Planejamento e gestão participativa: entrevista com o empresário jonny klemperer

Gestão participativa, formação de um Instituto de Planejamento em Petrópolis e
Desenvolvimento Sustentável, são alguns dos temas da entrevista com o Diretor
do IPG, Jonny Klemperer, que além da larga experiência como empresário da
área tecnológica, participou de vários movimentos em prol da coletividade, junto
com Philippe Guédon.

Jonny Klemperer, empresário e Diretor Financeiro do IPG


IPG – Além do IPG, você já participou de diversos eventos, atividades,
associações, que envolvem a gestão participativa para o bem da coletividade,
como a Frente Ampla Pró-Petrópolis, em 2011, a elaboração da agenda 21 no
Município, o Polo Tecnológico de Petrópolis, entre outros. Então, explique qual
a sua motivação para participar dessas ações?


JK – Participar ativamente da “gestão participativa para o bem da coletividade” é
obrigação de todo cidadão que se preocupa com a melhoria do seu entorno e da
sua cidade: o cidadão que não praticar esta política-pública, não tem o direito a
reclamar dos problemas que afligem sua cidade!


IPG – Pela sua experiência em associações e como empresário, poderia explicar
de que forma a gestão participativa pode colaborar para o crescimento das
empresas?

JK – É muito simples: se você plantar uma semente num areal, não espere que
venha a obter uma colheita mais adiante. Sem cuidar do solo (cidade), dos
cuidados da adubagem e rega (boa administração pública) e do combate às
pragas (má administração pública), sua colheita será ou pífia ou inexistente!


IPG – Como empresário da área tecnológica, após as tragédias que ocorreram
no início do ano em Petrópolis, você acredita que a tecnologia pode ser a
principal ferramenta para o desenvolvimento de Petrópolis?


JK – A área tecnológica, na qual atuo, nunca foi e nunca será a “principal
ferramenta para o desenvolvimento de Petrópolis” e sim uma ferramenta
essencial-complementar para ajudar a minguar os estragos causados pelas
catástrofes climáticas em nossa região, que são potencializados pelo crime
praticado pelo poder público há décadas de forma consciente e sistemática, ou
seja: falta de planejamento de longo prazo!

IPG – Uma das críticas que sempre são lembradas quando acontecem essas
tragédias é que não havia planejamento por parte do poder público para
enfrentar situações de emergência. Como um dos colaboradores do PEP 20,
poderia explicar a importância do planejamento a longo prazo, para não só
minimizar os efeitos desses eventos climáticos, como também para o
desenvolvimento da cidade como um todo?


JK – Não é verdade dizer que Petrópolis não tem “planejamento urbano” já que
o Plano Koeler de 1846 nunca foi revogado e determinava (entre outras regras)
que as construções à beira dos rios tinha de obedecer a um afastamento bilateral
de 30 metros do eixo do rio e qualquer construção em encosta de morro era
terminantemente proibido! Estas 2 premissas ao serem desrespeitadas
sistematicamente com o passar do tempo (com anuência do poder público),
passamos a nos ater após cada período de verão, a compilar o número de
mortos pela tragédia-anunciada com data-marcada! Prova disto é o que
atualmente podemos assistir atônitos às obras de reconstrução e encerramento
de inúmeras atividades comerciais ao longo do Rio Quitandinha: com exceção
da fábrica São Pedro de Alcântara praticamente todas as construções ao longo
do rio Quitandinha foram atingidas de forma maior ou menor pela enxurrada –
todas fora do padrão Plano Koeler (a São Pedro de Alcântara foi construída
faceada ao rio, por necessidade de abastecimento da água fluvial para mover a
roda-d’água para os teares). Resumindo: qualquer cidade sem planejamento de
longo prazo levado a ferro e fogo, está fadada ao subdesenvolvimento e passa
a ser uma cidade-colcha-de-retalho!


IPG – Há algum tempo se discute em Petrópolis a formação de um Instituto de
Planejamento, como já existe em algumas cidades no Brasil. Acredita que este
Instituto seria a solução para o desenvolvimento da cidade de uma forma
sustentável? Se sim, como seria este Instituto?


JK – Desde a tragédia de 2011 (Vale do Cuiabá) Philippe Guédon & Abnegados
(naquela época reunidos na Frente Pró-Petrópolis/FPP) vêm tentando emplacar
um planejamento de longo prazo via Instituto Koeler/INK em Petrópolis – sem
sucesso e sem qualquer justificativa por parte do poder público! Tomamos por
modelo o IPLAP/Instituto de Planejamento de Piracicaba (formato públicoprivado) pela semelhança com Petrópolis e sucesso de desenvolvimento pósimplantação. Continuamos tentando emplacar o INK, agora pelo IPG/Instituto
Philippe Guédon, mas continuamos sem resposta por quem de direito!


IPG – Você conviveu durante muito tempo com Philippe Guédon. Poderia contar
alguma boa lembrança desse período?


JK – Meu convívio com Guédon se deu entre 2007 e 2020 e a boa lembrança
nesses 13 anos com o “Mestre Guédon” ficou a sua marca registrada do
incansável diálogo no relacionamento Sociedade Civil/Poder Público como
prática da gestão participativa! Tanto mais lastimo que não tenha havido a
devida correspondência por parte do Poder Público.

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