Vivência dos territórios


O dia começou ensolarado
Cheirinho de churrasco, da laje dos vizinhos
Escuto risos e comemorações
A previsão hoje é de tempestade, tremo
Chegar cedo antes que a Avenida encha
A tarde os primeiros pingos de chuva iniciam
Coração acelera
Será que chego em casa?
Subindo o morro, sirene tocando
Preocupação imediata: será que os meus estão seguros?
Em casa, a água começa a subir
A lua se a apaga ao mesmo tempo que escuto o estrondo.
O morro de trás veio abaixo
Gritos de socorro, por alguns instantes
Depois, silêncio voraz, últimos suspiros
A rua se transforma em Rio, Rio de Lama, Rio de Corpos, Rio de Sangue
O que antes era riso,
Agora é pranto, desespero e esperança
Será que ainda há vida?
A lage do vizinho agora é escombro
E o cheiro de morte
Para muitos, a chuva é benção
Para nós, desastre, tristeza, tragedia anunciada
Hoje o independência
Quer a independência
Independência de ter vida digna
Moradia própria e segura!
Águas para vida e não para morte!

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