistas que fazem parte do GT de meio ambiente do IPG: Massami Saito e Guilherme Mergener.
Confira!!!
O interesse em estudar as fontes de energia alternativas acabou fazendo com que o engenheiro mecânico Guilherme Menerger se encantasse pela tecnologia envolvida na implementação de energia solar e assim desde 2017 está no mercado instalando painéis em todo o Brasil com a sua empresa Engesol. Já a gestora ambiental Massami Saito sempre esteve ligada à preservação do meio ambiente, atua na área desde 2012 e atualmente é coordenadora de gente e gestão da ONG Revolusolar.
A imediata economia financeira é uma das vantagens da energia solar. Segundo Guilherme é uma questão de custo/benefício. “Particularmente eu considero um excelente investimento. É um sistema que se paga em menos de quatro anos e irá gerar uma economia de 90% do valor de consumo por no mínimo 25 anos. Dependendo do consumo, com a economia você pode trocar de carro ou comprar imóveis”. O engenheiro também destaca que o custo está totalmente atrelado ao consumo, “nas instalações com consumo médio de 500KWh/mês, é de aproximadamente 40 vezes o valor da conta, por isso dizemos que o retorno é de menos de quatro anos de consumo. Nas instalações menores, o tempo de retorno é um pouco maior, pois a economia deve descontar a tarifa mínima da concessionária, que num sistema trifásico está em R$ 120,00. Imagine gastar R$ 18.000,00 num equipamento e mão de obra e economizar apenas R$ 150 ou 200,00/mês, você vai precisar de 100 meses para recuperar o investimento”. Guilherme recomenda que neste caso “os consumidores estudem uma melhor forma de economizar ou realizar a obra por uma consciência ambiental, sem se importar com o investimento”.
Como a implementação da energia solar requer um bom investimento parece um sonho distante para comunidades de baixa renda. Mas, este cenário está mudando. A ONG Revolusolar, onde Massami atua, sediada no Morro da Babilônia (Leme/RJ), trabalha com projetos que levam energia solar à essas comunidades através de um modelo de cooperativa solar. A Ong, que surgiu há sete anos, está aprimorando a metodologia de trabalho, chamada de “Ciclo Solar” para que seja replicável. “Como implantamos usinas de energia solar, creio ser possível replicar a experiência em Petrópolis, mesmo que, aparentemente, tenhamos uma incidência solar menor do que no Rio de Janeiro”, explica Massami. Em relação aos custos destes projetos e ela não pode adiantar “pois cada projeto tem características e dimensões próprias e que precisam de patrocinadores”, mas afirma “que sempre será mais vantajoso e educativo o uso de energia solar, como medida de redução de custo, bem como de transição energética e se o poder público tiver interesse e disponibilidade de recursos, pode ser patrocinador do projeto”, destaca.
O Marco Legal da Geração Distribuída, que foi sancionado em janeiro deste ano, determinou que consumidores produtores de energia solar passem a pagar pela Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD).Quem fizer a instalação de energia solar até 6 de janeiro de 2023 será isento de encargos pelos próximos 23 anos. Quem fizer depois desta data, já perderá esta isenção. Será que isso poderá desestimular os consumidores?
Guilherme acredita que “a revogação da isenção da tarifa de uso do cabeamento da concessionária, é justa e não irá interferir de forma significativa os consumidores médios ou grandes, mas pode inviabilizar as instalações de baixo consumo”. Para Massami “A “taxação do Sol”, como tem sido chamada, irá aumentar os custos totais e aumentar o prazo do payback (retorno do investimento), além de “afugentar” outros possíveis interessados, sobretudo os mais pobres”.
Esta questão ainda não está definida. Ainda tramita na Câmara Federal o projeto de lei 2703/2022 que tem por objetivo de acrescentar doze meses ao prazo em que pode ser protocolada solicitação de acesso na distribuidora sem que sejam aplicadas novas regras tarifárias menos vantajosas às unidades.
Como incentivar o uso da energia solar?

“Creio que uma maior informação sobre o sistema, principalmente para arquitetos, engenheiros e formadores de opinião. Vejo muito preconceito e falta de informação para esses profissionais, que são nossos principais clientes”. Guilherme Menerger.
“Projetos de usinas/cooperativas solares podem ser bem interessantes, pois dividem os custos com coletivos de moradores, assim a conta fica mais leve para o consumidor. Pensar soluções como essas é um bom caminho. Condomínios podem propor soluções nessa linha. Comprar as placas de forma coletiva é bem mais interessante do que individualmente” (Massami Saito)

COMO FUNCIONA O SISTEMA DE ENERGIA SOLAR?
O sistema de energia solar pode ser instalado em qualquer local ensolarado. De acordo com Guilherme, “existe a opção de sistemas híbridos, onde você pode armazenar energia em baterias, para os casos de quedas da energia pública”. Mas, áreas com sombreamento ou construções sem área disponível não são apropriadas.
A geração é feita pela reação da luz incidindo nos átomos de silício, essa reação gera excitação dos elétrons, que são instáveis e começam a migrar de átomos e geram a energia. Os módulos atuais têm uma maior capacidade de rendimento, com isso a quantidade de luz necessária pode ser um pouco menor, para gerar a mesma quantidade de watts. Na questão das chuvas o engenheiro explica que “existe um mapeamento da média de horas de sol por dia/mês, em quase todo o território nacional, dependendo do número de horas de sol, podemos calcular a quantidade de módulos solares para a geração de energia necessária para compensar o consumo da residência, comércio, indústria ou propriedade rural”. Portanto, Petrópolis pode ter energia solar, sim.

Essa pequena bateria mantém uma resistência de 4
quartos, com iluminação dos cômodos, geladeira,
sistemas de segurança e internet, por até 12h.

(Fotos e informações de Guilherme Menerger)
Entrevista e edição: Teresinha Almeida